O cárcere

dirceu

Transcrito do Tijolaço

A entrevista de José Dirceu à Folha, na iminência de ser, outra vez, recolhido ao cárcere de Curitiba, é leitura que vai muito além da narrativa simples e despojada, sem afetações heroicas ou dramáticas que faz. Remeteu-me à leitura, décadas atrás, de Memórias do Cárcere, de Graciliano Ramos, um documento cru – e, por isso, vigoroso – narrando o processo de desconstrução do ser humano que é aprisionado e que, no único convívio que se lhe permite – o da prisão – reconstrói e mantém vivo o ser humano que é.

Não tenho – e jamais o escondi – maiores proximidades com Dirceu. É, e sempre foi, homem da máquina partidária, algo indispensável na política mas, por características pessoais, distante dos que têm natureza passional e temerária. O que não impede, e até ajuda, a admirar quem consegue, com a simplicidade que o ex-homem forte do PT revela, buscar na disciplina a escada para reerguer-se.

Quem espera encontrar nas palavras de José Dirceu um panfleto fácil, choroso, lamuriento, vai se decepcionar. Também não vai achar ali um compêndio de moral vazia. Encontrará o realismo prático de sobrevivência do militante político – nisso bem diferente do velho Graça – diante de situações e pessoas diversas, boas e ruins, num microcosmo que, afinal, reproduz, de forma concentrada, a sociedade extra-cárcere.

Dirceu exprime, o que é raro, a obstinada deliberação em seguir a caminhada política que escolheu como razão de sua vida. Uma trilha que cadeia alguma jamais conseguiu interromper.

Dirceu: “nosso lado é o lado
do povo, o lado do Brasil”.

O ex-ministro José Dirceu, 72, teve seus recursos negados na quinta (19) pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região e pode ser preso a qualquer momento por ordem do juiz Sergio Moro.

Por seus próprios cálculos, ele pode entrar na cadeia para não sair nunca mais. “É uma hipótese”, admite.

Com uma “tosse nervosa” e os olhos inchados por causa de uma operação que fez nas pálpebras —entre outras coisas, para enfrentar a fraca luz da prisão e manter o hábito da leitura—, ele recebeu a Folha um dia antes do julgamento para a seguinte entrevista.

Folha –  Como o senhor se sente hoje, prestes a ser preso de novo?

Dirceu – O país vive uma situação de insegurança e instabilidade jurídica, de violação dos direitos e garantias individuais. O aparato judicial policial se transformou em polícia política. 

Como a minha vida é o PT e o projeto que o Lula lidera, eu tenho que me preparar para continuar fazendo política. Eu não posso me render ao fato de que vou ser preso.

O senhor está com 72 anos e foi condenado a 41 anos de prisão. Estamos falando de um regime fechado de sete anos.

É. E eles acabaram com a progressão penal. Você só pode ser beneficiado se reparar o dano que dizem ter causado. E como, se todos os seus bens estão bloqueados? Acabaram com o indulto [para crimes de colarinho branco]. Vamos cumprir a pena toda.

Então o senhor pode entrar agora na cadeia para não sair nunca mais?

É uma hipótese.

E como se sente?

Não muda nada. Preso ou aqui fora, vou fazer tudo o que eu fazia: ler, estudar e fazer política.Eu tenho que cumprir a pena. Eu não posso brigar com a cadeia. O preso que briga com a cadeia cai em depressão, começa a tomar remédio.

Os presos antigos, de forma jocosa mas a sério, quando veem um de nós não aceitando… porque é duro perder a liberdade. Quer dizer, não perde porque não perde a liberdade de criar, de pensar, e também não perde o afeto, o amor. Milhões de pessoas vivem numa condição subumana por causa da pobreza, da exploração. E criam, né? Fazem música, arte, criam os filhos, batalham.

Mas eles [presos antigos] dizem [para quem chega na cadeia]: “Já chorou bastante? Já rezou? Já chamou mamãe? Já leu a Bíblia? Então agora, cidadão, começa a trabalhar! Arruma emprego aqui dentro pra fazer remissão [da pena]. Estuda, viu?

