“Aquarius” incomoda e provoca chilique público de um porta-voz da direita

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POR PAULO NOGUEIRA, no DCM

O grave transtorno psiquiátrico de Reinaldo Azevedo se revelou no caso do cartaz de Aquarius que usou uma frase negativa sua para promover o filme. Um homem equilibrado e sensato teria fingido não ter visto. Sabe quando você é criança e percebe que tentam colocar em você um apelido que você detesta?

Finja que não liga.

Azevedo fez o contrário. Saiu berrando não uma, mas duas vezes. Primeiro contra o diretor do filme, e depois contra um repórter da Ilustrada que escreveu sobre o episódio.

A resposta contra o diretor do filme é o retrato perfeito das perturbações mentais de Azevedo. Ele é extraordinariamente inseguro, frágil. Precisa de auto-reafirmações ininterruptamente.

Às 55 000 pessoas que já teriam visto o filme ele contrapõe o número de leitores que frequentam seu blog, como se houvesse qualquer lógica na comparação. Primeiro, e acima de tudo, você paga por um bilhete de cinema. E acessa o blog de Azevedo, e qualquer outro, de graça.

Para ir ao cinema, você tem que se deslocar. Enfrentar trânsito e outros inconvenientes da vida urbana moderna. Em comparação, você pode ler a coluna de Azevedo, ou qualquer outra, pela manhã no banheiro, se quiser.

É uma relação descabida, portanto, fruto de uma mente tumultuada. O que ele queria era um pretexto para dizer: “Vejam como sou lido, vejam como sou lido!” Isso pela milésima vez, sem jamais apresentar uma única prova disso.

O site da Veja é um conhecido fracasso. A Veja jamais conseguiu fazer a travessia do mundo impresso para o digital, e esta é uma das razões pelas quais a Abril enfrenta colossais dificuldades de sobrevivência.

Por que, dentro deste mar morto que é o site da Veja, Azevedo seria diferente? Se fosse mesmo, ele seria um fator para que o site da Veja não fosse o que é.

Essencialmente, são os mesmos leitores — os clássicos midiotas — que entram várias vezes no blog de Azevedo para ver suas constantes atualizações e palpitar com sua pobreza desumana de espírito. “Na cascuda, Reinaldo!”

É a chamada audiência de mentirinha. O que realmente num site são os leitores únicos. Você entra dez, vinte vezes por dia no blog de Azevedo? Conta uma só vez.

O DCM, a quem interessar possa, tem 2 milhões de leitores únicos mensais, e 10 milhões de acessos por mês, o que nos faz um dos maiores sites de notícias do Brasil.

Outro traço da profunda falta de segurança psicológica de Azevedo, na polêmica do Aquarius, apareceu no constante uso da palavra petralhas.

Ele não perde uma chance de dizer que criou petralha, e que o vocábulo foi dicionarizado.

Tolstoi repudiava o personagem Ana Karenina. E jamais se gabou de haver escrito uma das maiores obras da literatura mundial. Balzac nunca disse: “Criei 3 000 personagens na Comédia Humana. Vejam como sou bom!”

Mas Azevedo parece acreditar que deva fazer jus ao Nobel da Literatura com petralha. (Fora tudo, é uma palavra que vai passar para a história como símbolo de um tempo em que os brasileiros odiavam uns aos outros). De concreto, Azevedo é o decano dos jornalistas fâmulos. Dedicou os últimos dez anos a escrever tudo que a plutocracia quer que seja escrito.

Praticou e pratica a famulagem, e não o jornalismo. Era um jornalista de segunda linha, sem nenhuma posição de destaque nas redações pelas quais passou. (Somos da mesma geração, e eu conhecia todos os jornalistas de destaque dos meus dias em redações, até porque era chefe e recrutava talentos. Jamais ouvi falar de Azevedo.) Falta-lhe curiosidade, sagacidade jornalística. Em seus seus vários ataques contra mim jamais se deu ao trabalho, por exemplo,  de pedir informações sobre mim a seu colega de Veja JR Guzzo, que me conhece muito bem e poderia ajudá-lo a entender melhor o objeto de suas agressões.

Sobreviveu, num certo momento já de ostracismo, do dinheiro público outorgado por Alckmin para uma revista fundada por um líder tucano, Luís Carlos Mendonça de Barros, e que defendia o ideário conservador tucano. Nem o dinheiro público salvou a revista.

As coisas mudaram para ele quando os barões da mídia começar a buscar não gente brilhante, capaz de fazer peças jornalísticas incríveis — mas fâmulos cuja missão é atacar todos os dias Lula, Dilma e o PT. Azevedo é exatamente um fâmulo.

Não é algo que faça você se sentir exatamente um mestre do jornalismo. Servir cegamente aos patrões, e à plutocracia, não é sequer jornalismo. É dentro deste quadro que se deve entender a louca reação de Reinaldo Azevedo ao cartaz de Aquarius.

