Por Luiz Carlos Azenha
O Brasil sempre foi governado a partir de um pacto de elites. É a tal “modernização conservadora”. O povo vota mas fica de fora das decisões substantivas, especialmente as que dizem respeito ao orçamento. As decisões são resultado de conchavos de bastidores. Consideram, por exemplo, quanto os donos das empresas concessionárias do transporte doaram nas eleições; quanto as empreiteiras que fizeram as obras da Copa ou constroem hidrelétricas na Amazônia doaram a partidos e candidatos. E assim por diante. O que o pessoal do MPL fez foi destampar a panela de pressão. Todos nós queremos que as decisões no Brasil, em todas as instâncias, considerem acima de tudo as necessidades reais das pessoas.
A direita simula que é a favor das manifestações, mas obviamente tem medo das reivindicações de fundo (ou alguém acha que existe empresário de ônibus de esquerda?). A direita não quer perder o poder da PM como balizador de suas “políticas sociais”, que é o que provisoriamente aconteceu. A PM é a garantia de seus privilégios. O PT é governo e nenhum governo gosta de confusão, especialmente se acredita que tem tudo para ganhar a próxima eleição. Além disso, os acordos de governabilidade do PT são firmados sobre a manutenção de privilégios históricos da direita, também ameaçados pelos manifestantes. A não ser que o PT retome seu compromisso histórico com as causas sociais, teremos em alguns dias um consenso inédito entre os grandes partidos para jogar essa molecada no rio Pinheiros.
(Foto: Herbert Marcus)

Objetivo, claro, lúcido e esclarecedor o texto do Azenha. Ou as esquerdas (e o PT desfralde a velha bandeira abandonada em algum arquivo morto) pautam os debates e discussões ou se perderá mais um bonde nessa nossa curta e infeliz história.
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Dito de outro modo, o lullopetismo traiu suas propostas originárias e se comportou igualzinho os governos espoliadores da nação quando assumiu o poder. E ao se comportar igualzinho aos espoliadores anteriores (portanto, espoliador também) se mostrou ainda pior que eles. Pior porque dos espoliadores anteriores não se esperava nada melhor, por isso, a duras penas, foram formalmente apeados do poder. Mas, dos novos governantes, se esperava uma mudança, um comportamento que modificasse os paradigmas anteriores. Ou, no mínimo, não se esperava que eles apenas quisessem o poder e para alcançá-lo fossem capazes de tudo o que não presta, inclusive, mediante condenáveis acordos (pra dizer o mínimo), manter no poder os espoliadores anteriores. Em suma síntese, não fosse o Azenha ter insistido neste anacronismo maniqueista esquerda/direita, o texto dele teria feito integralmente um belo papel. Mas, aí já seria querer demais.
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Por isso a importancia nas escolhas dos deputados e senadores, não sejamos hipócritas em querer acreditar que o presidente pode fazer o que quizer, em acreditar que o presidente governa o país, sabemos que tudo tem que passar antes pelas mãos de deputados e senadores, mas é sempre mais fácil condenar um. Como no futebol é melhor trocar o treinador e deixar o galhardo jogando, deixar o diego bispo furando lá atras.
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Marcelo, de minha parte, esclareço que ao me referir ao lullopetismo, não me restrinjo ao(s) presidente(s), mais especificamente ao Lulla e à Dilma. Lullopetismo é termo abrangente que diz respeito a toda a estrutura do poder governamental constituído, seja legislativa, seja executiva, seja judiciária. Sem esquecer dos poderes paralelos. Abrangência que também se aplicava ao “tucanato” na sua respectiva época, de memória igualmente deplorável.
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Por isso que não consigo adotar um partido político, muito menos um político. Essas coisas reafirmam minha convicção no voto nulo, que há muito pratico e já defendi aqui, recebendo naturalmente críticas. Essas belas manifestações, em sua maioria apartdárias, ressalte-se, seriam extremamente amplificadas se as urnas mostrassem algo como 40% de votos nulos pra esses calhordas repensarem uma reforma política de verdade. Aí quem sabe votar em A ou B faça sentido.
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Antonio Oliveira, discordo de você quando afirma ser anacrônico a dicotomia esquerda/direita. A Guerra-Fria acabou, mas os campos políticos não. A não ser que você acredite que articulistas da Veja, da Globo e da grande mídia, em sua maioria, coloquem-se a favor dos movimentos sociais e populares. Os campos estão lá. A esquerda meio que no impasse, mas a direita sempre articulada e mobilizada, pronta para cair de paraquedas.
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Exatamente Daniel falou tudo, aguerra politica é grande e pra aprovar qualquer proposta, mesmo que essa seja extremamente favóravel a população é preciso muita articulação e muita promessa, aí pergunto como fazer politica assim onde vc primeiro tem que oferecer algo lá dentro pra só depois ajudar a classe trabalhadora e não sejamos tolos em achar que essas manifestações partiram somente da cabeça dos jovens, não que não tenham capacidade pra isso, pelo contrário, mas sabemos que tem partido e dinheiro pro tras disso tudo.
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Maurício, concordo contigo. O voto nulo, de certa forma, é um ato simbólico que demonstra a insatisfação contra o atual modelo democrático, sustentado em clientelismos políticos (não falo dos programas de transferência de renda), na barganha do poder e na concessão dos interesses populares aos grandes grupos econômicos, assim como no apeamento da população nos processos decisórios.
