Sport é campeão de 87 e ao Fla só resta o chororô

 

Após anos de uma batalha jurídica envolvendo Flamengo e Sport, a novela envolvendo a Copa União de 1987, enfim, teve um desfecho formal. Após a maioria dos ministros do Superior tribunal Federal (STF) darem ganho de causa aos perambucanos, a matéria foi dada como esgotada e não cabe mais discussão quanto ao título brasileiro do Leão. A decisão transitou em julgado na última sexta feira, o que significa que estouraram todos os prazos legais para que o Flamengo tentasse reverter a derrota. O processo já teve a sua baixa definitiva efetuada.

Em 1987, o time de Recife foi o campeão do Módulo Amarelo e o Flamengo levou o Módulo Verde da Copa União (torneio organizado pelo Clube dos Treze). No entanto, o clube carioca e o Internacional (segundo do Módulo Verde) se recusaram a jogar um quadrangular organizado proposto pela CBF com Sport e Guarani (o vice do Amarelo) para definir o campeão brasileiro e os representantes da Libertadores do ano seguinte. Guarani e Sport se enfrentaram novamente e os rubro-negros foram os campeões. (Do UOL) 

Para reflexão

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Por Glauco Lima, no Facebook

Quando começou noticiário da febre amarela em SP, muita gente nem pensou, correu pra matar macaco. Quando mataram a vereadora, muita gente nem pensou, correu para atacar os direitos humanos.

Os macacos não transmitem febre. Os que morreram depois das picadas de mosquito, perderam a vida e com isso acabaram ajudando a salvar humanos, ao indicar as áreas de incidência da doença.

Os direitos humanos não defendem bandido. Os quem morrem por defender direitos humanos perdem a vida para salvar humanos, inclusive os que têm ideia distorcida de direito humano.

Empresária celebra escravidão em aniversário “top” para a filha

Debutante se vestiu de sinhá e jovens negros foram fantasiados de escravos. Cenas causaram revolta nas redes e OAB do Pará pedirá providências

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Por Nathane Dovale (Ponte), no El País

Na mesma semana do assassinato da vereadora Marielle Franco, negra e militantes dos direitos humanos, uma empresária do Pará postou nas redes fotos do ensaio para a festa de aniversário da sua filha de 15 anos, com o tema “Imperial Garden”, que faziam referência à escravidão.

A Seccional do Pará da Ordem dos Advogados do Brasil anunciou que vai enviar uma representação para o Ministério Público do Pará (MPPA) para pedir providências. “Estamos analisando o caso e devemos encaminhar a representação para que o MPPA convoque a agência responsável pela celebração e proponha ao menos um ajuste de conduta, para que ela se comprometam a nunca mais realizar esse tipo de celebração”, afirmou o presidente da Comissão de Defesa da Igualdade Racial, Etnia e dos Quilombolas no Pará da OAB/PA, Jorge Farias, ao Diário do Pará.

Quando as imagens viralizaram, em um dia significativo para a comunidade negra, quando a pauta do racismo foi uma das principais das redes sociais, a repercussão da “festa top” também apareceu.

Pediu desculpas, mas voltou atrás

A empresária mãe da adolescente negou a acusação de racismo, em entrevista ao G1. “O racismo é uma acusação pesada. Em nenhum momento passou pela nossa cabeça menosprezar uma raça, tanto que em nossa família existem negros e índios”, afirmou. Na entrevista, a empresária ameaçou processar as pessoas que compartilharam as imagens na rede fazendo o que ela chamou de interpretações “de forma deturpada”.

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Após a repercussão negativa, a empresa Cerimonial Lorena Machado deixou suas redes sociais restritas aos seguidores. Num primeiro momento, pediu desculpas pela atitude, mas em seguida voltou atrás. No post de arrependimento, a empresa de cerimonial dizia que, no dia 14, haviam preparado “um ensaio fotográfico de um aniversário de 15 anos, cujo tema é Imperial Garden” e que depois viram a reação de pessoas relacionando as imagens com racismo. E pedia perdão em letras maiúsculas:

Logo depois, o post de desculpas foi apagado. Ao BuzzFeed Brasil, a empresa disse que o post de arrependimento havia sido feito por um de seus funcionários sem sua autorização e que a festa será realizada no próximo dia 26.

