Mês: setembro 2016
A arte do olhar

Foto de Irving Penn. A mão de Miles Daves, 1986.
Congresso já articula perdoar ‘caixa 2’ e limpar ficha suja de Temer

Circula na Câmara dos Deputados, segundo reportagem publicada pelo Valor Econômico nesta quinta-feira (9), uma minuta de projeto de lei cujo objetivo é distinguir quem fez uso de caixa dois eleitoral para receber propina, ou seja, para enriquecimento pessoal, de quem fez ou recebeu doações à margem do sistema legal, de olho nas urnas. O GGN antecipou, há alguns meses, que a ideia de descriminalizar o caixa dois está inserida no contexto de encerramento da Lava Jato.
Pela lei atual, o caixa dois de campanha é crime eleitoral com baixo potencial punitivo. Não à toa, advogados de envolvidos na Lava Jato – incluindo José Serra e Michel Temer – disseram à jornalista Mônica Bergamo que estavam “aliviados” com o fato da delação da Odebrecht mencionar apenas repasses extraoficiais. Somente nos casos em que a força-tarefa consegue avançar na ideia de que o caixa dois serviu para lavagem de dinheiro e outras formas de corrupção é que há margem para um enquadramento legal que inclui multas pesadas e anos de reclusão.
No mês passado, a colunista Maria Cristina Fernandes, do Valor, também abordou o plano em curso para anistiar os políticos e empresários que poderiam ser pegos por conta do caixa dois. Ela indicou que a ideia tomaria a forma de um jabuti ao projeto de reforma política que Aécio Neves encabeça no Senado ou seria negociada no pacote anticorrupção que o Ministério Público Federal tenta emplacar no Congresso.
Nesta quinta, o jornal mostra que o plano, agora, é substituir projetos que tratam de financiamento eleitoral em tramitação na Comissão de Finanças e Tributações da Câmara por um texto próprio sobre a anistia ao caixa dois eleitoral.
Pela minuta do texto em construção, a partir do momento em que a lei entrar em vigor, será aberta aos interessados na anistia a possibilidade de fazer uma “delação premiada” junto ao Tribunal Superior Eleitoral – hoje presidido pelo ministro Gilmar Mendes – para confessar o uso de caixa dois no passado, e negociar o pagamento de multa de 35% sobre o valor da doação irregular. É a pena máxima.
O envolvimento do TSE é indicativo de que Gilmar pode entrar no jogo. Segundo o Valor, defensores da anistia “já sondam também integrantes da cúpula do Judiciário por apoio”. No Supremo Tribunal Federal, o magistrado foi contrário à proibição do financiamento empresarial, alegando que isso é um incentivo a repasses não declarados ou ao uso de pessoas físicas por empresários comprometidos com doações vultosas.
Na minuta, ainda de acordo com o Valor, há um trecho que brinda Michel Temer, que foi enquadrado na Lei da Ficha Limpa, segundo o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, O projeto prevê, além do perdão ao caixa dois, anistia a todos os casos de doações em desacordo com a lei, como contribuições eleitorais de sindicatos e aquelas que ultrapassaram o valor permitido pela legislação eleitoral. Coincidentemente, Temer está inabilitado justamente porque doou cerca de R$ 16 mil acima do que sua renda declarada permite.
De acordo com o deputado Helio Rocha (PMDB-MA), vice-presidente da Comissão de Finanças da Câmara, já há vários parlamentares envolvidos nas negociações. “O entendimento é que quem recebeu no passado caixa dois referente a propina não tem perdão. Agora, se foi dinheiro dado sem nada em troca, pode anistiar. Não pode punir da mesma forma duas coisas distintas”, disse ao Valor.
Mas que a classe política não se engane: o perdão não é suprapartidário. “Se for para anistiar os petistas de responderem as acusações da Lava Jato, não tem chance de passar”, acrescentou o deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), também da Comissão de Finanças.
Limitar quem ainda pode ou não cair nas garras da Lava Jato é conveniente agora que a delação de Leo Pinheiro, da OAS, deve ser retomada pela força-tarefa da Lava Jato. Ela foi suspensa pela Procuradoria Geral da República após a revista Veja vazar parte de seu conteúdo, constrangendo o ministro Dias Toffoli, que foi prontamente defendido por seu colega Gilmar Mendes.
A expectativa é de que a delação de Odebrecht e OAS abra o leque de partidos implicados na Lava Jato, atingindo caciques do PMDB e PSDB. Só que se Pinheiro seguir os passos do executivo Marcelo Odebrecht e citar apenas a existência de caixa dois para candidatos e suas agremiações, o alcance da Lava Jato ficará restrito com a cartada da lei da anistia ao caixa dois.
Neste caso, o tucanato poderá usar a cartilha que Aécio desenvolveu para explicar parte de suas citações na Lava Jato. O principal argumento é que, ao contrário do PT, que dominou a máquina por mais de uma década até a queda de Dilma Rousseff, o PSDB não estava no poder, não tinha influência sobre obras do governo federal, muito menos um patrocinado na Petrobras. Logo, qualquer doação de empreiteira foi boa vontade da mesma, não uma troca de favores que poderia caracterizar pagamento de propina.
Uma vez superada a corrupção eleitoral passada, quem for pego por caixa dois a partir do momento em que a lei estiver em vigor será punido com três a 10 anos de prisão, no caso de doações envolvendo pessoas pessoas físicas. Para pessoas jurídicas, a pena será a proibição de contratar com o poder público ou obter subsídios por até oito anos. (Via Brasil247)
PSC x Brasil – comentários on-line
Campeonato Brasileiro da Série B 2016
Paissandu x Brasil-RS – estádio Jornalista Edgar Proença, 21h30

