Por Gerson Nogueira
Falar mal da Seleção Brasileira é esporte nacional quase tão popular quanto o próprio futebol. Em relação ao time atual, treinado por Felipão e cuja prioridade é a Copa do Mundo de 2014, a enxurrada de malhos é naturalmente mais intensa. A patrulha aumenta na medida em que o time não rende.
Pouco importa ao torcedor que Felipão tenha assumido a Seleção em cima do laço e tenha como material humano uma das piores safras da história do futebol brasileiro. Com a filosofia gaúcha, que prima pela força bruta, o técnico torna tudo ainda mais confuso.
Mesmo depois da primeira vitória sobre uma seleção europeia de primeira linha (embora não seja nem sombra dos tempos de Zidane), a Seleção saiu da Arena do Grêmio dividindo opiniões. Houve quem aplaudisse sinceramente, satisfeito com o que viu. Eu sigo desconfiado com o rendimento da equipe.
É preocupante observar que laterais de valor incontestável, como Daniel Alves e Marcelo, não funcionem sob o comando de Felipão. Bem verdade que não funcionavam com Mano Menezes. Aliás, a distribuição em campo é quase um tributo a Mano.
A desorganização prevalece e ajuda a explicar a má atuação de Daniel e Marcelo, que contribuem com uma indolência própria de milionários em férias. No meio-de-campo, a transição inexiste, os jogadores se atrapalham uns com os outros. Luiz Gustavo, que Felipão foi buscar no banco de reservas do Bayern, é um burocrata. Toca a bola para os lados e raramente passa da linha de meio-campo. Paulinho, o melhor volante do país, parece obrigado a bancar Ricardo Capanema. Lógico que não pode dar certo.
Como os volantes não executam a parte inicial da ligação, Oscar fica sobrecarregado e obriga Neymar a virar armador. Ora, como é do conhecimento até do reino mineral, o talento de Neymar só vem à tona quando ele se dedica a buscar o gol, mesmo que venha buscar bola na intermediária. Como armador, acaba perdendo tempo com triangulações que deveriam ser feitas por Oscar e outro meia-atacante (Lucas?).
Simples como a chuva: Neymar não pode ser um preparador de jogadas. O povo que acompanha o Círio sabe disso. Felipão, que é do ramo, insiste em ignorar o fato. Com isso, a Seleção fica menos agressiva, pois os homens de frente são Fred e o bate-estaca Hulk.
Contra a atrapalhada defesa da França, ontem, Fred teve apenas uma chance. Os zagueiros deixaram passar um cruzamento e ele cabeceou rente à trave. Muito pouco para o centroavante do Brasil. Hulk tenta ir à linha de fundo, cobra faltas e escanteios, mas é previsível como todo brucutu. Para anulá-lo, basta colocar outro brucutu em sua rota.
Foi o que Didier Duschamps fez, com relativo sucesso no primeiro tempo. Para um escrete que sofreu oito mudanças em relação ao último jogo surpreendeu que a França não fosse goleada nos primeiros 45 minutos. Ocorre que, do outro lado, estava o Brasil, que leva uma semana para organizar um ataque.
Posso parecer intransigente, mas penso que a Seleção deve jogar mais, apesar dos poucos bons jogadores disponíveis. A questão básica é que nem todos os bons estão escalados. Lucas não pode ser banco de Hulk, nem Hernanes suplente de Luiz Gustavo. Neymar deve ser atacante, se possível mais adiantado que Fred. Resolvidos esses entraves, Felipão terá vida mais tranquila. Ainda há tempo.
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A ambivalência da ética esportiva
Uma nova investida foi feita no sábado para tentar garantir ao Remo participação na Série D. Advogados, que se intitulam meros torcedores, entraram com ação na comarca de Ananindeua solicitando a paralisação da competição até que as reivindicações do clube (cumprimento do prazo de indicação do representante de Rondônia e índice técnico do Parazão) sejam analisadas pela Justiça Desportiva.
Como tudo que envolve o clube, cuja força nos bastidores é visivelmente inexistente, a batalha foi frustrada porque a Federação Paraense de Futebol entendeu que a liminar deveria ter sido concedida por um juiz federal. Interpretação esquisita para uma situação confusa.
Mas, enquanto seus dirigentes reclamam de tratamento indigno por parte da CBF e da própria FPF, o clube deveria fazer uma autocrítica e observar que esse cenário resulta do acúmulo de gestões incompetentes e moralmente sem peso para impor vontades.
