Mês: junho 2013
Sócio-torcedor bate marca de 500 mil no país
Por Eduardo Ohata (Folha de S. Paulo)
A receita dos clubes representada pelos sócios-torcedores – número que este ano saltou de 362 mil para mais de 500 mil, impulsionado pelo “programa de fidelidade” liderado pela Ambev -, bate valores de contrato de TV, patrocínio e espaço na camisa. A explicação da rápida escalada do número de sócios-torcedores passa pelo bolso. Até a virada do ano, as vantagens do sócio frequentemente se referiam à ida ao estádio, com compra antecipada de ingresso e descontos.
Porém desde a criação do programa da Ambev, este ano, sócios-torcedores dos clubes que aderiram têm descontos em uma cesta com mais de 600 produtos ou serviços de dez empresas. A soma dos descontos pode superar o valor da mensalidade. “A receita com os sócios-torcedores representa hoje mais do que o que recebemos de direito de TV ou patrocínio”, comemora Gilvan Tavares, presidente do Cruzeiro que, percentualmente, assistiu o maior crescimento no número de sócios-torcedores entre os clubes participantes.
“[O sócio-torcedor] representa muito mais do que recebemos com patrocínio de camisa. E a tendência é aumentar, porque o sócio-torcedor alavanca a bilheteria”, argumenta Gilvan, que revelou que seu clube arrecada R$ 3 milhões mensais dos sócios. Com esse influxo de dinheiro dos sócios-torcedores, contratou Dedé e Souza.
Com vantagens não relacionadas à ida aos estádios, a tendência é a adesão de torcedores de outros estados. É uma das apostas do Flamengo, cuja arrecadação com o sócio-torcedor atualmente só perde para o patrocínio master e fornecedor de material. “A arrecadação do sócio-torcedor tornou possível a contratação do [atacante] Marcelo Moreno e do técnico Mano Menezes. Dependemos do aumento do programa para chegarmos a mais reforços”, afirma Fred Luz, diretor de marketing do Flamengo.
A meta traçada pela Ambev é chegar à marca de um milhão de sócios-torcedores até o fim do ano. Seus executivos lançam mão de números de fora do país para mostrar o potencial do programa. “O Internacional, melhor clube nacional em quantidade de sócios-torcedores, tem 2% dos torcedores como sócios. Já o Benfica, que é o melhor do mundo, tem 4%”, compara Ricardo Roza, gerente corporativo da Ambev.
Palavras da presidente do Brasil
Capa do Bola, edição de sábado, 22
Rock na madrugada – Canned Heat, On The Road Again
Capa do DIÁRIO, edição de sábado, 22
Quem não gosta de partidos é ditadura
Por Mário Magalhães
Como observado segunda-feira na passeata dos mais de 100 mil, os protestos populares em curso constituem terreno de ferrenha disputa política entre os próprios manifestantes (leia reportagem aqui). O confronto degringolou ontem, na despedida do outono. No país inteiro, militantes portando bandeiras, estandartes e símbolos de partidos políticos, centrais sindicais, entidades estudantis e movimentos sociais foram escorraçados por uma turba intolerante.
Em São Paulo, os principais executores dessa modalidade de repressão política foram os skinheads, os “carecas” neonazistas. Botaram para correr quem vestia camisa vermelha, rasgaram bandeiras de agremiações e arrancaram faixa do movimento negro. São racistas e homofóbicos. No Rio, essa turma agride, fere e mata gays.
Na Noite dos Cristais, em 9 de novembro de 1938, a escória nazista atacou os judeus por toda a Alemanha, insuflada por Adolf Hitler. No dia 20 de junho de 2013, foi a vez de ativistas de esquerda serem o alvo, no Brasil.
Não está em debate o mérito do partido X ou Y, no governo ou na oposição, menos ou mais comportado. Nem se um sindicato representa dignamente ou não seus filiados. Ou mesmo se os imensos protestos resultam de força ou fraqueza de uma ou outra sigla _as opiniões são legítimas sobre todas essas questões. O que se discute é o direito democrático de seus integrantes participarem das manifestações.
Desde os primeiros atos do Movimento Passe Livre, duas semanas atrás, os partidos tiveram direito de estar presente. No Rio, foi assim há quatro dias. Se outros chegaram ontem, é também seu direito, porque inexiste veto dos organizadores dos protestos, onde se sabe quem são eles.