Racismo romantizado

Ouvido pela Ponte, o professor de alemão da Universidade Federal do Pará (UFPA) Hewerton Barros contou que achou a atitude abominável. “Sobretudo porque remete a tempos difíceis para nós negras e negros, tempos que vêm sendo sempre reeditados. Banalizar isto desta forma só deixa mais clara a condição a qual querem que nós negras e negros estejamos sempre submetidos”, disse.

A estudante paraense Deise Moreira destaca que, no Pará, é comum as pessoas não reconhecerem que há racismo e que as instituições de ensino médio e superior não retratam a história negra como deveriam. “Atualmente, o povo paraense mal sabe o que é Cabanagem e só lembram da Adesão do Pará à Independência por causa do feriado estadual. O racismo começa aí, quando ‘esquecem’ que a maior revolta popular do Brasil foi perpetrada por negros e indígenas.”

“Em um país que viveu do século XVI ao XIX a infelicidade de ter como base de sua sociedade a escravidão e que vive, hoje, um momento de ampla discussão sobre as questões raciais que o afligem, é inadmissível que um processo tão dolorido seja tratado de forma romanceada”, afirma a historiadora Geisi Matos, aluna de mestrado da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em História Social.

Geisi completa que a atitude é problemática e resgata uma clássica discussão que a História vem combatendo há anos: a ideia de que negros e brancos teriam vivido de forma “paternalista, branda e conciliatória a escravidão”. “Além disso, a atitude liga a história do negro no Brasil apenas à sua participação na escravidão, o que é leviano, já que a história dos negros e negras no Brasil é feita de muito protagonismo e luta, fato que não pode ser invisibilizado dessa forma”, explica a historiadora. (Transcrito do El País) 

Direito de resposta amparado na Lei 13.188/2015

Em atenção à solicitação encaminhada pelos advogados que representam a médica Mayra Pinheiro, presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará e participante do projeto político Renova BR, o blog publica texto correspondente a direito de resposta e esclarecimento por matéria veiculada no blog, no último dia 09 de fevereiro, sobre a formação do grupo ligado ao apresentador Luciano Huck.

Abaixo, a nota encaminhada ao blogueiro pelo escritório Peter, Dantas & Melo Advogados Associados, de Fortaleza-CE:

“Entre os dias 03 e 09 de fevereiro deste ano, a participação e seleção da médica e atual presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará, Mayra Pinheiro, no Renova BR, projeto criado com o propósito de acelerar novas lideranças políticas e renovar o Congresso Nacional, originou equivocada e falaciosa notícia em veículo online, listados abaixo: 

É lamentável que o conteúdo veiculado contrarie o compromisso fundamental do jornalista, que é com a verdade dos fatos, pautando-se pela precisa apuração dos acontecimentos e sua correta divulgação, conforme Art. 7º do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros.

Nesse contexto, faz-se necessário ressaltar que o RenovaBR não é um partido político. Trata-se de um projeto criado pela sociedade, para a sociedade, cujo foco principal é a formação de lideranças éticas, motivadas a servir e construir um País melhor.

A possibilidade de integrar o projeto que envolve alguns dos maiores especialistas do Brasil ensinando temas como conhecimentos de campanha, comunicação, autoconhecimento, economia, ciência política e desafios do País, foi o que motivou a médica Mayra Pinheiro a inscrever-se e não o “auxílio das bolsas”, como ‘sugerido’ em outra reportagem. Sobre o qual, inclusive, a jornalista omitiu a informação que a referida médica assinou termo, abrindo mão do citado apoio financeiro.

Nas notícias também foi omitida a informação de que, entre os critérios eliminatórios para a seleção do Renova BR, estava o pensamento extremista ou qualquer histórico de comportamento antiético. O que de pronto excluiria a inverídica atribuição, à dra. Mayra Pinheiro, de envolvimento em episódio – ocorrido em 2013 – de vaias a médicos cubanos, assunto anterior e oportunamente esclarecido, como uma tentativa de macular a honra e a integridade da citada, em detrimento de sua efetiva trajetória em defesa da qualidade da Medicina brasileira e da Saúde Pública”. 

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Nota do Editor:

1) A exposição encaminhada pelo escritório de advocacia que representa Mayra Pinheiro refere-se a “reportagens”, termo que não se aplica à postagem, que é una e sem textos sequenciados. Em outro trecho fala em “outra reportagem”, não esclarecendo qual exatamente. A matéria do site Pragmatismo Político transcrita pelo blog cita realmente o “auxílio das bolsas”, mas não em sentido pejorativo, caluniador ou incriminatório.

