Série A: o que aconteceu com as crias do Audax

622_80dc130c-88b6-3b95-9e36-8ca5ff0034b5

O Audax foi de surpresa a vice-campeão do Paulista de 2016. Com nomes pouco conhecidos, o treinador Fernando Diniz comandou um grupo que tirou São Paulo, Corinthians e só caiu para o Santos, na decisão do torneio. A grande campanha fez com que alguns jogadores chamassem a atenção de grandes clubes paulistas. Mas nem todos tiveram sucesso.

O principal exemplo é o atacante Ytalo. Autor de 6 gols no Paulista, ele assinou com o São Paulo em maio. Até julho, entrou em campo 13 vezes e balançou a rede em apenas uma oportunidade. Mas o complicador para o atleta de 28 anos foi uma séria lesão em seu joelho direito.

Com problema no menisco e ruptura do ligamento cruzado anterior, Ytalo sequer voltou a atuar. Com a chegada de Rogério Ceni, o clube do Morumbi deve esperar o fim da recuperação do jogador para entrar em acordo pela rescisão contratual.

Além do atacante, outros cinco membros do Audax no Estadual foram para clubes grandes.

SIDÃO – Herói do Audax na decisão por pênaltis contra o Corinthians, na semifinal do Paulista, despertou o interesse do Botafogo. Se mudou para o Rio de Janeiro onde substituiu o lesionado Jefferson.

622_cb82b964-554a-39c5-a633-14437403d952

Dono da posição, ajudou a equipe, que levou 39 gols no Campeonato Brasileiro, a se classificar para a Libertadores. Antes mesmo da rodada final, Sidão se tornou a primeira contratação de Rogério Ceni no São Paulo.

TCHÊ TCHÊ – “Faz-tudo” do Audax, chegou ao Palmeiras após ser eleito a revolução do Estadual e assinou por três anos. Durante o Brasileiro, se tornou peça importante no time de Cuca que venceu a competição. Esteve em campo em 37 das 38 rodadas, sempre usando sua versatilidade. Ao final da campanha, venceu uma Bola de Prata e ainda foi eleito para a seleção do Campeonato, montada pela CBF.

YURI – Destaque atuando como volante ou zagueiro. Chegou ao Santos em junho e assinou empréstimo até o final de 2017. Jogou 22 vezes com a camisa santista durante o Brasileiro. Na campanha do vice-campeonato, Yuri participou de apenas três derrotas – foram 16 vitórias com ele em campo e 16 gols sofridos.

CAMACHO-BRUNO PAULO – A dupla do Audax assinou com o Corinthians após o sucesso no Campeonato Paulista. Mas o rendimento dos dois foi muito diferente. Destaque na armação, Camacho jogou 21 vezes durante o Brasileiro. Fez um gol e deu uma assistência, mas ganhou certo espaço no elenco. Bruno Paulo não teve tempo nem mesmo para estrear. Com contrato até o meio de 2017, o atacante teve lesão no ligamento do pé direito assim que chegou e passou por cirurgia. Em outubro, passou por outra operação ao sofrer com uma hérnia. (Da ESPN)

Censurada no “Altas Horas”

POR LETYCIA OLIVEIRA – na Revista Forum
altashoras
Fui convidada a dar um depoimento sobre violência doméstica, o programa foi gravado na quinta-feira (10). Passei um dia nos estúdios da Globo em São Paulo, e durante toda a viagem fiquei pensando no que ia falar, afinal de contas estava indo dar voz a todas as companheiras maranhenses. Um espaço único, onde poderia falar ao Brasil inteiro sobre violência, feminismo e a luta que nós, mulheres, enfrentamos todos os dias.

Quando cheguei lá me dei conta de que meu depoimento podia causar algum dano, um linchamento social da pessoa que me agrediu e fiquei apreensiva, o Serginho Groisman entrou no meu camarim por dois minutos e conversamos sobre isso, eu estava nervosa, combinamos de falar das agressões sofridas sem que ficasse claro quem era o agressor, ou melhor os agressores, já que fui agredida duas vezes!