Como se disseminou um robusto sentimento antipartidos, sobretudo na classe média, os neonazistas capitalizam frustrações e comandam os ataques. É legítimo rejeitar siglas, tomar distância delas e derrotá-las nas urnas. Impedir sua expressão é mania de ditaduras. Além de ser irônico que determinadas agremiações, cuja militância foi decisiva na construção do movimento contra o reajuste das tarifas, sejam agora reprimidas.
Não deixa de ser curioso: quem protesta contra algumas covardias policiais agride covardemente quem não concorda com suas ideias. A faixa “Meu partido é meu país” é tão legítima como a do partidinho mais mequetrefe. Todos têm direito de se manifestar. Em 1935, o presidente Getulio Vargas colocou na ilegalidade uma frente de esquerda, a Aliança Nacional Libertadora. Com o golpe de 37, instaurando a ditadura do Estado Novo, baniu o centro, a direita e a extrema direita. Em 47, a Justiça cassou o registro do PCB, e no ano seguinte seus parlamentares, eleitos pelo voto popular, tiveram os mandatos cassados.
A ditadura implantada em 1964 aboliu os partidos do regime democrático restabelecido em 1945-46, inclusive aqueles, como UDN e PSD, que colaboraram para a deposição do presidente constitucional João Goulart, cuja base tinha entre outros o PTB e o PSB.
Durante aquele tempo de trevas, a ditadura descaracterizou o Congresso, impondo cerca de uma centena de cassações de deputados e senadores do MDB. Triturou a Frente Ampla de Jango, Carlos Lacerda e Juscelino Kubitschek. As ditaduras, do Estado Novo à de 1964-85, mataram militantes que batalhavam pelo direito de existência e expressão de partidos. Eles são mártires da democracia e do país.
A União Nacional dos Estudantes, outro alvo da malta, teve um presidente, Honestino Guimarães, assassinado pela ditadura. A ditadura que matou e sumiu com o corpo do líder estudantil, em 1973, impedia a livre organização partidária. Trucidava quem queria se organizar. Essa mesma ditadura sofreu uma derrota dura com a formação da CUT, em 1983. As outras centrais sindicais são igualmente legais e legítimas, simpatizemos ou não com elas. Em 1979, o operário Santo Dias foi assassinado com um tiro da polícia. É a memória de gente como ele que é insultada quando fascistoides proíbem os sindicalistas de se manifestar. Como no Rio, rasgando seus panfletos.
É impressionante que certos analistas políticos vibrem com a pancadaria contra bandeiras partidárias, mas não apresentem uma só restrição às ações neonazistas. Impressiona, mas não surpreende: eles apoiaram a ditadura, a intolerância está em seu DNA.
Condenável é partido aparelhar movimentos e protestos, impondo sua agenda particular às reivindicações coletivas. Isso é partidarismo. Mas a presença de agremiações políticas é uma tradição democrática, e muito o Brasil deve a elas. Esqueceram que na Campanha das Diretas (1984) e no Fora, Collor (92) as bandeiras tremulavam nos comícios? Nos palanques, uniam-se dirigentes de partidos para todos os gostos e muita gente que não ia com a cara deles, mas estava unida para melhorar o Brasil.
Os que aplaudem a massa reprimindo militantes, tendo na “vanguarda” neonazistas, têm partido, sim: o Partido da Intolerância, o Partido do Ódio. Já vimos esse filme. Os provocadores que espalham a baderna, fração ultraminoritária das manifestações, não são os militantes partidários, mas os skinheads, alguns ditos punks e outros ditos anarquistas, que de anarquistas nada têm. Os militantes partidários não promoveram vandalismo, mas foram alvo deles _tomar, rasgar e queimar bandeira é ato de vândalo.
Os protestos em curso, que arrancaram bravamente a redução das tarifas dos transportes públicos, exibem algumas características novas. Uma delas é que reúnem no mesmo evento quem, em 1964, participaria da Marcha da Família, de direita, e em 1968, da passeata dos 100 Mil, dirigida pela esquerda, contra a ditadura. Daí que o ódio dos neonazistas encontre ressonância.
Quem não tem legitimidade para participar dos atos são essas facções que ontem agrediram os militantes políticos, sindicais, estudantis e sociais. São os herdeiros da Ação Integralista Brasileira, a tradução tupiniquim para o nazismo de Hitler e o fascismo de Mussolini, na década de 1930.
