Copa, política e mídia: impressões de um jornalista brasileiro na Rússia

Por Anderson Scardoelli, no Comunique-se

Jornalista com mais de 20 anos de carreira, sendo seis deles dedicados à GloboNews, Filipe Barini resolveu deixar o trabalho em redação um pouco de lado em março de 2017. Após sair da emissora hard news, onde era coordenador da editoria internacional, o comunicador se aproximou do meio acadêmico e de assuntos relacionados ao país que sediará a próxima Copa do Mundo. Dessa forma, tem se dedicado a temas ligados ao esporte, à política e aos meios de comunicação da Rússia. A meses do mundial de futebol, o profissional passou por duas universidades e tem convivido com o frio russo.

A saga de Filipe Barini para entender a Rússia começou nos Estados Unidos. Em agosto de 2017, ele foi aceito como profissional visitante na Universidade de Columbia, em Nova York. A linha de estudos escolhida foi o país transcontinental. E uma pergunta central: as mídias ligadas ao governo russo com atuação no exterior servem como ferramentas para Moscou? Depois de seis meses em solo norte-americano, o jornalista teve a oportunidade de seguir com o trabalho na Rússia. Há dois meses, ele foi aceito pela Universidade de São Petersburgo.

Desde fevereiro morando, estudando e trabalhando na nação comandada por Vladimir Putin, o jornalista já tem histórias para contar. Além de se voltar à questão dos órgãos de comunicação, ele tem acompanhado outros temas da Rússia. A preparação do país para a Copa do Mundo, a eleição presidencial realizada no último mês e conflitos políticos estão no radar do profissional brasileiro. Todas essas e outras impressões, Filipe Barini conta com exclusividade à reportagem do Portal Comunique-se.

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A Copa do Mundo será sediada na parte “europeia” da Rússia. Como a população “asiática” tem reagido a essa organização? Há reclamações públicas?
Em geral, a população na Rússia está um pouco cética em relação à Copa do Mundo, com reclamações bem parecidas com as que vimos no Brasil há 4 anos. As principais são o preço dos ingressos, caros para os padrões do cidadão russo médio, e – especialmente – o valor dos estádios. A Arena São Petersburgo é um tema constante em conversas sobre o Mundial, especialmente porque ninguém sabe exatamente quanto custou. Estima-se que o valor seja algo como US$ 1,1 bilhão.

Sobre a parte da Ásia, sim, há algum ressentimento. Porém, as pessoas entendem que as distâncias são muito grandes – e que há outras prioridades para o momento.

Na sua visão de jornalista brasileiro que, há quatro anos, viu o mundial ser realizado no Brasil com direito a construções de arenas como Amazônia, Dunas e Pantanal. Para a Copa deste ano, teremos novos “elefantes brancos”?
Sim. Temos alguns exemplos de estádios em cidades com pouca tradição no futebol, como Kaliningrado ou Samara, que hoje não possuem times nas primeiras divisões do Campeonato Russo. Depois do mundial, alguns estádios vão ser reduzidos, como a própria Arena São Petersburgo (ou Arena Zenit, como é mais conhecida pela torcida local). Mas nas cidades menores há muito questionamento sobre o que será feito com os estádios.

Com períodos de altos e baixos, clubes russos têm sido destino de jogadores badalados internacionalmente. Por parte dos donos dos times e dos torcedores, há a perspectiva de que o mundial pode impulsionar esse mercado de transferências?
Sempre. Até pelo retrospecto e pela expectativa de que os clubes russos possam repetir façanhas como a do Zenit em 2007-2008, que foi campeão da Copa da Uefa. Mesmo para os padrões dos clubes russos, que geralmente têm um caixa bem abastado, o mercado internacional está bem inflacionado.

Sobre o desempenho dos donos de casa na Copa do Mundo, qual a expectativa em torno da campanha?
Bem baixa. A torcida tem consciência de que a seleção russa não é das melhores e se passar da primeira fase já será lucro. Aliás, desde que a Rússia começou a jogar Copa do Mundo como Federação Russa, depois da URSS, jamais passou de fase. Com o Uruguai e com o Egito no grupo, especialmente agora com o futebol que está jogando o Salah, acho complicado seguir em frente. Uma coisa interessante: a torcida aqui gosta de ver os grandes craques do futebol mundial. Há algumas semana,s fui ver Rússia e França aqui em São Petersburgo. A torcida vibrou com os gols de Mbappé e Pogba, aplaudiu os franceses mesmo com a derrota por 3 a 1. É interessante para nós, brasileiros, vermos isso.

