Adeus a um mestre do jornalismo

Um dia de sol que de repente ficou sombrio com a notícia da perda de um dos mestres da minha geração. Afonso Klautau, jornalista, professor, intelectual e, acima de tudo, um exemplo. Trabalhei sob sua chefia na TV Cultura nos idos de 1988. Um período curto, mas intenso e extremamente proveitoso pra mim. Do pouco que sei deste ofício aprendi muito com Afonso. Grande cara. Saudades e obrigado por tudo.

Por uma seleção para 2014

Por Gerson Nogueira

bol_qua_260613_15.psO Brasil que enfrenta o Uruguai hoje na semifinal da Copa das Confederações não está mirando o título do torneio preparatório. A ambição é bem maior. Felipão e seus comandados estão projetando o time ideal para a Copa do Mundo de 2014, a competição que realmente importa.

Isso não significa que a Seleção não tenha interesse em vencer o torneio atual. Para tanto, precisa derrotar o Uruguai antes de encarar provavelmente a campeã Espanha, bicho-papão do momento e o time mais admirado por todo o mundo.

Felipão já emitiu sinais de que seu plano de voo não vai mudar em caso de um revés na Copa das Confederações. Quer dizer que perder o torneio está dentro de seus cálculos, por mais que não admita. É óbvio que a conquista facilitará a evolução do processo de preparação da Seleção, mas não mudará o que foi estabelecido pelo técnico junto à cúpula da CBF.

Contra o Uruguai hoje, em Belo Horizonte, técnico e time terão um teste vigoroso, daqueles que turbinam a confiança e a autoestima. Passar pela Celeste Olímpica, um adversário tradicional e sempre lembrado pelo ocorrido em 1950, é daqueles jogos sob medida para consolidar um projeto.

Mesmo que os uruguaios não estejam vivendo dias de glória (ocupam apenas a quinta posição nas eliminatórias sul-americanas), costumam se transformar quando têm o Brasil pela frente. Mais que isso: são especialistas em mexer com o emocional do time nacional.

Além da mítica final de 1960 no Maracanã, o Uruguai também nos criou problemas em outros confrontos. Como em 1970, quando endureceu a parada contra aquele que é saudado como um dos melhores times de todos os tempos. Pelé, Rivelino, Jairzinho e Tostão tiveram seríssimas dificuldades para fazer o estilo habilidoso prevalecer num duelo rico em divididas e lances ríspidos.

A Seleção Brasileira não dispõe mais de tantos craques como há 43 anos, mas trabalha um estilo baseado na força de conjunto e vocacionado para a velocidade. Pode não alcançar a excelência daquele timaço que encantou o mundo, mas pode vir a combinar duas qualidades muito ambicionadas no futebol de hoje: pulmão e leveza no desenvolvimento do jogo.

Contra a Itália, em determinados momentos, essa pretensão chegou a ser exercitada, embora com visíveis dificuldades. A maior delas visível no meio-de-campo, onde tudo acontece. Oscar, escalado para ser o organizador deste novo Brasil, padece de sérios entraves para realizar sua missão.

Em primeiro lugar, por orientação do treinador, anda se aventurando a marcar ou dar suporte às subidas de Daniel Alves. Quando não está ocupado com isso, avança e se atrapalha com Hulk, que circula pela mesma faixa do campo. Ou Felipão mantém Oscar solto para criar jogadas, próximo a Neymar, ou terá que procurar outro armador.

Outro entrave para que a Seleção venha a atingir o estágio de velocidade e técnica está nos limites impostos a Neymar, a estrela da companhia. Como Messi no Barcelona e Cristiano Ronaldo no Real Madri, para ficar nos craques mais reluzentes do momento, Neymar não pode ser obrigado a marcar. Existem uns 400 volantes para fazer esse papel.

Astro do time e seu jogador mais decisivo, Neymar precisa circular pelo campo inimigo com licença para matar, como um 007 das quatro linhas. Sua única missão deve ser a de criar problemas para a defesa adversária. Sem posição fixa, dificulta ainda mais a marcação e terá sempre a arma do fator empresa.

Pode não ser de imediato, mas Felipão certamente chegará às mesmas conclusões. Sanados estes e outros problemas, o Brasil estará de fato no rumo certo para ter um escrete realmente competitivo na Copa do Mundo.

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Tempo de mudanças no Remo

O afastamento do presidente Sérgio Cabeça, por motivo de doença, dá ao Remo a oportunidade de uma reordenação de rota. A posse automática do vice-presidente Zeca Pirão não garante uma mudança na gestão, mas pode vir a ter consequências positivas no enfrentamento da dura realidade do clube.