É legítimo amar e odiar os agredidos de ontem. Nada mais natural do que achar que um e outro são oportunistas – o que não falta no mundo é oportunista. Mas quem não gosta de partido é ditadura.
Já era tempo: Dilma vai falar ao país
A presidente Dilma Rousseff acaba de tomar a decisão de falar à Nação sobre os acontecimentos de ontem, em várias cidades do Brasil. Reunida com seu núcleo duro, em Brasília, que inclui os ministros José Eduardo Cardozo, da Justiça, e Gleisi Hoffmann, da Casa Civil, ela já decidiu que irá se pronunciar, com veemência, em defesa da democracia, mas também da ordem, rechaçando de forma contundente todos os atos de violência.
Ela, que acompanhou tudo pela televisão ontem à noite, ficou especialmente assustada com o vandalismo em Brasília, onde o Palácio do Itamaraty, obra-prima da arquitetura mundial, foi atacado, e no Rio de Janeiro, onde houve tentativa de invasão à prefeitura e um repórter da GloboNews, Pedro Vedova, foi atingido com uma bala de borracha na testa.
Ainda não há consenso sobre a forma do pronunciamento. Há quem defenda uma fala em cadeia nacional de rádio e televisão, às 20h. No entanto, a mensagem talvez seja transmitida de forma menos formal, numa entrevista ainda hoje no Palácio do Planalto.
Também assustados com a violência, os integrantes do Movimento Passe Livre anunciaram que não convocarão mais protestos para a cidade de São Paulo. Abaixo, noticiário da Reuters, sobre decisão do MPL:
MPL anuncia que não convocará novos protestos em S. Paulo
SÃO PAULO, 21 Jun (Reuters) – O Movimento Passe Livre (MPL), que deu partida a uma série de manifestações em diversas cidades brasileiras pela redução da tarifa do transporte público, informou nesta sexta-feira que por ora não convocará mais protestos em São Paulo. A onda de protestos no país, que começou há cerca de duas semanas, teve seu ápice na quinta-feira, quando estima-se que mais de 1 milhão de pessoas foram às ruas de dezenas de municípios, mesmo após a reivindicação inicial pela queda das passagens ter sido atendida em diversas cidades.
“O MPL aqui em São Paulo não vai mais convocar os protestos. Pelo menos por enquanto, não tem nenhuma previsão de novas manifestações”, disse o bancário e militante do MPL, Douglas Belome, à Reuters, por telefone. Os atos de violência se agravaram em várias localidades. Em Brasília, manifestantes – que agora pedem uma extensa pauta que vai de melhoria dos serviços públicos à crítica pelos gastos para realização da Copa do Mundo no país – chegaram a invadir e atear fogo ao Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores.
Muitos dos manifestantes, em sua maioria jovens, têm se posicionado contra a participação de partidos políticos nas passeatas. Em algumas cidades, como São Paulo, a presença de legendas acirrou os ânimos de grupos que estavam nas ruas. “Com relação ao que aconteceu ontem (quinta-feira), a gente ficou particularmente triste, porque entendeu que muitas das pessoas ligadas a partidos que estavam presentes estavam na luta com a gente desde o início, e algumas chegaram a ser acusadas de oportunistas e estavam sofrendo e vibrando com a gente desde o início, lutando pela mesma causa”, afirmou o militante do MPL.
“O MPL se coloca como apartidário, mas insiste que não é antipartidário”, acrescentou Belome. A presidente Dilma Rousseff cancelou viagens previstas para os próximos dias, inclusive uma internacional ao Japão, diante do agravamento dos protestos em todo o país. Nesta manhã, Dilma marcou reunião de emergência com diversos ministros para tratar do assunto. (Por Silvio Cascione)
Fifa nega boatos sobre cancelamento da Copa
Por Jorge Luiz Rodrigues (O Globo)
O chefe de mídia da Fifa, Pekka Odriozola, negou nesta sexta-feira que a entidade tenha cogitado cancelar a Copa das Confederações em função das manifestações que ocorrem por todo o Brasil durante a disputa do torneio. Em um comunicado lido no Maracanã, Odriozola disse que a Fifa apoia as manifestações pacíficas do povo, mas condena os atos de violência que têm acontecido durante os protestos.