Para você, qual jogador tende a ser o destaque positivo da Rússia na Copa? E para torcida? Quais são os possíveis protagonistas da seleção anfitriã?
Aposto muito no Neymar, como torcedor, mas acho que o grande destaque vai ser o Salah, do Egito. Por aqui, a expectativa é pelos gols do Smolov e, acho que mais ainda, é a torcida por um bom desempenho do goleiro Akinfeev.

Qual a relação dos órgãos governamentais ligados a Vladimir Putin com o comando da confederação russa de futebol e, consequentemente, dos times do país?
A relação é a melhor possível. Mas vale explicar um pouco como é a política de clubes aqui. A maior parte dos clubes é gerida pelas regiões ou cidades onde eles estão baseados. É o caso, por exemplo, do Terek (agora Akhmat) Grozny, que é baseado na Chechênia e comandado por Ramzan Kadyrov, um dos maiores aliados de Putin. Também há os clubes “privados”, como é o caso do Spartak Moscou ou do Zenit São Petersburgo, este gerido pela Gazprom, a maior empresa do setor de energia do país. Coincidência ou não, os clubes que possuem administrações privadas são os mais ricos e dominam a parte superior da tabela.

No Brasil, há as divisões por estados, sendo que muitos quiseram contar com uma das sedes da Copa de 2014. Na Rússia, como funcionou a divisão para a escolha das cidades que receberão os jogos?
O processo de escolha é pouco transparente. Você envolve questões políticas, desejos regionais e, em certo grau, logística. Inicialmente, o plano era ter 16 estádios em 13 cidades diferentes, mas algumas propostas foram eliminadas. Ao fim, temos 12 estádios em 11 cidades (dois estádios em Moscou). O país foi “dividido” em quatro regiões, mas a maior parte dos jogos será realizada no chamado “Corredor do Volga”, na parte Ocidental da Rússia. Teremos jogos em Ecaterinburgo, os mais orientais, mas também em Kaliningrado, que é um exclave russo entre a Lituânia e a Polônia. Neste caso, dizem as fontes não-oficiais, tem a ver com uma questão de promover o destino entre os europeus e marcar posição na Europa Oriental além-Rússia.

Oblats, Repúblicas, Distritos Autonômos, Krais… Há partes da Rússia, com status políticos especiais, que têm histórico de brigar por independência, como a Chechênia. O fato de sediar a Copa uniu os diferentes povos de toda a Rússia?
A questão da independência foi muito forte durante o processo de quebra da União Soviética, com dezenas de repúblicas querendo ao menos uma autonomia maior em relação a Moscou. Depois do caos dos anos 90, com a chegada de Putin ao poder, esse processo foi sendo controlado, com líderes ideologicamente alinhados ao governo central. Lembre-se que não há eleição para governador na Rússia. Todos os chefes de governos locais são escolhidos pelo governo federal.

Há por parte das autoridades medo de que rebeldes possam tramar algum atentado em meio aos jogos da Copa do Mundo? Publicamente, quais ações preventivas estão sendo tomadas?
Terrorismo não é uma coisa nova na Rússia e, infelizmente, é relativamente comum. A preocupação com um possível ataque é real e as medidas de segurança prometem ser bem rigorosas. A começar pela identificação dos torcedores. Você sabe exatamente quem está no estádio e em qual lugar esta pessoa está. Mas risco sempre existe, embora muito, mas muito baixo.

Com veículos de comunicação reportando suposta relação da Rússia com as eleições norte-americanas e, mais recentemente, envenenamento de ex-espião no Reino Unido. Acredita que seleções podem boicotar a Copa?
Risco zero. Nenhum político no mundo teria coragem para anunciar um boicote esportivo a uma Copa do Mundo. O que podemos ver é a ausência de representantes governamentais. Mas aí é, como dizemos no Brasil, do jogo.

