Belém, a Flor do Grão Pará, festeja 395 anos

Belém na poesia do saudoso Chico Sena. Comovente.

8 comentários em “Belém, a Flor do Grão Pará, festeja 395 anos

  1. Minha Homenagem a Minha Linda Terra Santa Maria de Belém do Grão-Pará

    Um Poema…

    DANÇA DAS ÁGUAS
    Antônio Carlos Maranhão

    Mês de março, mês de enchentes…
    As águas dos rios sujam…
    E se lançam na Baía…
    …do Guajará…que se turva…
    Sob as forças das correntes…
    Vento faz a maresia…
    E arrasta mar e dor, esperança e alegria…
    No peito do Pescador…
    Nas moças do interior…
    No sentido da baía…

    E as moças do interior,
    Rezam contas e novenas,
    Sonham com vestidos brancos,
    Bordados em fitas e rendas
    Longe o olhar no litoral
    Fazem Juras, pagam prendas…
    Pra casar na Capital…

    Terras caínas, água barrenta do Guamá…
    A chuva forte, quebra a flor do guaraná!
    É tarde, é baixa-mar no Ver-O-Peso
    Que abriga os barcos cedo
    Pra maré da preamar.
    E os Urubús famintos, anjos negros
    Cansam do céu e vêm à lama descansar.
    Se a noite vem, em lua nova ou lua cheia,
    Logo aos galhos das mangueiras
    voam pra se agasalhar.

    Ê! furo das marinhas, anhinga verde,
    Ê! várzea alta, Ê! várzea baixa, Ê! igapós!
    E os igarapés represam os peixes!
    Pro arraste das redes, pras pontas dos anzóis!
    E o pescador que é meste e navegante,
    Que amarra o amor nas juntas e no cais,
    Se as promessas fossem como âncoras,
    Jamáis esqueceriam de voltar…

    Ê! moças do interor,
    Quandos os barcos vão voltar?
    Do Acará, do Mojú, Tocantins e do Guamá,
    Rios-Braços de sustento,
    De sina, apelo e tormento
    nas águas do Guajará…

    Em Belém em tuas cheias,
    É terra de tuas beiras….

    …Lugar do teu …Encostar….

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  2. Fui uma das últmas pessoas a falar com Chico Sena. Estava tomando chopp no balcão do Maracaibo e ele estava de saida para o Hotel Vanja e perguntou se eu não iria para lá… Como estava muito tarde eu falei que não e lembro que ele foi com alguém da turma. Só ficamos sabendo de sua morte ao amanhecer, já que naquela época não existia celular.
    Foi na Adega do Rei, ali na José Malcher, que ele nos mostrou pela primeira vez esta composição. Estava incompleta e ficávamos dando “pitacos nada a ver”… saudade.

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      1. Verdade Gerson. O Chico foi, talvez, o único artista paraense que carregava consigo algo de trágico, mesmo nos seus momentos de maior alegria. Interessante; eu nunca vi o Chico tocar uma música dita “alegre”… Ele sempre gostava de cantar músicas românticas e deprimentes, mas, longe de ser uma coisa baixo astral, ele dava um sentido único à interpretação, que deixava todos embasbacados.
        Ele tem uma música chamada “Rua da solidão”, em parceria com o Paes Loureiro, que é um primor. Que Deus o tenha.

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    1. Soeiro, trágico também foi o fim de Beka há 27 anos, irmão de Alcir Guimarães e meu primo, uma pessoa inteligentíssima, boêmio, um alegre melancólico e depressivo que suicidou-se no Rio quando tentava carreira por lá. Tantas vezes amanheceu dormindo em nosso pátio, na Campos Sales, após varar a noite na Campina, Bar do Parque, Boêmios, Bar do Biriba… Hoje estaria com 60.

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  3. Parabens aos que se preocupam com a melhoria da cidade ,mesmo apenas na estética ou aqueles que sabem que a cidade pode melhorar em ESTRUTURA ORGANICA.QUEM SBE ALGUNS PASSARÃO A EXIGIR MAIS IMPLEMENTAÇÕES DOS ADMINISTRADORES sempre ,em vez de apenas no aniversário da dita anualmente?

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  4. Escutar Chico Sena é lembrar a Adega do Rei, o Abelem, o Claudio Guimarães, o Rui Barata, o Maranhão e todos os artistas que animavam aquela casa, quando ainda existiam poucos bares com música ao vivo em Belém. Saudade de todos!!!!!!!!!!!!!!!

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