No quarto bloco ele me chamou, primeiramente falei “Fora Temer”, a plateia aplaudiu, e depois ele começou a me perguntar sobre o motivo de eu estar ali e respondi que já tinha sido agredida duas vezes, sofri assédio no trabalho, etc…

Em um determinado momento ele pergunta como foi que aconteceram as agressões, eu parei por uns segundos, meus olhos se encheram de lágrimas, respirei fundo, pedi desculpas por ter me emocionado e ressaltei que era um assunto difícil de falar, mas logo depois comecei a contar minha história.

Fui agredida grávida de três meses no meio da rua, na frente de uma delegacia, levei um soco na cara, aquele soco doeu no meu ventre, passei uma gravidez difícil, tive depressão pós-parto e fui internada louca num hospital, sofro de depressão há 10 anos, e tive quadros de transtorno bipolar…

O relato saiu como um escarro, uma catarse, a plateia fazia um silêncio, ninguém se mexia, as convidadas, a jornalista Maju Coutinho e a Rafa Brits, casada com Felipe Andreoli, que está grávida de sete meses, ficaram chocadas, atônitas.

O Serginho passava a mão na cabeça, depois me perguntou sobre a segunda agressão e eu escarrei de novo outra história triste, contei que uma vez quase me jogava de um carro em movimento por conta das agressões verbais de um ex-namorado, que estava ameaçando me largar sozinha no meio da rua de noite e por fim, quando consegui ter o reflexo de pegar meu celular, ele parou o carro e eu consegui fugir, acabei sendo toda arranhada, pois ele me puxava pra ficar.

Um garoto do auditório me fez uma pergunta, a “clássica”, “por que a mulher volta pro agressor?”. Eu respondi que a mulher está só, muitas vezes depressiva, com a estima arrasada, e ama o agressor, ele pede desculpa, diz que vai mudar e você volta, e apanha de novo, e sofre tudo de novo, e nada muda, é um ciclo que se repede na maioria dos casos.

A mulher é sempre culpada, ela “gosta de apanhar”. Ninguém percebe que aquela mulher precisa de ajuda pra sair desta situação. Mais silêncio no estúdio.

Assim que terminou a entrevista, me retiram do estúdio rapidamente, me colocaram no carro de volta para casa, e já no caminho recebo uma ligação da produção dizendo que a entrevista não iria ao ar por uma questão de proteção à minha filha, pois ficou claro quem era o agressor no meu discurso.

Justificaram que a minha filha não podia ficar sabendo disso pela TV, que podia ter uma repercussão negativa, que já haviam tido outros casos assim e que a entrevista havia ficado longa e precisariam cortar por causa da corrida de Fórmula 1.

Aceitei e disse que tudo bem, e na hora achei até bom, por que acabei expondo a minha vida para 200 pessoas num estúdio de gravação e essas 200 pessoas ficaram chocadas imagina o Brasil inteiro? Mas passaram alguns dias e fui me dando conta de que essa é uma história real, minha história é a história de milhares de brasileiras que sofrem com a violência todos os dias, na maioria das vezes dentro de casa, pelos seus companheiros, nas ruas somos abusadas cotidianamente com assobios, cantadas, todas conhecemos uma mulher que já foi estuprada ou que já sofreu algum tipo de violência.

Quem são essas mulheres? Somos nós, todas nós! Que crescemos com medo de ser estupradas, que temos que nos proteger o tempo inteiro de abusos, somos criadas pra servir aos homens e a essa sociedade machista que nos trata como objetos. E não podemos falar nada, não podemos falar do agressor, não podemos falar de estupro, de que somos violentadas. O programa Altas Horas não calou uma mulher, calou todas as mulheres do Brasil!