Na Rádio Clube, Ronaldo Porto narra; João Cunha comenta. Reportagens – Paulo Sérgio Pinto, Dinho Menezes, Hailton Silva e Carlos Estácio. Banco de Informações – Fábio Scerni
A falácia dos derrotados
POR LEANDRO FORTES, via Facebook
O PSDB tem três ministros (José Serra, Relações Exteriores; Bruno Araújo, Cidades; e Alexandre de Moraes, Justiça) plantados dentro do governo federal, mesmo depois de perder quatro eleições seguidas para o PT.
O DEM, um partido-zumbi fisiológico que vive de migalhas de cofres alheios, tem um ministro, Mendonça Filho, na Educação. Isso, também, depois de perder as mesmas quatro eleições seguidas, na cola dos tucanos.
O PPS, a linha auxiliar mais sabuja da direita brasileira, fincou um preposto, Raul Jungmann, no Ministério da Defesa. O partido também amargou as mesmas quatro derrotas eleitorais contra o PT.
Ou seja, tiveram seu projeto de poder rejeitado, quatro vezes, pela maioria do povo brasileiro.
Toda essa gente derrotada só chegou onde está, agora, por conta do golpe comandado pelo PMDB, um exército de ocupação neoliberal em marcha para destruir todos os avanços sociais dos últimos 13 anos. Além, claro, de vender o que sobrou do patrimônio nacional para companhias privadas estrangeiras.
Aí, o infeliz entra nas redes sociais para ficar repetindo, COMO UM PAPAGAIO ADESTRADO, que quem votou em Dilma é responsável pelo governo Temer.
Bom, eu digo que se esse é o seu álibi de consciência para apoiar um governo fascista, entreguista, machista, misógino e formado, em grande parte, por uma quadrilha sob investigação da Polícia Federal, das duas, uma:
Ou você é burro, e aí não tem jeito de enfiar nada que preste no seu cérebro de jerimum.
Ou você optou pela desonestidade intelectual como prática política, porque é frustrado, mimado, preconceituoso, não sabe perder ou tudo ao mesmo tempo – o que, talvez, possa ser resolvido com terapia e autocrítica.
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Trajano, sem papas na língua

