De olhos bem abertos

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Por Paulo Vinícius Coelho

Os japoneses arregalaram seus olhos quando Neymar acertou o sem-pulo e acabou com seu jejum de gols. O estádio inteiro também arregalou seus olhos. E Neymar respirou fundo, de olhos bem fechados.

A seleção também respirou aliviada.

Depois do gol, o jogo do primeiro tempo pode ser chamado de insosso ou paciente. Levando em conta o fato de o time estar em construção, a troca de passes lenta entre os zagueiros foi uma qualidade. Mesmo quando Thiago Silva e David Luiz abusaram de lançamentos longos.

A ligação direta é evidência de que é preciso melhorar a saída de bola. Precisa sair pelos laterais e pelos volantes também. A dificuldade existe, porque ainda há uma distância enorme entre Luiz Gustavo e Paulinho e a linha dos três armadores, Hulk, Neymar e Oscar, o que produziu contra-ataques japoneses.

Quando a bola chegou aos quatro da frente, houve muito mais deslocamentos e trocas de posição do que contra Inglaterra e França (veja ilustração). Esse é o grande avanço. Exemplo é Fred sair da área para ajeitar com o peito no lance do gol. Ou Neymar deixar Fred na cara do gol depois de uma arrancada pela esquerda, aos 42 minutos.

Bom também o apoio de Paulinho, autor do segundo gol, dentro da área inimiga, em outra jogada iniciada por Neymar.

Não se esqueça de que o Japão é bem estruturado por Alberto Zaccheroni, técnico campeão italiano pelo Milan em 1999. A vitória não é de se desprezar.

A seleção terminou o jogo no 4-3-3 que Felipão testa como alternativa e que teve o ápice no lindo passe de Oscar para o terceiro gol, de Jô.

A seleção progride. O Brasil de Dilma Rousseff e a maior vaia de seu mandato, não. Escudos transparentes, cassetetes, capacetes reluzentes e a determinação de manter tudo em seu lugar.

Selvagem! Os versos acima, dos Paralamas, banda da turma de Brasília, são de um tempo em que cidade fazia mais sucesso. (Transcrito da Folha de S. Paulo) 

Já temos time

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Por Tostão

Foi uma boa e segura atuação do Brasil. Já temos um time organizado, definido na maneira de jogar. Já temos um primeiro volante (Luiz Gustavo), que marca bem e tem um rápido passe. Já temos um time que pressiona o adversário e que recupera muita bola.

Já temos um meia de cada lado (Oscar e Hulk), que voltam para marcar ao lado dos dois volantes. Já temos um time que troca mais passes, com zagueiros que raramente dão chutão.

Faltaram mais talento e organização no meio-campo. Como Luiz Gustavo passa e não avança, Paulinho se destaca por aparecer na área rival e não há um meia de ligação, já que Oscar atua mais pelo lado.

As jogadas ofensivas dependem muito da habilidade e velocidade de Neymar, Oscar, Hulk e Marcelo, quase sempre pelos lados.

O Japão, como se esperava, mostrou um bom conjunto, quando chega à intermediária, não define as jogadas. Faltam técnica e habilidade. Vi, mais uma vez, o goleiro japonês falhar em um gol.

O time correu menos e cansou na metade do segundo tempo, pois jogou no Qatar na terça, pelas eliminatórias, viajou 16 horas e não teve tempo de se adaptar ao fuso horário.

Já temos time, ainda não o suficiente para atuar no nível das melhores seleções, como Espanha, Alemanha, Argentina e Holanda.

Duas ótimas partidas

Hoje, veremos Espanha, Itália, Uruguai e México.

Quando a Espanha ganhou a Eurocopa-2008, não havia dúvidas, o centroavante era Fernando Torres. Ele jogava bem e fez o gol do título. Já no Mundial de 2010, na Eurocopa-2012 e hoje, o técnico vive um dilema: colocar um fraco centroavante (Fernando Torres ou outro) ou improvisar um meia (Fàbregas). O técnico tem usado as duas opções. Não agradam.

Toda equipe precisa ter um atacante, artilheiro, o que não significa que tenha de ser, obrigatoriamente, um típico centroavante.

O Barcelona não joga com um falso 9, como adoram dizer. Messi é um atacante, centroavante, já que atua mais à frente e mais pelo centro. Além de fazer gols, o argentino se movimenta, recua e dá excelentes passes. Já com Fàbregas, é uma improvisação.

