Baixa procura por ingressos pode cancelar Re-Pa

A baixíssima procura por ingressos para o clássico de quarta-feira entre Remo e Paissandu e o atraso no pagamento das cotas dos clubes podem levar ao cancelamento do torneio I Copa da Amazônia, que reúne os dois grandes clubes paraenses e o Bahia (BA). Os organizadores do evento estariam reavaliando a ideia, podendo anunciar nesta terça-feira a desistência do negócio. A diretoria do Bahia já está informada da situação e a delegação talvez nem viaje para Belém como estava previsto. (Com informações da Rádio Clube)

Goleiro azulino está animado para o Re-Pa

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Uma das novidades do Remo no jogo-treino do último domingo foi o goleiro César Luz, que ano passado foi destaque do River-PI na Série D do Brasileiro. O jogador atuou na primeira parte da movimentação e gostou do primeiro teste do Leão.

– Foi um teste bom, me senti bem, apesar de ter sido exigido apenas em saídas de gol. Senti a falta de ritmo, por não jogar há algum tempo, mas isso só se pega jogando mesmo.

Na próxima quarta-feira, o César Luz vai ter a primeira oportunidade de sentir um pouco da pressão que é vestir a camisa do Remo, com a disputa do clássico com o Paysandu, no Mangueirão, a partir das 21h.

– Esse clássico dispensa comentários. Sabemos da importância deste jogo e quanto uma vitória será importante para o nosso grupo. Tenho plena confiança neste grupo e certeza que vamos nos sair bem, pois estamos com vontade. (Da MMSports/foto: MÁRIO QUADROS/Bola)

Em fase experimental

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POR GERSON NOGUEIRA

O Remo fez seu primeiro teste com o novo elenco, venceu por 3 a 1 e Zé Teodoro deve ter tirado suas conclusões sobre a força de que dispõe para o Campeonato Paraense e também para o amistoso de quarta-feira contra o Papão. A movimentação foi boa, a torcida saiu satisfeita e ficou a esperança de que o time venha a dar certo.

Para o clássico, o técnico não vai poder contar ainda com peças recém-chegadas, como Flávio Caça-Rato. São jogadores que estão empenhados em recuperar a boa forma.

unnamed (31)Na prática, Zé Teodoro vai lançar neste primeiro compromisso oficial o time que começou o jogo-treino com o Bragantino. Ainda sem Levy na lateral-direita, terá que improvisar e o setor de marcação fica com Ilaílson e Macena. A armação é de responsabilidade de Eduardo Ramos, ajudado por Fabrício, que também terá missão de marcar.

Já o ataque permanece todo concentrado na velocidade de Roni pelos lados do campo e Rafael Paty (ou Val Barreto) no meio da área. Zé Teodoro, pelo menos por enquanto, com os jogadores que tem, não tem muito como criar variações para o setor, a não ser com a eventual utilização de Ratinho, como no início do amistoso de ontem.

Da partida amistosa, ficou a curiosidade de ver Zé Teodoro utilizando de cara o time considerado B: César Luz; Rodrigo Castanhal, Ian, Igor João e Alex Ruan; Nadson, Warian Santos, Marquinhos e Ratinho; Sílvio e Val Barreto.

O pouco entrosamento demonstrado no primeiro tempo, normal a essa altura da preparação do elenco, não quebrou o ânimo da torcida, que viu Joãozinho abrir o placar para os visitantes, batendo pênalti. Muitos passes errados na saída para o ataque e Ratinho tentando solitariamente resolver as coisas no meio deixaram o Remo à mercê do esforçado Bragantino.

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A equipe considerada titular entrou em cena na segunda etapa e, como esperado, mostrou mais qualidade.  Fabiano; Dadá, Rafael Andrade, Max e Jadilson; Felipe Macena, Ilaílson, Fabrício e Eduardo Ramos; Roni e Rafael Paty. Logo de cara, Macena igualou o placar.

Na criação, Eduardo Ramos deu mais agilidade às ações ofensivas, com passes e lançamentos que serviram para expor as fragilidades do adversário. Em alguns momentos, as triangulações entre Ramos, Fabrício e Roni chegaram a empolgar o torcedor.

