Janio: ‘Temer tem QI para não depositar propina na própria conta’

Da coluna de Janio de Freitas, na Folha de SP:

Em tempos de Lava Jato, como o ano passado, receber suborno e depositá-lo na própria conta bancária, com o agravante de ser pessoa já em complicações, demonstraria um coeficiente de inteligência invernoso: abaixo de zero. É, no entanto, o Michel Temer esboçado pela Polícia Federal, no pedido de quebra do sigilo bancário do seu suspeito de emitir um decreto, em 2017, para favorecer empresas operadoras no porto de Santos.

Mesmo sem muito otimismo, é reconhecível que o chamado QI de Temer está acima de zero. Além disso, em recente advertência ao país e, portanto, à PF, Moreira Franco dizia na Folha: “Aqui [no Planalto] não tem amador”. Já sabíamos, há muito tempo, que na Presidência o chefe só reuniu profissionais. Embora às vezes haja erros típicos de amadores, como fez Geddel Vieira Lima. É a interferência do QI. Mas a lembrança de Moreira foi oportuna.

Sobretudo porque é sempre esquisito o inquérito que apura só um pontinho da longa relação entre Michel Temer e o porto de Santos. A pedida quebra de sigilo, por exemplo, oferece ao investigado possibilidades equivalentes às 50 perguntas que recebeu da PF. As quais não eram para ser divulgadas, porque indagavam coisas do tipo “recebeu suborno [ou propina]? Tem ligação com…?” Interrogatório para respostas negativas, inocentadoras, mas figurando como interrogatório e investigação.

A mais do que provável inexistência de depósitos impróprios no movimento bancário de Temer leva ao mesmo: mais uma vez, nenhum indício de ilegalidade. Não por acaso, tão logo divulgada a autorização da quebra de sigilo, a Presidência comunicou que os extratos bancários de Temer seriam exibidos aos repórteres.

Um plano combinado? A polícia vive de suspeitas. Na era dos profissionais, estamos obrigados a viver assim também.

(…)

Peixe genérico testa o Papão

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POR GERSON NOGUEIRA

As dificuldades impostas pelo Santos-AP na Copa Verde do ano passado ao Leão (principalmente) e ao Papão ainda estão vivas na memória dos torcedores. Depois de eliminar o Remo com extrema facilidade, chegando a aplicar uma goleada no jogo em Macapá, o alvinegro amapaense encarou o PSC de igual para igual, arrancando um empate no jogo realizado em São Luís e caindo finalmente no confronto em Belém.

Por tudo isso, é natural que a comissão técnica do PSC venha alertando o elenco para os riscos que o cruzamento com o time de Macapá pode oferecer. Não por acaso, o técnico Dado Cavalcanti teve o cuidado de poupar alguns titulares na partida contra o S. Raimundo, pelo Parazão, a fim de contar com força máxima no jogo desta noite, no estádio Zerão.

É uma providência que distingue Dado de outros técnicos que passaram por aqui e viam a Copa Verde como uma competição de importância menor, esquecendo a importância que a conquista do torneio tem para os torcedores e a vantagem de poder entrar nas oitavas de final da Copa do Brasil com valiosa bonificação em dinheiro.

Marcelo Chamusca, no ano passado, priorizou a decisão do Estadual e escalou um time mesclado contra o Luverdense. A derrota custou caro ao Papão, que não conseguiu reverter o resultado no confronto de volta. A ideia infeliz marcou também a passagem de Chamusca pela Curuzu, pois a torcida jamais esqueceu o episódio.

Contra o Santos, Dado volta a usar o time que derrotou Parauapebas, Interporto-TO e Castanhal agradando em cheio e obtendo ótimo aproveitamento: três vitórias, 10 gols marcados e apenas um sofrido.

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Mike, o principal símbolo dessa nova era, é figura destacada no esquema de três atacantes empregado por Dado. À frente do lateral Maicon Silva, ele joga ao lado dos demais atacantes, voltando para ajudar na composição do meio-campo quando necessário. Nas manobras de ataque, ele é sempre o segundo homem posicionado na área, ao lado de Cassiano.

Com Mike liberado para flutuar da direita para o centro do ataque e finalizando mais que os outros dianteiros, o PSC alcançou seus melhores resultados desde a chegada de Dado. Até então, o atacante vinha aparecendo timidamente, sem achar espaço no desenho utilizado pelo ex-técnico Marquinhos Santos.