2) Do ponto de vista do rigor jornalístico, é interessante destacar o desmentido formal e enfático sobre a participação de Mayra Pinheiro em grupos que hostilizaram duramente nas redes sociais médicos cubanos trazidos ao Brasil pelo Programa Mais Médicos, em 2013, bem como a negação da essência político-partidária do projeto Renova BR e a informação de que teria aberto mão (em termo assinado) da mencionada bolsa, estipulada entre R$ 5 mil e R$ 12 mil.

Fogão anuncia o uruguaio Rodrigo Aguirre como reforço para a Série A

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Muito aguardado pela torcida, Rodrigo Aguirre foi anunciado de forma oficial pelo Botafogo nesta quinta-feira. Cedido pela Udinese, o atacante de 23 anos assinou por empréstimo até o meio do ano que vem e, ao menos por enquanto, não tem um número definido para utilizar. A entrevista coletiva de apresentação do uruguaio será nesta sexta-feira, às 13 horas, no Estádio Nilton Santos, antes do treino.
Aguirre, cabe destacar, não poderá disputar o Campeonato Carioca, uma vez que as inscrições do Estadual estão encerradas. O uruguaio vem passando por exames médicos e treinando à parte desde a semana passada, quando desembarcou no Rio de Janeiro.
O clube e boa parte da torcida, aliás, estavam receosos quanto ao condicionamento físico de Aguirre, que passou por uma cirurgia no menisco do joelho direito, realizada no fim de 2017. Está sem atuar desde novembro.
O período de inatividade e um tempo maior para recuperar-se e chegar tinindo no Brasileiro foram aspectos comemorados pelo gringo.

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– Após lesão e operação, preciso de tempo para me pôr em condições. Mas estou feliz. Espero estar pronto o mais rapidamente possível. Estou bem, sem dor. Não vinha trabalhando muito porque não tinha um clube, mas já se passaram três meses da cirurgia – reiterou, na chegada ao Rio, na quarta.
Também procurado pelo Fluminense e já elogiado por Alberto Valentim, Aguirre chega para brigar por vaga em todos os setores de ataque. Quando enfrentou o Alvinegro pelo Nacional-URU, ele foi centroavante. Porém, como atua também pelos lados do campo, a disputa poderá incluir com Ezequiel e Rodrigo Pimpão, atual titulares, além de Kieza, a referência do Alvinegro. (Do Lance!) 

Direto do Twitter

“Quem acredita que Temer, Jungmann, Villas Bôas, Raquel Dodge, Lusco Fux, Braga Netto, Pezão, Rodrigo Maia, Eunício Oliveira, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes são defensores dos direitos humanos acredita em qualquer coisa, diria um saudoso colega.”

Palmério Dória, jornalista e escritor

Como nos protestos de 2013, Globo tenta pegar carona no clamor despertado pela morte de Marielle

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Por Kiko Nogueira, no DCM

A Globo está fazendo uma cobertura extensa sobre uma pessoa que, viva, jamais foi lembrada pela emissora. Desafio você a encontrar registros de entrevistas, análises ou mesas redondas com Marielle Franco.

Ou uma mísera menção a seu trabalho por parte dos jornalistas que ali militam. Não tem nada, por razões óbvias. Marielle, vereadora do Psol, defendia o oposto do que o grupo defende.

Seu ativismo pelos negros pobres das favelas, denunciando o abuso policial cotidiano, as chacinas diárias, simplesmente nunca coube na grade.

Mais recentemente, ela tornou-se crítica ferrenha da intervenção militar e relatora de uma comissão para acompanhar o Exército.

De uma hora para outra, gente como Merval Pereira, com sua dicção claudicante, passa a falar em “direitos humanos”, duas palavras que Merval não usa juntas, provavelmente, desde os bancos da escola nos anos 40.

Gerson Camarotti, com seus bastidores inúteis sobre um governo corrupto e golpista, fala em “atentado à democracia”. Eliane Cantanhêde decreta que “o Brasil despertou”. E por aí vai.

A Globo é cúmplice desse estado de coisas, inventou a farsa interventora com Temer e tenta agora sequestrar um cadáver e uma ideia que lhe são absolutamente antagônicos.