Outra coisa: arruma a tua cela. Transforma aquilo num mocozinho seu, num apartamentinho, põe fotografia da tua filha, põe a bandeira do teu time. Limpa ela direitinho, melhora o que você come. Joga futebol. Porque você vai ficar aqui quatro anos. [Aumentando o tom de voz]. Tá entendendo o que eu tô te falando? Ou você quer ficar igual àqueles lá? [referindo-se a presos deprimidos].

Aquilo ali é três Frontais [remédio para ansiedade] por dia. Olha como ele já tá andando durinho. É o crack em parte que queimou a cabeça dele. Mas o resto é a depressão.

O senhor ouviu esses conselhos quando entrou no sistema penitenciário?

Ouvi. Eu cheguei muito deprimido no CMP [Complexo Médico Penal de Pinhais, em Curitiba]. A minha filha estava denunciada —depois ela foi inocentada—, o meu irmão estava preso.

Eu tomava indutor do sono. Mas logo parei. Fui buscar emprego na biblioteca. Li cem livros no um ano e nove meses em que fiquei lá.

Outros presos vão trabalhar na lavanderia, consertam roupa, outros vão para a censura para ver se os Sedex [enviados pelas famílias] estão dentro da norma, orientados por um agente.

E eu virei, né? Todo sábado e domingo, quando fazíamos almoços coletivos, eu também escrevia as minhas memórias, na cela, à mão.

E como era a convivência com Eduardo Cunha?

Normal. Você está preso. Convive com [condenados pela lei] Maria da Penha, com um pedófilo condenado a cem anos de prisão. Ele é o chefe de um setor. É uma pessoa normal, quieta.

A primeira reação é “não vou falar nunca com ele”. Depois de três anos, minha cara, não adianta. Tem que falar.

Lá tá todo mundo na mesma m., entendeu? Há uma solidariedade. “Vamos evitar que o velhinho pegue sarna, vamos limpar a cela dele, vamos levar ele para tomar banho”.

Se contamina uma cela, pode contaminar todas as 32 celas da galeria, com sarna, com pulga. Temos que cuidar para que todo mundo ferva a água.

E o Eduardo Cunha?

Ele é muito disciplinado. Dedica uma parte do tempo para ler a Bíblia, frequenta o culto. Conhece a Bíblia profundamente. E em outra parte do tempo se dedica a ler os processos.

É uma convivência normal. Vamos limpar os banheiros? Vamos. Vamos lavar os corrimões? Vamos.

Tem que limpar o xadrez todos os dias, lavar as portas e a galeria, para evitar doenças. Nós ficamos na sexta galeria, [que abriga] os presos da Lava Jato, Maria da Penha, advogados, empresários, alguns condenados por crimes sexuais. São 60 presos, separados dos 700 [do complexo penal].

Falavam de política?

Falávamos. Sempre tem uma hora em que um preso joga xadrez, dominó, o outro toca música, ou está acabando de almoçar, voltando do trabalho. Nessas horas você sempre conversa.

E todo mundo é inocente, né? O cara matou a avó, fritou o gato dela, comeu. Mas ele começa a conversar com você e a reclamar que é inocente.

Ficam mais tempo trancados ou circulando?

Ficamos na tranca quando tem rebelião no sistema porque se tem em uma cadeia pode ter na outra. No dia a dia, levantamos às 6h30. Os carros chegam entregando o café da manhã. São muito barulhentos. Todo mundo acorda. Aí sai da cela. Quem tem que trabalhar vai trabalhar.

Às 11h30, chega o almoço. Tudo lá é simples, mas honesto. A comida é simples —de pensão, de quartel—,mas honesta. A roupa de cama é simples, mas honesta. Às 13h30, alguns presos vão ao médico, outros ao parlatório [falar com os advogados]. Todos podem ir na biblioteca retirar um livro.

Desce no pátio duas horas por dia para jogar futebol e tomar sol. E volta. Desce uma vez por semana para ver a família. E volta. Por três, quatro, dez anos, você passa a maior parte do tempo numa galeria de 120 m por 30 m com várias celas. Essa é a realidade do preso.

