Tribuna do torcedor

Por Robert Rodrigues (joserobertodcr@hotmail.com)

Na minha opinião, você explanou muitíssimo bem esta questão de “ajuste contratual” entre os clubes (ou é a federação?) e governo. Esses clubes medianos, sem Remo e Paissandu, como é que iriam fazer um campeonato paraense? Jamais. Também acho que os clubes deveriam caminhar com seus proprios pés, sem ajuda de governo, pois como pagador de impostos entendo que esses milhões deveriam ser investidos no esporte amador. Mas já que há um contrato que os grandes clubes recebam a parte que lhes cabe por direito.

Brasil bate Equador e é alvo de racismo

Nem tudo é um mar de rosas na participação da seleção brasileira sub-20 no Campeonato Sul-Americano da categoria disputado no Peru. De acordo com reportagem publicada na edição desta quarta-feira do jornal O Estado de S.Paulo, dois jogadores do Brasil foram alvo de racismo por parte de torcedores peruanos durante jogos da competição. O primeiro episódio aconteceu ainda na estreia da equipe do técnico Ney Franco, diante do Paraguai (vitória brasileira por 4 a 2), e envolveu o zagueiro Juan. No último domingo, no empate por 1 a 1 com a Bolívia, a situação se repetiu com o atacante Diego Maurício. Em ambos os casos, um pequeno grupo de torcedores imitou o som de macacos, ofendendo os atletas brasileiros. A CBF protestou junto à Confederação Sul-Americana e pode formalizar reclamação, pedindo punição para os anfitriões do torneio.

Na noite desta terça-feira, com um gol de Henrique, a seleção derrotou o Equador, por 1 a 0.

Coluna: Dupla Re-Pa se apequena

Para começo de conversa, não deveria se usar o termo “aditivo” quando o documento trata de diminuir valores. Quase ninguém atentou para a impropriedade durante o anúncio oficial da reformulação do contrato de patrocínio dos clubes paraenses. A rigor, a inadequação da palavra é a parte menos grave dessa negociação que fere seriamente as finanças dos dois principais clubes do Estado.
Chama atenção que a Federação Paraense de Futebol tenha manobrado para transformar o contrato em plataforma de apoio às ligas interioranas, com o aparente aval dos técnicos do governo. Se a idéia era agradar o interior, isso podia ser feito sem golpear a galinha dos ovos de ouro.
Remo e Paissandu, que fazem a festa e arrastam multidões, foram os únicos punidos com o corte de verbas. A dupla perde, sem estrilar, quase 50% do repasse anual – de R$ 1,2 milhão para R$ 698 mil. Curiosamente, os seis emergentes do certame estadual foram premiados. Apesar do enxugamento de 20% no valor total do acordo, passam a receber R$ 98 mil, contra os R$ 70 mil do acordo anterior.
Sou paraense, com um tremendo orgulho disso. Nasci às margens do belíssimo rio Tocantins na minha não menos encantadora Baião. Fato que não me impede de enxergar o óbvio. Remo e Paissandu são as duas maiores forças do nosso futebol, detentores de história e tradição, com torcidas que estão entre as 20 maiores do país.
Por mérito, não podem receber o mesmo tratamento dispensado a agremiações imberbes (com exceção de Tuna e São Raimundo), algumas das quais trabalham durante uma temporada e fecham na outra, sustentadas pelos projetos eleitorais de padrinhos de ocasião. Isso quando não são apenas siglas de aluguel, como é o notório caso do Independente Tucuruí.
Dirigentes que se insurgiram contra a partilha anterior costumam usar o argumento gracioso de que Remo e Paissandu deveriam disputar torneio exclusivo, sem a participação dos nanicos. Ora, talvez fosse interessante pensar em fazer um campeonato apenas com os seis intermediários, certamente capazes de galvanizar a massa com acirrados embates. Deixemos de ilusão: a ajuda oficial não se destina “ao” futebol do interior, mas a alguns de seus habilidosos cartolas. 
Sem excluir providências positivas, como a premiação aos finalistas de turnos, a questão por trás do fato tem natureza essencialmente política e expõe a fragilidade dos grandes clubes nesse âmbito. Apartados pela rivalidade, têm dificuldade em ajustar ações para defender interesses comuns. Unindo forças, ficam muito fortes e podem enfrentar qualquer situação, até mesmo quando a FPF se posiciona claramente como oponente.
É inadmissível que Remo e Paissandu não tenham sido ouvidos ou consultados quanto às modificações no contrato. São os dois dinossauros – e não a federação – que garantem o espetáculo e motivam o interesse pela transmissão de jogos na TV. Sem eles, não há campeonato e o negócio todo perde o sentido. 

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 26)