TRECHOS DA MATÉRIA DE LUIZA OLIVEIRA E VANDERLEI LIMA
Falar o que pensa, sem filtro ou papas na língua. Esse é um dos pontos fortes de José Trajano. Foi assim que ele arrumou muitos problemas e alguns processos na vida, mas também construiu uma das carreiras mais respeitadas do jornalismo esportivo brasileiro.
E foi justamente para falar muito, por quase três horas, que ele atendeu a reportagem do UOL Esporte em um bar de São Paulo. Um lugar com alma carioca e origem tijucana como ele. Antes do horário combinado, no meio da tarde de uma terça-feira, ele já estava sentado em uma mesa de canto tomando sua cerveja.
Um luxo que ele só pode se dar por ter deixado a direção de jornalismo da ESPN quase cinco anos atrás, apesar de ainda atuar como comentarista do canal. Entre um gole e outro e um abraço no amigo Mino Carta que acabara de pegar uma mesa no bar, ele falou sobre o jeito explosivo, a gota d’água na ESPN, as brigas que colecionou e as mulheres que amou.
PERSEGUIDO E TAXADO DE PETRALHA
Engana-se quem pensa que Trajano é petista. Nunca foi. Na verdade, se assume como Brizolista (Leonel Brizola) e Darcyzista (Darcy Ribeiro). Mas é um homem de esquerda por convicção e contra o impeachment de Dilma Rousseff. Já criticou publicamente as vaias que a ex-presidente recebeu na Copa do Mundo e fez campanha para a população ir às ruas.
A militância custou caro. Acabou perseguido, ameaçado e impedido de entrar ao vivo em um jogo na Arena Corinthians durante a Copa por torcedores que tentaram agredi-lo. Na internet não foi diferente. “Fico indignado é com o seguinte: tem esse negócio de rede social, que qualquer coisa que eu falo nego começa a xingar. Agora é perseguição com ‘petralha’. Eu falo do Cristiano Ronaldo, nego me chama de petralha; vou falar do Messi, é petralha”.
O jornalista até precisou trocar o número de celular por conta das ofensas e fez questão de documentar os agressores. “Esse meu celular aqui é outro, eu troquei. Começaram a me ameaçar. Começaram a falar ‘vou te pegar na rua’, sua carreira acabou’, ‘petralha safado’. (…) Agora parou, mas se um dia acontecesse algo comigo, certamente partiria de algum débil mental desse aqui”.
Ele ainda protagonizou uma briga com o colunista da revista Veja Reinaldo Azevedo depois de ambos trocarem críticas em seus veículos. “Aí esse débil mental do Reinaldo Azevedo começou a me esculhambar na coluna dele. Eu disse na televisão que esse pessoal que vaiava era porque era estimulado por gente tipo ele, e ele começou, durante um mês, a escrever falando de mim, esse negócio todo”.