POLÍTICA

Em março, Putin venceu uma eleição marcada pela impossibilidade judicial de disputa de seu maior opositor, Alexei Navalny, e por denúncias de fraude. Agora, um mês passado o pleito, como estão os ânimos políticos do país?
Antes da eleição o clima era de uma resignação misturada a ceticismo. O país não está tão bem economicamente, sofrendo com sanções e pouca sinalização de mudança política em frente. Além disso, a falta de uma oposição forte mina um pouco o interesse da população. Ouvi de muita gente a pergunta “pra quê votar se sabemos quem vai ganhar?”. No dia da eleição, eu estava em Sebastopol, na Crimeia, onde achava que a população iria em peso às urnas. Putin ganhou, 90%, mas com um comparecimento em torno de 75%. Na prática, a eleição passou a ideia de que foi apenas um processo normal. Nada mudou depois disso.

O histórico da União Soviética e o comunismo fazem da Rússia um país forte no, digamos, turismo político?
Quem se interessa em história precisa vir à Rússia. É um destino fascinante em termos históricos. E não apenas em museus. Você consegue ver ruas com nomes de líderes soviéticos famosos, estátuas de Lenin, Marx, imperadores. O turista que quiser ir além do futebol vai ter dias cheios. São Petersburgo e Moscou são cidades em que é impossível caminhar e não pensar que uma parte importante da história moderna se fez presente ali. Com o poderio soviético na Guerra Fria, no Kremlin em Moscou, ou com as histórias de horror do cerco nazista a Leningrado e Stalingrado (hoje São Peterburgo e Volgogrado).

Na parte da comunicação, como funcionam as campanhas políticas na Rússia? A exemplo daqui, há mercado para o chamado marketing eleitoral?
A campanha é bem diferente, bem mais discreta. Há alguns outdoors, algumas propagandas na TV, mas nada ostensivo. Na campanha deste ano, o forte foi a propaganda do governo para que as pessoas fossem votar. Isso tem um motivo: o voto aqui na Rússia é facultativo, mas para o governo era essencial garantir um comparecimento alto para se legitimar a vitória de Putin. Então se cunhou o objetivo eleitoral: 70-70. 70% de comparecimento e 70% dos votos para Putin. No final foi quase isso, 76 (Putin) e 67 (comparecimento).

O ex-presidente Lula foi preso pela Polícia Federal no último fim de semana. A notícia repercutiu na Rússia? Putin e outras autoridades se manifestaram? Qual foi o teor da mensagem?
Foi pequena a repercussão aqui, mas alguns comentaristas críticos aos Estados Unidos deram um pouco de voz às teorias de que Moro estaria a serviço da CIA. O noticiário por aqui está bem pesado com os casos do envenenamento do ex-espião no Reino Unido e a crise na Síria.

IMPRENSA

Como funciona a imprensa na Rússia? Há redes de emissoras de TV e rádio? Jornais independentes? O governo controla os meios de comunicação?
O formato é bem parecido com o do Brasil, com grande concentração dos meios em torno de algumas empresas e pouca imprensa independente. O governo não controla oficialmente, mas os gestores dos meios estão bem alinhados. Você também tem um modelo extensivo de imprensa pública, empresas que não são estatais mas contam com financiamento público. Vale ressaltar que a promoção da visão de mundo russa está prevista nas diretrizes de política externa do governo russo.

Em geral, qual a linha editorial adotada pelos maiores veículos de comunicação? Há apoio explícito às iniciativas de Putin e revolta contra o “imperialismo americano”?
Em tom geral, a cobertura é quase que totalmente pró-Putin. Mídia independente, como disse antes, é bem pequena e jornalistas de oposição não têm uma vida muito fácil. Ano passado, o país ficou na posição 148 no ranking de liberdade de imprensa montado pela ONG Repórteres Sem Fronteiras (o Brasil está em 103º). Sobre o discurso, ele reproduz bem o que pensa o Kremlin e setores mais conservadores da elite política russa. Em alguns casos, como o da RT, existe espaço para comentaristas que atacam o chamado “imperialismo” do ocidente, o que acaba encontrando audiência nos escopos mais radicalizados do espectro político.