Os gols surgiram naturalmente. Dadá desempatou aos 17 minutos e Ramos ampliou aos 44. Como se sabe, nesse tipo de treino o que menos importa é o marcador, mas os dois tempos revelaram as necessidades de ajustes, principalmente à frente da área e algumas indefinições ofensivas.

Até quarta-feira, Zé Teodoro terá que queimar as pestanas para reduzir ao máximo os problemas mostrados ontem para fazer frente ao maior rival no primeiro confronto oficial do ano – este, sim, pra valer. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

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Enfim, a solução para a lateral-esquerda?

Marlon chegou, vestiu a camisa de treino e assumiu a condição de jogador do Papão. Ele foi contratado para resolver um dos maiores problemas do time nos últimos dois anos. O lateral que mais convenceu por ali foi Rodrigo Fernandes na Série C 2012.

unnamedNão era brilhante, mas tinha na regularidade seu principal trunfo. Marcava bem e ajudava nas subidas ao ataque. Com sua saída, o Papão viu-se obrigado a improvisar Pablo até que Aírton foi contratado. Instável, nunca conseguiu aplausos unânimes.

Marlon chega sob aplausos gerais, mas com a imensa responsabilidade de resolver um drama antigo. Experiente, sabe que as cobranças virão logo. Com boas passagens pelo Criciúma (2013) e Vasco (2014), obteve dois acessos à Série A, o que é prova de sua eficiência na posição.

Volante por formação, Marlon começou a cair para o lado esquerdo quando jogou pelo Remo e viveu sua melhor fase no futebol paraense. Apesar disso, sofreu nas mãos de técnicos que priorizavam reforços importados.

Deve estar, a essa altura da carreira, saboreando o fato de que seu futebol só passou a ser enaltecido por dirigentes, imprensa e torcedores paraenses depois que mostrou qualidades lá fora.

Não tenho dúvida: essa renitente vocação vira-lata ainda vai acabar com o futebol papachibé. Que Marlon resolva os problemas do Papão e ajude, em campo, a calar a boca de muitos críticos do passado.

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A supremacia Messi

Números nem sempre expressam a grandeza de um jogador. Às vezes até passam uma falsa impressão. No caso específico de Lionel Messi, porém, eles servem para referendar um super craque, um jogador que já se nivela a Cruyff e Maradona e supera grandes craques do passado recente, como Platini e Zidane.

Ao longo da carreira, em 548 jogos ele marcou 427 gols, acumulou 23 títulos e conquistou quatro Bolas de Ouro. Só pelo Barcelona foram 451 jogos e 382 gols assinalados.

Nenhum outro jogador em atividade conseguiu reunir em tão pouco tempo números tão espetaculares – nem mesmo seu arquirrival Cristiano Ronaldo. Messi talvez só venha a ser atrapalhado por futricas de ordem financeira.

Desenrola-se no momento uma luta silenciosa para que se transfira para um clube use uniformes assinados pelo seu patrocinador, a Adidas. O ocorrido com Figo, ídolo do Barcelona que se transferiu de armas e bagagens para o Real Madri, é sempre relembrado pela imprensa espanhola.

Esquecem apenas de um detalhe importante: Figo era apenas um bom jogador em grande fase, Messi é bem mais que isso.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 19)

Marlon se apresenta ao Papão

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O lateral-esquerdo Marlon, que disputou a Série B 2014 pelo Vasco, já se apresentou ao Paissandu na manhã deste domingo. Vestiu a camisa de treino e fez alguns exercícios na Curuzu. Marlon se destacou no Remo, mas passou também pela Tuna, atuando inicialmente como volante. Sua apresentação oficial está marcada para esta segunda-feira. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola)

O futebol em números

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Lionel Messi na carreira:

548 jogos

427 gols

166 assistências

4 Bolas de Ouro

23 títulos

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Messi com a camisa do Barcelona:

451 jogos oficiais

382 gols

140 assistências

21 títulos

O jornalismo sem jornalistas

POR SYLVIA D. MORETZSOHN

Jornalistas, ao menos os da velha guarda, costumam cultivar a auto-ironia e arrumam pretexto para rir das situações mais adversas. Foi numa ocasião dessas que, há 40 anos, surgiu a palavra pela qual as ondas de demissões passaram a ser chamadas: “passaralho”, inspirada invenção de Joaquim Campelo, copidesque no antigo Jornal do Brasil, para a avalanche de cortes que se seguiu à saída de Alberto Dines do comando da redação, em 1974.

