Temporada das patriotadas

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POR GERSON NOGUEIRA

A Copa já começou. Os comerciais na TV, internet e mídia impressa denunciam isso. Aliás, não deixam que tenhamos qualquer dúvida a respeito. O principal sintoma de que o torneio está em andamento é aquele tradicional lero-lero patrioteiro, que se pretende jornalístico e acaba desaguando em pieguice, usando todos os elementos possíveis para pintar como heróis do povo sofrido do Brasil os jogadores e o técnico da Seleção.

Sempre achei bacana ver a mobilização das pessoas, pintando o asfalto, as calçadas e estendendo bandeirinhas para saudar o acontecimento que mexe com todos a cada quatro anos. Merece respeito esse mutirão de fé e esperança que a essa época invade bairros, ruelas, palafitas e becos do país pentacampeão do mundo em desigualdade e indiferença.

Ao mesmo tempo, sempre abominei o uso demagógico e pouco inteligente que a mídia e a publicidade costumam fazer da instituição nacional que é a Seleção. É um desespero para entrevistar a avó do centroavante, a tia do goleiro e, naturalmente, as mães de todos os envolvidos.

Esse falsear da realidade, tentando capturar elementos emotivos para atrair o torcedor desavisado, é tão repetitivo quanto ignóbil, pois dificilmente alguém ainda se deixa contaminar por recursos apelativos – pelo menos gosto de acreditar que seja assim.

É claro que o torcedor sazonal, aquele que só torce em Copas do Mundo, é a presa visada, pois se emociona a cada instante e cai facilmente no ardil vendilhão dessas patuscadas, associando fábrica de perfumes com dribles e até entidades frias como bancos a golaços arrebatadores.

Óbvio está que pertenço àquele grupelho de chatos renitentes que, até por vício profissional e coração endurecido, não consegue se sensibilizar com esses truques lacrimejantes típicos de novelas mexicanas. No meu caso específico, pesa também o trauma daquela tarde tristemente inesquecível vivida em Belo Horizonte há quatro luas. A presença de remanescentes daquela tragédia não deixa de ser assustadora.

Com planos de ir à Rússia cobrir minha quarta Copa, tirei os últimos dias para anotar quantos comerciais já fazem tremular o pavilhão nacional, com aquela vibração fabricada que faz com que os torcedores lembrem ET’s que nunca pisaram num estádio de futebol. Ao todo, contei mais de 20 peças publicitárias que surfam na paixão de chuteiras.

Os próximos dias marcarão um verdadeiro bombardeio de vídeos de senhoras vetustas bordando camisas canarinho, cuidando da horta ou assando bolinhos e cocadas. Tudo para instilar na cabeça do pacato cidadão que a origem modesta de alguns dos nossos milionários craques é motivo mais do que suficiente para todos se unirem “numa só voz e num só coração”.

Vale tudo, enfim, para convencer a massa a glorificar nossos guerreiros amarelos – e digo isto como referência à cor do uniforme e não como previsão funesta sobre o comportamento dos boleiros em campos russos. Por tabela, obviamente, aproveita-se para vender alguma coisa nem sempre de primeira necessidade, o que é absolutamente normal em tempos de Copa, desde que isso não atente contra inteligência das pessoas.

Elevo preces aos deuses da bola para que a temporada de caça ao torcedor pacheco não seja tão inclemente e, se possível, que se encerre com motivos para comemorações verdadeiras nas ruas.

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Bola na Torre

Guilherme Guerreiro apresenta o programa, a partir das 21h, na RBATV, com participações de Valmir Rodrigues e deste escriba que vos escreve. Em pauta, os jogos e gols da rodada do fim de semana, com análises e participação do telespectador via WhatsApp.

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Marco Polo já pode voltar a viajar em paz

Nossos avós nos ensinaram que tudo na vida tem um lado bom – até topada, pois faz o sujeito ir em frente.

Foi o que pensei ao ver a notícia de que o Comitê de Ética da Fifa baniu em definitivo do futebol o cartolão Marco Polo Del Nero, ex-presidente da CBF e ainda poderosíssimo nos bastidores, comandando uma legião de arcanjos e querubins encastelados em cargos na entidade.

