Valeu como teste

POR GERSON NOGUEIRA

Foi um treino coletivo de luxo, mas serviu para que Josué Teixeira fizesse a primeira grande avaliação do elenco azulino. O teste de ontem vai permitir que o grupo seja reduzido para dar início à preparação para o Campeonato Paraense. A fácil vitória sobre o selecionado de Ponta de Pedras, em jogo de caráter beneficente (para ajudar as vítimas no naufrágio na baía do Marajó) importou menos pelo placar e muito mais pelo rendimento dos jogadores.

No primeiro tempo, o Remo custou a encaixar ataques realmente perigosos. Errava muitos passes no meio-de-campo, chegando a impacientar o torcedor, que compareceu em quantidade razoável ao estádio da Tuna. Até Flamel, o mais rodado do time, não conseguia acertar. Tentou dois lançamentos, mas a bola não chegou a João Victor.

unnamedDepois de alguma correria por parte de Ponta de Pedras, uma bola recuperada na intermediária azulina chegou a João Victor, que driblou dois marcadores e passou para Flamel definir em chute rasteiro, fora do alcance do goleiro William.

O Remo passou então a insistir mais com as jogadas pelas laterais. Na esquerda, Deivid apareceu bem, apoiando com agressividade e buscando a linha de fundo. Pela direita, Roni foi mais tímido e quase não foi à frente. Em compensação, Felipe esbanjou desenvoltura. Participou da maioria das jogadas ofensivas, ora como quarto homem de meio-campo, ora como um verdadeiro ponta-direita.

Aos 25, depois de dois bons ataques, Flamel cobrou escanteio e a bola morreu nas redes de William, depois de desviar na zaga. O Remo se tranquilizava no placar, embora o conjunto não funcionasse bem.

Moisés, trabalhando ao lado de Flamel na transição, corria muito e elaborava pouco. Errou passes seguidos e, a depender dos primeiros 45 minutos, dificilmente entrará na lista de escolhidos do técnico Josué Teixeira.

A zaga quase não teve trabalho, mas o quarto-zagueiro Luís Cláudio apareceu bem na sobra, formando dupla com Igor João.

Como Ponta de Pedras abusava dos passes errados na saída de bola, o Remo se aproveitou para chegar ao terceiro gol. Flamel foi lançado na grande área, fintou o goleiro e um marcador antes de chutar para as redes.

Quando o jogo caminhava para o final, Cachoeira foi derrubado dentro da área e Breno se apresentou para cobrar o pênalti. Bateu forte no canto direito, mas o goleiro André espalmou. Na sequência, o atacante cabeceou para fora.

Depois do intervalo, Josué Teixeira fez nove substituições e o time caiu muito de rendimento. Caiu tanto que acabou permitindo que Ponta de Pedras fizesse o gol de honra. Em cobrança perfeita de falta, o meia Alex diminuiu.

Val Barreto, Kenji, Salomão e Formiga eram os homens de frente do Remo, mas não conseguiam completar nenhuma jogada. Sem muito esforço, a defesa interiorana conseguia se safar. A torcida começou a vaiar alguns lances, o time ficou nervoso e errava ainda mais.

Só aos 40 minutos, voltou a encontrar o caminho do gol. Em cruzamento da direita, o goleiro saiu mal, Val Barreto cabeceou e a bola sobrou para Remyson marcar o quarto gol da goleada.

Como teste, um jogo interessante para Josué. O nível técnico do time ainda é muito fraco, levando em conta que o adversário é formado por atletas amadores. Falta aproximação e velocidade, ficando patente a necessidade de volantes mais taludos e de pelo menos um atacante rápido pelos lados.

O lado positivo é que os jogadores que mais se destacaram no amistoso serão muito úteis na composição do elenco para o começo da temporada, permitindo que o Remo depois de muitos anos tenha um grupo mais caseiro do que importado, economizando em contratações.

Ao torcedor, normalmente inquieto, cabe ter paciência e compreensão. Está claro que o ano azulino no futebol promete ser difícil e sacrificado.