AB15521Passaralhos ocorrem com razoável e lamentável frequência, mas o que atingiu O Globo na quinta-feira (8/1) foi particularmente chocante. Não só pela quantidade, mas pela qualidade dos atingidos. E, também, pelo momento de transição que o jornal vive, o que lança dúvidas sobre o futuro.

A empresa não divulgou números. Sites especializados citaram 160 demitidos, dos quais cerca de 30 seriam jornalistas, com 20 a 30 anos de casa.

Alguns saíram por acordo. Os demais iam sendo comunicados da dispensa ao chegarem para trabalhar. Instalou-se um clima de especulação que levou muita gente a se precipitar e divulgar informações às vezes falsas nas redes sociais, o que só aumentava a tensão. Mas foi assim que um colunista soube que estava entre os afastados: em férias no exterior, leu no Facebook que sua coluna não seria mais publicada. O e-mail de confirmação só viria depois.

A reviravolta

No início do ano passado, quando anunciou o “novo ritmo da redação”, com a prioridade para o digital, O Globo demitiu alguns jornalistas e fez acordo com outros que manifestaram desejo de sair. Mas contratou mais do que dispensou: foram 12 rescisões e 22 admissões. “Ao longo dos últimos anos, esta é uma redação que aumentou de tamanho”, disse, na época, o editor executivo Pedro Doria. “A gente aumentou em R$ 1 milhão a folha de pagamento da redação. Embora pessoas sêniores tenham saído, pessoas sêniores foram colocadas no lugar.”

Daí a surpresa com a reviravolta. Segundo nota do Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro (ver aqui), a empresa justificou-se de maneira vaga, na base dos velhos jargões corporativos: afirmou tratar-se de uma “medida de otimização após a revisão de processos” em que constatou haver “diferentes unidades produzindo o mesmo tipo de trabalho” e a necessidade de “um modelo de convergência”.

A ser verdade, esse quadro apenas revelaria, para dizer o mínimo, uma lamentável falha de planejamento, cujas consequências deveriam recair sobre os responsáveis pelo “modelo de gestão”.

A falta de informações mais objetivas favoreceu as especulações. As demissões seriam medidas preventivas para uma eventual queda de receita publicitária. Ou seriam uma forma de evitar problemas futuros com a Justiça do Trabalho: a empresa vem respondendo a processo por sua prática tradicional de demitir profissionais prestes a completar 60 anos de idade (ver aqui) e assim anteciparia, informalmente, o período da “expulsória”.

Acabar com o jornal?

Uma terceira hipótese seria a perda de terreno do jornal impresso para a edição digital (ver aqui). Isso poderia justificar demissões fora do ambiente da redação, mas não dentro dela: como se sabe, a internet alterou as rotinas e favoreceu a extinção de algumas atividades e a fusão de tarefas, porém ao mesmo tempo abriu novas frentes de trabalho – a criação de editorias de mídias sociais, de vídeo etc.

Os critérios para os cortes foram tempo de casa e nível salarial. A saída de alguns dos mais experientes jornalistas é mais um passo no caminho suicida que vem sendo percorrido há décadas pelas empresas jornalísticas de modo geral. O abandono da tradição de aprendizado no cotidiano, a partir do convívio com os mais velhos, revela suas consequências na flagrante queda de qualidade do produto oferecido ao público.

“É para acabar com o jornal?”, indagavam alguns dos que ficaram, perplexos com o que estavam vendo.

Quem sabe? Cortar pessoal para cortar custos, a velha fórmula de sempre, pode resultar em economia. Mas ninguém faz jornal sem jornalistas.

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Sylvia Debossan Moretzsohn é jornalista, professora da Universidade Federal Fluminense, autora deRepórter no volante. O papel dos motoristas de jornal na produção da notícia (Editora Três Estrelas, 2013) e Pensando contra os fatos. Jornalismo e cotidiano: do senso comum ao senso crítico (Editora Revan, 2007)