Del Nero sai de cena, escorraçado como indesejável ao ambiente do futebol no Brasil e no mundo, tanto no plano administrativo como técnico. A decisão do comitê equivale a um desterro. Del Nero não pode mais se imiscuir em assuntos de futebol, desde que a investigação iniciada em novembro de 2015 revelou que embolsou grana proveniente de subornos diversos, principalmente nos contratos com veículos de comunicação.

Como seu antecessor Ricardo Teixeira, Del Nero botou a mão em dinheiro gordo, pilotando negociatas para facilitação de esquemas de transmissão de jogos e lucros de marketing, na Copa América, Taça Libertadores e Copa do Brasil. Logicamente, não ganhou sozinho. Teve parceiros e cúmplices.

O fato é que ele violou cinco artigos do Código de Ética da Fifa, envolvendo corrupção ativa, aceitação de benefícios indevidos, tráfico de influência e regras de conduta. Curiosamente, a entidade não faz menção aos parceiros de Del Nero nos atos de corrupção, sabendo-se que alguns seguem liberados para transmitir torneios com exclusividade graças a contratos agora declarados espúrios.

A Fifa aplicou multa de R$ 3,5 milhões, o que é mixaria perto do que Del Nero faturou às custas da CBF. Na prática, ele não pode entrar na sede da entidade, nem participar de eventos sociais, bem como fica impedido de presidir clubes ou fazer qualquer negócio envolvendo futebol. No Brasil das facilidades, porém, nada indica que prepostos e testas de ferro possam fazer tudo isso pelo cartola.

O consolo é que a decisão não inclui restrição ao sagrado direito de ir e ver, a que Del Nero havia renunciado nos últimos anos para não ser preso. Agora poderá viajar à vontade, fazendo finalmente jus ao nome de batismo.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 29)

Finalmente, um juiz enfrenta Moro

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Por Fernando Brito, no Tijolaço

Se os ministros do Supremo Tribunal Federal tivessem metade da coragem do desembargador Ney Bello, presidente da 3ª Turma do Tribunal Federal, o juiz Sérgio Moro não seria o onipotente que “faz e acontece”, de acordo com suas vontades – e, pior, seus ódios.

O caso, resumidamente, é o seguinte: para conseguir de Portugal a extradição de Raul Schmidt, acusado na Lava Jato, Moro levou o Ministério da Justiça a prometer reciprocidade em outras extradições daqui para lá. Ocorre que Raul é português nato e, neste caso, a reciprocidade representaria a extradição de brasileiro nato, o que é impossível, como se sabe.

O juiz Leão Alves deu decisão suspensiva não a um ato de Moro, mas do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica (DRCI) do Ministério da Justiça, que solicita a extradição com base nesta promessa, em tese, impossível.

Moro, para usar uma expressão mais adequada ao mundo jurídico, ignorou solenemente a decisão e mandou a Polícia Federal consumar a extradição.

Ney Bello, que preside a turma na qual Leão é desembargador convocado,  disse ser “intolerável” o desconhecimento “dos princípios constitucionais do processo e das normas processuais penais que regem estes conflitos, sob o frágil argumento moral de autoridade, e em desrespeito ao direito objetivo”.

-A instigação ao descumprimento de ordem judicial emitida por um juiz autoriza toda a sociedade a descumprir ordens judiciais de quaisquer instâncias, substituindo a normalidade das decisões judiciais pelo equívoco das pretensões individuais. 

Moro – ou mesmo o Ministério Público – poderiam ter suscitado um caso de conflito de competência junto ao Superior Tribunal de Justiça, mas preferiram passar por cima da decisão de segunda instância. Foi, aliás, o que fez hoje o próprio juiz Leão, com petição ao STJ.

Tivessem os ministros do STF agido assim no caso das escutas ilegais sobre Dilma Rousseff, então presidente da República, Sérgio Moro não estaria pondo cada vez mais de fora suas manguinhas autoritárias.

Mas o STF preferiu, como com os abusos do MP, ficar no “ai, ai, ai”.

E a cobra criou asas.