“Reconhecemos o direito de manifestação e de liberdade de manifestação pacífica, mas condenamos qualquer forma de violência. Continuamos apoiando e acreditando nas forças de segurança e estamos em permanente contato com as autoridades para acompanhar a situação”, disse Odriozola, negando que a entidade tenha pensado em suspender o torneio. “Em nenhum momento, repito, em nenhum momento, a Fifa considerou ou pensou em cancelar a Copa das Confederações no Brasil. Não recebemos nenhum pedido para se retirar da competição de nenhuma seleção”, afirmou.
O chefe de mídia da Fifa negou que alguma seleção tenha pedido para deixar a competição após surgir uma informação de que a Itália poderia deixar o torneio, pois as famílias dos jogadores estariam preocupadas com as manifestações e o aumento da violência com os protestos. Nesta quinta-feira, a Fifa confirmou que um ônibus e o hotel onde funciona o QG da entidade em Salvador foram atacados. Ninguém ficou ferido.
Oriozola disse ainda que toda a situação está sendo monitorada pela Fifa permanentemente. Na manhã desta sexta-feira, a Fifa organizou uma reunião de crise em um hotel na zona sul do Rio de Janeiro para avaliar a situação. O encontro foi comandado pelo secretário-geral da Fifa, Jèrôme Valcke e durou aproximadamente uma hora. Participaram dele todos os diretores de departamentos da Fifa ligados à competição e diretores do Comitê Organizador Local (COL-2014). Esta foi a primeira reunião de um comitê de crise para avaliar a situação.
Durante a reunião, os oficiais de segurança apresentaram vários relatórios e ficou resolvido que a Fifa vai pedir maiores detalhes ao governo sobre os próximos passos que serão tomados para conter a onda de violência. Os chefes de delegações e de segurança de cada uma das oito seleções que participam da Copa das Confederações estão sendo informados a todo momento sobre o que acontece no país e também têm enviado perguntas à Fifa sobre a situação. Mas não houve nenhum manifesto de retirada do Brasil ou abandono da competição. Ainda nesta sexta, a Fifa espera receber algum comunicado do governo sobre as perguntas que foram feitas pelas delegações.
Fifa e CBF fazem reunião de emergência
Foi convocada para hoje, às 14h, no Rio de Janeiro, uma reunião de emergência entre a Fifa, o Comitê Organizador da Copa 2014 e a CBF para discutir o que fazer diante das manifestações. Jèrôme Valcke, José Maria Marin e Marco Polo estarão presente. Delegações de vários países já reclamaram formalmente à Fifa do clima geral do país – numa palavra, da insegurança que sentem.
O assunto mais urgente são os dois fins de semana que restam para o final da Copa das Confederações. Como garantir segurança para as delegações e para os torcedores se as manifestações recrudescerem? Apesar dos rumores, não se discutirá hoje qualquer assunto relativo a Copa do Mundo do ano que vem. Ainda não é hora. (Por Lauro Jardim)
Vitória improvável, mas justa
Por Gerson Nogueira
O Paissandu conseguiu o que parecia improvável: o retorno à Copa do Brasil. Mais do que a assegurada premiação de R$ 400 mil pela passagem à terceira fase da competição, o triunfo do Paissandu no julgamento feito pelo STJD ontem, em Fortaleza, corrige um absurdo jurídico, expresso nas decisões anteriores das comissões disciplinares do tribunal.
Como se sabe, o clube acionou a Justiça Desportiva apontando a irregularidade cometida pelo Naviraiense, que escalou um jogador sem contrato (Luiz Cláudio Bahia), sem registro no BID, na partida de ida, realizada em Naviraí e vencida pelo Paissandu por 1 a 0.
Na partida de volta, na Curuzu, o Naviraiense operou uma façanha, batendo o Paissandu por 2 a 0 com dois gols relâmpagos nos minutos finais. Ainda imerso no choque pela eliminação inesperada, mas ciente da situação irregular de Bahia, o departamento jurídico do Papão se movimentou rápido e buscou reparar a situação na esfera do STJD.
No começo, a missão pareceu destinada ao fracasso, pois as comissões disciplinares interpretaram o caso à luz do Regulamento Geral das Competições, desprezando o que especifica o regulamento específico da Copa do Brasil.
