Pelo renascimento do volante

Por Gerson Nogueira

Depois daquele soberbo primeiro tempo de Espanha x Itália, anteontem, fico a me perguntar onde estariam os nossos briosos (e ultrapassados) volantes naquela hora? Deviam, até por dever de ofício, prestar muita atenção no que fazem os jogadores que passeiam ali naquela faixa do campo fazendo o que era corriqueiro no Brasil de antigamente. Andam de cabeça erguida, lançam, sabem passar com precisão e às vezes até driblam.

O futebol brasileiro produziu excepcionais volantes, que no passado eram também definidos como médios. Pode-se dizer que tudo começou com Zito no final dos anos 50 e ao longo da década seguinte. Depois viria Clodoaldo, impecável no Santos e na seleção do tri em 1970. Vale lembrar que naqueles anos dourados o papel do volante era ainda mais abrangente, pois cobria sozinho o avanço permanente dos armadores.

Depois, mesmo com o surgimento de Caçapavas e Elzos, o Brasil ainda teve volantes de primeiríssima linha, como Paulo Roberto Falcão e Toninho Cerezo. Tão bons tecnicamente que muitos hoje duvidam que eles realmente fossem realmente volantes, o que trai a distorção em torno da própria posição, visto unicamente como posto de brucutus e de pernas-de-pau.

bol_sab_290613_15.psDe 1980 em diante, a maioria das pessoas passou a considerar que o volante era apenas um apêndice do zagueiro, jamais um jogador com independência (e categoria) para servir ao time tanto nas missões de ataque quanto na proteção à zaga.

Falcão e Cerezo foram jogadores completos, competentes inclusive na finalização, mas deixaram poucos herdeiros. Não por culpa da safra de boleiros, mas pela filosofia da sobrevivência no emprego imposta pelos técnicos. Porte físico avantajado passou a ser condição básica para alguém ocupar o posto à frente da defesa.

Fiapos de gente como Zito e Clodoaldo jamais seriam empregados na função pela ótica dos novos “professores”. E isso se espraiou pelas divisões de base, que passaram a selecionar jogadores parrudos para o papel tão importante de pêndulo do time.

É uma questão estatística. Volante é hoje o jogador que mais toca na bola durante um jogo. Ora, se passa tanto tempo com ela, deve tratá-la com deferência e carinho. Infelizmente, não é o que ocorre e o Brasil responde por boa parte do embrutecimento na posição.

Talvez as novas gerações ainda tenham tempo de permitir que voltemos ao passado, a partir de uma posição fundamental para que uma equipe desenvolva bem seu jogo, mas extremamente negligenciada pelos que cuidaram do futebol nos últimos tempos.

O surgimento de volantes que pensam, como Ramires e Paulinho, abre concretas esperanças de que o exemplo frutifique e que possamos ter, como alemães e espanhóis, vida inteligente nessa faixa do gramado. Uma Copa do Mundo é um bom momento para que essas virtudes aflorem e impressionem a garotada, ávida por referências.

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À espera do novo Paissandu

A expectativa da torcida do Paissandu por ver o time que Givanildo Oliveira vem preparando, ao longo da pausa na Série B, tem tudo para ser satisfeita diante do Guaratinguetá na próxima terça-feira. Pelos treinos, é possível avaliar que o técnico já optou pela dupla de zagueiros Jean e Fábio Sanches em lugar de Raul e Diego Bispo, que disputaram o Campeonato Paraense e foram titulares ao longo das seis rodadas iniciais da Segunda Divisão.

Givanildo deve ter tomado essa atitude não apenas pela insegurança que a zaga vinha transmitindo, mas também pelas cobranças cada vez mais intensas da torcida (e diretoria) pela estreia de jogadores caros, contratados especificamente para a Série B.

Na frente, a dupla que terminou o jogo contra a Chapecoense terá a chance de reaparecer diante da torcida na Curuzu. Marcelo Nicácio e Iarley, pelo entendimento com Eduardo Ramos, devem compor o ataque. Resta a dúvida quanto ao parceiro de Ramos na armação, sendo provável que Diego Barbosa assuma a função, embora Alex Gaibu continue bem cotado com Givanildo, que o indicou para o clube no ano passado.