E as visitas da família?

Você não pode receber a tua família mal. A gente briga muito com os outros presos: “Tua família não pode te ver assim. Fique melhor. Se arruma. Levante o ânimo. Imagine como vai ficar a tua mãe”.

E, se a família chega chorando, o preso volta da visita, deita na cama e cai. É duro ver a família indo embora. É duro. Muitos choram.

O senhor conviveu com Antonio Palocci?

Estive com ele uma só vez, na Polícia Federal. Foi quando ele me disse —ele usou esta expressão: “o Leo [Pinheiro, ex-executivo da OAS] vai salgar o Lula [o empreiteiro revelou à Justiça que pagou a reforma do tríplex do petista]”.

E me disse que ele mesmo ia relatar, em depoimento, como era o caixa dois no Brasil. Deu a entender que ia falar do sistema bancário, eu entendi que ia falar da TV Globo. E fiquei apreensivo. Voltei e conversei com o Eduardo [Cunha] e com o [João] Vaccari [ex-tesoureiro do PT que está preso]: “Tô achando que o Palocci vai fazer delação”.

Os dois ficaram indignados comigo. Principalmente o Eduardo, que disse: “Eu convivi com ele. Em hipótese nenhuma”. Eu deixei para lá.

É verdade que o marqueteiro João Santana contou para o senhor que delataria?

O que fizeram com a Mônica [Moura], mulher dele, foi terror psicológico. Colocaram ela na triagem de Piraquara, uma das piores penitenciárias do Paraná, totalmente dominada pelo crime.

Colocar na triagem significa o seguinte: te colocam numa cela pequena, sem luz, sem nada. Te dão a comida pela bocuda. Sai para tomar banho dez minutos e volta. Em dois dias você faz delação, né?

E isso não é uma tortura psicológica?

Ele falou para mim depois, um pouco como desabafo, angustiado: “Não tenho condição”. Preocupado, né? Porque as pessoas têm vergonha de fazer delação.

Eu falei: “João Santana, da minha parte você vai continuar tendo o meu respeito. Essa é uma questão de vocês”. Já os empresários têm as razões deles, salvar a empresa, o patrimônio, os empregos.

O senhor também conviveu com o Marcelo Odebrecht.

Ele ficava sozinho numa cela. É afável, educado. Mas tem uma vida muito própria. Faz ginástica oito, dez horas por dia. Então não convive, né? Todo mundo sabia que ele era assim e todo mundo respeitava.

Ele se comportou muito bem. Até poderia ser de maneira diferente, pelo que representava. Mas ali é todo mundo igual. Preso não aceita [comportamento diferente]. Quando você entra no sistema, tem que pôr na cabeça o seguinte: “Eu sou preso. Aqui eu sou igual a todo mundo”. Os presos te respeitam se eles veem que você é um deles.

Como vê a perspectiva de Lula ficar preso sozinho? Ele suporta o isolamento?

Como o tratamento é respeitoso e ele recebe advogados todos os dias, e a família uma vez por semana, vai se adaptando.

O pior para ele já aconteceu: a indignidade de ser condenado e preso injustamente. Depois disso, tem que se adaptar às condições e transformar elas em uma arma para você. Esse é o pensamento. Mas eu acho que raramente um ser humano suporta ficar um ano num banheiro e quarto vendo três vezes por dia alguém trazer comida para ele.

Agora surgiu a ideia de o Lula ir para um quartel. Seria pior ainda. Porque eles não que em ninguém lá. A função do quartel não é ser presídio. Ele vai ficar mais isolado.

E ele não consegue?

Eu acho que ele não deve. É uma questão política. Ele deve conviver com outras pessoas, pensar o país, pensar no que está acontecendo. Ele não está proibido de fazer política só porque está preso.

Se o Lula vier para a sexta galeria [unidade do complexo penal em que Dirceu ficou detido], verá que é uma convivência normal. É muito raro ter um incidente. E na prisão você conversa, aprende muita coisa. As pessoas têm muito o que ensinar.

