Para botar a mão na taça

Dav4sLWXkAAao9v

POR GERSON NOGUEIRA

A primeira partida, fora de casa, de uma decisão é muitas vezes pouco valorizada pelos técnicos e jogadores. Há aquela perigosa sensação de onipotência gerada pelo fato de fazer o confronto final diante da própria torcida. No ano passado, o técnico Marcelo Chamusca agiu assim e se deu mal diante do Luverdense, perdendo na ida e não conseguindo reverter na volta.

Naquela ocasião, Chamusca achou que podia se dar ao luxo de correr um risco calculado, mesclando o time e poupando jogadores para a final do Campeonato Paraense. A estratégia mostrou-se desastrosa, pois o Luverdense aproveitou muito bem a situação para se impor em casa e jogar sem medo no Mangueirão.

Desta vez, Dado Cavalcanti não demonstra intenção de repetir o equívoco. Vai com a força máxima a Cariacica para enfrentar o Atlético-ES, equipe emergente e ainda sem grande histórico em decisões. Na Copa do Brasil deste ano, o Galo capixaba foi derrotado em casa pelo Remo de Ney da Matta, sem mostrar grandes recursos.

Para manter a sequência vitória, Dado deve manter a configuração com três zagueiros, que começou a ser utilizada nas semifinais do Parazão. Por isso, deve preservar a formação que começou a partida de sexta-feira contra o Londrina.

Renan Rocha (foto), que deu à defesa mais segurança, é o titular no gol. Maicon Silva volta à ala direita e Renato Augusto será o responsável pela parte, digamos, mais criativa do meio-campo. E este é o desafio da equipe: render ofensivamente sem contar com um articulador capaz de formular jogadas no meio-campo.

Contra o Londrina, mesmo sem criatividade na armação, o time achou o caminho do gol num lance de infiltração de Moisés na área e garantiu a vitória. Talvez Dado aposte em nova manobra feliz do ataque para arrancar um bom resultado em Cariacica. A conferir.

——————————————————————————————-

Observações sobre os brasileiros na Champions

O Liverpool é, seguramente, um dos times mais surpreendentes desta reta final da Liga dos Campeões. O ataque temível, juntando jogadores de três nacionalidades – o egípcio Salah, o senegalês Mané e o brasileiro Roberto Firmino – trucidou o fortíssimo bunker da Roma, ontem, na cidade que gerou os Beatles.

Do final do primeiro tempo à metade do segundo, o Liverpool foi arrasador. Cada ataque gerava um gol, sendo que Salah assinou o mais plástico de todos, justamente o tento inaugural, chutando do bico da grande área direto na forquilha onde as corujas costumavam dormir nos campinhos de pelada.

Salah, por mérito, já ameaça o favoritismo de Messi e CR7 na premiação da Fifa para os melhores do ano. Mané foi o menos participativo dos três, mas ainda assim deixou sua marca.

Firmino confirmou a excelente fase na temporada, fazendo dois gols, além de dar duas assistências primorosas para Salah definir. Nunca fui lá muito fã do futebol meio tímido de Firmino na Seleção Brasileira. Talvez essa postura tenha impedido que assumisse a titularidade até hoje.

Com dois gols no final do jogo, a Roma continua a respirar na disputa. No gol romanista, o brasileiro Alisson não pode ser acusado de nenhuma falha, embora talvez pudesse ter sido mais ágil para cortar o passe de Salah para Mané no terceiro gol.

No geral, porém, teve atuação que pode ser considerada correta. E é justamente aí que mora o perigo. Alisson, todo mundo sabe, prima pela correção, é quase um burocrata debaixo dos três paus. Tem boa colocação e não faz malabarismos, mas parece incapaz de fazer as chamadas defesas impossíveis e arrojadas.

Os grandes goleiros se diferenciam justamente por ir além do que se considera normal. Buffon é Buffon porque sempre foi o obstáculo final naqueles lances que todos consideram como gols certos.

Como Júlio César, que acaba de pendurar as luvas, Alisson não pode oferecer nada de espetacular. Como é correto, há quem goste, mas eu prefiro os que fazem a diferença.

——————————————————————————————

Ecos do 9º aniversário do blog campeão

“Nossa, já se passaram nove anos. Gostaria em primeiro lugar de agradecer por todo o seu esforço em manter este blog. É muito raro um dia em que não dê pelo menos uma espiada e mais raro ainda ter uma postagem que não tenha pelo menos passado o olho. Agradeço principalmente porque ao longo desses nove anos você participou da minha formação pessoal, sobretudo política. Mudei a minha forma de ver muitas coisas do dia a dia graças às suas postagens. Parabéns pelo aniversário e que este espaço democrático nunca se acabe”.

Por Filipe Dias Rocha, um dos baluartes do boteco virtual

——————————————————————————————-

Direto do blog

“A Senhora das vitórias! A maior das vitórias!