Diante do sempre aguerrido Santos, o PSC de Dado terá a oportunidade de mostrar que o time titular está realmente em fase ascendente, adquirindo entrosamento e força ofensiva a cada novo jogo.

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A importância de Brasília para o meio-campo azulino

Será mais sentida do que parece a possível ausência de Leandro Brasília no time azulino para o Re-Pa de domingo. A importância dele está no fato de ser o único volante que tem bom passe entre os meio-campistas do elenco remista. Fernandes, que até começou bem, caiu de rendimento nos últimos jogos. Brasília foi o único que evoluiu, mostrando qualidade na marcação e na saída para o ataque.

Caso não possa contar com ele, Givanildo Oliveira ficará emparedado entre duas opções de força e extrema dificuldade para contribuir com a transição no meio: Geandro ou Felipe Recife. Entre os dois, Felipe é de longe o menos errático. Atuou muito bem diante do Inter pela Copa do Brasil, mas acabou perdendo espaço com a saída de Ney da Matta.

Outra opção, menos óbvia, seria a utilização de Jefferson Recife no papel de segundo volante, justamente por ter mais habilidade para a aproximação com o ataque. O ponto negativo é que o Remo perderia muito em força de combate no meio.

Givanildo não definiu a escalação, mas prestigiou nos treinos da semana a formação que jogou em Marabá. Por uma questão de estilo, é improvável que adote alguma ousadia para o clássico. Mesmo correndo sérios riscos com Geandro na marcação, é quase certo que o comandante vai preferir não mexer na equipe que obteve duas vitórias nos dois últimos jogos.

De toda sorte, as atribulações de Givanildo só reforçam a necessidade urgente de fortalecer setores pontuais. Além da defesa, da armação e do ataque, fica óbvio que falta muita qualidade ao estratégico setor de marcação, por onde têm que passar quase todas as iniciativas de conexão de um time.

(Coluna publicada no Bola desta quinta-feira, 08) 

Mulheres ocupam ‘O Globo’ em protesto contra golpismo midiático

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Cerca de 800 mulheres de diversos movimentos populares realizaram, na manhã desta quinta-feira (8), um protesto no parque gráfico das organizações Globo no Rio de Janeiro (RJ). Elas denunciam o papel da imprensa no golpe de Estado instaurado em 2016 e reivindicam a garantia de eleições livres e democráticas.

Por volta das 5h30, as mulheres chegaram em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, onde estenderam uma enorme faixa com os dizeres: “A Globo promove intervenção para dar golpe na eleição“.

O protesto foi organizado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Levante Popular da Juventude, Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA).

Para Ana Carolina Silva, integrante do Levante Popular da Juventude, as empresas de comunicação — ao contrário dos sistemas político e judiciário, que também tiveram participação direta no golpe — não estão sendo associadas a este processo.

Para nós, a mídia, principalmente na figura da Rede Globo, representa um inimigo que sai extremamente ileso, inclusive porque controla a informação, faz a disputa ideológica e que hoje é um partido político na condução do golpe“, explicou a militante.

A ação, que ocorre dois dias após o Supremo Tribunal de Justiça rejeitar o pedido de habeas corpusao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), também denuncia a tentativa de fraude nas eleições deste ano.

A avaliação dos movimentos populares é que o conglomerado de comunicação tem contribuído com o esforço de impedir a candidatura do petista, como afirma Maria Gomes de Oliveira, da coordenação nacional do MST.

As mulheres são contra a intervenção militar que está acontecendo aqui no Rio, são contra todas reformas colocadas pelo governo, assumimos o protagonismo das outras nesse 8 de março para denunciar toda essa sujeira. A ilegalidade do julgamento do Lula, a globo também está construindo esse discurso para impedir que aconteçam as eleições“, disse.

Além de pendurarem faixas em uma das passarelas da Rodovia Washington Luís, as mulheres também picharam “Globo golpista” na fachada do edifício.

O parque gráfico do grupo Globo é o maior da América Latina, mas opera com menos de 50% da sua capacidade produtiva. A construção no valor de R$ 217 milhões foi financiada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A ação desta quinta faz parte das manifestações que marcam o Dia Internacional de Luta das Mulheres e também integra a Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Sem Terra. Desde 2006, quando foi realizada uma intervenção na empresa Aracruz, no Rio Grande do Sul, o movimento de mulheres do MST protagoniza ações de enfrentamento na semana do 8 de março.