Em dois julgamentos, as comissões discordaram frontalmente da interpretação que o mundo do futebol faz de situações do tipo. Sempre que o nome de um jogador não aparece no BID todos sabem que o atleta não poderá ser escalado. O respeito a este princípio foi responsável até pela célebre punição que vitimou o Paissandu anos há dez anos na Série A, quando o clube perdeu oito pontos.
Quase como compensação tardia, o Papão teve seu recurso acatado ontem pelo Pleno do STJD por 8 a 1. A Justiça foi feita e o clube volta à competição para enfrentar o Atlético-PR na próxima fase. Antes que surjam críticas à busca pelo tapetão é preciso que se entenda que o Paissandu brigou por seus direitos amparando-se no regulamento do torneio, o que é legítimo.
Como não há mais possibilidade de recurso, a decisão do STJD é definitiva. A comemoração pela conquista da vaga não pode desprezar o fato de que, em campo, o time teve comportamento ridículo diante do Naviraiense. Fato que de imediato remete à responsabilidade no confronto contra o Atlético-PR no próximo mês. Depois de tanta luta para voltar à Copa, o mínimo que se espera é que o Paissandu não decepcione a torcida outra vez.
———————————————————–
A Fúria indomada
Como todo mundo sabia, a Espanha entrou em campo com o maior favoritismo de todos os tempos contra o modesto Taiti, ontem, pela Copa das Confederações. O duelo mais desigual da história não podia ter outro desfecho.
No estilo habitual, com toques em alta velocidade e cerco ofensivo permanente, a Fúria não refrescou e bateu impiedosamente o escrete taitiano por 10 a 0. Podia ser uma goleada ainda mais monumental, mas os espanhóis tiveram a grandeza de não exagerar nas tintas.
A partida foi bonita de ver, mas o comportamento da torcida em defesa do Taiti confirmou a velha máxima de que todos sempre simpatizam com o lado mais fraco. Quem se aproveitou das facilidades foi Fernando Torres, que tirou a barriga da miséria, marcando quatro gols. Davi Villa fez três.
Roche, o desafortunado goleiro do Taiti, saiu confortado pelo carinho de todos, quase como ocorre naqueles rachões entre amigos. Mais que isso: recebeu, junto com os companheiros, os aplausos da torcida, que ficou de pé para saudá-los ao final da partida.
Por todos os detalhes curiosos que o cercaram, a começar pelo fato de que se enfrentavam a campeã mundial e o 138º país do ranking da Fifa, foi seguramente um dos jogos mais inusitados da história do futebol.
Com a facilidade prevista, o técnico Vicente Del Bosque lançou mão dos suplentes, que enfrentaram inesperada dificuldade para consumar a goleada. Somente depois do terceiro gol, de Villa aos 38 minutos, o massacre se desenhou.
Engraçado foi ver o envolvimento dos torcedores, ávidos pelo improvável gol de honra que iria consagrar o Taiti. Apesar de apenas um chute na direção do gol, cada investida pelos lados do campo gerava um frisson na galera, por mais desajeitada que fosse a conclusão.
Ao final, a sensação de que o futebol é encantador também pela capacidade de ser generoso. Basta notar que nenhum outro esporte coletivo (basquete, vôlei, handebol) permitiria um placar “modesto” no embate entre um timaço e o mais patético dos times.
———————————————————-
Entusiasmo pelo desastre
Há certo frêmito de empolgação em alguns setores com a notícia de que a Fifa considera a hipótese de suspender a Copa das Confederações, diante dos tumultos nas cidades-sedes. Não precisa ser bidu para projetar que isso traria consequências também em relação à Copa do Mundo.
O entusiasmo dos urubulinos deveria ser mais contido se observassem que a Copa, pintada de repente como o demônio a ser enfrentado no país, é um evento definido com seis anos de antecedência e que qualquer reação atual é no máximo reflexo tardio.
Seria bom observar também o gigantesco prejuízo para o Brasil, em todos os aspectos – desde o financeiro até o institucional – em caso de uma decisão desse tipo, inédita em competições mundiais.
———————————————————-
Ainda à espera de boas notícias
O Remo, mesmo com atraso, deve comemorar hoje uma dupla vitória de significado expressivo para o futuro do clube. O que parecia perdido (ou em mãos erradas) pode estar voltando ao ninho azulino. E não me refiro à vaga na Série D, que ainda está no terreno das incertezas.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 21)