Às vezes você acredita no mito que criam sobre você. Que você é especial, que teve uma vida, no meu caso, que dá até um filme. Mas você começa a conversar com um preso comum, e descobre que é fantástica a vida de cada um lá.

O que o senhor sentiu quando viu Lula sendo preso?

Eu sou muito frio para essas questões, sabe? Acho que ele fez o que tinha que fazer, aquela resistência simbólica foi necessária. E nós ganhamos essa batalha política e midiática.

Mas nada mexeu com o senhor?

Eu fiz da minha vida praticamente o Lula. E me mantive leal a ele. Não faltaram oportunidades, amigos e companheiros que me empurravam para romper com ele, em vários episódios. Mas eu sempre achei que a obra do Lula, a liderança dele, o que ele fez pelo país, compensava qualquer outra coisa. Então eu não dei importância. Depois de uma semana, já não lembrava.

Em 2011, eu estava num barco alugado, pescando, e recebi um telefonema com a informação de que o Lula estava com câncer. Eu chorei. Me deu a sensação de que poderia ser o começo do fim da vida do Lula. Mas agora, como já passei três vezes pela prisão, é diferente.

Você tem que lutar por todos os meios, legais e políticos, para ser solto. Mas sempre tenho a ideia de que, se souber levar a prisão, ela pode se transformar numa melhora para você mesmo. De estudo, de pesquisa, de reflexão.

Em algum momento dessas reflexões na prisão o senhor concluiu que errou e cometeu crimes?

Eu não cometi crimes. Não há nenhuma prova, nenhum empresário ou diretor afirmando que eu pedi alguma coisa na Petrobras. O que eu errei? Na minha relação com [o lobista e delator] Milton Pascowitch. Eu comprei um imóvel, financiei, paguei a entrada.

Ele reformou o imóvel. Eu não paguei. Foi um erro meu. Eu não poderia ter estabelecido essa relação.
Era um empréstimo não declarado. Que virou propina. Foi uma relação indevida. Admito. Mas não criminosa.

O senhor já disse que a militância é solidária mas que vocês cometeram muitos erros.

Eu estava falando de mim. Eu sempre digo: eu tenho apoio da quase absoluta maioria da militância do PT porque ela é generosa. E essa solidariedade não é porque todos concordam com minhas ideias nem pelo que fiz na minha vida profissional recente. É pelo que eu fiz pelo PT, pelo Brasil, pelo Lula. É pelo que eu represento.

Querer ser consultor e ganhar dinheiro foi um erro?

Eu não queria ganhar dinheiro. Eu queria sustentar a minha defesa e a minha vida política. Eu não tenho patrimônio. A casa da minha mãe eu tinha comprado antes, o apartamento do meu irmão foi financiado.
Eu tenho R$ 2.000 na minha conta. É só ver como eu vivo, no apartamento da minha sogra. É só perguntar para o prédio sobre o IPTU. Vai na escola da minha filha perguntar sobre a mensalidade.

Quais foram os erros que o senhor cometeu então?

Eu não deveria ter feito consultoria. Ela cria um campo nebuloso entre os meus interesses como consultor e o interesse público. Eu ficava me lamentando: “Por que eu fui fazer essa coisa [consultoria] com a Engevix [pela qual foi condenado]?”

O Vaccari falava: “Para com isso, Zé Dirceu. Você não foi condenado por isso”. Depois fui condenado em outro processo sem ter nada a ver com nada. E o Vaccari falou: “Tá vendo?”.

Então eu às vezes fico dividido. E concluo que na verdade eu fui condenado por razões políticas. Eu não fui condenado pelas consultorias que prestei.

Lula fez um governo aprovado por 83% dos brasileiros. Por outro lado, desvios de milhões foram comprovados. O fato de vocês terem financiado campanhas com dinheiro de estatais e caixa dois não seria razão para um arrependimento, uma autocrítica?

Nós temos que denunciar o que fizeram conosco, e não foi por causa de nossos erros. O legado do Lula, o nascente estado de bem-estar social que ele consolidou, está sendo todo desmontado. Estão desfazendo a era Lula como quiseram desfazer a era Getúlio.