Fora a questão envolvendo a prisão de Lula, o que acontece no Brasil costuma ter destaque na imprensa russa? Qual a visão dos jornalistas locais com o nosso país?
O Brasil tem pouco espaço na imprensa local. Geralmente se cobre o factual de internacional, sem muito destaque. Poucos jornalistas aqui foram ao Brasil, então a visão mais comum é aquela dos estereótipos. Mesmo assim, todos sabem, mesmo que basicamente, do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff e da situação de segurança (ou da falta dela).

Para os jornalistas brasileiros, quais os maiores desafios de se trabalhar na Rússia? Nesses dois meses em solo russo, você já enfrentou algum “perrengue”? O que fez para superá-lo?
Como meu trabalho aqui é mais acadêmico, não enfrentei problemas por ser jornalista, mas para quem vem trabalhar aqui com esse objetivo, tenho dois conselhos: siga as regras e aprenda um pouco de russo. A nossa vantagem é justamente ser brasileiro. Geralmente, somos vistos de forma positiva aqui. É uma vantagem nossa é o passaporte azul. Mas imprensa é imprensa, não é um lugar, digamos, para testar os limites do que pode e do que não pode ser feito.

Além da experiência em redação, sendo por seis anos coordenador da editoria internacional da GloboNews, você tem relação com o meio acadêmico. Antes de ir para a Rússia, por meio da Universidade de São Petersburgo, você foi profissional visitante na Universidade de Columbia (EUA), onde se propôs a estudar as mídias russas que atuam no exterior. Há alguma análise a respeito?
A maior questão que encontrei nesses últimos meses foi qualificar a imprensa russa para o público externo, como a RT ou a Sputnik, como sendo imprensa legítima ou apenas uma ferramenta de propaganda do governo russo. A teoria mais fácil é a de que sim, é propaganda. Mas nesse meio termo vamos nos deparar com uma zona cinzenta, onde começa a propaganda e onde termina o viés editorial de um veículo? O que passa a ser propaganda? A propaganda é legítima? Muito se fala, especialmente nos Estados Unidos, de que a mídia estatal de países como Rússia e China é uma forma de propaganda, uma vez que promove interesses estatais. Mas uma imprensa privada que conta com financiamento privado não estaria sujeita a ser uma ferramenta de propaganda? É essa a questão que tento responder. Parece simples, mas está bem longe de ser.

Noam Chomsky adere à campanha pelo Nobel da Paz para Lula

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O filósofo, linguista, cientista cognitivo e ativista político norte-americano Noam Chomsky, considerado um dos principais intelectuais do mundo, aderiu à campanha em defesa do Prêmio Nobel da Paz para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A campanha foi lançada na internet, por intermédio do site Change.org e pelo ganhador do Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel. Na última semana, o arquiteto, escultor e ativista dos direitos humanos argentino tentou visitar Lula na sede da superintendência da Polícia Federal, mas foi barrado pela Justiça.

A campanha pelo Nobel da Paz de Lula já ultrapassou as 240 mil assinaturas. O próximo objetivo é alcançar 300 mil. “O que o Lula fez com na área da política pública, nas políticas sociais, de tirar da pobreza mais de 30 milhões de brasileiros e brasileiras é um fato único no mundo, ninguém fez isso”, defende Esquivel, que saudou a adesão de Chomsky em seu Twitter: “Noam Chomsky se suma a la campaña para que Lula Da Silva reciba el Premio Nobel de la Paz por su lucha contra la pobreza y la desigualdad”, escreveu. (Da Revista Fórum)

Risco e consequência do fim do foro privilegiado

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Por Luis Nassif, no Jornal GGN

Quando o Ministro Luís Roberto Barroso votou a favor da prisão após segunda instância, alguns anos atrás, observei a ele a questão da influência política nos tribunais estaduais e os abusos que poderiam ser cometidos.

Imaginei a seguinte situação: um processo meu que corresse em um Tribunal do Rio de Janeiro por crime de opinião. É conhecida a extraordinária influência da Globo sobre o TJRio. Bastaria uma condenação em primeira instância, confirmada em segunda instância, para haver a prisão, que seria mantida até o caso chegar ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Sua resposta foi óbvia:

– Basta recorrer a um habeas corpus.

