Reforma ou jogo de cena?

POR GERSON NOGUEIRA

Um comitê criado para reformular leis e normas do futebol deveria ter ampla representatividade da sociedade e da comunidade esportiva. Este ponto deveria ser fundamental e inegociável. Mas, bem ao seu estilo, CBF lançou solenemente ontem o Comitê de Reformas do Futebol Brasileiro, desprezando a experiência, o conhecimento e a vivência de importantes lideranças do esporte no país.

Aprende-se desde cedo no Brasil que a melhor maneira de empurrar problemas com a barriga é criar um comitê ou grupo de trabalho para alguma coisa. Jogo de cena para garantir que nada se resolverá e tudo continuará como dantes.

No caso do comitê, a CBF convoca Carlos Alberto Parreira pela enésima vez. Autor de teses repetitivas e pouco aplicáveis, Parreira é um notório conservador quanto ao futebol que se pratica hoje. Traz, ainda, Carlos Alberto Torres, o eterno capitão do Tri, cujas curtas ideias são bem conhecidas. Ao mesmo tempo, ignora figuras mais antenadas com os debates travados hoje no país, como Zico, Tostão e Alex.

Surpreende o fato de o tal comitê não contar com nenhum jornalista ou cronista esportivo de renome. Alguém que pretenda mudar de verdade os rumos do futebol no Brasil pode abrir mão da expertise de gente como Juca Kfouri, Fernando Calazans, José Trajano, Alberto Helena Jr., Maurício Noriega, Mauro Cézar Pereira, Paulo Vinícius Coelho ou Renato Maurício Prado? Ou de treinadores como Tite, Levir Culpi, Muricy, Felipão ou Luxemburgo?

Por outro lado, a CBF explicita o seu ranço revanchista ao boicotar diretamente o Bom Senso FC, entidade que congrega jogadores profissionais e que vem se destacando na apresentação de propostas e críticas ao sistema vigente. Pelas críticas constantes à entidade, nenhum membro do Bom Senso foi chamado a opinar sobre temas da maior importância para o esporte mais popular do país.

Em compensação, povoou a comissão com personagens pouco representativos, incluindo especialistas em leis desportivas, dois presidentes de clubes (Botafogo e São Paulo), dois ex-atletas (Ricardo Rocha e Edmilson), três cartolas de federações estaduais, uma atleta de futebol feminino (Formiga), um membro do STJD e funcionários da própria CBF, como o tucano e ex-ambientalista Walter Feldman e a ex-bandeirinha Ana Paula Oliveira, que não sabia marcar impedimento, mas ascendeu ao posto de diretora da Escola Nacional de Arbitragem.

Para se ter uma ideia da barafunda que ronda o comitê, ele terá que discutir e validar mudanças sobre áreas de extrema complexidade, como o código de ética da CBF; modificações no estatuto social e no processo de transparência da entidade; medidas de responsabilidade social; impactos regulatórios e tributários; internacionalização do futebol; tecnologia e inovações; futebol de base; licenciamento e registro; desenvolvimento do futebol feminino; direitos de transmissão; direitos dos atletas e demais profissionais do segmento; calendário do futebol brasileiro; arbitragem; capacitação e intercâmbio.

Além desses temas, o Comitê de Reformas ainda terá a missão hercúlea de deliberar sobre “democratização e engajamento da torcida brasileira”. Deve queimar muita pestana tentando achar um jeito de reacender a paixão do torcedor pelo futebol depois daquela chinelada de 7 a 1 na Copa 2014 e em meio aos cabeludos escândalos que envolvem os últimos três presidentes da CBF.  ,

Feldman, que será uma espécie de inspetor geral dos trabalhos, já engrenou aquele discurso vazio de participação de todos para soerguer o futebol no Brasil. Devia economizar o latim e partir para ações efetivas e práticas.

Ninguém discute as boas intenções da CBF ao inventar um comitê de reformas. Questiona-se apenas a legitimidade dos escolhidos e sua capacidade de propor os avanços que o futebol requer e precisa. Corre-se o sério risco de perder tempo (e recursos) com reuniões vazias e improdutivas.

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Tese da torcida única em Re-Pa pode ser reaberta

Torcedores que compareceram anteontem ao Mangueirão para ver Remo x Parauapebas tiveram uma ideia dos atropelos que aguardam pela massa torcedora do primeiro Re-Pa do Campeonato Paraense, que pode acontecer nas próximas semanas pela fase semifinal, caso o Leão seja o segundo colocado em seu grupo.

Com o tráfego restrito a uma só via (a rodovia dos Trabalhadores), devido às obras do malsinado BRT na Augusto Montenegro, é de se prever um tremendo rebuliço no acesso ao estádio Jornalista Edgar Proença por ocasião do maior clássico da Amazônia.