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Papão fecha o ano com contabilidade em dia

Ao contrário de grande parte dos clubes brasileiros, o Papão já fechou suas contas em 2016. O 13º salário foi todo quitado, com atletas e funcionários, no dia 20, como manda a legislação trabalhista.

Pequenas pendências devem ser sanadas ao longo dos próximos dias. Este é o legado que o grupo Novos Rumos, à frente o atual presidente, Alberto Maia, deixa para o presidente eleito, Sérgio Serra.

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 23)

“Lava Jato é do PSDB”, diz ex-embaixador

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Do DCM

O Esquerda Diário esteve em Brasília com o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães. O diplomata, com longa trajetória no Itamaraty, foi vice-chanceler no governo Lula e ministro da pasta de Assuntos Estratégicos durante o mesmo governo.

Leandro Lanfredi: Como você avalia o papel do Judiciário, da Lava Jato em particular, já que existem muitos analistas que apontam a semelhança com o golpe paraguaio, como justificativa do golpe, e os próprios procuradores, o Sérgio Moro, comparam mais com a “Mãos Limpas”, que seriam mudanças mais profundas que um “golpe paraguaio”.

Samuel Pinheiro: Bem, eu acho que desde que o presidente Lula tomou posse começou uma campanha de desestabilização, cuja primeira operação foi a chamada AP 470, o mensalão, onde tentaram ali criminalizar as pessoas, criminalizar o próprio presidente, e ele reagiu politicamente e sobreviveu, e atingiu “apenas” 87% de popularidade no último dia de mandato. Aparentemente [isso] refletiria satisfação do povo com o governo e sua gestão. Essa campanha prosseguiu de uma forma mais leve até que surgem os processos da Lava Jato. Eles têm um objetivo político.

O objetivo político não é a luta contra a corrupção, é a luta contra a esquerda. Tanto é que a maior parte dos envolvidos nesses processos eram de outros partidos que não o PT. Aí foi um conluio da imprensa com a Lava Jato, com a Lava Jato usando a imprensa e a imprensa usando a Lava Jato para sua campanha política tradicionalmente conservadora. Então, os vazamentos seletivos… e o Judiciário em geral foi conivente, porque a delação premiada é um criminoso confesso que se oferece para delatar outras pessoas, tanto menor será sua pena quanto mais revelações ele fizer e, inclusive, se ele percebe que há um viés político se ele acusar determinadas pessoas como houve.

Tanto é que o vazamento é seletivo e programado, cronometrado. No último dia da eleição municipal em São Paulo, prenderam Antonio Palocci. Isso é extremamente grave porque houve um conluio do udiciário.

O Judiciário a que me refiro é o Supremo [Tribunal Federal], porque qualquer ministro do Supremo poderia ter disciplinado e é o que deveria ter feito o juiz Sérgio Moro e os procuradores, para garantir o sigilo. Porque no final os processos serão anulados. Porque eles são tão irregulares, como disse o presidente Temer, os vazamentos permitem a anulação dos processos das delações. É uma operação política. Aliás, é preciso notar, outro dia vi um pôster da época do nazismo, uma mão de ferro com uma suástica esmurrando a corrupção, a campanha da direita é sempre essa. Olhar os mais corruptos, eles são os mais corruptos.

Tem uma coisa interessante, é minha opinião, posso estar enganado, [mas] ninguém vai abandonar seus funcionários. Ninguém vai abandonar esses que estão implementando esse programa, simplesmente abandoná-los, inclusive porque eles sabem muita coisa. Então, vão salvá-los. Eduardo Cunha está sendo salvo. Você pode observar que o nome dele não aparece mais na imprensa, esse é o primeiro passo.

O nome desaparece da imprensa, com o tempo a população vai esquecendo e ele eventualmente será libertado. Ele cumpriu uma função fundamental para as classes hegemônicas que era encaminhar e promover o impeachment da Dilma que era o primeiro passo, para ocupar o poder e implementar um programa que ela estava resistindo…um pouco, pouco né…mas estava resistindo e não era de confiança e já tinha cometido pecados, por exemplo reduzido os juros. Redução de juros não é permitido. É como o aluno que ofende o professor e estuda e no dia seguinte responde bem a arguição, mas ele ofendeu o professor, ele será colocado de castigo.