Naquela época já estava em formação o eixo Curitiba-Brasilia – Sérgio Moro –>  2ª Turma do TRF da 3ª Região –> Teori/Fachin – e nem se imaginava que o STF voltasse a se curvar ao clamor da turba e rasgar o conceito de habeas corpus.

Todo o abuso foi induzido pelo STF, lá atrás. Como foi induzido o ritmo descabelado de prisões preventivas infinitas de jovens com pequenas quantidades de maconha ou cocaína. Ou seja, o bater de asas de uma borboleta no STF provoca um terremoto das instâncias inferiores.

Digo isso a respeito dessa discussão de fim do foro privilegiado, como se fosse o caminho para acabar com privilégios. O julgamento do foro pula todas as instâncias e vai bater direto na última, com as investigações sendo conduzidas pela Procuradoria Geral da República.

Acabar com o foro traria duas consequências.

A primeira, o liberou geral dos pequenos poderes encastelados nos municípios e na primeira instância. Hoje em dia, multiplicam-se os abusos de promotores e juízes, pretendendo ser o poder absoluto em suas comarcas.

A segunda, a blindagem dos políticos em estados onde o Judiciário é mais suscetível às pressões do governador. Por que a grita geral quando a Procuradoria Geral da República remeteu o processo contra o ex-governador paulista Geraldo Alckmin para o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo? Porque composto por maioria de magistrados paulistas. Ou seja, até a velha mídia entendeu que era uma forma de blindagem. E nada mais foi do que premiar Alckmin com o privilégio de perder o foro privilegiado.

O ex-presidente da República José Sarney conseguiu eliminar dois adversários – Jackson Lago, ex-governador do Maranhão e João Capiberibe, ex-governador do Amapá – simplesmente valendo-se de sua influência nos judiciários estaduais. Capiberibe foi cassado, se não me engano, devido à acusação de ter comprado um eleitor por 10 reais.

Ou, mais recentemente, o que a Justiça fluminense está fazendo com o ex-governador Anthony Garotinho, em um pacto que envolve juízes de primeira instância, procuradores, policiais e tribunais estaduais.

Por outro lado, é só analisar como a justiça paulista julga os casos envolvendo autoridades do Estado, para uma prova maiúscula de blindagem.

Independentemente das implicações posteriores, a abertura de um processo judicial liquida com a carreira da maioria dos políticos. Acabar com o foro, significará conferir o poder de fuzilamento a qualquer promotor associado ao juiz local.

Mais que isso, significará embotar totalmente a atuação federativa, já que cada decisão de impacto nacional sujeitará seu autor às idiossincrasias de qualquer comarca do país.

Juíza impede visita de Dilma, Ciro, lideranças e parlamentares a Lula

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Nesta semana, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva iria receber as visitas de Dilma Rousseff, do presidenciável Ciro Gomes, do ex-ministro Carlos Lupi, do ex-senador Eduardo Suplicy (PT), de líderes estudantis e integrantes do PT, como Paulo Pimenta e Wadih Damous. Mas a juíza de execuções penais Carolina Moura Lebbos não deixou.
Em despacho assinado na tarde desta segunda-feira (23), a juíza da 12ª Vara Federal de Curitiba negou o pedido de alguns dos políticos e o aviso da Comissão Externa da Câmara dos Deputados, criada por parlamentares para vistoriar a Superintendência e as condições em que se encontra preso Lula.
A Comissão havia despachado um comunicado, não solicitando a permissão, mas avisando que iria visitar o ex-presidente, como parte das ações da Comissão Legislativa criada no Congresso. Mas a força-tarefa da Operação Lava Jato foi consultada, e não quis.
Para os “requerimentos de visitas que abrangem mais de uma dezena de pessoas, com anuência da defesa, sob o argumento de amizade com o custodiado”, a justificativa da juíza foi que “o alargamento das possibilidades de visitas a um detento, ante as necessidades logísticas demandadas, poderia prejudicar as medidas necessárias à garantia do direito de visitação dos demais”.
Na última semana, dia 17 de abril, 11 senadores da Comissão de Direitos Humanos do Senado iniciou a vistoria na Superintendência da PF em Curitiba e na “Sala Especial”, que isola Lula do restante dos presos.
Na manhã de hoje, os procuradores da força-tarefa se manifestaram contra a visita da Comissão, alegando que eles já tinham feito a vistoria e que não detectaram irregularidades. A juíza repetiu os argumentos do Ministério Público Federal (MPF) para impedir a visita não só dos parlamentares como de todos os políticos, movimentos e lideranças que iriam visitar o ex-presidente.
“Em data de 17/04/2018 já foi realizada diligência pela Comissão de Direitos Humanos e Participação Legislativa do Senado Federal. Não há justo motivo ou necessidade de renovação de medida semelhante”, disse a juíza.
O deputado Wadih Damous (PT) alegou que iria visitar o ex-presidente na condição de advogado, o que também foi negado: “Os parlamentares estão impedidos de advogar em causas que envolvam a Administração Púbica direta e indireta, bem comoconcessionárias ou permissionárias de serviço público”, adicionou.
A negativa de que diversos políticos visitam Lula, além da própria Comissão parlamentar criada e com competência para realizar o procedimento de visita, vem sendo seguida das negativas da juíza Carolina Moura Lebbos, que já havia impedido o pedido de inspeção feito pelo Prêmio Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel.

