Nos penais, Paissandu se classifica em Paramaribo

Apesar da fragilidade do Inter Moengo Tapoe, o Paissandu teve um trabalhão para se classificar às finais do torneio internacional de Paramaribo. O jogo, realizado na noite desta quarta-feira, terminou empatado em 1 a 1 e foi decidido nos pênaltis. Nas cobranças, o Papão levou a melhor por 5 a 4. No tempo normal, o time de Sérgio Cosme foi superior durante quase toda a partida. Tiago Potiguar teve grande atuação e foi o autor do cruzamento para o zagueiro Cristiano Laranjeira abrir o placar aos 18 minutos do primeiro tempo. Com boas triangulações ofensivas, envolvendo Potiguar e Rafael Oliveira, o Paissandu perdeu várias oportunidades para ampliar o escore. No final, acabou surpreendido com o gol de empate do Inter aos 49 minutos do segundo tempo, através de Ricardo. Nas penalidades, vitória bicolor por 5 a 4, nas cobranças de Ari, Alisson, Cristiano Laranjeiras, Alexandre Carioca e Zé Augusto. Escalação: Ney; Cláudio Allax, Cristiano Laranjeira, Ari e Billy; Bryan, Alexandre Carioca, Alisson e Marquinho (Héliton); Rafael Oliveira (Zé Augusto) e Tiago Potiguar (Vaninho). (Fotos: TARSO SARRAF/Bola-Diário)

Papãozinho estreia bem na Copinha

A estreia do Paissandu na Copa São Paulo de Futebol Junior não podia ter sido mais auspiciosa. O time, comandado pelo técnico Mancha, derrotou o São Caetano por 2 a 1, no estádio José Silveira Nunes, em Louveira, interior paulista. O primeiro gol, marcado por Djalma, surgiu logo aos 15 minutos. O Paissandu jogava bem, mas o Azulão melhorou depois de sofrer o gol e foi à frente, empatando aos 41 minutos, com Almir. Logo a seguir, Elielson desempatou para a equipe paraense. Na etapa final, diante da forte pressão do São Caetano, o goleiro Paulo Vítor se transformou em grande nome da partida, evitando novo empate paulista.(Com informações da Rádio Clube)

Preconceito emperra carreira de Cerezo

Por Cosme Rímoli

Telê Santana sempre apostou na visão de jogo de Toninho Cerezo. Para um dos maiores treinadores que o futebol brasileiro já teve, o volante faria história fora dos campos. Teria potencial para trabalhar como um grande técnico. E foi o que um dos melhores jogadores da fantástica Seleção Brasileira de 1982 buscou fazer. A transição foi fácil. Sempre foi um líder por onde passou: Atlético Mineiro, São Paulo, Sampdoria, Roma. Depois de passar pelo Vitória, em 1999, foi para o exterior. Ficou cinco anos no futebol japonês, no Kashiwa Antlers. Voltou, passou novamente pelo Vitória e Atlético Mineiro. Depois, de 2006 a 2010, na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes. Ganhou dois campeonatos japoneses, duas Copas do Japão e um árabe.

Mas o currículo de títulos pouco importou. De volta ao Brasil, trabalhou só três meses no Sport Recife. Estava disposto a mergulhar de vez no futebol brasileiro. Só que enfrentou algo inédito, impensável para o machista país que habita. Foi exatamente no meio do ano que estourou a campanha da importante grife Givanchi na Europa. A estrela da campanha era a transexual Lea T. Léa T. é o nome que adotou Leandro Cerezo. Filho de Toninho.

Era um segredo de família. Só que Léa T se tornou uma celebridade na Europa. Em entrevistas para publicações internacionais, Leandro não poupou o pai e expôs a situação. Falou à Vanity Fair, foi capa de Vogue… A campanha do Sport já não era boa. A revelação que o filho do treinador era um transexual tornou o ambiente insuportável. A imprensa pernambucana não o perdoou e perguntava impiedosamente sobre Léa T. Ele se recusou a falar sobre Leandro.

As torcidas de Náutico e Santa Cruz fizeram inúmeras gozações. A diretoria do Sport não pensou em duas vezes em se livrar do técnico. E, principalmente, do fantasma do transexual. Toninho Cerezo se tornou um personagem recluso, fechado. Foge da imprensa, não se expõe. Não quer ouvir perguntas sobre o filho. Seu nome como treinador é vetado nos grandes clubes.

Mesmo nos mais modestos, que vão disputar o Campeonato Paulista, por exemplo, também. Não interessa saber que ele aceitaria um salário baixo. Os dirigentes ligam a sua figura à do filho. E se negam a entregar seus times ao seu comando. Puro e cruel preconceito. E que refletiu na vida de Toninho Cerezo. Ele e Leandro não se falam. Empresários me dão o veredicto: por mais talentoso, não há mercado no Brasil para Toninho Cerezo. E ele sabe disso. Tanto que em uma entrevista chegou a declarar ter apenas três filhos. Mas ele tem quatro. Não quis contabilizar o transexual. Era como Léa T. não existisse. Talvez fosse o que desejasse.