Quanto aos movimentos que tomaram as ruas, vejo que a luta contra a “corrupção”, um dos seus principais pontos de “pauta” – que demonstra uma insatisfação que é salutar em amplos setores da sociedade – um tanto quanto vaga, assim como vago é a convicção no dito apartidarismo. Ora, se é um movimento que visa contestar nossas atuais instâncias políticas, ser “apolítico” (como muitos afirmam ser talvez sem o conhecimento pleno do termo) ou “apartidário” é de uma contradição sem tamanho. Ele toma partido de algo, é evidente. Contudo, muito me preocupa o teor das declarações de muitos manifestantes em emissoras de rádio e tv, jornais, revistas e redes sociais sobre o caráter “apartidário” das manifestações e sobre a exigência de que bandeiras não sejam desfraldadas nas suas passeatas. A direita, já assanhada, percebeu a brecha no discurso e começa a ver “com bons olhos” o que acontece nas ruas. Afinal, 2014 não é só ano de Copa do Mundo. Ele veria dessa forma se as manifestações fossem há 10, 12, 15 anos?
Aplaudo os movimentos, são manifestações de descontentamento legítimas e espontâneas. Mas ainda falta uma agenda política e um posicionamento mais claro quanto ao lado em que se deve lutar e quem deve aglutinar e encorpar as manifestações. Está faltando debate. Onde estão, por exemplo, os movimentos por moradia, pela posse justa da terra, as organizações de bairros, os grupos indígenas que estão sendo realocados (quando muito) em terras que não as suas, os sindicatos trabalhistas? A hora é de aglutinar.
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Daniel, os partidos políticos brasileiros não têm projeto político, apenas projetos de poder. O PT mostrou isso. Não se pode confiar em nenhum, pois são todos virtualmente iguais.
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Concordo com você Heleno… Por isso o momento é propício para discutirmos o modelo (inclusive econômico para que não sejamos as próximas Grécia, Espanha e EUA). Sobretudo o modelo político democrático-representativo.
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Daniel, como de praxe, respeito a sua discordância. Mas, lhe digo que ela é insuficiente para que eu reveja minha posição. Máxime porque você ancora sua posição numa ilação sobre o que eu acredite ou deixe de acreditar. E eu já escrevi várias vezes aqui, inclusive algumas vezes debatendo ou comentando com você próprio, a respeito daquilo que acredito neste particular, o que não dá espaço prá ilação deste tipo. Aliás, você até reduz os fatos às versões que dele contam este ou aquele veículo ou jornalista engajado na imprensa partidária. E os fatos a que me refiro não são apenas estes conflitos mais recentes, não. Daniel, o campo político é um só, e está acima destas divisões teórico/acadêmicas tipo direita/esquerda. A política, que só devia ter um objetivo (o bem da coletividade), na sua dura prática, só tem um lado, o lado daqueles que querem se dar bem. Por exemplo, a Veja é tão falaciosa como o é a Carta Capital. E o Mino Carta e seus escudeiros, são tão paraquedistas como são os Civita e seus Reinaldos. Senão, dê uma lida no que recentemente escreveu a Cynara sobre estes conflitos. Ou no que algumas vezes escreveu o Mino no governo militar. A não ser que você ache que os pares Lulla/ Sarney, Lulla/Collor, Lulla/Calheiros, e a dose prá elefante: Lulla/Maluf, significam apenas mera flexibilização das posições políticas direita/esquerda para o bem da coletividade, e que a maioria dos militantes ou dos ex-militantes é que são radicais, xiitas, fundamentalistas e por isso não conseguem entender e aceitar a grandeza do sacrifício.
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Não adianta, o PT, não gosta do povo, gosta é do poder . Eles se acostumaram com toda essa mamata e agora pra largarem as tetas da nação está muito dificil.
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No Brasil, o povo é cooptado pela grande mídia a aderir às manifestações apenas para dar legitimidade aos movimentos de ruptura. No final é sempre vencido nos bastidores, em acordos orquestrados pelos donos do capital.
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Antonio, longe de mim tentar convencê-lo a mudar seus conceitos.Isso é claro. Contudo, não podemos tergiversar sob o risco de ficarmos repreendendo os cães enquanto a diligência passa.
Quando você reduz os campo políticos da direita (multifacetados em legendas mas unidos em causas que balizam suas ápidas articulações) e da esquerda à teses acadêmicas você imprime uma interpretação caolha dos fatos, desconsiderando um campo do saber acadêmico de extrema relevância para a compreensão dos processos de luta ao longo da história humana que é o Materialismo histórico-dialético. Mas se você deixar claro que há distinções entre a teoria e a práxis das esquerdas (antes do poder e após a sua institucionalização) e que esta ainda não definiu um projeto de sociedade nos seus mais variados níveis, então concordarei com você em, gênero, número e grau. Ademais, se todos realmente reproduzem falácias (e muitos reproduzem mesmo, no que concordo novamente com você), então levantemos a bandeira do imobilismo e da sonolência, que por múltiplos fatores (inclusive o consentimento), lançaram o país num período de trevas política que perdurou por 21 longos e aflitivos anos. Não vejo as articulações entre o PT e velhas raposas como um sacrifício dado os apetites mais “requintados” do partido por outras práticas (incluindo-se aí, creio eu, uma ampla costura de alianças, hoje a feição moderna do PT por conta também de sua orientação nos dias que correm, em nome de uma governabilidade que se fazia urgente dado o modelo político-representativo vigente no país). Maluf, Collor, Calheiros, Sarney são peixes-piloto do poder institucionalizado. E como não se governa “sozinho” o país, deu-se o pacto com o anjo decaído. Do qual jamais, em tempo algum, concordei.
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