Se a FPF e seus dirigentes não dá a mínima para o Remo – e não dá – o problema está principalmente no clube, que se permitiu ao longo dos anos uma dependência quase bovina em relação à entidade. Motivos diversos foram dados para uma tomada de posição e até rompimento, mas o clube hesitou, talvez por conivência.
Resulta disso tudo que o Remo está diante de uma situação única. Da crise e da frustração por ficar mais uma vez sem divisão pode nascer uma nova disposição para lidar com os outros donos do futebol no Pará. Para isso, é fundamental que o Remo tenha respeito próprio e faça valer sua força – que vai muito além da esmagadora frequência de sua torcida nos estádios.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 10)
Para o bem do próprio Neymar, desconfio que o Felipão força sua mudança de atitude a fim de que enfrente com menos traumas a nova realidade que vai viver no Barça. Mas ele, Neymar, continua soltando a bola na hora errada, prendendo na hora errada e caindo demasiadamente. Quando superar esses problemas, com a visão de jogo que tem, pela facilidade de conduzir a bola sem olhar pra ela, aí sim, será o que pensa que é agora.
Quanto aos laterais, penso que o Daniel Alves sofre de síndrome de abstinência no esquema do Barcelona, em que não dá mais do que dois toques na bola no mesmo lance. Quando chega na seleção, ele retém a ‘gorduchinha’ o máximo que pode pra matar saudades; já Marcelo precisa marcar melhor e isso o José Mourinho já alertou, tanto que optou pela titularidade do português Fábio Coentrão no Real, sendo que este tem a finura de um sal pra churrasco, mas é mais firme na recuperação da bola.
Do meio pra frente, padecemos do binômio desentrosamento crônico/crise existencial. Luís Gustavo, Paulinho e Oscar dão a impressão de serem tão próximos quanto Dilma, Aécio e Marina; e Hulk, Fred e Neymar parecem tão dispostos à marcação quanto Simão para o trabalho. Assim, a saída de bola do adversário é feita sem maiores problemas o que empurra o time brasileiro para trás e dificulta a manutenção da posse de bola pelo maior tempo possível, obsessão que Parreira tenta passar pra Felipão, até aqui sem conseguir, diferente, por exemplo, de Pep Guardiola, que parece ter entendido essa premente necessidade do futebol atual, tudo indica, até melhor que o mestre.
Claro que a Copa das Confederações tem apenas a perspectiva de experimento, pelo pouco tempo que resta pra dar o padrão de jogo sonhado à equipe. O problema é a dupla Felipão/Murtosa, diante de um resultado adverso agora e a consequente pressão sofrida em consequência, jogar tudo pro alto indo junto a concepção parreiriana de futebol, julgando ser o retorno à família Scolari a solução. Aí, sim, corremos o risco de andar em círculos até chegarmos em 2014 sem time, sem padrão de jogo e tomados pela síndrome do ‘maracanaço’. Preocupante.
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Se eu fosse o presidente do rEMO, mudaria o clube pra Rondônia, aí, ano que vem, a vaga estaria garantida.
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Cara, sobre a FPF que é madrasta (das piores) com o REMO. Tá na hora de nos levantar contra a Federação Paraense de Futebol.
Sempre que o REMO precisou da Federação, ela virou as costas. Sempre que indagado com esse assunto, o Coronel, vem com desculpas furadas e exemplos pífios das vezes que “favoreceu” o REMO.
Uma das últimas patacoadas da Federação, foi a imposição do jogo contra o Paysandu, sem tempo hábil para recuperação dos jogadores depois do Flamengo e REMO.
A última foi ter deixado o REMO à própria sorte com relação aos bastidores fatídicos em Roraima. Fato que nosso repórter Gerson Nogueira noticiou de forma brilhante.
Penso que a Federação deveria no mínimo respeitar o clube que mais injeta dinheiro nela, afinal o REMO com a 9ª maior arrecadação do Brasil, não merece o tratamento abjeto que a Federação está dispensando ao Clube de maior torcida do Norte.
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Complementando, a Federação Paraense de Futebol, deveria ser a primeira a gritar requerendo a vaga de Roraima, que indicou seu representante depois que TODOS os prazos da CBF já haviam expirados.
Como sempre, se calou.
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O CR só aumenta a sua própria vergonha. Só falta cair para a 2a divisão do Parazão. É muita sacanagem da diretoria do CR.
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Luis Gustavo de volante é brincadeira.
Lucas e Hernanes no banco é sacanagem.
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Como estão as informações da justiça comum ? vai rolar ?