CRÍTICAS A GENTILLI
Trajano se recusa a ser apenas um comentarista de futebol. Para ele, jornalista esportivo tem que se engajar na política e em tudo que interessa à sociedade. Por isso, não titubeia em usar seu espaço na ESPN para falar o que pensa. Muitas vezes cria saias justas. O episódio mais famoso recentemente foi a crítica à participação do humorista Danilo Gentili em um programa da casa.
“Alguns não gostaram do negócio que eu falei do Danilo Gentili, mas fora todo mundo gostou, de modo geral. Mas não gostaram porque eu esculhambei a produção do programa. Falei: ‘Pô, para convidar um cara como esse, só uma produção alienada que não acompanha o que acontece pelo mundo’. E foi naquela semana do estupro lá no Rio de Janeiro, a coisa estava quente. Chamaram para conversar, e eu sou assim. Talvez tenha sido deselegante com a produção, mas…”
E o que a TV acha disso? Não existe uma censura, mas já pediram para ele dar uma maneirada. “Já me chamaram algumas vezes. Na primeira vez foi essa briga com o Reinaldo Azevedo. Chama para dizer que é chato, que pegou mal, ‘se puder evitar, é melhor’. E eu respondo que sou assim, vou fazer o quê?”.
Será difícil fazer Trajano mudar de filosofia:. “A imprensa esportiva também tem que se posicionar politicamente, não tem que ser um bando de alienados. O grande erro do chamado jornalista esportivo é que a grande parte deles é alienada, sim, não tem nenhuma consciência política. Sou politizado. Tenho minha posição política e não vou esconder de ninguém. Como não escondo o time que eu torço. (…) Na hora que o jornalista esportivo deixar de ser bundão e tomar coragem, talvez esse jornalismo esportivo melhore, mas tá difícil”.
A GOTA D’ÁGUA NA ESPN
Foram 17 anos dedicados à ESPN como chefe. Dia e noite, noite e dia. De alma e de coração. Mas uma hora o ciclo tem um fim. Certo dia em uma reunião do canal, Trajano criticou a falta de comunicação da equipe. Foi interrompido por uma funcionária nova na casa que o questionou e disse que estava tudo ótimo.
“Aí eu não aguentei, mandei para aquele lugar. Você cria, depois de 17 anos vem alguém com três meses… Saí dali e não voltei mais. Fui para casa e no dia seguinte pedi demissão, aí fiz um acordo”.
Àquela altura, ele e todos os corredores da redação já sabiam que a saída da chefia era questão de tempo. E foi na hora certa porque tudo já pesava. O mercado, o desgaste, a pressão pela audiência, a intensidade do trabalho, as pessoas novas que começaram a ocupar cargos importantes.
“Defendo até a tese que já queriam me mandar embora havia muito tempo. Por muita gente lá dentro eu já teria ido, porque sempre fui uma pedra no sapato. Eu não admitia que o comercial se metesse muito na redação. Digo ‘aqui não, vocês estão lá, nós aqui’. O marketing… Todas essas coisas novas, dessa modernidade de hoje, eu questionava pesquisa, esses mecanismos de medição”, diz.
A ficha demorou a cair. Depois de tanta dedicação, Trajano passou ainda uns dois anos dando bronca na redação sem autoridade de chefe. “Fiquei um pouco perdido por ter que tirar o pé. Aquilo me tirou o chão, e eu fiquei insuportável”, diz ele que já se acostumou e tenta ver o canal como uma página virada. “O que eu fiz está feito, se foi bom ou ruim não tem conserto mais. Tem um grande valor que tenho, que é ser pioneiro e fazedor de uma série de coisas. E é a vez deles. Trajano agora é um retrato na parede, igual Getúlio Vargas”.
COMENTARISTAS ENGRAÇADINHOS
Trajano não pegou a fase da guerra pela audiência que já dominou a TV fechada. Ainda bem. Ele reclama do domínio do marketing sobre o jornalismo e mais ainda da mistura de jornalismo com entretenimento tão comum hoje em dia. É aí que surge um tipo que ele detesta: os comentaristas engraçadinhos.
“Tem quem tente virar personagem. Tem muita gente metido a engraçadinho, eles confundem, começa a ser piadista, falar um monte de asneira e achar que faz parte. Para mim não faz. Eu detesto isso. O cara não precisa ser sisudo, rancoroso, não é isso. Não é para todo mundo ser fechado. Mas não precisa ser palhaço também. (…) O humor é para quem sabe fazer humor, jornalista não sabe. Jornalista se mete a fazer humor e faz pessimamente, fica caquético, imbecil. Claro que, o que tem de imbecil dando sopa aí, eles gostam”, diz Trajano, que critica a falta de bagagem dos comentaristas atualmente.
“O grande problema é que tem gente que entra na profissão que nunca passou por uma redação, nem de jornal, nem de televisão, rádio, nada, e já vira comentarista. O cara vira comentarista da noite para o dia”.
Ele ainda lamenta a audiência ser vista como prioridade. “É a vitória do marketing, que só pensa nisso. Todo mundo sabe que audiência não é sinônimo de qualidade, não tem nada a ver com qualidade, mas esse pessoal de novas mídias, marketing, planejamento estratégico, só vem perturbar a vida do jornalismo. Vêm de empresas americanas que vendiam chiclete e entram dentro de um veículo cujo produto maior, final, é o jornalismo e começam a interferir com pesquisas, normas e tal. Isso está arrasando”.
ROTINA PESADA E INFARTO
O ritmo puxado de trabalho, pressão do cargo, vida boêmia sem hora para dormir, cuidado zero com a saúde. Uma hora o corpo cobra a conta. E a fatura chegou um mês depois de deixar a diretoria da ESPN. Trajano sofreu um infarto. Por sorte, há males que vêm para o bem.
“Tive uma pressãozinha aqui, mas não passei mal. Aquele negócio do cara vomitar, ficar com febre, nada, nada. Eu sentava meio de lado, pensei que poderia ser algo muscular, gases. Aí quando você vê é um infarto. Às vezes infarto é assim, não tem esse negócio de subir que nego fala. Não vou dizer que gostaria de ter outro, mas este que tive me impressionou. ‘E aí, acabou?’, ‘acabou’, ‘ah, não brinca’. E acabou, é coisa de maluco”.
A vida mudou muito, e aquela rotina maluca ele jura não querer nunca mais. Depois do enfarte, parou de fumar, melhorou a alimentação, emagreceu, foi para a academia. Agora se dedica aos seus livros – está escrevendo o terceiro chamado Os Beneditinos -, comenta na ESPN e tem projetos em parceria com o Sesc.
Os passatempos de uma pessoa normal, antes impensáveis, também passaram a fazer sentido: ouvir discos de vinil, sair para jantar, ir ao cinema, namorar, ver os filhos. E ainda cultivar o sonho de um dia morar em Portugal. “Aquela loucura que era, de ficar vendo televisão, isso acabou. Sou muito mais tranquilo hoje do que fui anos atrás. Senão eu já teria morrido”.
CIÚMES DE BIAL E A DISTÂNCIA DOS FILHOS
Separações nunca são fáceis. Trajano sabe disso. Quando acabou seu primeiro casamento com a também jornalista Renée Castelo Branco, ele encarou a dor de ficar distante não só dela, mas também dos filhos. Marina e João se mudaram para a Inglaterra pouco depois por causa do novo casamento da mãe com Pedro Bial, que na época foi para Londres ser correspondente da TV Globo.
Bial vestiu o papel de pai e sempre tratou os enteados como seus próprios filhos, mas o ciúme de Trajano era da mulher. “Quando a gente separou, eu gostava dela, então isso aí demorou um pouco para mim. Então me deu mais ciúmes no sentido de eu com ela, do que ele com os filhos. Mas na hora também que senti que não queria mais nada com ela, passou, e que ele tratava muito bem dos filhos, falei ‘que bom, eles têm dois pais’. Queria eu ter dois, três pais. Quem não queria ter? Melhor que não ter nenhum, ou meio”, disse.
Mas hoje é tudo muito bem resolvido. “É uma relação muito boa, porque como ele trata meus filhos como se fosse um segundo pai, sempre fez muito bem a eles, eu só tenho a agradecer. Posso ter minhas diferenças com ele, ideológicas, mas isso nunca colocamos na mesa. A gente se encontra, se respeita”.
A distância dói até hoje e sempre vai doer, mas ele celebra a boa relação e, principalmente, a vida estruturada que hoje os filhos têm na Europa. João Castelo Branco é correspondente da ESPN na Inglaterra e Marina é professora e mãe da pequena Cora. “Na verdade a distância é uma merda, principalmente com as netas. (…) Nós tentamos adaptar, não tenho jeito de mudar isso. A não ser que eles me abriguem por lá, eu fico só no pub tomando uma cervejinha, e eles bancando tudo, arranjando cidadania e tal”, brinca.