Na manhã desta quarta-feira (7), o MST ocupou a Fazenda Esmeralda, entre Lucianópolis e Duartina em São Paulo, cuja posse é relacionada ao presidente golpista Michel Temer (MDB) em delações do inquérito que investiga MP dos Portos.

No ano passado, as sem-terra ocuparam, em Minas Gerais, terras de Eike Batista — o Acampamento Maria da Conceição completa um ano com produção agroecológica — e paralisaram o complexo industrial da empresa Vale Fertilizantes, em Cubatão (SP), para denunciar a dívida da mineradora com a Previdência. (Do Brasil de Fato)

Itália é o Brasil amanhã

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Por Mauro Donato, no DCM

Entre as duas grandes guerras mundiais, o Brasil recebeu mais de um milhão e meio de imigrantes italianos. São Paulo é até hoje a maior cidade italiana fora da Itália. Não surpreende que haja tantas similaridades, mas não é muito fácil comparar Brasil e Itália.

A Bota é um país unificado há meros 147 anos. Sempre foi um aglomerado de pequenos estados independentes e que guerreavam entre si e com outros países invasores.

Ser uma nação ainda sem muita identidade, de características fracionadas é, portanto, algo intrínseco aos italianos e natural num país tão jovem.

Há, contudo, alguns aspectos a serem observados na história recente que podem transformar a Itália num bom laboratório, numa bola de cristal para o Brasil.

A criminalização da política através de um jornalismo tendencioso e de operações de duvidosa legitimidade como a Mãos Limpas propiciam o surgimento de salvadores da pátria. Foi assim que ascendeu ao palco Silvio Berlusconi.

Por aqui a mídia já deu à luz um Fernando Collor e a Lava Jato (aquela instituição purificadora comandada por magistrados que recebem auxílio-moradia) semeou o terreno para aventureiros colocarem as asas de fora.

O resultado da saga de Curitiba ainda estamos por ver, mas nomes bizarros já andam se movimentando.

A descrença na política causa o efeito paradoxal de pulverização de ideias – e consequentemente – de partidos. Hoje há 49 partidos na Itália, o que em nada ajudou no sentido de dar um ‘espírito de corpo’ ao país.

Se desde o fim da Segunda Guerra e promulgação da carta constituinte a situação política é instável (foram 67 governos em 70 anos, uma bagunça inacreditável) agora a coisa em nada parece ter melhorado.

Na recente eleição para Câmara e Senado deste final de semana os extremos ganharam, algo possível no imbróglio das leis eleitorais italianas.

Para o leitor menos íntimo ao tema, o resultado do pleito de domingo é algo como se por aqui um partido criado pelo indefinível Tiririca fosse o mais votado e – ao mesmo tempo – também uma coligação Jair Bolsonaro/Aécio Neves saísse vencedora.

Como tocar adiante um Frankenstein desses? Como opostos podem ter a incumbência de formar um governo?

O mais comum, infelizmente, é que um novato como o movimento 5 Estrelas passe a escalar um nome com postura menos ‘alternativa’ (como Luigi di Maio, de terno e gravata, cara de bom moço) e descarte o discurso mais radical.

Enfim, que se dobre ao sistema. O sistema na Italia é parlamentar, o mesmo que vira e mexe a direita tenta impor por essas bandas. E o parlamentarismo num ambiente como o italiano ou o brasileiro atual, pode tornar o cenário político num circo dramático.

A relação entre governos e saúde da economia também é didática se olharmos para a Italia (como em todo mundo). É curioso notar que governos de esquerda sejam responsabilizados, apedrejados e depostos quando a economia vai mal, mas isso normalmente não ocorre quando o mandatário da vez é de direita.

Normalmente a culpa recai sobre uma ‘crise mundial’ ou até mesmo sobre fenômenos da natureza e o barco é tocado sem enfrentar grandes tormentas.

Mesmo com história milenar, a população italiana aos poucos parece ter sido domesticada por uma televisão imbecilizante que tornou-a alienada e desvinculada do passado de lutas.

Os programas de auditório da TV são dignos de nota pela tacanhice. Não ficam devendo nada aos daqui, se não forem piores (passei boa parte do ano de 2015 na Itália, a trabalho. Somente naquele ano a Netflix estava aportando no país. Em 2015 ninguém lá sabia o que era o serviço por streaming).

Alienados, manipuláveis e vulneráveis a pregações de xenofobia e conservadorismo, os populares costumam enfiar países em aventuras fadadas ao fracasso e ao atrito tanto interno como externo.