Eu faço o balanço histórico: estamos do lado certo e o saldo de tudo o que fizemos é fantástico. Eu vou dizer uma coisa para você: a Igreja Católica Apostólica Romana tem uma história de crimes contra a humanidade.

Não vou nem falar das Cruzadas ou da Inquisição. Se eu for olhar para ela, vou mandar prender todos os padres e bispos porque a pedofilia é generalizada. Ou não é? Mas é a Igreja Católica Apostólica Romana. A vida é assim. O mundo é assim.

O PT cometeu erros? Muitos. Mas tem uma coisa: o lado do PT na história, o nosso lado, é o lado do povo, do Brasil.

Não tinha outro jeito de financiar campanha?

Tem: o autofinanciamento com apoio popular. Mas, nas condições que estávamos enfrentando, era impossível fazermos isso. Porque a dinâmica da vida política, do sistema, é essa. A solução seria financiamento público com lista [partidária]. O PT lutou, o Lula lutou também por isso. Mas ninguém quis fazer.

Alguma vez o senhor imaginou que a história terminaria com o senhor e o Lula presos?

A tentativa de derrubar o nosso governo eu sempre imaginei. Toda vez que no Brasil há um crescimento muito grande das forças políticas sociais, populares, de esquerda, nacionalistas, progressistas, democráticas, isso acontece.

De 1946 a 1964, o Brasil viveu sob expectativas de golpe contra governos trabalhistas, getulistas. O Juscelino [Kubitschek] só tomou posse porque o [marechal Henrique Teixeira] Lott deu o contragolpe.
Só teve a posse do Jango porque [Leonel] Brizola se levantou em armas. Aliás, só derrotamos tentativas de golpe quando a gente tem armas. Estou falando sério.

Mas essa seria uma possibilidade?

A solução hoje é igualzinha à que eles fizeram. Desestabilizaram o governo Dilma. Impediram que ela aprovasse uma pauta de ajustes. Colocaram milhões de pessoas na rua e buscaram uma solução legal. Nós devemos fazer a mesma coisa.

E têm força para isso?

Temos. Pode demorar dois, quatro, seis anos, mas temos. Você não desmonta a estrutura de bem-estar social que o país tem sem consequências. As forças políticas e sociais vão ganhando consciência. Vão surgindo novas lideranças, novos movimentos.

O país vai ter um longo ciclo de lutas. Mas primeiro é ganhar a eleição. No segundo turno, se as esquerdas se unirem, teremos força para isso.

Quem o senhor coloca como esquerda?

Os candidatos do PSOL, do PC do B, o PT, o PDT e o PSB.

O senhor então inclui o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa, hoje no PSB?

É um candidato que pode ser cooptado pela direita. Mas pode ser que não. É uma incógnita.

O senhor votaria nele no segundo turno contra contra alguém da direita?

Bem, essa hipótese… vamos esperar. O meu candidato é o Lula. Nós temos que lutar pela liberdade dele, mantê-lo como candidato e registrá-lo em agosto.

Se não fizermos isso, será um haraquiri politico. Nós dividiremos o PT em quatro ou cinco facções. Nós temos que manter o partido unido. Daqui a 60 dias, o Lula vai tomar a decisão do que fazer, consultando a executiva, os deputados.

Como ele fará uma consulta de dentro da prisão?

Da prisão você consulta quem quiser. Lula vai transferir de 14% a 18% de votos para o candidato que ele apoiar.

De dentro da prisão?

É a coisa mais fácil que tem. É só ele falar o que ele pensa.

Mas a gente sabe o trabalho que deu para ele transferir votos em outras eleições. Ele aparecia na TV todos os dias, viajava pelo país.

Sabe qual é a diferença de 2014? É que o lado de lá tem a TV Globo, o aparato judicial militar e o poder econômico. Mas está mais desorganizado e enfraquecido do que nós.

Eu tenho confiança de que o fio da história do Brasil não é o fio das forças da direita. O fio da história do Brasil é o fio que nós representamos.