São Jorge, o Santo/Orixá da luta e da sobrevivência, é festejado hoje no Brasil

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Por Julinho Bittencourt, na Revista Fórum

Junto aos escravos que chegaram à costa brasileira, a partir da primeira metade do século XVI, empilhados em navios negreiros, vieram os seus Orixás. De acordo com a tradição ioruba, descrita pelo etnólogo e fotógrafo franco-brasileiro Pierre Fatumbi Verger em seu livro “Orixás”, “É sempre Ogum quem desfila na frente, ‘abrindo caminho’ para os outros orixás, quando eles entram no barracão nos dias de festa, manifestados e vestidos com suas roupas simbólicas”.

Ogum ficou conhecido no Brasil como Deus dos guerreiros, “filho mais velho de Odùduà, o fundador do Ifé. Era um temível guerreiro que brigava sem cessar contra os reinos vizinhos”. Ogum é também “o primeiro a ser saudado depois que Exú é despachado. Quando Ogum se manifesta no corpo em transe de seus iniciados, dança com ar marcial, agitando sua espada e procurando um adversário para golpear”, explica Verger.

história de Ogum, bem como de todos os Orixás trazidos pelos escravos, como todos sabem, foi proibida, em mais uma das inúmeras tentativas de afogar a cultura e a religião dos negros. O Orixá guerreiro teve que ser escondido, maquiado, substituído por outro, cuja identidade, tão forte quanto o dele próprio, o substituiu em várias partes do Brasil, sobretudo na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, e se tornou um dos santos católicos de devoção de maior expressão do povo negro do Brasil, o São Jorge.

Nascia, assim, com a chegada dos primeiros negros cativos no Brasil, o sincretismo religioso.

São Jorge foi rapidamente relacionado a Ogum por ser, ele também, um santo de tradição guerreira. Nascido em 275, na antiga região chamada Capadócia, hoje parte da Turquia, Jorge se tornou militar e lutou contra a decisão do imperador Diocleciano de eliminar os cristãos. Foi torturado e degolado por se negar a abandonar a fé cristã.

Já na Bahia, o sincretismo de São Jorge se deu com Oxóssi, também de forma compreensível, pois é o Orixá da sobrevivência, da caça dos animais, da fartura, do sustento. Está nas refeições, pois é quem provê o alimento. É a ligeireza, a astúcia, a sabedoria, o jeito ardiloso para capturar a caça. É um orixá de contemplação, amante das artes e das coisas belas. É o caçador de axé, aquele que busca as coisas boas para um ilé, aquele que caça as boas influências e as energias positivas.

São Jorge, portanto, se tornou um dos santos mais populares do Brasil, sobretudo dos negros e das populações carentes, por ser relacionado diretamente com a luta pela liberdade e sobrevivência. Liberdade de manifestação religiosa e artística, a busca do alimento e da vida plena, bens que, ao longo destes cinco séculos de vida brasileira sempre foram negados ou conquistados a duras penas pela sua grande multidão de de votos.