A SEPARAÇÃO TRAUMÁTICA
Um dos momentos mais difíceis da vida de Trajano foi ver a esposa definhar vítima de um câncer no cérebro e tomar a dura decisão de se separar. Não havia mais relação de homem e mulher com a também jornalista Célia Chaim, a doença havia assumido o controle. Trajano foi forte para tomar a decisão, mas a culpa veio na mesma medida do sofrimento.
Todo mundo dizia: separa. Ela mesmo pressionava, porque dizia que era injusto a gente conviver com expectativas de vida tão diferentes. O caso dela não tinha mais jeito. E eu me achava uma espécie de um traidor, de o cara sair fora na hora que ela precisava. Então fui adiando, adiando. Mas aquilo ali me deixava muito transtornado e ela, incomodada também porque via que ela não era mais aquela pessoa
Célia Chaim, com quem Trajano teve o filho caçula Pedro e ganhou o enteado Bruno, morreu em janeiro deste ano depois de uma batalha de mais de 15 anos contra a doença. Mesmo separados, a amizade se manteve e ele continuou dando assistência até os últimos dias.
“Nos últimos tempos não (tinha relação de casados), porque ela ficou muito doente. E eu tentando ali, até uma hora que foi melhor para todo mundo. Todo mundo entendeu: meus filhos, e tal, que foi a melhor situação. E eu continuei aquele cara que, de vez em quando, ia lá, dava assistência, até o final da vida”, disse.
DIVIDINDO A CASA COM SÓCRATES
Na década de 80, Trajano deu um tempo no jornalismo e decidiu se mudar para a Itália. A separação de Renée ainda estava latente, e a Itália era o lugar ideal para dar uma espairecida com a nova namorada. Lá morou em uma pensão e começou a frequentar a casa de Sócrates. Foram muitas noites entre vinhos e cervejas até que o jogador, que atuava na Fiorentina, o convidou para morar com ele.
Não demorou a arranjarem um barril de chope, que já começava a ser exigido nas primeiras horas da manhã. “Ele comprava um punhado de cervejinha pequena e, às vezes, deixava até do lado de fora, gelando. Tinha vez até que estourava, esquecia lá, porque fazia muito frio. Falei ‘pô, será que aqui não tem chope? Era melhor comprar um barril, deixava aqui na cozinha’. E ele comprou um barril. De manhã a gente já começava com o barril já”.
“O Sócrates era um cara muito peculiar, diferente, muito próprio. Ele não era para jogar bola: fumava, bebia, não fazia preparação física e ainda queria ficar acordado a noite toda. Pensava em outras coisas e ainda jogava pra burro. O Raí foi um atleta, o Sócrates não”.
VACILO E DEMISSÃO
“A Cultura comprou o Campeonato Alemão e eu fui comentar. Começou o jogo, bola para cá e para lá, essa coisa, e com 15 minutos de jogo entra um cara correndo no estúdio: ‘olha, estão ligando aqui, diz que está tudo errado. Vocês estão narrando os times trocados’. E eu digo: ‘Pelo amor de Deus, não diz uma coisa dessas. E agora?’. E o narrador: ‘O que eu faço?’. Aí fiz uma cascata. ‘Telespectador da Cultura, a Cultura está inovando no futebol trazendo um campeonato completamente diferente para nós. Erros a gente vai cometer durante essa trajetória, como por exemplo estamos cometendo agora. Esse time aí é o outro, o outro é o um’. Bom que estava 0 a 0.”
“Padilha (o major Sylvio de Magalhães, 1º da esq) era o Nuzman da época, presidente do COB. Quando acabou a Olimpíada, em 84, o Brasil para variar foi uma vergonha. Aí nós botamos uma capa com foto de página inteira. Botamos uma foto dele encostado em um muro e só um título em cima: ‘Vai pra casa, Padilha’. Porque era um bordão do Jô Soares na época e eu gostava, estava louco para usar. Fui três vezes editor de esportes da Folha, mas desta vez eu fui demitido. Fui demitido pelo Otavinho Frias, porque ele se sentiu traído porque estava de plantão e foi para casa. Ele perguntou: ‘Tudo normal para amanhã na editoria?’. Eu disse: ‘Tudo normal’. Para mim era normal, mas para ele não era.” (UOL SP)
Telas & pincéis