O blog campeão está no berço hoje; parabéns a todos os envolvidos

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O cardápio diário continua rigorosamente o mesmo, mas o blog está rasgando a folhinha neste 20 de abril, o que é motivo de grande alegria e orgulho para este operário do jornalismo. São nove anos de trabalho ininterrupto, com raríssimas folgas, com dedicação total à missão de bem informar, dividir ideias, partilhar conhecimento e oportunizar o bom debate. Espero que tenha alcançado pelo menos uma pequena parte de minhas ambiciosas pretensões ao criar este espaço, um boteco virtual lítero-musical-boleiro-cinéfilo de colorações claramente vermelhas.

Ao longo deste período, tivemos duas Copas do Mundo (com cobertura in loco, ambas acompanhadas com informações exclusivas pelos seguidores e baluartes do blog), duas eleições presidenciais, um golpe tabajara pelo meio, dois papas, filmes de calibre diverso, livros quase bons e muito, muito roquenrou. Não tem sido fácil, mas quem falou que a vida é dada a facilidades? Apesar do tom sombrio dos últimos tempos, a crítica continua a ser exercida intensamente, como sempre fiz. Afinal, como diria Che, o importante é não perder a ternura jamais.

Antes de levar a cabo a ideia de ter um blog, hesitei bastante, pesei prós e contras. Temia que fosse algo passageiro, como o chuvisco. Vi isso acontecer aos montes na imprensa do Pará e do Brasil. Alimentar de conteúdo um blog exige tempo, paciência e método. É preciso gostar muito de jornalismo para despertar no meio da noite e atualizar o blog, como também requer disciplina espartana acordar com os primeiros raios de sol para disparar uma informação exclusiva e quente.

De toda sorte, posso assegurar que o aprendizado e a convivência com tantas pessoas dos mais diversos lugares do mundo são inestimáveis. Ao mesmo tempo, sinto-me bem e tranquilo por ter honrado os princípios que inspiraram o blog. Contabilizamos a marca de 7,6 milhões de visitas e mais de 13,3 mil seguidores fixos.

Agradecer a todos os baluartes, amigos, colaboradores e companheiros de aventura diária. O compromisso inicial, exposto como tábua de mandamentos logo no primeiro post, “De Baião para o mundo…”, continua inteiramente válido, lúcido e inserido no contexto:

“A ideia é falar de quase tudo, desde jornalismo (obviamente) até o jogo da rodada, sem esquecer os bastidores do mundo boleiro. E comentar filmes. E dar pitacos sobre livros. E, claro, falar e tocar música. Sempre no ataque e jogando limpo, como pregam os grandes mestres do futebol”.

Copa do Brasil define jogos das oitavas

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Após a conclusão da quarta fase da Copa do Brasil na noite de quinta-feira, os confrontos da próxima etapa da competição foram sorteados na sede da CBF, no Rio de Janeiro, às 11h (de Brasília) desta sexta. Confira abaixo os duelos sorteados pelo ex-jogador Zinho:

Chapecoense x Atlético-MG

Cruzeiro x Atlético-PR

Vasco x Bahia

Grêmio x Goiás

Corinthians x Vitória

Palmeiras x América-MG

Flamengo x Ponte Preta

Santos  x Luverdense

O América-MG conquistou a vaga após vencer a Série B do Brasileiro no ano passado, enquanto o Bahia foi campeão da Copa do Nordeste e o Luverdense, da Copa Verde. Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Grêmio, Palmeiras, Santos, Vasco e Chapecoense, eliminada na fase preliminar, vão direto para as oitavas por terem se classificado para a Libertadores deste ano.

Além do sorteio, Manuel Flores, diretor de competições da entidade, explicou as mudanças já desta edição, como a ausência do gol qualificado e o prêmio de R$ 50 milhões pagos ao campeão. “É um novo momento para a gente, um novo contrato, nasce uma nova marca. Só podemos agradecer. Vida longa à Copa do Brasil”, disse Flores. (Da Gazeta Esportiva)

Da moça do BBB: “Quem cava cova pro outro, acaba caindo nela”

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Por Fernando Brito, no Tijolaço

Que o tal Big Brother Brasil é uma destas bobagens deseducadoras que a nossa televisão – e a Globo é a reitora de toda ela – todo mundo sabe. Como, porém, precisa de gente de carne e osso para fazer aquela figuração de relações humanas, volta e meia o inesperado faz uma surpresa.

