Coluna: Marketing entra em campo

Quem acompanha meus escritos e comentários na Rádio Clube e Bola na Torre sabe o quanto questiono essa repatriação de veteranos para o futebol brasileiro. Tecnicamente, não há qualquer contribuição para o crescimento dos clubes ou para o nível geral das competições. Trata-se, na prática, de uma clara involução, na medida em que os jogadores contratados já deram o que tinham de dar, são caros e atravessam o chamado crepúsculo da carreira.
A lista de importações de risco é expressiva: Ronaldo Fenômeno, Adriano, Deco, Fred, Robinho e agora Ronaldinho Gaúcho. Desses atletas, somente Adriano e Robinho – justamente os mais jovens do grupo –, apresentaram bom aproveitamento. Por isso mesmo, conseguiram nova chance em clubes europeus.
Toda essa nova-velha onda está vinculada a um forte exemplo do passado. Romário retornou do Barcelona e consolidou carreira, arrancando para a consagração definitiva com o papel exercido na Seleção, na Copa de 1994. Há, porém, uma fundamental diferença: ao contrário dos demais, Romário voltou mais amadurecido, mas no auge da carreira. E não fez isso forçado pelas circunstâncias; veio por vontade própria, cansado da vida no exterior.
Os exemplos citados, incluindo Gaúcho, são jogadores que experimentam curva descendente e já esgotaram suas chances nos grandes clubes do Velho Continente. Na prática, queimam os últimos cartuchos e sobrevivem do nome construído no passado. Para esses ex-craques, contratos milionários, em condições vantajosas e tolerantes, só são possíveis hoje no futebol brasileiro.      
Cabe observar, porém, que o marketing é capaz de transformar limão em limonada. Que ninguém duvide do talento criativo de nossos publicitários. Ronaldo Fenômeno, mesmo com aquela barriga de dono de padaria, carreou para os cofres corintianos uma pequena fortuna. Quase não jogou, fez poucos gols, mas o Corinthians fatura os tubos com a venda de sua camisa 9 e capta uma série de outros bons negócios a partir da exploração de sua imagem.
É o que o Flamengo pretende fazer com Gaúcho. Como o Fenômeno, o meia-atacante vai jogar só de vez em quando. Marcará presença na praia e nas boates, e só brilhará em competições menos exigentes, como o Campeonato Carioca e a Copa do Brasil.
 
 
Apesar disso, é obrigatório reconhecer o negócio tem tudo para dar certo no plano financeiro. Patrocínios e rendas serão as principais fontes de faturamento. A apaixonada torcida fará sua parte e a venda de camisas vai explodir, contribuindo para pagar o investimento.
Pouco importa se Ronaldinho já não tem a mesma arrancada, se já não dribla como há cinco anos e se leva um mês para marcar um gol. O marketing, pelo menos no Brasil, ainda se encarrega de jogar por ele. Só não se sabe até quando. 

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 14)

11 comentários em “Coluna: Marketing entra em campo

  1. Aliás, a grande notícia de ontem à noite, foi a confirmação da renovação do contrato do governo do Pará, com a FPF e os clubes, mantendo o acordado, a quando da 1ª assinatura, ou seja, os jogos continuarão a passar ao vivo, inclusive para a capital, mesmo quando o jogo for aqui. Parabéns ao Governador Simão Jatene, o povo do Pará agradece. Quanto aos clubes, eles que se profissionalizem e, verão que esse dinheiro do Estado, é um excelente Patrocínio,maspara o clube que tem gestão P-R-O-F-I-S-S-I-O-N-A-L . Valeu.

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  2. Cláudio, eu acho que os clubes (dirigentes) não tem a menor intenção que a profissionalização aconteça, pois isso acabaria com as mazelas.

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      1. Amigos, Acácio e Gilvan, penso que vcs estão corretíssimos. É por aí mesmo. Te contar.

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  3. Caríssimo Gérson, também tenho minhas desconfianças com esses repatriamentos e contratações de veteranos, porém, esse modelo de marketing com jogador consagrado que deu certo, do ponto de vista financeiro, no Corinthíans, não é novidade no mundo dos esportes, via o basquete americano. O risco é se a relação custo-benefício foi positiva ao clube. O Corínthians pode faturar alto com o Ronaldão, mas passou o ano do centenário sem ter ganho nada. Até quando o nome do Ronaldo vai suportar a pressão nesse 2011? Espero que o Flamengo, já combalido de grana. consiga algum retorno com Ronaldinho em curva de declínio, pois as noites cariocas e as “carioquinhas do batalho”, essas já estão com lucros garantidos.

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    1. Se não ganhar nada, mais com o dinheiro no bolso para pagar as dividas beleza e, bem melhor que conquistar títulos e mais títulos e não ter nada em caixa! Um exemplo e o próprio Flamengo, conquistou o campeonato de 2009 porém em 2010 perdeu todos os seus melhores jogadores por falta de grana em caixa.
      Acho que qualquer clube, precisa primeiro se organizar financeiramente para depois começar a contratar com prudência os seus jogadores, se for dessa forma o clube não sofrera sansons na justiça trabalhista. Haja vista que o mesmo, estará com grana em caixa para honrrar seus compromissos. Minha opnião!

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  4. Gerson discordo quando vc diz que só o Robinho e o Adriano deram certo, pois em 2009 o Corinthians estava em baixa, tinha acabado de sair da serie B e com a a notícia da contratação de Ronaldo a torcida ficou super empolgada e lotava todos os jogos, os adversarios respeitavam mais e o Timão ganhou o Paulistão de forma invicta e foi campeão tb da Copa do Brasil , em 2010 quase foi campeão Brasileiro, isso sem contar com o enorme retorno financeiro para o clube..

    Para um clube que andava super mal, num espaço de 2 anos o Timão voltou a ser grande e disputar títulos.

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  5. Mais um ex-jogador em atividade, que na verdade vai ser mais funcionário da Rede Globo se bem que conteúdo não tem nenhum. Agora está dividido Ronaldo gordo no Cúrinthians S.Paulo e o Dentuço na Flagay.

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  6. Discordo em alguns ponto caro G.N . há que se interpretar não apenas evolução tática,mas qual o beneficio qual o custo-beneficio da contratação.O clube não vive somente de futebol e há a necessidade IMPERIOSA de crescimento EM INFRA-ESTRUTURA.Um jogador como o SÉRVIO por exemplo ,atrairia jovens para o estádio,traria recompensa financeira com um marketing bem feito,alavancaria a carreria dos meninos da base que não seria tão cobrados por passarem despercebidos em meio ao ASTRO do time …Asssim é que se faz no mundo DOS NEGÓCIOS E FUTEBOL É NEGÓCIO .COM ÉTICA E TRANSPARENCIA …

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