Vários cânticos e canções foram compostas para São Jorge e Ogum. Jorge Ben Jor musicou lindamente a oração de São Jorge, em “Jorge de Capadócia”. Mais recentemente, os compositores Claudemir Da Silva e Marquinho Pqd fizeram a bela “Ogum”, magistralmente gravada por Zeca Pagodinho, tendo a participação do próprio Jorge Ben Jor declamando, em um emocionante crescendo, a Oração de São Jorge.

ORAÇÃO A SÃO JORGE

Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me vejam, e nem em pensamentos eles possam me fazer mal.

Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar, cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar.

Jesus Cristo, me proteja e me defenda com o poder de sua santa e divina graça, Virgem de Nazaré, me cubra com o seu manto sagrado e divino, protegendo-me em todas as minhas dores e aflições, e Deus, com sua divina misericórdia e grande poder, seja meu defensor contra as maldades e perseguições dos meu inimigos.

Glorioso São Jorge, em nome de Deus, estenda-me o seu escudo e as suas poderosas armas, defendendo-me com a sua força e com a sua grandeza, e que debaixo das patas de seu fiel Ginete meus inimigos fiquem humildes e submissos a vós. Assim seja com o poder de Deus, de Jesus e da falange do Divino Espírito Santo.

São Jorge Rogai por Nós.

FHC é a prova maior do subdesenvolvimento político nacional

 

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Por Luis Nassif, no Jornal GGN

Fernando Henrique Cardoso talvez seja a expressão máxima da mediocridade do pensamento político nacional.

Assumiu a presidência devido à simpatia pessoal que lhe era devotada pelo então presidente Itamar Franco. O Plano Real caiu no seu colo. Produziu desastres de monta no seu período na presidência. Mas, quando saiu, houve um trabalho diuturno da mídia para uma releitura do seu governo que permitisse ser o contraponto do governo Lula.

No seu governo, limitou-se a entregar a gestão da política monetária e cambial ao mercado, sem jamais ter conseguido desenvolver uma proposta para o país, uma visão original ou não. Produziu a maior dívida pública da história, sem contrapartida de ativos, liquidou com algumas vantagens comparativas nacionais, como o custo da energia elétrica, abandonou qualquer veleidade de política social em larga escala, abriu mão da coordenação dos cursos superiores.

Logo após sua saída, fiz uma longa entrevista com ele para meu livro “Os Cabeças de Planilha”, para saber o que pensava sobre diversos aspectos da vida nacional: política de inovação, Pequenas e Médias Empresas, diplomacia comercial, políticas industriais, políticas regionais. Não sabia literalmente nada. Quando indaguei qual o seu projeto para o país, sua resposta foi de um primarismo assustador:

  • Fortalecer os grupos mais internacionalizados (leia-se, bancos e fundos de investimento) e eles, crescendo, conduzirão o país para a modernização.

Agora, publicou um livro com o que áulicos denominam de seu pensamento vivo. O tal pensamento vivo nada mais é do que uma compilação dos princípios originais, que supunha-se guiariam o PSDB, acrescido do componente moral. Pior: foi saudado por alguns analistas como uma revolução no pensamento político nacional.

O que ele propõe é o meio-termo entre o mercadismo desregrado e a estatização desvairada, com as bandeiras recentes do moralismo. Nada além do que o PSDB pregava no seu início.

Eram princípios que tinham como formuladores, na prática e na teoria, Franco Montoro, Mário Covas, Luiz Carlos Bresser Pereira, um conjunto de intelectuais da USP que ou morreram ou debandaram quando, por falta de uso, as ideias emboloraram e foram substituídas pelo discurso de ódio anti-PT e pela superficialidade de FHC.

Jamais saíram do discurso. A ideia de que a privatização tinha que obedecer à análise de cada setor, dentro da lógica de interesse nacional, foi substituída pelo negocismo mais explícito.

Quanto ao moralismo, ora o moralismo.

Tenho dúvidas sobre o apartamento de Paris, se é dele ou dos herdeiros de Abreu Sodré. Mas o apartamento que comprou na rua Rio de Janeiro, em Higienópolis, vizinho de onde eu morava, valia três vezes mais do que o preço que diz ter pago. Sei disso por moradores do próprio edifício. E foi adquirido de um banqueiro ligado aos fundos partidários do PSDB. E FHC se vê em condições morais de atacar o tal triplex de Lula, cuja propriedade jamais foi comprovada.