Como a desta mocinha, Gleise Damasceno, que é o foco das atenções das redes sociais hoje de manhã, com seu grito de “Lula Livre” na comemoração de sua vitória no programa, em videos que se multiplicam no Facebook e no Youtube.

Como todas as coisas que repercutem, é porque diz o que muitos querem dizer.

Produziu manchetes irônicas, como a da Veja: ‘BBB18’: Fora do confinamento, Gleici grita ‘Lula Livre!’

Pois é, fora do confinamento em que Lula está, seu nome acaba por circular, livre, até no silêncio da Sibéria global.

A Globo bem merecia a frase que a própria moça disse no programa: “Quem cava uma cova pro outro, cai nela”.

Pois é…

A mesada do “tio” Joesley para Aécio

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Com notas fiscais e recibos bancários para provar o que diz, Joesley Batista jogou mais umas canegas de gasolina na fogueira onde arde Aécio Neves e que desespera Geraldo Alckmin e Antonio Anastasia. A “mesada” de R$ 50 mil paga ao senador-zumbi pela JBS acaba por iluminar o fato de que na tal Rádio Arco Iris ficava pelo menos um dos vários potes de ouro que, digamos, serviam para que Aécio se inspirasse a conspirar, de 2015 em diante, contra a Presidenta que o derrotara nas urnas.

Reynaldo Turollo Jr. e Camila Mattoso, na Folha, dizem que “de acordo com Joesley, foram solicitados diretamente pelo tucano em um encontro no Rio, no qual Aécio disse que usaria o dinheiro para ‘custeio mensal de suas despesas’, segundo palavras do empresário da JBS.”

De “brinde”, o Globo ainda traz o desclassificadíssimo ex-ministro Osmar Serragio acusando Aécio de ter “sugerido” indicar o delegado da PF que deveria “investigá-lo”. Delegado da PF aecista, como se sabe, não falta.

A rigor, pouca importância tem Neves. O grau das chamas sobre ele dependerá do quanto a mídia queira apostar ou descartar Geraldo Alckmin, por mais patéticas que sejam suas tentativas de se isolar do chorume que escorre do monturo que se tornou o ex-candidato do PSDB a Presidente.

Até porque, na escolinha tucana, já se deveria ter aprendido a lição de Paulo “Preto”: não se abandona assim um líder na beira da estrada. (Por Fernando Brito, no Tijolaço)

Leitores e colaboradores do blog sabiam dessas patifarias todas de Aébrio há muito tempo.

Da natureza das coisas

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POR GERSON NOGUEIRA

Há quem ainda se surpreenda com certas coisas que se repetem periodicamente no Remo. Pura perda de tempo. O clube tem cultura e natureza próprias, sustentada por sua elite dirigente – mandatários e conselheiros. A torcida fica na base da pirâmide e não influi nas decisões, mesmo sendo maioria absoluta.

Daí a aceitação tácita, quase frouxa e sem protestos, da mais recente novidade anunciada lá pelas bandas do Evandro Almeida. O clube teve a pachorra de confirmar negociação para a volta de Pimentinha, de pouco proveitosa passagem pelo clube no ano passado.

Nas últimas horas, a transação empacou, o que não elimina o fato de que o clube decidiu abrir as portas para Pimentinha, que abandonou o time no final da Série C 2017, virando as costas ao técnico Léo Goiano e diretores, dando uma banana à torcida. Alegou uma dorzinha na perna e pulou do barco antes da partida decisiva contra o Salgueiro.

Infelizmente, atitudes como essa são recorrentes nas decisões internas dos clubes. Ao invés de adotar procedimentos administrativos adequados, os cartolas agem de maneira primária e priorizam sempre resultados de campo. Cria-se então uma situação curiosa: as agremiações se comportam como amadoras no trato com atletas profissionais.

A recontratação de Pimentinha visaria suprir a possível perda de Felipe Marques, como se não houvesse outro jogador no mercado com as mesmas características e como se Pimentinha estivesse em excelente fase, capaz de resolver todos os problemas do ataque.