Posição reforçada

POR GERSON NOGUEIRA

Em consequência direta da bronca pública desferida pelo presidente do clube, após a fraca atuação do time contra o Luverdense, o grupo de jogadores do Papão resolveu se posicionar perante a torcida e a diretoria prometendo empenho máximo a partir de agora.

unnamed-37A entrevista que oficializou os propósitos do elenco serviu também para desmentir qualquer animosidade ou oposição ao trabalho do técnico Dado Cavalcanti, que, para muitos, sofreu boicote no começo da Série B e teria voltado a ser vítima do mesmo problema ao reassumir o comando da equipe.

Os jogadores afiançaram também que não há rachaduras no ambiente dos jogadores, contradizendo a convicção de muitos que acompanham a rotina diária do clube.

Posicionamentos dessa natureza são comuns em clubes que enfrentam crises disciplinares e cujos jogadores despertam desconfiança entre torcedores e dirigentes.

As derrotas para o Tupi e o Luverdense desencadearam reações irritadas da torcida por terem evidenciado o mau desempenho técnico e certo descompromisso em relação aos objetivos do clube na competição.

Apesar de aceitar bem o compromisso assumido pelos jogadores, a insatisfação do torcedor só será aplacada de fato com vitórias. E o confronto de amanhã contra o Brasil é o ideal para marcar o começo dessa nova era.

Diante da importância que a partida tem para o Papão, a diretoria decidiu recuar de sua política de mandar jogos somente no estádio da Curuzu. É notória a preferência que os atletas têm pelo Mangueirão, levando em conta o lado técnico e também o aspecto emocional.

No estádio estadual, a cobrança não é tão intensa quanto no caldeirão bicolor. Ali, qualquer falha se transforma em pressão intensa sobre o jogador, que sente de perto a ira da torcida.

Com isso, o time deve entrar com mais tranquilidade para tentar reeditar seus melhores momentos no campeonato – vitórias contra o Vasco e o Criciúma. Aliás, os jogadores continuam a dever a Dado uma atuação tão empenhada e consistente quanto nessas duas partidas, quando os técnicos eram Gilmar Dal Pozzo e Rogerinho Gameleira, respectivamente.

O técnico, por sinal, sai com sua posição reforçada após a tomada de posição do elenco. Ganhou mais algum tempo para tentar fazer do Papão um time competitivo e capaz de alcançar o bloco dos 10 primeiros classificados da Série B.

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Dois jogos bastaram para Tite virar xodó da galera

As cenas de tietagem em Manaus já indicavam o surgimento de um fenômeno de popularidade. A história se confirmou com a segunda vitória do técnico no comando da Seleção Brasileira, fazendo surgir uma relação de forte empatia com a torcida.

Aliás, fazia tempo que um treinador não era alvo de tanto carinho, mesmo estando apenas há poucos meses na função. O último a merecer isso foi Felipão, na Copa de 2002.

Todo mundo sabe da importância que o cargo de técnico da Seleção tem no Brasil. Em grau de interesse e exposição pública, fica abaixo somente do de presidente da República. Em determinados momentos, dependendo do técnico (e do presidente) consegue ficar até acima.

Ao assumir o escrete, Tite sabia estar abraçando um tremendo desafio: reabilitar a Seleção depois de seu pior vexame (a goleada para os alemães em 2014) e infortúnios decorrentes disso. Tarefa dificultada pelo momento de entressafra no futebol brasileiro.

Além dos riscos naturais que a situação impõe, Tite teria ainda que manter convivência com a política nem sempre republicana que norteia os passos e ações da CBF. No ano passado, o técnico chegou a assinar um manifesto exigindo mudanças na gestão de Del Nero na confederação.

Ao menos por enquanto, o técnico vem se saindo muito bem. Conduz seu trabalho de maneira eficiente e produtiva. Sabe que a relação com os dirigentes da CBF dependerá sempre do comportamento da Seleção em campo. Será forte para exigir autonomia e liberdade se os resultados forem bons. Caso contrário, será irremediavelmente fritado.

No triunfo sobre o Equador, na semana passada, a nova Seleção foi exibida ao mundo e evidenciou uma renovação consistente. Saíram de cena pernas-de-pau, como Hulk, e superestimados, como David Luiz, abrindo espaço para Gabriel Jesus, Philipe Coutinho, Renato Augusto e Casemiro.

As expectativas se confirmaram plenamente, anteontem, na Arena da Amazônia. O time mostrou evolução e venceu. Contra um dos melhores times do continente, turbinado pela mania de provocar Neymar (vítima de criminosa entrada de Zuñiga na Copa), a Seleção de Tite soube superar as dificuldades utilizando suas melhores armas: a técnica e a velocidade.

Pode ser apenas empolgação inicial, mas é inegável que o Brasil aos poucos vai voltando a jogar com alegria, sem os medos de antes.

(Coluna publicada no Bola desta quinta-feira, 08)

A imagem do dia

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O ex-presidente Lula aproveita o feriado para visitar o cantor e compositor Gilberto Gil no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Dois grandes brasileiros.