O certo é que os estudos da Polícia Militar e dos Bombeiros, recomendando a adoção do sistema de torcida única, continuam sobre a mesa e não foram descartados, apesar dos eloquentes desmentidos feitos à época da divulgação da notícia pelo blog campeão.

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O Remo e o desmanche da base 

Depois de liberar Alex Ruan, Nadson e Yan, o Remo prossegue em seu estranho projeto de desvalorização dos garotos revelados nas divisões de base. Vai ceder ao Tapajós o volante-zagueiro Tsunami e o atacante Junior Miranda, lembrando o que o clube fez (com péssimos resultados) em 2013, cedendo Jayme ao Paragominas.

Do grupo que brilhou na conquista do Parazão 2014, ainda com Roberto Fernandes, somente Igor João e Sílvio permanecem no Evandro Almeida.

O mais interessante é que Leston Junior, ao chegar a Belém, soltou aquela pérola usada por todo treinador importado: disse que adorava trabalhar com jogadores jovens e que iria prestigiar a base.

A cessão dos atletas ao Tapajós confirma que ambos estavam fora dos planos de Leston para a temporada. Ao mesmo tempo, vários importados seguem prestigiados, mesmo sem justificar as contratações – casos do volante e Alisson e do lateral-esquerdo João Vítor, que já haviam passado sem maior brilho pelo Papão.

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 19) 

17 comentários em “Reforma ou jogo de cena?

  1. CBF pretende acabar com clubes profissionais, de aluguel..Que só servem pra hospedar jogadores… Desportiva/PA que se cuide… Clubes serão classificados como A, B e C, de acordo com a estrutura de cada um..Vai exigir padrões mínimos para que um clube fique em atividade.

    Se tudo isso acontecer, será um bom começo

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  2. Remo, na administração André Cavalcante, começa, a ver a base, como ela deveria ser vista, nesses anos todos dentro do Remo… Vai fazer esses garotos da base rodarem pra ganhar experiência, como fazem os grande clubes brasileiros… Remo, é clube grande e não pode ter em seu time profissional, tantos garotos, sem nenhuma condição de jogar profissionalmente… Igor João e outros, deverão ter o mesmo destino… Nota 10

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  3. Gérson,
    Você tem razão. É puro jogo de cena, é claro. Nunes aprendeu muito bem os políticos brasileiros. Cria esses conselhões de notáveis para sinalizar mudança em época de crise para despistar o real objetivo: manter tudo como sempre esteve.

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  4. Não entendo esse pensamento

    O acesso ao mangueirão tá horrivel e será trabalhoso para 35 mil pessoas
    Independente se torcem pra clubes diferentes

    Claudio, se o cara joga bola, tem que subir o cara

    Aí contrata um monte de pernas de pau e barram os garotos

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  5. Amigo Edson, o maior sucesso do PSC, hoje, é não forçar a entrada de garotos de base no time profissional, até por saberem que, assim como a base do Remo, a do PSC não existe…Papão, tem um ala Ramon que cantavam em verso e prosa que seria o substituto do Yago… mas como o Maia pensa grande, trouxe 2 bons alas…Não é de se espantar, amigo essa distância enorme entre Remo e PSC …Mas isso vai mudar, agora, com André Cavalcante, no Remo…com ele não tem isso não.. Remo e PSC são clubes grandes e o torcedor tem sempre que pensar assim: O João Vitor é ruim, não deu certo,… Vamos trazer o João Lucas e não um menos pior..espera lá.. torcedor precisa pensar grande e gostar do seu clube

    É a minha opinião

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    1. Amigo Cláudio, até concordo que a política adotada pelo Papão vem dando frutos, mas pensar grande não significa necessariamente contratar sem critérios. Michel estava parado há um ano, Yuri há sete meses. João Vítor e Alisson, ex-bicolores, são equívocos inadmissíveis no Remo. Alex Ruan, vindo da base ‘inexistente’, é superior ao JV. Tsunami muito melhor que Alisson. E nem falo do fator idade. Não há receita infalível, mas bom senso é fundamental. Tomara, pro bem do Remo, que o André se cerque das pessoas certas, que o ajudem a fazer as escolhas certas.

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  6. Mas observe Claudio, vc acha que o Tsunami por exemplo, vai ganhar mais experiência no Tapajós ou fazendo parte do grupo ptincipal?

    Ontem Jonathan e Cametá fizeram gols pelo Ceará

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  7. Ganha sim, amigo Edson… Lembra do Ivair, goleiro, que saiu do Remo, foi pro Castanhal, se não me engano, e começou a se destacar, depois voltou e foi titular do Remo, por muito tempo?