Às voltas com um bloqueio draconiano (e inédito) de R$ 10,2 milhões por força de compromissos não cumpridos com a Justiça do Trabalho, a diretoria tem pouca margem de manobra para resolver problemas há muito adiados, como o pagamento de funcionários.

Caso esteja atento aos anseios de mudança já expostos pelos sócios, Pirão abrirá espaço para uma gestão compartilhada, que atenda às necessidades de rigor e transparência, sem se prender às vontades de uma elite interna que pouco colabora para a evolução do clube. É um tremendo desafio, mas pode ser o caminho da salvação.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 26 de junho) 

Quem lucra com a derrubada da PEC-37?

Por Luiz Carlos Azenha

Caiu a PEC 37, que ninguém leu. Salvo o Brasil! O MP não pode ser submetido a controle externo! Na democracia brasileira, é a única instituição sem controle externo. Pode criar suas próprias investigações, ao bel prazer. Ora, e a Globo com isso? A Globo e a mídia usam investigações não concluídas e devidamente vazadas pelo MP para praticar assassinatos de reputação. Assim: o MP cria uma investigação e você, antes mesmo de ser condenado, pode ser detonado no tribunal da opinião pública, via vazamento. Temos, portanto, um MP que será cada vez mais instrumento de classe: quantas investigações sobre banqueiros, empresários e corruptores vão vazar? Só as que interessam. E quais interessam? Aquelas que interessam à Globo. O que não passa, certamente, pelas falcatruas da própria Globo ou daqueles que ela representa. Percam o sono, corruptos! Durmam tranquilos, corruptores!

As manifestações e o uso oportunista da Copa

Por Luis Nassif

1. Nas cidades do interior, o movimento foi contra as câmaras municipais. Em muitas cidades, os manifestantes se dirigiram ou à prefeitura ou às Câmaras com listas de reivindicações.

2. Nas capitais, contra prefeitura, governo do estado e assembleias.

3. Na multidão, toda sorte de manifestos, a favor dos direitos dos gays e contra Feliciano, mas também a favor da familia tradicional, contra a PEC 37, contra os estádios na Copa do Mundo etc.

Momentos de catarse, no entanto, favorecem as manifestações oportunistas, de grupos radicais ou de criminosos mesmo. Com 100 mil pessoas em uma passeata. 99.500 podem ter propósitos pacíficos. Mas meia dúzia pode provocar conflitos, eventos e ganhar mais visibilidade que a maioria. Especialmente se souber manobrar alguns sentimentos, informações ou desinformações comuns à multidão. É por aí que agem os provocadores.

Por exemplo, havia um sentimento difuso contra o uso das manifestações por partidos políticos. Ontem, na Paulista, grupos organizados aproveitaram para potencializar esse sentimento e partir para a agressão. O sentimento era real. A agressão foi ação articulada de grupos neofascistas. Em outros casos – Prefeitura de São Paulo, Teatro Municipal, Palácio do Itamaraty -, ação nítida de vândalos e criminosos. Foi visível a montagem do rapaz que saiu belo e lampeiro, amparado pelos amigos, com uma inundação de sangue na cabeça. Uma armação totalmente inverossímil mas que ganhou espaço nas TVs.

O jogo oportunista

No caldeirão geral de insatisfação, existem os oportunistas querendo tirar sua lasquinha. E se posicionam de acordo com interesses específicos. Nesses tempos de informação e desinformação difusa, há duas bandeiras genéricas que estão sendo empunhadas contra o governo: a corrupção e as obras da Copa. Os estádios tornaram-se o novo alvo da oposição, pelo fato de ser fácil passar para o cidadão a (falsa) ideia de que os recursos para a construção dos estádios foram subtraídos  da saúde e da educação. Cada vez que alguém tiver problemas de atendimento no posto de saúde, imediatamente atribuirá aos gastos com a Copa e, automaticamente, aos governos Lula e Dilma.

É a nova palavra de ordem. Aliás, tão eficiente que há setores no governo atribuindo essa movimentação à Siemens Internacional – por ter bancado integralmente o projeto Jogos Limpos, que o respeitado Instituto Ethos montou para acompanhamento da Copa. Cada problema mínimo nos estádios passou a ser supervalorizado pela mídia. Cada obra entregue no prazo, minimizada.

Por exemplo, dia desses um comentarista esportivo dizia que não haverá povo nos novos estádios devido ao preço dos ingressos mais caros nas chamadas áreas nobres. Dizia isso comentando um jogo no Pacaembu, no qual havia ingressos mais caros sendo vendidos na faixa de 400 reais.