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Direto da web

“Caro Gerson, sou professor universitário aposentado da UFPA (pela Faculdade de Engenharia Elétrica) e, portanto, mais um vagabundo segundo o FHC (outro vagabundo). Tenho 58 anos, logo, na Copa de 70 tinha 15 anos, porém, é uma copa que tenho mais recordações e por isso me permito (desculpe a ‘imodéstia’) fazer algumas comparações com a Copa das Confederações. O treinador era o Saldanha (o João Sem Medo, comunista assumido), que por motivos óbvios foi demitido e assumiu o Zagallo. Tínhamos o Mano Menezes que foi substituído de uma forma ‘esquisita’ pelo Felipão. Uma semifinal foi Brasil e Uruguai. A outra semifinal foi Itália e Alemanha, decidida na prorrogação. Então, o Brasil tem todas as condições de levar esta taça. Ah, felizmente, hoje podemos ir para as ruas e protestar. Naqueles anos de chumbo era impossível. Daquele tempo só tenho saudade do meu saudoso pai.”

De Rosemiro Pamplona, professor universitário e otimista em tempo integral.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste sábado, 29)

12 comentários em “Pelo renascimento do volante

  1. Rsrsrs!
    Gostei do comentário do meu amigo e professor Rosemiro Paplona. Ale de excelente pessoa, uma referência em sistemas de energia.
    Ele é o Rei do Marajó!!

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  2. rsrs….Tirem da cabeça que Givanildo faria alguma coisa por pressão de torcida e muito menos da mídia…. Giva, sabe o que faz e só não havia mudado,ainda, por falta de tempo…
    Um amigo meu ontem, conversando comigo, perguntou se não era temerário ele substituir logo, os 2 zagueiros de uma vez.. Falei a ele, que mesmo os 2 treinando no time de baixo, Giva deve ter passado como queria que os 2 jogassem e foi observando, gostou do que viu, e mudou…Num treinamento, um bom técnico observa todos os jogadores e não apenas a equipe titular… Elementar

    Givanildo, não é técnico local… Esse, tem personalidade..

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  3. Paulinho me faz lembrar Clodoaldo,com a diferença que o corintiano costuma com freqüências balançar as redes. Se dependesse do Felipao,ele se especializaria nas burucutices costumaz .
    Infelizmente nosso futebol esta dominado por treineiros de quinta categoria. Nao tem as mínimas condições de lidar com a fartura que ainda temos.

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  4. Agora o Rosemiro..se achar vagabundo aos 58?…égua! Em que mundo tu vives,cara. .?
    FHC e Lula ao que me consta seguem trabalhando, embora um esteja na casa dos 80 e o outro chegando na dos 70.
    Quanto otimismo.hein!

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  5. Na realidade acho que o blogueiro está sendo sarcástico. E se refere a uma odiosa afirmativa feita pelo fhc, durante o seu governo, relativamente aos aposentados. Foi no governo fhc que começaram as tratativas para cobrar a contribuição previdenciária dos aposentados, a qual veio a se concretizar no governo do lulla.

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  6. Mais recentemente tivemos vários volantes habilidosos no futebol brasileiro, um que merece destaque é o Andrade. Aqui em Belém tivemos o Aderson, o próprio Charles Guerreiro.

    A propósito, não posso deixar de destacar um volante Brucutu que causou muito aborrecimento à torcida paraense. Me refiro ao Agnaldo, o Seu Boneco. E aborreceu a torcida do Paysandú quando jogava no Remo, e a torcida do Remo quando jogava no Paysandú. Esse era um baita jogador, mesmo sendo brucutú. Ele era o sossego dos craques do próprio time e a maldição dos craques adversários.

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  7. Caro Harold, o Rosemiro foi irônico ao usar o termo vagabundo, pois fez alusão à frase dita por FHC, que chamou os aposentados de vagabundos, em seu mandato presidencial.

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  8. Inreressante Gérson, que a seleção de 82 do Mestre Telê contava com dois volantes, no esquema 4-4-2 que ele sempre adotou, inclusive nos timaços do São Paulo de 91, 92 e 93. Pena que em 86, ele teve que contar com Elton (ou Elzo, não lembro, que jogava no Galo) e Alemão. Cabe registrar aqui, camarada Gérson, a referência ao Andrade na meiúca do Flamengo dos anos 80, que com Adílio e Zico, assombravam os rivais.

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