Papão recomeça busca

POR GERSON NOGUEIRA

A procura por um camisa 10 consumiu boa parte dos esforços dos dirigentes do Papão durante a Série B deste ano. A aposta inicial era Celsinho, que fez boa figura no Campeonato Paraense e na Copa Verde. Com sua brusca queda de rendimento às vésperas do Brasileiro, o clube teve que procurar às pressas um meia-armador capaz de organizar o jogo e abastecer o ataque.

unnamedVários jogadores foram contratados, sem satisfazer as necessidades do time. Marcelo Costa chegou ainda durante o Parazão, mas teve que deixar a Curuzu devido a um problema de saúde. Rafael Luz, que também veio no início da temporada, não emplacou na Série B. Rafael Costa foi outro que não se encaixou. Suas melhores apresentações foram na condição de segundo volante, por iniciativa de Gilmar Dal Pozzo.

O mesmo Dal Pozzo seria responsável (ao lado do diretor Roger Aguilera) pela contratação do único jogador que mostrou qualidades, desprendimento e faro de gol para usar a camiseta 10. Tiago Luiz chegou sem muito alarde, embora cercado de expectativas pelas boas passagens pela Chapecoense e América-MG.

Custou a entrar em forma, o que fez com que ficasse meio em segundo plano inicialmente. Quando, porém, adquiriu condições para jogar, passou a ser o divisor de águas no elenco que brigava para fugir da zona do rebaixamento. Dal Pozzo saiu, Rogerinho ficou interinamente no cargo e botou Tiago Luiz como titular no confronto contra o Criciúma, em Santa Catarina, na última rodada do primeiro turno.

Tiago não só liderou a esquadra alviceleste na melhor exibição do time na competição. Chegou ao requinte de disparar um míssil quase do meio-de-campo em cobrança de falta. Um golaço que foi determinante para o triunfo naquela noite em Criciúma. A partir daí, o meia passou a ser o ponto de referência do Papão, com atuações destacadas e muitos gols ao longo da campanha no returno.

Suas atuações contra Brasil, Bahia, Vasco e Bragantino foram cruciais para o êxito do Papão em momento importante do campeonato, quando ainda corria riscos de voltar ao Z4. Pois Tiago Luiz, que adquiriu status de ídolo da torcida, pode não renovar contrato para 2017. Neste momento, segundo fontes do clube, há um impasse quanto a valores.

O Papão chegou a propor aumentar o salário do jogador (em torno de R$ 40 mil) para R$ 60 mil no começo da temporada, chegando a R$ 80 mil na Série B. A contraproposta do atleta causou espanto: Tiago Luiz quer R$ 120 mil, segundo informou o repórter Dinho Menezes. Um valor completamente acima do patamar com que o Papão trabalha para o próximo ano e da própria Segunda Divisão.

Reconhecido por todos como fundamental, principalmente pela capacidade de finalização e talento para cobranças de falta, o camisa 10 praticamente inviabilizou sua permanência. As negociações continuam, mas o clube já se movimenta em busca de um novo jogador para a posição mais estratégica de um time de futebol, talvez por isso mesmo mais difícil de encontrar no empobrecido mercado.

O veterano Diogo Oliveira (ex-Brasil) é uma boa aposta, mas o técnico Marcelo Chamusca vai precisar de pelo menos mais dois organizadores de jogo para estruturar a equipe.

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Bola na Torre

O programa começa logo depois do Pânico na Band, por volta de 00h30. Guilherme Guerreiro apresenta, com as participações de Giuseppe Tommaso e deste escriba baionense.

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Atletas reagem à armação proposta pelos cartolas

Coisa rara entre atletas de futebol no Brasil, os jogadores do Internacional reagiram com firmeza à pretensão dos dirigentes, que pretendem ir ao tapetão para evitar o rebaixamento. Defensores da tese de que o campeonato deve terminar agora, sem a realização da última rodada, em face da tragédia ocorrida com a Chapecoense, os colorados declararam na sexta-feira que estão preparados para aceitar a queda para a Série B. E, aparentemente, sem temer reprimendas e punições por parte dos dirigentes – e nem a cornetagem da torcida.

Na estrutura administrativa de um clube, é improvável que a vontade do elenco prevaleça em relação à decisões de diretoria, mas a entrevista concedida por todo o elenco demonstrou coragem e irritação com o comportamento dos dirigentes, que deram várias e constrangedoras provas de destempero em meio à comoção nacional pela queda do avião da Chape em Medellín.

Mesmo sem merecer aplausos pela pífia campanha nos gramados, os boleiros do Inter saíram engrandecidos do episódio, pela fibra moral de repudiar as artimanhas de bastidores levadas a cabo pela cartolagem.

Foi um belo exemplo de respeito ao desporto. Nem tudo está perdido.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 04)