Mulheres que queriam poder ter a coragem que eu tive de falar a todo mundo o que acontece todos os dias. O agressor está próximo, dentro de casa, só podemos falar depois que ele morre? Enquanto isso continuam por aí agredindo e maltratando outras mulheres? Acredito que o agressor também é uma vítima dessa sociedade machista em que vivemos, as mães e pais criam esses homens, a sociedade cria o agressor que não é um doente, mas sim um fruto do machismo, que todos os dias vitima nossas mulheres.

No Maranhão esta semana aconteceram crimes bárbaros, foram seis feminicídios em sete dias, inclusive a sobrinha-neta do ex-presidente José Sarney foi asfixiada e morta, e há suspeita de ter sido estuprada pelo próprio cunhado. Em Coroatá, interior do estado, uma mulher foi degolada. No Brasil a cada 11 minutos uma mulher é estuprada, a cada 7 minutos a Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres da Presidência da República recebe um relato de violência, em São Luís, 12 mulheres são vítimas de violência por dia.

Onde estão essas mulheres? Caladas! Não podemos falar da violência que sofremos pois nos sentimos ameaçadas e ainda sofremos preconceito, a mulher ainda é culpabilizada por sofrer a violência.

Voltando ao assunto de ter sido censurada no programa Altas Horas, digo mais, acho que eles estavam esperando uma mulher do Maranhão que ia contar uma história de superação, uma coisa “bonitinha”, que a plateia ia ouvir e depois sair feliz batendo palma, a história de uma mulher que apanhou e venceu. Venci sim, mas as marcas da violência a gente carrega por toda a vida.

Eles não tinham noção de quão forte seria aquele depoimento, e mais, que aquilo poderia chocar mais do que as novelas que assistimos que mostram tudo isso, mas fazem parecer que é só ficção, e não é, violência contra a mulher não é ficção é verdade e está por aí nos cercando por todos os lados e o machismo nos calando. A Globo não calou uma mulher e sim as mulheres do Brasil inteiro!

* Letycia Oliveira é jornalista, repórter, assessora de imprensa, mãe independente e feminista

Justiça persecutória

Temer, PMDB, PSDB, DEM envolvidos com Odebrecht, Sérgio Moro indicia o Lula.

RBS, Bradesco, Safra, Santander envolvidos na Operação Zelotes, Sérgio Moro indicia o Lula.

E ainda há panaca acreditando em Justiça nestes tristes tópicos. 

Um desafio leonino

POR GERSON NOGUEIRA

Em comparação com o início da temporada de 2016, o Remo ensaia voos mais modestos, condizentes com os parcos recursos de que dispõe para a montagem do elenco profissional. Aos poucos, conforme cabe no orçamento, o elenco vai sendo montado. A ideia é alcançar uma mistura equilibrada de nomes experientes com jovens valores formados no próprio clube.

A saudável intenção de trabalhar com a garotada foi manifestada por Josué Teixeira logo ao ser apresentado. De cara, passou a desconfiança de que estava repetindo apenas um clichê bem ao gosto de quase todos os treinadores que chegam a Belém.

unnamedMas, por filosofia ou necessidade momentânea, ele está cumprindo o prometido. Para o amistoso de preparação com o Pinheirense, neste domingo no Mangueirão, o Remo terá quase a representação clássica da fórmula proposta pelo técnico.

Em meio a atletas mais conhecidos, como Fininho e Val Barreto, a escalação deverá contemplar uma razoável quantidade de atletas caseiros. Edcléber, Rodrigo, Tsunami, Sílvio e Roni são alguns dos que deverão ser observados no jogo, com chances de brigarem pela titularidade durante o Campeonato Estadual.

A estratégia de combinar a garotada com a turma mais rodada coincide com um momento particularmente sombrio para as finanças do clube, motivado pela enxurrada de reclamações trabalhistas apresentadas por ex-jogadores.