A Itália, por ter surpreendido e vencido a Alemanha, na Eurocopa de 2012, e ter trocado o estilo defensivo e de bolas longas por mais troca de passes, tem sido bastante elogiada.

Não merece tanto. A equipe tem atuado mal. Faltam melhores laterais e um companheiro para Balotelli. Os destaques são Buffon, De Rossi, o veterano Pirlo e Balotelli. (Transcrito da Folha de S. Paulo) 

O futebol com um pé no futuro

Por Gerson Nogueira

bol_dom_160613_15.psAlvo de críticas intensas pelo conservadorismo na aplicação das regras do futebol, a Fifa surpreendeu com o anúncio de um sistema tecnológico experimental na Copa das Confederações. Pela primeira vez, jogos entre seleções terão a monitoração de câmeras nos estádios para esclarecer se a bola cruzou a linha do gol.

A inovação é mais profunda do que parece. Se aprovada essa forma de esclarecer dúvidas, o futuro do futebol estará entregue aos sistemas tecnológicos, como já ocorre com o tênis e o basquete. O sucesso na Copa das Confederações representará a aprovação automática para uso na Copa do Mundo do ano que vem.

João Havelange, o mais longevo dos presidentes da Fifa e que recentemente saiu da entidade pela porta dos fundos, era imperial no posicionamento anti-tecnologia. Para ele, a dúvida que determinadas marcações suscitavam fazia parte do universo do jogo, funcionando como um aperitivo mais pelo potencial de gerar discussões e polêmicas.

Essa visão quase irresponsável da questão foi também partilhada por muito tempo pelo atual manda-chuva da entidade, o suíço Joseph Blatter, que só recentemente se mostrou simpático à adoção de dispositivos eletrônicos na bola e nas traves para dirimir dúvidas em lances de difícil interpretação.

O problema é que, como quase tudo que envolve a bilionária entidade, a escolha da empresa alemã GoalControl 4D como fornecedora dos equipamentos para monitoração nos estádios já desperta suspeitas de negociata. A firma germânica suplantou potências do setor e abocanhou o contrato milionário para, no lugar do olho humano, gerar mais de 500 fotografias por segundo em relação à bola e ao instante em que ultrapassa a linha fatal.

A outra ponta da discussão envolve os custos de uso do sistema. Cada nova arena brasileira gastará meio milhão de reais para implantá-lo. Seu aproveitamento durante um jogo de futebol sairá por R$ 8 mil. Serão 14 câmeras distribuídas nos estádios exclusivamente para processar as imagens do movimento da bola. Quando ela cruzar a linha do gol, um aviso instantâneo será disparo ao relógio de pulso usado pelo árbitro.

Como Havelange no passado, o francês Michel Platini, presidente da Uefa, já se manifestou diversas vezes contrário à utilização de recursos tecnológicos para esclarecer lances duvidosos. O que compromete a força do discurso de Platini é sua declarada oposição a Blatter e o projeto que alimenta de tomar o poder na Fifa. Por esse ponto de vista, tudo que o atual presidente propuser receberá imediata desaprovação do francês.

Em palestra dirigida aos árbitros que atuarão na Copa das Confederações, a Fifa procurou alertar para os riscos de falhas técnicas no sistema alemão, daí a necessidade de que os apitadores mantenham foco total nos lances, sem levar em conta a engenhoca criada para esclarecer.

Mais importante ainda é a controvertida autonomia concedida ao árbitro quanto a marcar ou não um gol duvidoso. Ao contrário do que pregam os defensores da modernização das arbitragens, o lance será interpretado pelo árbitro central, sem consulta a ninguém. Caso ele entenda que a máquina se enganou e confie mais em sua própria visão, pode ignorar o alerta enviado para o seu relógio.

Com isso, a Fifa entende que está preservando a essência do jogo e mantendo intocada a soberania do árbitro, um dos itens mais sagrados da história do futebol, respeitado quase como um dogma.

O problema é que isso pode levar a um dilema extra. Ao custo milionário do equipamento de controle, fica difícil aceitar e compreender que uma jogada capital seja interpretada erroneamente pelo apitador.

