Um Torquemada com asas de anjo

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Por Carlos Henrique Machado

Aquele rosto contorcido de ódio, aquela ira cênica para as câmeras da Globo, aquele corpo empolado de vaidade, era a pintura clássica da farsa do mensalão.

Barbosa é, sem dúvida, o patrono do ódio judicial no Brasil.

Ilude-se com ele quem se esquece de seus chiliques que tremelicavam na prodigiosa marca do rancor, obtendo assombrosos aplausos da elite nativa a ponto de virar capa da Veja como  “O menino pobre que mudou o Brasil”

Lógico que essa capa foi pintada para ser referência de alguém de origem humilde que se intitulava “O Jerônimo dos pobres contra a corrupção dos ricos.

Na verdade suas cenas e as de Moro são artes conexas.

Os dois são coronéis do judiciário.

Alguém disse que Barbosa é o Bolsonaro que fala alemão. Acho isso pouco pra quem cuspia ódio, e tratou Genoíno com a mais pura e ardil selvageria quando o mesmo se encontrava enfermo em seu calabouço.

Minha aversão a Barbosa se iguala à repulsa que tenho de Moro. A truculência e ruindade dos dois se equivalem.

Barbosa mais histriônico e Moro com trejeitos mais “chiques”, mas nada difere um do outro quando o assunto é maldade, subserviência à Globo e, sobretudo o mal que causaram no ambiente político e social do Brasil.

Gol “escorpião” de atacante australiano ameaça a bicicleta de CR7

Riley McGree, meia-atacante de 19 anos do Newcastle Jets, da liga australiana, marcou um “gol escorpião” frente ao Melbourne City, na sexta-feira, que desde já concorre ao título de golaço do ano, ameaçando inclusive a bicicleta de Cristiano Ronaldo frente à Juventus pela Liga dos Campeões, no início de abril.

O Newcastle Jets perdia por 1 a 0 quando, aos 12 minutos do tempo final, o McGree surgiu entre os zagueiros para tocar com o calcanhar a bola para o fundo das redes do Melbourne. A equipe do Jets, treinada pelo britânico Ernie Merrick, acabou vencendo por 2 a 1 e vai disputar a final da Liga australiana.

Tributo aos tucanos

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“Comecei a ver ‘La Casa de Papel’.
No início do primeiro episódio, um sujeito reúne um grupo de ladrões e diz: ‘Vamos realizar um grande roubo. E ainda faremos a opinião pública ficar do nosso lado’.
Pô, fizeram uma série sobre o PSDB e ninguém me avisa?”

(by José Norberto Flesh, no Twitter)

Acordos e desacordos

Por Janio de Freitas, na Folha SP

O acordo de delação muito premiada acertado entre Antonio Palocci e a Polícia Federal é um caso especial, mas não pelo que contenha contra Lula e diretores de bancos, tema de excitada especulação e presumidos temores.

Tanto a PF como a Lava Jato, que recusou o acordo com Palocci, põem-se sob indagações e suspeitas por suas atitudes ante Palocci e entre si. Essa história, em que também o Supremo toma parte — o que já insinua complicação —, não tem chance de escapar a mais um entrevero degradante.

Como preliminar, o Supremo parou a meio caminho e deixou em suspenso seu iniciado reconhecimento a direito da PF de negociar acordos de delação, rompendo a exclusividade que os procuradores exercem e exigem.

Assim como há anos se vê nas delações à Lava Jato, o vende-e-compra de acordo policial precisa passar pela concordância ou recusa do Supremo. A indefinição das condições em que a PF fará acordos e premiações, porém, deixa o seu entendimento com Palocci pendurado em futuro impreciso.

O motivo de serem as “revelações” de Palocci rejeitadas pela Lava Jato e validadas pela PF é obscuro. A defesa e mais de um procurador repetiram, várias vezes, que Palocci não disse o que os procuradores dele exigiam.

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Neste caso, ou eram exigências que a PF considerou descabidas, ou tinham cabimento e a PF, por motivos descabidos, curvou-se à concessão de dispensá-las. Inúmeros precedentes autorizam suspeitas sobre um lado e sobre o outro. Situações assim tiram a legitimidade do inquérito e do processo. A da delação, tratando-se de Palocci, nem se cogite.

Por bastante tempo, insisti em referências à casa alugada pela turma de Palocci em Brasília, durante sua permanência como ministro da Fazenda. Tanto quanto a dinheirama por ele acumulada em pouco tempo, ou a função dessa casa é contada pelo delator, ou já a priori sua delação de nada vale.

A casa não foi alugada só para receber moças bem remuneradas. Foi, como uma fortaleza de bicheiros, lugar em que se arquitetaram negócios sigilosos. Inclusive com a presença de figurões do empresariado. Ao assumir o ministério, Palocci fez se mudarem para Brasília, mas não para integrar o governo, ao menos cinco da sua turma quando prefeito de Ribeirão Preto.

Na Justiça de São Paulo, o acusado ex-prefeito conseguiu contornar os processos sobre suas atividades paulistas com a turma. O possível acordo premiado é a oportunidade de que não se passe o mesmo com as atividades originadas da ligação entre o Ministério da Fazenda e a casa dos encontros.

Da delação de Palocci pode-se esperar qualquer coisa. Mas se espera também, e mesmo antes, a explicação da Lava Jato e da PF sobre os motivos das respectivas aceitação e rejeição das mesmas e alegadas confissões.

Afinal, esse Antonio Palocci lembra uma expressão que não merecia o esquecimento: “Fulano não presta”.