    – Veja o Aylon, que estava no PSC.. Agora é titular no Inter.. É assim que base funciona, amigo e depois, é vender pra tirar o dinheiro investido no jogador..Se é que aqui, investem alguma coisa ..rs

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  8. Penso, amigo Gerson, que Tsunami, Alex Ruan, Alisson e João Vítor, nenhum deveria estar no Remo… Yuri é diferenciado..vai mostrar isso, já jogou muito bem no jogo passado… A questão, que me refiro é que, se esse não presta, não é trazer de volta aquele que é menos pior…Penso não ser por aí… tem é que acertar e buscar um melhor.

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  9. Mateus Muller dando sopa no São Bento…Ou então busca o titular, Marcelo Cordeiro. “Mas é caro”. Só que resolve o problema! Melhor um caro do que três baratos que não resolvem.

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  10. Amigos,

    Só acho, repito, só acho que o Remo está se precipitando nas contratações. Parece que está começando a ver o paraense como a última competição da sua vida. O que é um enorme erro.

    Amigo Claudio, Igor João já foi bastante testado. Até concordo que Tsunami ainda está longe do ideal, mas Igor João está mais para Jonhatan (que saiu de graça, fez um belo campeonato no Paissandu e hoje está no Ceará) do que para Tsunami.

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  11. Rodagem pra experiência é uma boa, então o Remo deu um pouco dessa rodagem pro Mateus Muller, que é do Palmeiras, ano passado. E deu deu também a mesma oportunidade para o Ameixa. Base é oportunidade e ponto final. A propósito, nenhum dos dois hoje está no Remo. Nem o Rony, nem o Cametá, nem o Jhonnatan e nem mais o Alex Ruan… Veja aí, são dois laterais, sendo um direito e um esquerdo, um chamado “volante moderno”, um volante marcador que sabe sair com a bola e tem bom passe, e um ponta, artigo de luxo. Isso falando da base somente. Observando ainda a perda de Ilaílson, e outros bons valores que não eram da base, é quase um bom time inteiro perdido em pouco tempo. Faltou técnico pra botar tudo isso pra funcionar, isso sim… Sei não, o Neston tá meio perdido, na minha opinião, acho que o Remo ainda termina o Parazão com o Lecheva ou com a volta do Cacaio…

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  12. Amigo Lopes, se for olhar direito, o Mais Querido já exportou, sem ganhar nenhum tostão, quase um time inteiro desta base ‘que não presta’. E, se bobear, quem indica, e até ganha com a exportação, são exatamente estes técnicos que por aqui passam, e contra-indicam os jogadores da base por falta de fundamentos, como tentou fazer um deles, o Lopes, com o Alex Juan. Tem razão,quem disse aí pra cima, que quem joga, e joga bem, merece estar no time. Digo eu: que seja da base, seja importado, seja jovem, seja veterano, se jogou bem, merece compor o elenco e entrar no time. Atualmente, o Tisunami ainda não me convenceu; e meu prazo para os jogadores integrantes do grupo citado acima pelo Titular do Blog, onde incluo o Marco Goiano, já está quase acabando. Quanto ao treinador, tenho por bem esperar mais um pouco, visto que os jogadores que tem disponíveis não estão rendendo, seja por problemas técnico/físicos, seja devido à questão de entrosamento, quiça até por problemas financeiros.

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  13. Aos amigos do blog; além dos criteriosos comentários feitos { 16-15-14-13-8-6} acrescento e pergunto?; quantas vezes o Tsunami foi testado em jogo oficial? O Columbia esquece que um dos treinadores que ele mais endeusou no Remo, o fatídico Roberto Fernandes, declarou:” comigo jogador de base não joga”. Pois bem o Remo só foi campeão em 2014, quando ganhou do PSC por4x1 com M.Douglas, Levy, Igor João, Max, Alex Ruan- Dadá[ ou ilailson?] Ameixa, Jhonnatan e Eduardo Ramos- Roni, Val barreto {?}. SEIS vieram da base. No jogo seguinte, com a volta das estrelas, PSC 2X0 REMO. É importante ressaltar que o atual plantel, não foi montado na gestão do André Cavalcante. Não votei nele mas tenho certeza que a escolha dele foi, é e será muito boa para o Remo. Não sou mais remista que ninguém, mas participei da vida do CR, por 6 décadas. Gosto do trabalho administrativo do André e do Fábio. O meu alerta é para o êxito do SÓCIO TORCEDOR, que só continuará com resultados favoráveis do time de futebol. Pouco me importa quem dirige o Remo. O que eu quero é ter alegrias.

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