Papão perde de novo no tapetão

Pela segunda vez, a Terceira Comissão Disciplinar do STJD absolveu o Naviraiense da acusação de ter escalado jogadores irregulares no confronto com o Papão pela Copa do Brasil. O resultado final do julgamento, realizado na noite desta segunda-feira, foi de 4 votos a um pela absolvição. Prevaleceu o disposto no Regulamento Geral das Competições da CBF. Ao clube paraense, ainda resta o julgamento do Pleno do tribunal.

Via tapetão, Papão tenta voltar à Copa do Brasil

O Paissandu tem hoje, no STJD, uma nova chance de retornar à disputa da Copa do Brasil. O tribunal julga o caso envolvendo o jogador Paulo Sérgio, do Naviraiense, que atuou em Belém sem que seu nome constasse do BID. O defensor do Papão no julgamento será o advogado Osvaldo Sestário. No próximo dia 20, o Pleno do STJD julgará o recurso bicolor no processo em que o Naviraiense saiu vitorioso, em primeira instância, por ter escalado o jogador Luiz Cláudio Bahia na partida de ida, realizada em Naviraí. Em campo, o Naviraiense se classificou dentro do estádio da Curuzu, vencendo por 2 a 0 (havia perdido o primeiro jogo por 1 a 0).

Felipão homenageia Mano

Por Gerson Nogueira

Falar mal da Seleção Brasileira é esporte nacional quase tão popular quanto o próprio futebol. Em relação ao time atual, treinado por Felipão e cuja prioridade é a Copa do Mundo de 2014, a enxurrada de malhos é naturalmente mais intensa. A patrulha aumenta na medida em que o time não rende.

Pouco importa ao torcedor que Felipão tenha assumido a Seleção em cima do laço e tenha como material humano uma das piores safras da história do futebol brasileiro. Com a filosofia gaúcha, que prima pela força bruta, o técnico torna tudo ainda mais confuso.

COLUNA GERSON_10-06-2013Mesmo depois da primeira vitória sobre uma seleção europeia de primeira linha (embora não seja nem sombra dos tempos de Zidane), a Seleção saiu da Arena do Grêmio dividindo opiniões. Houve quem aplaudisse sinceramente, satisfeito com o que viu. Eu sigo desconfiado com o rendimento da equipe.

É preocupante observar que laterais de valor incontestável, como Daniel Alves e Marcelo, não funcionem sob o comando de Felipão. Bem verdade que não funcionavam com Mano Menezes. Aliás, a distribuição em campo é quase um tributo a Mano.

A desorganização prevalece e ajuda a explicar a má atuação de Daniel e Marcelo, que contribuem com uma indolência própria de milionários em férias. No meio-de-campo, a transição inexiste, os jogadores se atrapalham uns com os outros. Luiz Gustavo, que Felipão foi buscar no banco de reservas do Bayern, é um burocrata. Toca a bola para os lados e raramente passa da linha de meio-campo. Paulinho, o melhor volante do país, parece obrigado a bancar Ricardo Capanema. Lógico que não pode dar certo.

Como os volantes não executam a parte inicial da ligação, Oscar fica sobrecarregado e obriga Neymar a virar armador. Ora, como é do conhecimento até do reino mineral, o talento de Neymar só vem à tona quando ele se dedica a buscar o gol, mesmo que venha buscar bola na intermediária. Como armador, acaba perdendo tempo com triangulações que deveriam ser feitas por Oscar e outro meia-atacante (Lucas?).

Simples como a chuva: Neymar não pode ser um preparador de jogadas. O povo que acompanha o Círio sabe disso. Felipão, que é do ramo, insiste em ignorar o fato. Com isso, a Seleção fica menos agressiva, pois os homens de frente são Fred e o bate-estaca Hulk.

Contra a atrapalhada defesa da França, ontem, Fred teve apenas uma chance. Os zagueiros deixaram passar um cruzamento e ele cabeceou rente à trave. Muito pouco para o centroavante do Brasil. Hulk tenta ir à linha de fundo, cobra faltas e escanteios, mas é previsível como todo brucutu. Para anulá-lo, basta colocar outro brucutu em sua rota.

Foi o que Didier Duschamps fez, com relativo sucesso no primeiro tempo. Para um escrete que sofreu oito mudanças em relação ao último jogo surpreendeu que a França não fosse goleada nos primeiros 45 minutos. Ocorre que, do outro lado, estava o Brasil, que leva uma semana para organizar um ataque.

Posso parecer intransigente, mas penso que a Seleção deve jogar mais, apesar dos poucos bons jogadores disponíveis. A questão básica é que nem todos os bons estão escalados. Lucas não pode ser banco de Hulk, nem Hernanes suplente de Luiz Gustavo. Neymar deve ser atacante, se possível mais adiantado que Fred. Resolvidos esses entraves, Felipão terá vida mais tranquila. Ainda há tempo.

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A ambivalência da ética esportiva

Uma nova investida foi feita no sábado para tentar garantir ao Remo participação na Série D. Advogados, que se intitulam meros torcedores, entraram com ação na comarca de Ananindeua solicitando a paralisação da competição até que as reivindicações do clube (cumprimento do prazo de indicação do representante de Rondônia e índice técnico do Parazão) sejam analisadas pela Justiça Desportiva.

Como tudo que envolve o clube, cuja força nos bastidores é visivelmente inexistente, a batalha foi frustrada porque a Federação Paraense de Futebol entendeu que a liminar deveria ter sido concedida por um juiz federal. Interpretação esquisita para uma situação confusa.

Mas, enquanto seus dirigentes reclamam de tratamento indigno por parte da CBF e da própria FPF, o clube deveria fazer uma autocrítica e observar que esse cenário resulta do acúmulo de gestões incompetentes e moralmente sem peso para impor vontades.

Se a FPF e seus dirigentes não dá a mínima para o Remo – e não dá – o problema está principalmente no clube, que se permitiu ao longo dos anos uma dependência quase bovina em relação à entidade. Motivos diversos foram dados para uma tomada de posição e até rompimento, mas o clube hesitou, talvez por conivência.

Resulta disso tudo que o Remo está diante de uma situação única. Da crise e da frustração por ficar mais uma vez sem divisão pode nascer uma nova disposição para lidar com os outros donos do futebol no Pará. Para isso, é fundamental que o Remo tenha respeito próprio e faça valer sua força – que vai muito além da esmagadora frequência de sua torcida nos estádios.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 10)