Porta veneziana. Por John Singer Sargent, 1902.
O Papão está em toda parte

O amigo e baluarte do blog José Maria Eiró Alves, em viagem a Montevidéu, fotografou há alguns minutos a placa da rua Paysandú, na capital uruguaia. Prova de que a marca histórica do clube de Suíço está espalhada pelo mundo. “O hotel onde estou fica a poucas quadras da Calle Paysandu. Não teve jeito… Ahahahahahaha”, comentou o alviceleste Eiró há poucos minutos em bate-papo no Facebook. Feito o registro.

Associação de correspondentes estrangeiros protesta contra polícia de Alckmin

As agressões feitas pela Polícia Militar (PM) aos jornalistas que estavam trabalhando nos protestos do último domingo, 4, gerou apoio da Associação dos Correspondentes Estrangeiros (ACE) às entidades que defendem a classe. A ACE pede que uma investigação seja feita.
Ao falar sobre as agressões verbais e físicas registradas pelo repórter da BBC Brasil, Felipe Souza, a associação explica que a violência repete um padrão de abusos contra a imprensa. “Um padrão que vem se repetindo desde os protestos de 2013, especialmente quando os manifestantes são de oposição ao governo de São Paulo, o que fere não apenas aos jornalistas, mas a liberdade de expressão, e o direito de protestar garantido pelas instituições democráticas do Brasil e do exterior”.
No domingo, o jornalista Souza foi vítima da violência quando estava cobrindo o protesto. Na ocasião, os policiais feriram o jornalista com cassetetes. Golpeado, o comunicador ainda foi chamado de “lixo’ por um dos oficiais responsáveis pela ação. “Eles me agrediram sem nenhum motivo aparente”, disse o jornalista. No site da BBC Brasil, o mesmo repórter detalhou o ocorrido em texto publicado em primeira pessoa. “‘Sai da frente! Vaza, vaza!’, diziam ao menos quatro policiais pouco antes de me atingir com golpes de cassetete no antebraço direito, na mão esquerda, no ombro direito, no peito e na perna direita. Um deles ainda me chamou de lixo”, relatou o comunicador agredido.

Para a entidade, o caso precisa ser investigado. “A ACE apoia também o apelo de entidades nacionais e internacionais que defendem o exercício da atividade jornalística, pedindo ao Governo de São Paulo que investigue e puna os abusos registrados contra jornalistas e cidadãos desarmados”, escreveu em nota. (Via Comunique-se)