Tudo é triste demais…

Dona Marisa: as palavras que precisavam ser ditas

Por Hildegard Angel

Foram oito anos de bombardeio intenso, tiroteio de deboches, ofensas de todo jeito, ridicularia, referências mordazes, críticas cruéis, calúnias até. E sem o conforto das contrapartidas. Jamais foi chamada de “a Cara” por ninguém, nem teve a imprensa internacional a lhe tecer elogios, muito menos admiradores políticos e partidários fizeram sua defesa. À “companheira” número 1 da República, muito osso, afagos poucos. Ah, dirão os de sempre, e as mordomias? As facilidades? O vidão? E eu rebaterei: E o fim da privacidade? A imprensa sempre de olho, botando lente de aumento pra encontrar defeito? E as hostilidades públicas? E as desfeitas? E a maneira desrespeitosa com que foi constantemente tratada, sem a menor cerimônia, por grande parte da mídia? Arremedando-a, desfeiteando-a, diminuindo-a? E as frequentes provas de desconfiança, daqui e dali? E – pior de tudo – os boatos infundados e maldosos, com o fim exclusivo e único de desagregar o casal, a família? Ah, meus queridos, Marisa Letícia Lula da Silva precisou ter coragem e estômago para suportar esses oito anos de maledicências e ataques. E ela teve.

Começaram criticando-a por estar sempre ao lado do marido nas solenidades. Como se acompanhar o parceiro não fosse o papel tradicional da mulher mãe de família em nossa sociedade. Depois, implicaram com o silêncio dela, a “mudez”, a maneira quieta de ser. Na verdade, uma prova mais do que evidente de sua sabedoria. Falar o quê, quando, todos sabem, primeira-dama não é cargo, não é emprego, não é profissão? Ah, mas tudo que “eles” queriam era ver dona Marisa Letícia se atrapalhar com as palavras para, mais uma vez, com aquela crueldade venenosa que lhes é peculiar, compará-la à antecessora, Ruth Cardoso, com seu colar poderoso de doutorados e mestrados. Agora, me digam, quantas mulheres neste grande e pujante país podem se vangloriar de ter um doutorado? Assim como, por outro lado, não são tantas as mulheres no Brasil que conseguem manter em harmonia uma família discreta e reservada, como tem Marisa Letícia. E não são também em grande número aquelas que contam, durante e depois de tantos anos de casamento, com o respeito implícito e explícito do marido, as boas ausências sempre feitas por Luís Inácio Lula da Silva a ela, o carinho frequentemente manifestado por ele. E isso não é um mérito? Não é um exemplo bom?

Passemos agora às desfeitas ao que, no entanto, eu considero o mérito mais relevante de nossa ex-primeira-dama: a brasilidade. Foi um apedrejamento sem trégua, quando Marisa Letícia, ao lado do marido presidente, decidiu abrir a Granja do Torto para as festas juninas. A mais singela de nossas festas populares, aquela com Brasil nas veias, celebrando os santos de nossas preferências, nossa culinária, os jogos e brincadeiras. Prestigiando o povo brasileiro no que tem de melhor: a simplicidade sábia dos Jecas Tatus, a convivência fraterna, o riso solto, a ingenuidade bonita da vida rural. Fizeram chacota por Lula colar bandeirinhas com dona Marisa, como se a cumplicidade do casal lhes causasse desconforto. Imprensa colonizada e tola, metida a chique. Fazem lembrar “emergentes” metidos a sebo que jamais poderiam entender a beleza de um pau de sebo “arrodeado” de fitinhas coloridas. Jornalistas mais criteriosos saberiam que a devoção de Marisa pelo Santo Antônio, levado pelo presidente em estandarte nas procissões, não é aprendida, nem inventada. É legitimidade pura. Filha de um Antônio (Antônio João Casa), de família de agricultores italianos imigrantes, lombardos lá de Bérgamo, Marisa até os cinco de idade viveu num sítio com os dez irmãos, onde o avô paterno, Giovanni Casa, devotíssimo, construiu uma capela de Santo Antônio. Até hoje ela existe, está lá pra quem quiser conferir, no bairro que leva o nome da família de Marisa, Bairro dos Casa, onde antes foi o sítio de suas raízes, na periferia de São Bernardo do Campo. Os Casa, de Marisa Letícia, meus amores, foram tão imigrantes quanto os Matarazzo e outros tantos, que ajudaram a construir o Brasil.