Leandro Lanfredi: Como você avalia o porquê agora a operação tem levantado mais suspeitas sobre membros do governo golpista?

Samuel Pinheiro: Porque a operação lá no fundo não é do Temer. O Temer assumiu, o PMDB assumiu porque ele era o vice-presidente. Isso é uma operação do PSDB.

Leandro Lanfredi: Mas também aparecem membros do PSDB ainda que a mídia mostre menos…

Samuel Pinheiro: Menos? Muito menos, não é “menos” não. Olha há um helicóptero com 400 kg de cocaína que foi apreendido pela Polícia Federal e nada ocorreu. É preciso lembrar o seguinte, a mídia não é um poder independente. Ela é um instrumento da classe hegemônica. Os donos da mídia fazem parte da classe hegemônica. Eles não são pessoas que estão ali e de vez em quando dizem algumas coisas e está tudo combinado. O editorial de hoje [15/12] do Estado de São Paulo ele diz que Temer demita Padilha e Moreira Franco. É o fim do governo. Não pedem ainda para Temer renunciar, mas pedem para demitir. Editorial do Estado de São Paulo, segue uma certa partitura, não é nada por acaso. Tem ali certos procuradores que são pessoas messiânicas, que estão convencidas que vão salvar a sociedade na luta contra a corrupção.

Leandro Lanfredi: muitos desses procuradores “messiânicos” têm ligações com o imperialismo, seja por vias de treinamentos seja por atacar interesses nacionais. Como você avalia isso relacionando com o papel do Judiciário em outros golpes. Seria uma reconfiguração do chamado soft power?

Samuel Pinheiro: É uma nova modalidade de golpe. Ela segue em curso. Há um livro, que sem ser muito interessante, da Ditadura à Democracia, de um professor Gene [Sharp] que é distribuído pela CIA pelo mundo. Então você chega e começa a organizar ONGs, começa a insuflar manifestações de rua. Há sempre alguma insatisfação. Levanta certas bandeiras, aparenta ser apolítico. É claro que não é apolítico, mas faz questão de aparentar que são apolíticos, uma luta contra a corrupção, pela saúde, pela educação. Isso é orquestrado, há ali uma certa estratégia. Uma estratégia que visa recuperar o poder. Do Brasil, de outros países da América do Sul, da América Latina você tem classes hegemônicas extremamente ricas, que controlam esses países, esses sistemas econômicos que são processos de extorsão de riqueza da maioria da população inclusive para mandar para fora. 

Na mosca.

Zagueiro elogia trabalho de Josué no Remo

Na madrugada desta sexta-feira, o zagueiro Henrique embarcou para a cidade de Goiânia, onde irá passar as festas de fim de ano com a família. O jogador, que é um dos pilares do Remo de Josué Teixeira para 2017, foi um dos dois que não participou de nenhum amistoso do Leão, juntamente com o também zagueiro Zé Antônio. Uma situação que estava previamente definida pela comissão técnica.

– Desde a minha chegada em Belém, sabia que não iria participar dos amistosos, pois estava dois meses parado. A pedido do professor Josué, vim para começar os trabalhos físicos e técnicos. Achei válido, pois só quem tem a ganhar sou eu e o Remo.

Apesar de não ter atuado nas partidas, Henrique pode conviver e perceber o estilo de trabalho do novo treinador azulino. Para ele, Josué vem traçando o caminho certo para a garotada e o clube.

– Ele está sabendo fazer. Vejo de forma bastante positiva essa oportunidade para os meninos da base. É muito importante para uma possível reestruturação do clube. O Josué Teixeira é um cara honesto, atualizado com o futebol atual e, principalmente, tem o grupo na mão. Se tratando de um grupo jovem como o nosso, isso é importantíssimo. (via Infocus Comunicação Integrada)