Santarenos podem ficar fora do Parazão 2014

São Francisco e São Raimundo, representantes de Santarém, têm sua participação ameaçada no próximo Campeonato Paraense. Falta local para realizar as partidas na cidade. Uma reunião na sede da Liga Esportiva Santarena confirmou que os clubes não poderão contar com o estádio Barbalhão, que passa por reformas para ampliação de arquibancadas e só deve ser entregue em 2015. Os clubes argumentam que, financeiramente, jogar fora de Santarém é prejuízo certo. Do ponto de vista técnico, as equipes também entrariam em situação desvantajosa. Depois das obras, o Barbalhão terá capacidade para 22 mil espectadores, ganhando placar eletrônico e melhorias nos vestiários. A FPF ainda não se manifestou sobre o problema.

Baião encerra hoje festança de Santo Antonio

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Desde o dia 1º de junho a população de Baião, município da região do Baixo Tocantins (a 300 quilômetros de Belém), festeja Santo Antônio, o seu padroeiro. Depois do Círio e da romaria fluvial que abriram a festividade, hoje é o dia da procissão de encerramento em homenagem ao santo.

Milhares de devotos acompanharam o Círio, saindo do bairro Limão até o centro da cidade no primeiro sábado de junho. A multidão volta a acompanhar hoje a imagem de Santo Antônio, carregada em andor pelas principais ruas do centro da cidade até a igreja, onde terminam as homenagens religiosas.

Após a procissão, será celebrada na igreja matriz pelo padre Francinaldo, pároco de Baião. À noite, haverá a festa popular no grande arraial da praça central, com shows musicais, apresentação de quadrilhas e brincadeiras tradicionais da época junina. As barracas irão oferecer pratos e quitutes da culinária baionense, como mingau (munguzá) de milho, pamonhas, canjica, arroz-doce, aluá e doces diversos.

Neste ano, a festa registrou um incremento na participação dos moradores de Baião e localidades vizinhas graças ao esforço pastoral de padre Francinaldo, que reorganizou a paróquia e valorizou as novenas junto às comunidades. Segundo ele, “povo que reza e é fiel aos compromissos com sua Igreja é mais feliz”.

R.I.P. jornalista (pseudo) imparcial

Por Cynara Menezes

O furo do repórter Glenn Greenwald, que denunciou a espionagem feita pelo governo de Barack Obama sobre os cidadãos norte-americanos, me fez cair a ficha sobre qual é o futuro do jornalismo. Na verdade, a questão sobre se os veículos em papel sobreviverão ou não à imprensa online é uma questão menor. Se os jornais vão falir, o problema é dos donos deles. Para nós, jornalistas, o que de fato importa é o tipo de jornalismo que se faz, que se fará. E Greeenwald é a prova: só irão permanecer os jornalistas engajados, politizados e que têm uma opinião própria a respeito dos fatos.

Aquele jornalista “imparcial”, anódino, obediente à postura ideológica disfarçada de seu veículo, perdeu o bonde da história. Na era das redes sociais, o leitor não se interessa por gente que não se posiciona. Greenwald sempre se posicionou. Foi um crítico feroz do Patriot Act, que praticamente eliminou as liberdades individuais nos EUA após os atentados de 11 de setembro de 2001. Apoia e denunciou as condições em que se encontra preso Bradley Manning, o soldado que facilitou segredos ao Wikileaks. É homossexual assumido e militante dos direitos LGBTs. O jornal para onde escreve agora, The Guardian, sempre teve uma visão liberal e anti-establishment. Não há nada de “imparcial” nisso.

Isso é importante: ser contra o establishment –não basta ser um “fiscal” do governo. É pouco. Os novos tempos exigem de jornais e jornalistas que tenham um papel social, que atuem em favor dos cidadãos. Até porque nem sempre produzir notícias contra o governo é produzir notícias em favor da população. Vejam o exemplo do Brasil, onde a imprensa optou, nos últimos anos, por fazer oposição em vez de jornalismo. Até que ponto os jornais defendem os direitos dos brasileiros e não os seus próprios ou da pequena parcela da população que representam? Ser contra as cotas, por exemplo, é ser a favor do brasileiro?

Os jornalistas que abriram perfis nas redes sociais apenas por vaidade e que os usam para se omitir ou para compartilhar amenidades já eram. Isso não vale apenas para os progressistas ou de esquerda. Também o jornalista conservador, mais identificado com a direita, terá garantido seu lugar ao sol quando se assumir assim. É mais claro, mais honesto e mais de acordo com os tempos em que vivemos. O leitor espera daqueles que lê diariamente uma postura diante do mundo. Ele já sabe que a imparcialidade não existe, que é um conto da carochinha. Jornalistas também votam.

O próprio modelo de financiamento da atividade jornalística proposto por Greenwald, pelo Guardian e por meios alternativos, onde o leitor paga diretamente àquele que lhe fornece notícias, sem “atravessadores”, exige engajamento. Quem vai aceitar pagar por um conteúdo que não lhe diz respeito, que não lhe interessa, que não realiza seus anseios enquanto cidadão?

O jornalista do futuro, livre da camisa-de-força da pseudoimparcialidade imposta pelos patrões, poderá mostrar a que veio. Com as redes sociais, os jornalistas já não estão mais encastelados nas redações, são cidadãos acessíveis a críticas (e elogios). Isso aumenta sua influência pessoal e sua responsabilidade social. É bom. Quem não souber se adaptar a este jornalismo atuante, opinativo, engajado, mais cedo ou mais tarde terá que passar no Departamento Pessoal.