Bate-papo no boteco virtual – Juazeirense x Remo

Campeonato Brasileiro da Série  – 3ª rodada

Juazeirense x Remo – estádio Adauto Moraes, em Juazeiro (BA), às 19h

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Na Rádio Clube, Valmir Rodrigues narra, Gerson Nogueira comenta. Reportagens – Valdo Souza, Saulo Zaire. Banco de Informações – Adilson Brasil

Bate-papo no boteco virtual – PSC x Brasil

Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão – 3ª rodada

Paissandu x Brasil-RS – estádio da Curuzu, 16h30

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Na Rádio Clube, Carlos Gaia narra; João Cunha comenta. Reportagens – Dinho Menezes, Valdo Cunha, Mauro Borges, Francisco Urbano. Banco de Informações – Adilson Brasil

Diretor do Remo confirma negociação com Jobson, mas falta o aval de Givanildo

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Aos 30 anos, o atacante Jobson, que responde na Justiça do Tocantins por acusações de estupro de vulneráveis, deixou a prisão nesta sexta-feira (27). Passará a responder pelas acuações em liberdade e negocia com o Remo sua volta ao futebol. A informação foi revelada pelo site UOL, ontem. O diretor de futebol do Remo, Milton Campos, em contato com o site, revelou que as conversas com Jobson começaram em fevereiro, contando à época com o aval do técnico Ney da Matta. Agora, para concretizar o acordo, a diretoria precisa da concordância do técnico Givanildo Oliveira.

“Antes de dar prosseguimento às conversas preciso saber o que pensa o Givanildo Oliveira”, disse Campos. Ainda questionado pela reportagem do UOL sobre a possibilidade de ter um acusado de estupro no elenco profissional do Remo, o dirigente disse que ainda não existe condenação para o jogador sobre o caso.

“Se ele for julgado e condenado, vai pagar pelo crime. Mas ele não é réu confesso e está contestando a acusação. Pelo princípio da presunção de inocência, ele não é culpado”, reforçou Campos. O técnico Givanildo Oliveira é conhecido pelo perfil conservador. Há duas semanas, vetou o retorno do atacante Pimentinha ao clube.

Em campo, Jobson brilhou com a camisa do Botafogo-RJ, em 2009, despertando interesse de clubes da Europa, sendo cogitado para uma possível convocação para a seleção brasileira. Depois disso, foi apanhado em exames antidoping por consumo de cocaína. Saiu do Botafogo, voltou outras duas vezes, com o clube tentando recuperá-lo e bancando tratamento. Terminou indo jogar no futebol árabe, caiu novamente no doping e foi suspenso pela Fifa por três anos – punição terminou em março deste ano.

Jobson nasceu em Conceição do Araguaia, no interior do Pará, e responde à acusação de manter relações sexuais com adolescentes, na cidade de Couto Magalhães, no Tocantins. As menores alegam que estavam sob efeito de álcool e entorpecentes colocados na bebida. Jobson foi preso provisoriamente e solto em agosto do ano passado, quando passou a ser rastreado por tornozeleira eletrônica, até retornar à prisão em setembro.

Contra Juazeirense, Bruno Maia volta à defesa do Leão

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O zagueiro Bruno Maia, que volta após contusão na final do Parazão, é a novidade do Remo para o jogo deste sábado contra o Juazeirense, neste sábado. Até aquela partida Bruno era titular absoluto da equipe de Givanildo Oliveira.

Um dos jogadores mais experientes do grupo, Bruno Maia está confiante na conquista de um bom resultado no interior baiano, a fim de encaminhar a busca pelo acesso, ambição maior do Remo na temporada.

“Apesar do Juazeirense não ter pontuado ainda nessas duas primeiras rodadas, sabemos que não vamos ter facilidade no jogo. Com todo respeito à equipe deles, mas o Remo precisa se impor mesmo fora de casa e ir em busca dos três pontos para subir na tabela. Temos de manter nossa pegada forte e ter toda a concentração possível para evitar erros e conquistar a vitória, que será fundamental para nossa caminhada (rumo à Série B)”, disse o defensor.

Juazeirense e Remo jogam às 19h deste sábado, no estádio Adauto Moraes, em Juazeiro (BA). O Leão entra na rodada ocupando a 4ª colocação, com três pontos. O clube baiano é o lanterna do grupo A, ainda sem pontuar.