Foi assim também nos protestos de 2013. No início eram “vândalos” atentando contra o “estado de direito”, “vagabundos” etc.

Assim que o vento soprou para a direita, com as milícias tipo MBL tomando conta, a Globo acertou a rota e abraçou a causa.

Deu no que deu.

Está fazendo a mesma coisa com uma mulher cuja execução covarde fez despertar as ruas. Infelizmente, Marielle não está aqui para dizer a esses abutres “tirem as mãos de mim”.

Mas nós estamos e isso precisa ficar claro antes que seja tarde.

As corporações muito vivas

Por Kennedy Alencar

Além da controversa legalidade de greve de magistrados, a paralisação de ontem dos juízes federais mostrou desconexão com a sociedade e irrealismo fiscal. A Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil) fez um balanço. Segundo a entidade, houve adesão de 62% dos associados. O movimento foi convocado para defender o auxílio-moradia e reivindicar reajuste salarial de 40%.

Segundo alguns advogados e professores de direito, seria ilegal juiz fazer greve. Mas, mesmo que magistrados tivessem tal direito, as reivindicações são absurdas.

A defesa do auxílio-moradia, um penduricalho para ultrapassar o teto constitucional, não tem fundamento ético. Também é um pagamento controverso do ponto de vista legal _uma forma de descumprir o teto constitucional, como salário indireto, disfarçado.

O pior, porém, é invocar o combate à corrupção para defender esse privilégio, como se acabar com essa mordomia fosse uma perseguição ao trabalho dos juízes. É uma mistura de hipocrisia e esperteza usar esse argumento.

Justamente porque há um maior combate à corrupção no Brasil, a sociedade não tolera mais determinadas práticas. O combate à corrupção é um motivo a mais para acabar com o auxílio-moradia.

Aliás, será preciso acompanhar com lupa a decisão que o STF tomará na semana que vem a respeito desse assunto. Não pode resultar apenas num julgamento para restringir o auxílio-moradia, mas numa determinação para acabar com uma farra criada por liminar do ministro Luiz Fux. O Supremo não pode ceder ao pior tipo de corporativismo.

O pedido de reajuste de 40% não faz nenhum sentido. O atual salário já é fruto da incorporação de diversos penduricalhos feitos no governo Lula, mas a farra foi voltando ao longos dos anos.

Essa reivindicação é uma afronta à sociedade. Demonstra gula econômica. O Brasil vive enorme crise fiscal. Mais uma vez, uma parcela da elite, uma casta de funcionários públicos, comporta-se como se fosse dona do Estado, com direito a privilégios e mordomias.

Juízes não ganham pouco. Magistrados, com seus supersalários, são exemplos do patrimonialismo brasileiro. Gastos sociais importantes em saúde e educação sofreram queda. Falta dinheiro para políticas públicas destinadas aos mais pobres. Não há dinheiro sobrando para a educação e a saúde, mas os juízes querem ganhar mais. Em que país vivem esses magistrados?

A elite tem responsabilidade maior numa hora de crise. Deveria fazer sacrifícios em vez de defender o indefensável. Seria importante que vozes importantes, como as do juiz federal Sergio Moro e do procurador da República Deltan Dallagnol, fossem ouvidas a respeito disso. Afinal, eles têm opinião sobre diversos assuntos e exercem uma liderança no Judiciário que é paralela à do STF.

Ontem, enquanto milhares de pessoas protestavam contra o assassinato da vereadora Marielle Franco e choravam a morte covarde dela, juízes federais se comportaram como Marias Antonietas, para usar uma definição adequada do jornalista Fernando Brito. Ontem foi realmente o dia da vergonha no Brasil, com privilegiados defendendo sem pudor os seus brioches, mas o país real era e é o de Marielle Franco.

Resistir é preciso

Reações que culparam a vítima foram significativas nas redes sociais ao longo dia de ontem. Sempre são surpreendentes e assustadoras a falta de solidariedade em relação à dor alheia e a facilidade para agressões autoritárias e gratuitas. Essas coisas se tornaram comuns no Brasil.

Mas, num dia tão triste como o de ontem, houve motivo para encontrar alguma alegria: ver a reação de milhares de pessoas que foram às ruas para homenagear e honrar a vida e a luta de Marielle Franco. É preciso resistir em defesa da civilização, contra a barbárie que é do agrado de figuras execráveis da vida pública e dos pequenos fascistas que saíram do armário.