Algo assim como aconteceu naquele célebre Águia x Cametá, decidindo o primeiro turno do Parazão 2012, quando a bola entrou quase um metro na trave cametaense e o árbitro se recusou terminantemente a aceitar a informação do juiz de linha.

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Maquetes dos estádios da Copa

O DIÁRIO publica, em sua edição deste domingo, o segundo fascículo da série Miniestádios da Copa das Confederações, abordando a moderníssima Arena Pernambuco, construída nos arredores do Recife especialmente para a Copa do Mundo de 2014.

A série vai mostrar todos os seis estádios do torneio, sempre trazendo uma lâmina de papel com as peças para montagem da maquete de cada arena. Ao longo da semana, mais duas folhas de papel são publicadas, a fim de complementar a maquete.

O projeto é um sucesso editorial e de vendas, atraindo a atenção dos leitores paraenses e dos Estados retratados na série. A ideia é esclarecer o torcedor quanto à grandiosidade das obras erguidas nas cidades-sedes e permitir que faça as maquetes com as próprias mãos.

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Bola na Torre

No programa deste domingo, na RBATV, participação do novo presidente da Secretaria Estadual de Esporte e Lazer, Victor Miranda. Ele fala dos planos de revitalização do estádio Jornalista Edgar Proença, a partir de sugestões para a utilização da principal praça de esportes de Belém. A apresentação é de Guilherme Guerreiro, com participação de Giuseppe Tommaso e deste escriba baionense. Começa por volta de meia-noite.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 16)

Tribuna do torcedor

Por Beto Assis (lagaassis@gmail.com)
Os torcedores remistas que constantemente aparecem no facebook com declarações apaixonadas, coraçõesinhos e beijinhos, para o clube, deveriam tomar conhecimento e refletir sobre o conteúdo do artigo publicado no jornal Diário do Pará (14.06.13) com o título “Outro golpe na base remista” do competente jornalista Gerson Nogueira. O porquê, que tanto, nós torcedores, questionamos dos anos de insucesso no futebol está lá exposto, uma ferida aberta e sem remédio, com todas as letras. Dirigentes relapsos, corruptos, incompetentes, múmias dentro da atual administração de um time de futebol profissional, e que fora de suas atividades profissionais, resolvem ocupar seu tempo no fim da tarde a “administrar” um clube de massa como o clube do Remo e transformaram a direção do clube em uma dinastia formada por um “grupinho” de mascarados que pensam serem os donos do clube, e que ainda tem a cara de pau de ameaçar chamar velhos comandantes para resolver problemas, como se correr atras de jogadores para dar porrada após uma derrota fossem resolver nossa frustração com resultados dentro do campo. Meu caro Gerson, nem essa oposição que “surge”  vai alterar alguma coisa, os caras caminham em direção opostas. 
Eu tenho pena dos torcedores de hoje, pois vi o verdadeiro Clube do Remo jogar. O terror dos times do campeonato brasileiro, em jogar no baenão, a classificação de jogadores em 1º lugar no ranking da revista placar, vi craques como Dico, Aranha, Mendes, Dutra, Elias, Roberto, Caíto, Alcindo, Julio Cesar, Neves, Mesquita etc. Tenho pena dos que hoje só não sentem vergonha quando postam no facebook a camisa do clube, com coraçõezinhos, beijinhos…

De falácia em falácia

Por Israel Pegado

1ª Falácia – “Vivemos numa democracia” : Não meu caro, minha cara. Você vive numa oligocracia, onde apenas poucos com enorme injeção e apoio financeiro familiar, de terceiros, empresarial ou partidário tem condições de se eleger a um cargo público. Experimente você, assalariado, se candidatar a qualquer coisa com seus parcos recursos, que não ganhas nem para vereador.

2ª Falácia – “Vaio porque tenho consciência política”: É mesmo??? E criança quando quer brinquedo e sorvete a qualquer custo também sabe fazer birra… Mostre sua consciência política não trocando seu voto por dinheiro, nem porque seu amigo pediu, nem em troca de empregos ou cargos comissionados na gestão futura ou por contratos que lhe beneficiem.

3ª Falácia – “Respeito toda e qualquer forma de manifestação pacífica”: Deixa de ser pacífica na medida que ofende e desrespeita alguém. Se você for vaiado ou xingado no seu ambiente de trabalho ou em qualquer outra situação da sua vida, não vai gostar. Então, não seja hipócrita. Quem quer ser respeitado, tem que primeiro se respeitar.