Os manifestantes nem se dão conta que todas as obras estão sendo acompanhadas por um Grupo de Trabalho do Ministério Público Federal, o próprio MPF que está sendo defendido em várias manifestações, Tribunais de Contas, CGUs etc. E não se dão contas porque não foram informados. Não há informações disponíveis, para serem usadas pelos que quiserem defender a Copa.

Em nenhum momento o governo montou uma estratégia de comunicação para explicar todos esses aspectos – a razão dos reajustes na construção dos estádios, a existência de sistemas de acompanhamento das obras, as obras que estão sendo entregues no prazo, os ganhos do país com os jogos. Deixou o tema de bandeja para a oposição.

Os interesses objetivos na mídia

Na mídia, quem está empunhando esta bandeira? A Globo vive a esquizofrenia entre turbinar qualquer bandeira anti-governo e, ao mesmo tempo, ser a principal beneficiaria dos jogos da Copa – na condição de emissora que adquiriu os direitos de transmissão e de aliada eterna de João Havelange, Riacrdo Teixeira e da Fifa. No jogo da Seleção, a Globo fixou-se em vários momentos em UMA família com cartazes contra a “roubalheira” da Copa. Depois, mancou-se.

Hoje de manhã, assisti os jornais da Globo e da Record. Na Globo, nenhuma manifestação contra as obras da Copa, contra partidos políticos, nenhum espaço maior para as manipulações políticas das passeatas nem para os cartazes anti-corrupção. Os apresentadores estavam empenhados em classificar as manifestações como pacíficas e os quebra-quebras como restritos a grupos pequenos de vândalos. Ontem, de fato, o Jornal Nacional foi especial, acompanhando os problemas em Brasília. Pode-se defender alegando interesse jornalístico.

Na Record – adversaria da Globo – há ênfase permanente na denúncia dos estádios da Copa, na corrupção, no tamanho dos impostos, nas concessões à Fifa. Para rebater a defesa da Copa, pelo jogador Ronaldo, a Record passou um vídeo de um pai com a filha tetraplégica, devido a um erro médico, acusando as obras da Copa como responsáveis pela tragédia. A cada momento, a crítica (justa) aos privilégios da FIFA, aos estádios, à carga de impostos, à situação da saúde, da educação.

Quem é a conspiradora? Provavelmente, nenhuma. Apenas cada qual aproveitando o caldeirão de insatisfação para seus interesses comerciais imediatos. A Globo é beneficiária da Copa; a Record, não.

Próximos passos

As ruas já deram seu recado, já expuseram a insatisfação geral do país com tudo. Agora, é hora de parar para não abrir espaço para oportunistas e marginais.

O próximo passo dos grupos e governantes de boa vontade será abrir canais de diálogo e participação.

À medida que os novos tempos forem sendo construídos, aparecerão os efeitos positivos das manifestações e serão diluídas as manobras oportunistas e golpistas.

Há uma guerra em curso

Por Fernando Brito 

Toda a direita e a porção mais fisiológica da base governista iniciaram uma ofensiva sem tréguas contra a proposta de Dilma Rousseff de convocar, por plebiscito, uma Constituinte para reformar as estruturas políticas que as ruas estão repudiando. Isto não tem nada de novo. Quem se esquece do primeiro parágrafo da Carta Testamento de Getúlio Vargas, que se lembre:
Mais uma vez, as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e novamente se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam, e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes.”
Agora e de novo tentam jogar sobre ela, que tem uma vida de sofrimentos e dedicação ao Brasil, o “mar de lama” em que eles próprios chafurdam. Eduardo Cunha, o da MP dos Porcos – como diz o seu ex-chefe Garotinho – fala em nome da Câmara –  ” a Casa é contra esse plebiscito” – e ameaça com “tumulto”. Ronaldo Caiado, idem.
O presidente da OAB, que é contra a constituinte e o plebiscito – ao contrário da principal seção da entidade, a de São Paulo, que defende a iniciativa – e sai de uma reunião com a Presidenta anunciando aos quatro ventos que ela “desistiu”da proposta. Claro que a Secretaria de Comunicação da Presidência – que também é contra a constituinte e contra a Presidenta – permanece muda. Quem fala é José Eduardo Cardoso, o cóccix mais flexível da Esplanada.
A democracia e o governo legítimo do Brasil estão em perigo, porque este ousou propor um plebiscito e atacar privilégios. Planeja-se o assassinato político da Presidenta por ela ter cometido o gravíssimo crime de pretender que a soberania popular seja exercida pelo voto. Depredação, sim; eleição, não! Chamar o povo a decidir, agora, é atentar contra a Constituição e a Democracia!
O golpismo está em marcha e não podemos tergiversar.