O jogo do paragobala rolou, porque o oficio não chegou a tempo ?
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Quer dizer que a FPF tem culpa da situação do Remo? Égua, é muito clubismo. Tidizê…
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Aprenda a interpretar direito o que lê, camarada. Escrevo com clareza, graças a Deus.
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Caro Gerson,
Jogar com jogadores fixos a faixas do campo, como o Brasil vem se apresentando, é um retrocesso (de um técnico ultrapassado). Ver o Brasil jogar, com todo respeito, parece jogos dos times do campeonato brasileiro, ou seja, toques lentos e improdutivos…
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Gerson,
É lamentável o que tá acontecendo com o Clube do Remo, o qual sou torcedor. Eu acho que a imprensa deveria criticar a diretoria clube e os próprios torcedores que foram a justiça, não somos bobos e sabemos que os torcedores devem ter tido o apoio da diretoria (que irá negar até a morte esse fato). Mas o que vejo, é exatamente o contrário, a imprensa paraense de forma indireta “está” com o Remo, independente dos meios que ele busca para conseguir algo positivo. Acho isso uma falta de profissionalismo tamanha.
Não sejamos infatis em acreditar que a imprensa paraense não está muito diferente da profissionalização dos nossos clubes, existe muito o que melhorar, muito mesmo. A começar pela omissão de algumas criticas.
São meus “cents” que deixo aqui, fico na torcida pra que tu leias Gerson.
Abraços
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andremaroja@bol.com.br, não penso que ela é culpada. a maior culpada é a diretoria do REMO. Não apenas essa, mas as últimas diretorias foram de doer.
Mas penso que se o REMO tivesse o apoio da Federação, certamente a situação poderia não estar tão ruim. A Federação Paraense de Futebol deveria ser parceira de todos, e não de uns em detrimento de outros.
Uma coisa interessante, neste imbróglio do REMO na Federação de Roraima, houve coincidência com a “Cerimônia de Premiação do Campeonato Chevrolet de Futebol Profissional de Roraima”. Ou seja, a Federação Paraense é tão engessada, que até Roraima recebe patrocínio de uma montadora de carros, mas a FPF nada…
Penso que há necessidade de mudarmos a direção da FPF, mas Luis Omar e Tourinho não são a solução. Tem que haver sangue novo.
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Tô cheio dessa investidas inócuas e vergonhosas da direção do meu Amado Clube do Remo. O Pirão disse ao Caxiado em entrevista, que quem o conhece, sabe que ele não é um homem de desistir, só que esse dirigente devia perceber o desgaste que sofre perante os torcedores e também seus eleitores nas sucessivas e infrutíferas ações para colocar o Remo na série D. Claro que eu como torcedor queria meu time jogando, mas creio eu, que está diretoria deveria esquecer o campeonato brasileiro e projetar o futuro da agremiação para 2014, Rever os procedimentos, investir na base, agir de forma profissional, eliminar ações político-partidárias, ou seja, não esquecer que está em um clube centenário de futebol. Garanto que eliminando esses entraves, o mais querido com certeza dará muitas alegrias ao seu apaixonado torcedor.
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Cade o amigo Claúdio, com as informações ?
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Caro André Maroja,
Não penso que a FPF seja a única culpada, mas acho que se apoiasse de verdade o REMO, este poderia não estar em situação tão precária.
Outra, este imbróglio do REMO nos bastidores, coincidiu com a premiação do “Campeonato Chevrolet de Futebol de Roraima”, ou seja, os caras, mesmo com um futebol muito abaixo do nosso, tem o patrocínio de uma montadora de carros. Onde está a FPF uma hora dessas para conseguir patrocínio semelhante?
É preciso sangue novo na FPF, mas acho que Luis Omar ou Tourinho não são boas apostas.
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Bomba! A partida do Genus x Paragominas não teve validade nenhuma. Quem diz isso é o Estatuto do Torcedor, que foi considerado constitucional pelo STF semana passada. Verbis.
Art. 10. É direito do torcedor que a participação das entidades de prática desportiva em competições organizadas pelas entidades de que trata o art. 5o seja exclusivamente em virtude de critério técnico previamente definido.
§ 4o Serão desconsideradas as partidas disputadas pela entidade de prática desportiva que não tenham atendido ao critério técnico previamente definido, inclusive para efeito de pontuação na competição.
Vamos lá Leão!
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Sinceramente, Gerson e amigos, também não confio nessa seleção, ainda mais deixando o Ronaldinho de fora, por tudo que está jogando no Galo… Te dizer…
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