Há ainda quem avalie que a simples presença de um técnico disciplinador como Givanildo Oliveira seja capaz de controlar boleiros problemáticos.

A máxima bíblica de que perdoar é divino costuma ser usada de acordo com as conveniências futebolísticas – e aqui é justo dizer que não se aplica apenas ao Leão de Antonio Baena.

Na década de 70, Alcino, um dos maiores ídolos da história remista, foi contratado pelo PSC, que engoliu o orgulho e ignorou solenemente até os  gestos obscenos que o Negão Motora havia dirigido à torcida alviceleste quando defendia o Remo.

Pimentinha não chegou a tanto no Remo, mas mostrou-se pouco confiável como empregado do clube. Quando abandonou a concentração, agiu como os boleiros da era amadorista, que sumiam de circulação horas antes de um jogo sem dar maiores explicações.

É esse profissional que o Remo ainda luta para recontratar, sem exibir o menor sinal de constrangimento. O lado positivo é que desta vez, caso o jogador venha a ser contratado, resolvendo depois sair à francesa, ninguém poderá alegar surpresa ou desconhecimento.

Por outro lado, o súbito afrouxamento em relação a Pimentinha soa até banal diante da condescendência com figuras tão nocivas ao clube, como os gestores responsáveis pela perda do posto de gasolina; pela negociata da sede campestre; desastrosa tentativa de venda da área do Evandro Almeida, com direito a picaretadas no pórtico; pelo assalto tabajara à sede social; e pela semidestruição do Baenão.

Perto dessa turma, Pimenta é refresco.

Em tempo: a volta de Pimentinha não conta com o aval de Givanildo, que confirma a admirável capacidade de antever problemas.

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Um jogo para confirmar o renascimento do Papão

O Papão tem hoje a chance de confirmar a boa estreia na Série B. Em caso de vitória sobre o Londrina, pode alcançar a liderança isolada da competição. Algo mais ou menos impensável quando o Campeonato Estadual terminou e o time inspirava descrença generalizada.

Bastaram duas vitórias fora de Belém para restituir a confiança perdida com as quatro derrotas para o maior rival. O primeiro triunfo, sobre o Manaus, valeu classificação para a decisão da Copa Verde. O segundo, mais surpreendente, sobre a Ponte Preta em Campinas, reabriu esperanças quanto ao sonhado acesso.

Sim, ainda é muito cedo para pensar nisso. O acesso dependerá de uma campanha impecável, centrada na regularidade, virtude que o PSC ainda não mostrou na temporada. Ocorre que a boa largada no Brasileiro, competição mais importante do ano, permite crer que a fase ruim está passando.

O principal reflexo desta nova fase é o ambiente de paz vivido pelo elenco e pelo técnico Dado Cavalcanti, que teve tempo e tranquilidade para montar a equipe para receber os paranaenses na Curuzu.

Satisfeito com o desempenho no formato 3-4-3, usado contra a Ponte, Dado tende a manter a formação com os três zagueiros e a participação de Moisés e Mike pelos lados, escoltados pelos laterais Mateus Silva e Miller.

A vantagem é que o sistema é teoricamente mais ofensivo, como exige a condição de mandante. Carmona será o organizador e Carandina o único marcador de ofício no meio. Isso permite acreditar que o PSC vai buscar pressionar o Londrina tanto pelos lados quanto explorando a centralização de Cassiano, seu principal artilheiro na temporada.

Como o visitante é treinado pelo ex-bicolor Marquinhos Santos, conhecido pela cautela excessiva, Dado tem nas mãos a chance de explorar ao máximo o potencial ofensivo do time, com ênfase nas ações pelos lados.

Outra boa notícia é a confirmação de que Allan e Paulo Ricardo estão integrados ao elenco profissional, juntamente com os reforços Claudinho (atacante) e Thomaz (meia) que foram anunciados anteontem. Pela boa campanha no Parazão, defendendo o Bragantino, tanto Allan quanto Paulo Ricardo têm plenas condições de disputar a titularidade.

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 20)