O maior feito de um clube paraense! Qualquer palavra não definirá o que fez aquele Paissandu. Possivelmente, o Paissandu foi o único clube a ganhar o Boca na Bombonera com um jogador a menos (coisa pouco comentada até hoje). Sou feliz por ter vivido aquele dia. Feliz por lembrar cada detalhe daquela noite. Sou imensamente feliz por ser Paissandu, o clube dos maiores feitos na Amazônia brasileira.”

Carlos Lira, rememorando a épica vitória alviceleste na Bombonera

(Coluna publicada no Bola desta quarta-feira, 25)

Decisão do STF anula ‘juízo de exceção’ criado pela Lava Jato, diz defesa de Lula

lava-jato-1-600x309

É cedo para analisar o impacto da decisão do STF de retirar de Sergio Moro trechos da delação da Odebrecht que citam Lula, incluídos aí os processos do sítio de Atibaia e do Instituto Lula. Não haveria, entenderam os ministros da Segunda Turma num placar de 3 a 2, causa e efeito entre as denúncias e as supostas vantagens recebidas no alegado esquema.

Pela reação da Lava Jato, ou ausência dela, o baque foi sentido. “O Juiz federal Sergio Fernando Moro não irá se manifestar sobre este assunto”, disse em nota a assessoria da Justiça Federal no Paraná.

A “força-tarefa” ainda está analisando o quadro e a PGR destacou que vai analisar se recorrerá da decisão. A defesa de Lula, por seu lado, foi rápida.

“A decisão proferida pela Segunda Turma do STF confirma o que sempre foi dito pela defesa do ex-Presidente Lula. Não há qualquer elemento concreto que possa justificar a competência da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba nos processos envolvendo o ex-presidente”, declarou Cristiano Zanin Martins.

“Entendemos que essa decisão da Suprema Corte faz cessar de uma vez por todas o juízo de exceção criado para Lula em Curitiba, impondo a remessa das ações que lá tramitam para São Paulo”. (Do DCM)

Solitária ‘chic’ de Lula fere as Regras de Mandela

DaDM23BWsAAEfvd

Por Nabil Bonduki (*)

Não vou entrar no bate-boca sobre se a condenação de Lula foi ou não correta. Nem se ele é ou não um preso político. O fato é que sua condenação pela lei penal, legitima ou não, teve objetivo político: impedir que ele participe ou interfira nas eleições deste ano.

A agilidade do seu processo foi excepcional. Mesmo que os prazos tenham sido os que deveriam ser os corretos, sem protelação, eles foram diferenciados em relação aos processos de outros políticos relevantes para a disputa eleitoral ou de qualquer réu.

O roteiro seguiu o calendário eleitoral. Sua prisão ocorreu em 7 de abril, a exatos seis meses das eleições. Agora isso se completa, com um regime prisional que tem o claro objetivo de impedir o contato de Lula com o mundo externo.

O Judiciário impede visitas, salvo advogados e familiares, impondo-lhe um regime de semissolitária, que parece ter dois objetivos combinados: impedir que ele possa ter contatos políticos com amigos e tentar levá-lo à depressão.

O regime contraria as Regras de Mandela, normas que devem reger o sistema penal, aprovadas pela Assembleia Geral da ONU em 2015, com a participação ativa do Brasil.

Sua Regra 58 afirma que os presos “devem ter permissão, sob a supervisão necessária, de comunicarem-se periodicamente com seus familiares e amigos: (a) por correspondência e telecomunicações, meios digitais, eletrônicos e outros; e (b) por meio de visitas”.

Pela Regra 3, “o encarceramento e outras medidas que excluam uma pessoa do convívio com o mundo externo são aflitivas por retirar destas pessoas o direito à autodeterminação— ao serem privadas de sua liberdade. O sistema prisional não deverá agravar o sofrimento inerente a tal situação”.

A Regra 43 diz que “em nenhuma hipótese devem as restrições ou sanções disciplinares implicar em (…) sanções cruéis, desumanas ou degradantes”. E completa: “As seguintes práticas, em particular, devem ser proibidas: … (b) Confinamento solitário prolongado”.

É notável o esforço em se dar à detenção de Lula a aparência de normalidade da lei penal. Não se pode falar estritamente “confinamento solitário prolongado”, pois ele pode receber familiares. Mas não seria uma “sanção cruel” impedir Lula de conversar com amigos?

Pode parecer um privilégio aprisioná-lo em uma sala de “Estado-Maior”, um quarto individual com cama, mesa, banheiro e iluminação. Mas essa deveria ser a normalidade do sistema prisional, pois é o básico que as Regras de Mandela determinam como requisitos de alojamento.

A cela de Lula pode parecer um alojamento “padrão FIFA”. Na verdade, é uma solitária chic, sem janela, física e simbólica, para o exterior.

(*) Arquiteto e professor da USP

Direto do Twitter

DbbgNc3WkAAJmHJ

Na Alemanha, homem faz saudação nazista em provocação a manifestantes de direitos humanos e refugiados. Um policial se aproximou, abaixou os braços do fascista e lhe informou que será processado por “uso de gestos imputáveis às organizações institucionais”. Pena: 3 anos de prisão. (Por Pedro Machado, no Twitter)

Felizmente, ainda há quem leve a sério esse negócio de combater fascistas.