Brasileiros deveriam informar-se melhor sobre o dia-a-dia de países com tanta participação na formação do nosso e observar as consequências – e diferenças – em sistemas e regimes como os atuais de Italia e Portugal.

Único governo de esquerda da Europa que realmente governa à esquerda, Portugal do presidente Marcelo Rebelo de Souza apresenta crescimento econômico, baixo desemprego e redução da dívida pública confrontando as políticas de austeridade impostas a pela União Europeia, Banco Central Europeu e o FMI.

A coligação de partidos de esquerda que tem governado o país ganhou o apelido de “Geringonça”. Uma geringonça que tem funcionado.

Há, contudo, alguns aspectos a serem observados na história recente que podem transformar a Itália num bom laboratório, numa bola de cristal para o Brasil.

A criminalização da política através de um jornalismo tendencioso e de operações de duvidosa legitimidade como a Mãos Limpas propiciam o surgimento de salvadores da pátria. Foi assim que ascendeu ao palco Silvio Berlusconi.

Por aqui a mídia já deu à luz um Fernando Collor e a Lava Jato (aquela instituição purificadora comandada por magistrados que recebem auxílio-moradia) semeou o terreno para aventureiros colocarem as asas de fora.

O resultado da saga de Curitiba ainda estamos por ver, mas nomes bizarros já andam se movimentando.

A descrença na política causa o efeito paradoxal de pulverização de ideias – e consequentemente – de partidos. Hoje há 49 partidos na Itália, o que em nada ajudou no sentido de dar um ‘espírito de corpo’ ao país.

Se desde o fim da Segunda Guerra e promulgação da carta constituinte a situação política é instável (foram 67 governos em 70 anos, uma bagunça inacreditável) agora a coisa em nada parece ter melhorado.

Na recente eleição para Câmara e Senado deste final de semana os extremos ganharam, algo possível no imbróglio das leis eleitorais italianas.

Para o leitor menos íntimo ao tema, o resultado do pleito de domingo é algo como se por aqui um partido criado pelo indefinível Tiririca fosse o mais votado e – ao mesmo tempo – também uma coligação Jair Bolsonaro/Aécio Neves saísse vencedora.

Como tocar adiante um Frankenstein desses? Como opostos podem ter a incumbência de formar um governo?

O mais comum, infelizmente, é que um novato como o movimento 5 Estrelas passe a escalar um nome com postura menos ‘alternativa’ (como Luigi di Maio, de terno e gravata, cara de bom moço) e descarte o discurso mais radical.

Enfim, que se dobre ao sistema. O sistema na Italia é parlamentar, o mesmo que vira e mexe a direita tenta impor por essas bandas. E o parlamentarismo num ambiente como o italiano ou o brasileiro atual, pode tornar o cenário político num circo dramático.

A relação entre governos e saúde da economia também é didática se olharmos para a Italia (como em todo mundo). É curioso notar que governos de esquerda sejam responsabilizados, apedrejados e depostos quando a economia vai mal, mas isso normalmente não ocorre quando o mandatário da vez é de direita.

Normalmente a culpa recai sobre uma ‘crise mundial’ ou até mesmo sobre fenômenos da natureza e o barco é tocado sem enfrentar grandes tormentas. Mesmo com história milenar, a população italiana aos poucos parece ter sido domesticada por uma televisão imbecilizante que tornou-a alienada e desvinculada do passado de lutas.

Os programas de auditório da TV são dignos de nota pela tacanhice. Não ficam devendo nada aos daqui, se não forem piores (passei boa parte do ano de 2015 na Itália, a trabalho. Somente naquele ano a Netflix estava aportando no país. Em 2015 ninguém lá sabia o que era o serviço por streaming).

Alienados, manipuláveis e vulneráveis a pregações de xenofobia e conservadorismo, os populares costumam enfiar países em aventuras fadadas ao fracasso e ao atrito tanto interno como externo.

Brasileiros deveriam informar-se melhor sobre o dia-a-dia de países com tanta participação na formação do nosso e observar as consequências – e diferenças – em sistemas e regimes como os atuais de Italia e Portugal.

Único governo de esquerda da Europa que realmente governa à esquerda, Portugal do presidente Marcelo Rebelo de Souza apresenta crescimento econômico, baixo desemprego e redução da dívida pública confrontando as políticas de austeridade impostas a pela União Europeia, Banco Central Europeu e o FMI.

A coligação de partidos de esquerda que tem governado o país ganhou o apelido de “Geringonça”. Uma geringonça que tem funcionado.