4ª Falácia – “No Brasil tudo é superfaturado!”: Não, não é! Existem milhares de micro, pequenos, médios e grandes empresários sérios nesse país. Experimente cogitar superfaturamento numa empresa do Jorge Gerdau ou Luiza Trajano, e de tantos outros, e se dirija até o departamento pessoal para receber seu FGTS, multa rescisória e indenização.

5ª Falácia – “Eu não deixaria de ir a qualquer jogo da nossa seleção!”: Nossa??? Me conte o que ela lhe deu em benefícios ultimamente… A Seleção Brasileira pertence a CBF e como tal, só serve para beneficiar alguns poucos, com escandalosos esquemas de propina, negociata de jogadores, contratos de publicidade e lavagem de dinheiro… A Seleção é deles, não sua. Seu, é o país. Faça algo por ele, ou então, curta o prazer e a alegria do jogo, pelo esporte, é só. Sem melindres.

6ª Falácia – “Recuperar ou construir novos estádios será uma responsabilidade da iniciativa privada” (Do então presidente da CBF, Ricardo Teixeira, na candidatura do Brasil como sede da Copa, no ano de 2007), o “genial” ditador do futebol brasileiro, que como diz um amigo, “teve essa idéia de girino”, de sediar uma Copa do Mundo no Brasil.

Dilma é vaiada ao abrir a Copa das Confederações

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A presidente Dilma Rousseff foi muito vaiada momentos antes do início da abertura da Copa das Confederações. Anunciada pelo alto-falante do estádio, ela fez caras de poucos amigos e limitou-se a dizer uma única frase no microfone, enquanto Joseph Blatter, presidente da Fifa, deu uma bronca na torcida pelo comportamento.

“Por favor, onde está o fair play de vocês”, disse o cartola, que também foi vaiado pelo público. Dilma, por sua vez, foi sucinta e ignorou os protestos. “Declaro oficialmente aberta a Copa das Confederações 2013”, disse ela, atropelando as vaias.

O momento embaraçoso repete uma outra história polêmica do país em grandes competições. Em 2007, na cerimônia que abriu o Pan do Rio de Janeiro, Lula estava no Maracanã e foi vaiado em todas as vezes que apareceu no estádio ou foi citado. Até por isso, ele quebrou o protocolo e não fez o pronunciamento tradicional de abertura.

“Na minha vida política, a vaia e o aplauso são dois momentos de reação do ser humano. A única coisa que eu, particularmente, fico triste é que eu fui preparado para uma festa. É como se eu fosse convidado para o aniversário de um amigo meu, chegasse e encontrasse um grupo de pessoas que não queria a minha presença lá”, afirmou Lula após o episódio, no programa “Café com o Presidente”. (Do UOL Esporte) 

Cada público dá o que tem…

Alan Fonteles quebra novo recorde nos 100m

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Depois de impressionar o mundo ao vencer o favorito sul-africano Oscar Pistorius na prova de 200 m (classe T43/44) da Paraolimpíada de Londres no ano passado, o brasileiro Alan Fonteles voltou a surpreender neste sábado. O atleta de 20 anos venceu os 100 m T43 do GP paraolímpico de Berlim com 10s77 e cravou o novo recorde mundial da categoria, tornando-se o homem amputado de pernas mais rápido do mundo.

O tempo detonou, e muito, a antiga marca de 10s91 que era dividida entre Pistorius e o norte-americano Blake Leeper. Ambos haviam alcançado o tempo em 2007.

Com o índice, Fonteles supera até o recorde mundial da classe T44, que é de 10s85 e pertence ao britânico Jonnie Peacock. Ao saber da marca do brasileiro, o europeu se manifestou no Twitter: “vai ser um ano divertido”, escreveu.

A quebra do recorde mundial, com direito a uma grande diferença para o índice anterior, credencia Fonteles como grande favorito nas provas de 100 m e 200 m do Mundial Paraolímpico a ser disputado no mês que vem em Lyon, na França. (Do UOL Esporte)

E daqui, para onde vamos? (final)

Por Pablo Villaça

E por aí afora. Era um festival desconjuntado de causas, ideologias e revoltas. Os cartazes tratavam dos sintomas, não da doença – e ao berrarem os sintomas pelas ruas de BH em vez de identificarem a patologia que os provocavam, aqueles jovens pareciam felizes, sim, mas também um pouco perdidos.