Outro traço brasileiro dela, que acho lindo, é o prestígio às cores nacionais, sempre reverenciadas em suas roupas no Dia da Pátria. Obras de costureiros nossos, nomes brasileiros, sem os abstracionismos fashion de quem gosta de copiar a moda estrangeira. Eram os coletes de crochê, os bordados artesanais, as rendas nossas de cada dia. Isso sim é ser chique, o resto é conversa fiada. No poder, ao lado do marido, ela claramente se empenhou em fazer bonito nas viagens, nas visitas oficiais, nas cerimônias protocolares. Qualquer olhar atento percebe que, a partir do momento em que se vestir bem passou a ser uma preocupação, Marisa Letícia evoluiu a cada dia, refinou-se, depurou o gosto, dando um olé geral em sua última aparição como primeira-dama do Brasil, na cerimônia de sábado passado, no Palácio do Planalto, quando, desculpem-me as demais, era seguramente a presença feminina mais elegante. Evoluiu no corte do cabelo, no penteado, na maquiagem e, até, nos tão criticados reparos estéticos, que a fizeram mais jovem e bonita. Atire a primeira pedra a mulher que, em posição de grande visibilidade, não fez uma plástica, não deu uma puxadinha leve, não aplicou uma injeçãozinha básica de botox, mesmo que light, ou não recorreu aos cremes noturnos. Ora essa, façam-me o favor!

Cobraram de Marisa Letícia um “trabalho social nacional”, um projeto amplo nos moldes do Comunidade Solidária de Ruth Cardoso. Pura malícia de quem queria vê-la cair na armadilha e se enrascar numa das mais difíceis, delicadas e técnicas esferas de atuação: a área social. Inteligente, Marisa Letícia dedicou-se ao que ela sempre melhor soube fazer: ser esteio do marido, ser seu regaço, seu sossego. Escutá-lo e, se necessário, opinar. Transmitir-lhe confiança e firmeza. E isso, segundo declarações dadas por ele, ela sempre fez. Foi quem saiu às ruas em passeata, mobilizando centenas de mulheres, quando os maridos delas, sindicalistas, estavam na prisão. Foi quem costurou a primeira bandeira do PT. E, corajosa, arriscou a pele, franqueando sua casa às reuniões dos metalúrgicos, quando a ditadura proibiu os sindicatos. Foi companheira, foi amiga e leal ao marido o tempo todo. Foi amável e cordial com todos que dela se aproximaram. Não há um único relato de episódio de arrogância ou desfeita feita por ela a alguém, como primeira-dama do país. A dona de casa que cuida do jardim, planta horta, se preocupa com a dieta do maridão e protege a família formou e forma, com Lula, um verdadeiro casal. Daqueles que, infelizmente, cada vez mais escasseiam.

Este é o meu reconhecimento ao papel muito bem desempenhado por Marisa Letícia Lula da Silva nesses oito anos. Tivesse dito tudo isso antes, eu seria chamada de bajuladora. Esperei-a deixar o poder para lhe fazer a Justiça que merece.

Belíssimo e oportuno  texto. Assinaria com prazer.  

Paredão agora defende a Cruz de Malta

Com palavras de confiança em boa campanha no Parazão, o goleiro Adriano foi apresentado nesta terça-feira como novo contratado da Tuna. Aparentemente sem mágoas do Remo, que o descartou, Adriano disse que recebeu o apoio e a solidariedade dos torcedores. Sua bronca é com “certos dirigentes”, responsáveis pelo veto ao seu retorno ao Baenão. Quanto ao novo clube, demonstrou satisfação por defender um dos mais tradicionais clubes do Norte do país. (Foto: OCTAVIO CARDOSO/Diário)

Titãs lado a lado no voo para o Suriname

Interior do avião que transportou as delegações de Remo e Paissandu a Paramaribo, na madrugada de terça-feira. Os bicolores ficaram nos assentos da frente e os azulinos logo atrás. Na foto acima, nas poltronas à esquerda, os companheiros Géo Araújo e Paulo Caxiado, da Rádio Clube do Pará. Abaixo, o registro da chegada à capital do Suriname, com o desembarque dos jogadores remistas, Diego Barros à frente. (Fotos: TARSO SARRAF/Bola-Diário)

Papo informal entre técnicos rivais

A necessidade de voo conjunto para Paramaribo propiciou algumas cenas curiosas, na madrugada de terça-feira, no aeroporto de Val-de-Cans. Uma delas foi o encontro dos técnicos Sérgio Cosme, do Paissandu, e Paulo Comelli, do Remo, que bateram um longo papo, trocando figurinhas, antes do embarque para o Suriname. Devem ter avaliado a extensão dos riscos que correm na primeira competição oficial da temporada. (Foto: TARSO SARRAF/Bola-Diário)