FHC sempre foi o pândego, o malaca, sem nenhum compromisso de país ou de partido, ou com as ideias. Assim como seu filhote, José Serra, sempre foi um utilitarista de slogans e de uma pretensa formação acadêmica. A propósito, até hoje não foi divulgada a suposta tese de doutorado de Serra nos EUA.

FHC foi guindado pela mídia à condição de estátua equestre, dessas que se coloca em praça pública para celebrar uma lenda que só cresce quando não abre a boca.

Sua figura pública não se distingue apenas pela falta de propostas, mas pela falta de atributos mínimos de caráter, lealdade, generosidade, coragem. Quando explodiu a crise de governabilidade, com o mensalão, todos os ex-presidentes vieram a público exprimir sua responsabilidade de ex-presidente: Sarney, Collor, Itamar. Menos FHC.

Sua vaidade vazia, sua falta de compromisso com as palavras, a superficialidade de suas ideias, é a maior mostra do subdesenvolvimento brasileiro. A tentativa de colocá-lo como contraponto a Lula, a prova maior da inviabilidade de um certo tipo de pensamento de direita.

Remo Lions vence o 1º Re-Pa de futebol americano

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Surge uma nova modalidade para apimentar a centenária rivalidade entre azulinos e bicolores. No domingo, 22, foi realizada a 3ª rodada do Campeonato Paraense de Futebol Americano, na Escola Superior de Educação Física, e o Remo Lions derrotou o Paissandu Lobos FA por 14 a 12. O jogo é histórico: foi o primeiro Re-Pa de futebol americano realizado no Pará.

A disputa entre Lions e Lobos foi equilibrada, sendo que os alvicelestes Paysandu Lobos FA e Remo Lions teve bastante equilíbrio. Os bicolores chegaram a estar em vantagem, sofreram a virada com um touchdown no fim da partida.

“Estou muito feliz. Isso demonstra que o treino forte que nós fizemos durante semanas deu resultado. Nossa vitória foi o resultado intensivo dos nossos treinamentos”, disse Tácio, atleta de linha de ataque do Remo.

No outro jogo, os Vingadores superaram o Legião Amazon por 41 a 19. Foi a terceira vitória seguida e o time segue invicto, liderando o campeonato.

Papão tenta recuperar atletas para a decisão da Copa Verde

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Em terceiro lugar na classificação da Série B, com 6 pontos ganhos e aproveitamento de 100%, o Paissandu voltou aos treinos na manhã de domingo, após derrotar o Londrina na sexta-feira. A grande preocupação de Dado Cavalcanti é que a quantidade de atletas entregues ao departamento médico. Danilo Pires, Fernando Timbó, Cáceres, Mateus Miller e Pedro Carmona seguem em tratamento. Nando Carandina sentiu desgaste muscular e Renato Augusto se recupera de uma virose.

“Esse início da nossa equipe na Série B tem sido muito bom, animador. Claro que muita água vai rolar ainda na competição e estamos cientes das dificuldades dela, mas começar desta forma motiva. Estamos evoluindo bastante e confiantes. Isso é importante neste momento da temporada. Nossa equipe está trabalhando para melhorar ainda mais nosso rendimento nas próximas partidas de 2018. Acredito que vamos evoluir muito ainda. A tendência é essa”, disse o volante Nando Carandina, que não participou do treinamento.

Na quarta-feira, o PSC enfrenta o Atlético-ES na primeira partida da decisão da Copa Verde. Dado junta informações sobre o adversário para repassar aos jogadores.

“A gente vai tentar, paulatinamente, nesses dois dias (sábado e domingo) ir passando as informações importantes e necessárias, sem encher demais a cabeça dos atletas com muita coisa. O mais importante de tudo isso vai ser a nossa forma de jogar, vai ser como a gente vai entrar em campo para essa primeira decisão, quarta-feira, e eu espero que a gente tenha a competência necessária para trazer, quem sabe, alguma vantagem para o jogo da volta”, afirmou o técnico, que espera contar com o meia Pedro Carmona na final.

Atlético-ES e Paissandu jogam na quarta-feira, às 21h30, no estádio Kleber Andrade, em Cariacica.