Passei a caminhar silencioso pela multidão. Sentia a energia gostosa, positiva, da ação juvenil, mas mergulhava cada vez mais em uma reflexão preocupada sobre o que via. Seria apenas um sinal dos tempos? Uma revolução do tempo das redes sociais, nos quais você pode “curtir” uma mensagem, uma causa, a cada segundo? Havia, sim, um componente de hiperlink até nos bordões cantados pela massa: um refrão sobre os ônibus levava a outro sobre a PM que levava a outro sobre a Copa que levava a outro sobre Lacerda que levava a outro sobre…

… sobre o quê?

Ao chegar em casa, manifestei esta dúvida no Twitter e alguns jovens imediatamente responderam: “Ninguém nos representa!” e “Sim, estamos contra tudo!”.

Mas “estar contra tudo” não é ideologia.

E sem ideologia não há movimento que se sustente. Ou, no mínimo, que se sustente de maneira consistente – o que abre espaço para a manipulação.

Foi isto, enfim, que me angustiou profundamente.

Vivemos em tempos perigosos: a direita religiosa se torna cada vez mais influente e as grandes empresas da mídia já perceberam que o PSDB não é uma oposição viável – e, assim, decidiram ser elas mesmas a Oposição. Não é à toa que, contradizendo todos os índices econômicos divulgados por órgãos independentes, a Globo, a Foxlha, a Veja e o Estadão vêm pintando um quadro de instabilidade crescente: inflação alta, dólar alto, PIB decrescente e por aí afora, pintando um país em crise que, sejamos honestos, não corresponde ao que vemos todos os dias nas ruas.

Enquanto isso, o aliado histórico dos movimentos populares, o PT, parece ter se esquecido de suas origens: tímido em sua resposta à brutalidade da PM, Haddad apenas embaraçou-se ao relativizar os excessos da polícia – e sua proposta de se reunir com as lideranças do movimento Passe Livre vem tardio, já que estas já não representam mais as massas na rua. Enquanto isso, Dilma é vaiada num estádio lotado por representar o poder – mesmo que, há pouco tempo, tenha oferecido subsídios justamente para diminuir as passagens de ônibus que, ironicamente, serviram como estopim da revolta.

Ora, se o PT não é visto mais como representante popular pelos manifestantes (e nem tem projeto que o aproxime da juventude) e o PSDB é claramente a mão pesada da repressão, para onde os jovens podem se voltar? Além disso, como não têm uma causa específica a defender, estes empolgados rapazes e moças criam um problema impossível, já que não há solução viável que os acalme. Como resultado, surge apenas um clima imponderável de insatisfação política generalizada – um clima complexo, intenso, raivoso e insolúvel.

É deste tipo de contexto que nascem os golpes.

E esta não seria uma solução que desagradaria os barões da mídia – lembrem-se das manchetes dO Globo pós-golpe em 64.

Claro que esta não é a única resolução possível para o quadro que se desenha. Uma revolução sem foco é uma revolução em busca de um líder, de um emblema, de uma figura messiânica. E não há, hoje, uma estrutura política mais equipada para preencher este vácuo que a direita religiosa.

A guinada reacionário-fascista, portanto, é uma possibilidade nada absurda para este movimento que nasce tão bem intencionado.

Isto, aliás, é que me deixa tão preocupado: os jovens que vi hoje na rua eram… lindos. Lindos. Felizes em seu papel democrático, acreditavam estar desempenhando uma função histórica fundamental. E estão. Mas se não surgir um foco para esta embrionária revolução, o perigo para que ela se desvirtue e seja cooptada pelo que temos de mais reacionário, conservador, atrasado e estúpido é real e imediato.

E veríamos, então, a destruição dos resultados trazidos por dez anos de um projeto político voltado de forma inédita para o crescimento social dos miseráveis. Ninguém duvida que, do ponto de vista social, o Brasil de 2013 seja infinitamente melhor que o de 2003. Mas se esta massa juvenil maravilhosa não encontrar o foco necessário, corremos um grande risco de regressarmos a 1993.

Foi isto, afinal, que me deixou tão triste após uma tarde de alegria ao lado daqueles admiráveis jovens.