No total, as reivindicações atingem a soma de R$ 1,9 milhão. Óbvio que esse montante diz respeito ainda às pretensões dos reclamantes, devendo cair para menos da metade após os julgamentos. Ainda assim, é uma quantia considerável, principalmente porque o Remo não tem esse dinheiro para gastar, juntando-se a essas despesas as folhas salariais de dezembro e a dívida com os funcionários do clube.

Josué, que chegou a Belém antes da eleição no clube, teve um bom tempo para ver jogos da Segundinha de acesso ao Parazão, fez suas observações e trouxe na agenda o contato de atletas que se encaixam na política remista de baixo custo com o futebol. Houve espaço para acompanhar a meninada do Sub-20, onde se encantou com o lateral-direito Roni, um dos destaques da equipe.

A partir do talento de Roni, o Remo de Josué pode exibir uma cara surpreendentemente doméstica no Campeonato Paraense, desafiando os riscos naturais de uma competição cada vez mais equilibrada pela evolução dos emergentes – como o próprio Pinheirense, de Junior Amorim, adversário de hoje.

———————————————————

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro apresenta o programa, a partir de 00h30, logo depois do Pânico, na RBATV. O convidado será Josué Teixeira, técnico do Remo, que será entrevistado por Giuseppe Tommaso e por este escriba de Baião.

———————————————————

Trio português atravessa mar revolto

O rico e afamado futebol europeu não poupa gestões negligentes, deficitárias e arcaicas. O trio de ferro de Portugal – Benfica, Sporting e FC Porto – atravessa o que já é visto como o pior momento de sua história, com prejuízos que se acumulam a cada ano, endividamento excessivo, salários nas alturas e baixo nível técnicos dos times.

Reportagem assinada por André Dias, do site Finance Football, traça uma radiografia nada lisonjeira das grandes equipes lusitanas. O problema, segundo ele, começa pelo hábito de viver acima de suas possibilidades para tentar competir com os gigantes espanhóis, ingleses e italianos.

O momento é crítico e não se descarta o risco de falência dos clubes. Nem mesmo as rígidas normas estabelecidas pela Uefa quanto a gastos e controle orçamentário será capaz de salvar o trio.

O site Finance Football analisou os balanços de Benfica, FC Porto e Sporting na última década. O bom desempenho nos torneios europeus e as grandes receitas auferidas com venda de jogadores deixaram a falsa impressão de que tudo estava sob controle. Puro engano. Os analistas avaliam que os três grandes estão hoje com a corda no pescoço.

Porto surge como clube mais dependente do dinheiro das competições da Uefa. Apenas o Sporting conseguiu resultados financeiros positivos sem precisar da Uefa na última década. Já o tradicional Benfica, dono do maior programa sócio-torcedor do mundo (mais de 230 mil associados), tem suas contas tisnadas de vermelho sempre que perde as receitas oriundas das competições europeias.

Pela tabulação imposta pela Uefa, os clubes só conseguem permanecer sustentáveis se os salários não excederem 70% das receitas. Os gigantes portugueses até sabem disso, mas insistem em desafiar a regra.

Com isso, fica evidente o peso das transações de atletas com os clubes mais ricos do continente. Nem sempre, porém, a safra permite negócios rentáveis, o que redobra a necessidade de boas campanhas nos torneios da Uefa. Aí, então, uma bola fora ou um pênalti bobo pode representar um tremendo prejuízo nas contas e na imagem pública das três instituições.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 18)

Rock na madrugada – Easybeats, St. Louis

https://www.youtube.com/watch?v=yD4O-3G9PaU

A arte do olhar

cz0swe2wiaarunf

Henri Cartier-Bresson. Brasserie Lipp, Paris 1969.

Nem os paneleiros confiam no substituto

czz_6g1xaaqa0by

Michel Temer não é confiável para 72% dos brasileiros. São números da pesquisa CNI-Ibope, divulgada nesta sexta-feira.

E agora, José?