STF arquiva novo processo contra Serra na Lava Jato

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A ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), extinguiu a punibilidade do senador José Serra (PSDB-SP) e decretou o arquivamento de um inquérito contra o tucano no âmbito da Operação Lava Jato. A decisão foi tomada nesta quinta-feira (8). Serra estava sob investigação por suposta prática de caixa 2 – falsidade ideológica eleitoral por violação ao artigo 350 do Código Eleitoral.

Rosa, acolhendo manifestação da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, reconheceu a prescrição do ilícito atribuído a Serra. O empresário Joesley Batista, da JBS, declarou que fez doações não contabilizadas, por meio de contratos simulados com empresas que teriam sido indicadas pelo tucano, na campanha presidencial de 2010.

Em sua decisão, a ministra destacou que “o delito em questão possui apenamento de reclusão, se o documento é público, e reclusão até três anos, se o documento é particular”. Rosa observou que “prestação de contas de campanha eleitoral possui natureza de documento público”.

A ministra salientou que neste caso a prescrição ocorreria em 12 anos. Como o senador tem mais de 70 anos, a prescrição tem seu prazo reduzido pela metade.

“Logo, para o delito de falsidade ideológica eleitoral, cuja pena máxima é de cinco anos, a prescrição, para o investigado, consuma-se em seis anos”, assinalou Rosa.

“Nos termos requeridos pela eminente Procuradora-Geral da República, declaro extinta a punibilidade quanto aos fatos relacionados à falsidade ideológica eleitoral supostamente ocorridos em 2010, nos termos do artigo 109 III, c/c artigo 115, todos do Código Penal. Como consequência, determino o arquivamento do inquérito em relação ao delito mencionado, sem prejuízo de novas investigações por fatos conexos, caso surjam novas evidências, tudo nos termos do artigo 18 do Código de Processo Penal.” (Do UOL)

A Justiça mostra a cada que tucanos são inimputáveis. 

Banido pela Fifa por 90 dias, Del Nero manobra e emplaca sucessor na CBF

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A CBF já tem candidato único à sucessão do presidente Marco Polo Del Nero, banido do futebol por 90 dias acusado de corrupção pela Fifa. Trata-se de Rogerio Langanhe Cabloco, ex-diretor financeiro e atual diretor executivo de gestão da entidade. Seu nome foi escolhido por Del Nero e lançado de forma oficial nesta quinta-feira, 09. Cabloco será aclamado novo presidente da CBF pela maioria das 27 federações estaduais nas eleições previstas para 16 de abril.

Com grande chance de ser banido definitivamente do futebol em julgamento da Comissão de Ética da Fifa, Del Nero se apressou a escolher seu sucessor na CBF e, por tabela, continuar no poder mesmo sem atividade legal na entidade.

Seu trabalho para fazer de Cabloco presidente não foi muito difícil. Era só convencer pelo menos 2o dos 27 presidentes das federações estaduais a votar em Cabloco. Neste momento, Del Nero tem os cartolas nas mãos. Não por acaso montou um “trem da alegria” para levar à Copa do Mundo da Rússia os 27 dirigentes das federações e mais dez presidentes de clubes das Séries A e B do Brasileirão.

Por que Del Nero precisava do apoio de 2o federações para eleger seu sucessor?

Simples. De acordo com o estatuto da CBF um candidato à presidência precisa de ser respaldado no mínimo por 8 federações. Se fechar com 20 em torno do nome de Caboclo, Del Nero inviabiliza qualquer outra candidatura. Foi o que aconteceu com apoio dado a Rogerio Caboclo nesta quinta-feira (08/3) por pelo menos 20 federações.

Colégio eleitoral da CBF tem 27 federações com voto de peso 3, portanto 81 votos; 40 clubes das Séries A e B, sendo que os da A tem peso dois, portanto, 60 votos. Se as federações fecharem com um candidato ele já pode se considerar eleito. É o caso de Rogerio Cabloco.

Nessa estrutura, Del Nero nem precisaria de votos dos 40 clubes para fazer seu sucessor. Aliás, presidentes da maioria dos clubes não foram avisados das reuniões desta quinta e sexta-feira entre o comando da CBF e as federações.

Quem é Rogerio Caboclo, futuro novo presidente da CBF
Filho de Carlos Cabloco, conselheiro e ex-diretor do São Paulo nos anos de 1980 e 1990, Rogério começou no futebol também como conselheiro do São Paulo, passou pela Federação Paulista de Futebol, na função de diretor de marketing e financeiro na gestão de Marco Polo Del Nero, até ser levado para CBF pelo próprio Del Nero em 2015, primeiro como diretor financeiro e mais tarde diretor executivo de gestão da entidade.

“Está tendo um movimento na CBF, ouvi pela imprensa, que tem reunião amanhã (nesta quina-feira) na CBF para pegar assinatura (das federações e lançar um candidato). Se isso for verdade é um golpe baixo. Não pode ter nada sem os clubes, e os clubes não vão aceitar isso”, disse Andrés Sanchez, presidente do Corinthians, após jogo do seu time contra o Mirassol nesta quarta-feira (08/3) à noite em Itaquera.

Andrés Sanches tinha pretensões a ser candidato a presidente da CBF. Romário também havia se manifestado neste sentido, mas trabalha para ser candidato a governador do Rio de Janeiro. Zico e Ronaldo Fenômeno se movimentaram na articulação de grupo de ex-jogadores na corrida eleitoral da CBF. Del Nero atropelou os clubes mais uma vez e, mesmo banido por 90 dias pela Fifa desde dezembro de 2017, e emplacou seu sucessor.

TREM DA ALEGRIA

A manobra política de Del Nero se intensificou na última semana quando veio a público a informação de que a CBF vai levar um “trem da alegria” para Rússia na primeira fase da Copa do Mundo. A entidade vai bancar todas as despesas de viagem e hospedagem dos 27 presidentes das federações estaduais e de mais dez clubes escolhidos por meio de um sorteio entre participantes das Séries A e B do Brasileirão. Os sorteados: Atlético-MG, Atlético-PR, Avaí, Bahia, Brasil de Pelotas (RS), Ceará, CRB, Guarani (SP), São Paulo e Paysandu.

A brincadeira vai custar aos cofres da CBF cerca de R$ 3 milhões.

Nota oficial da CBF a respeito do convite às federações e clubes para acompanhar a Copa na Rússia:

“A CBF entende que a presença das federações de futebol é algo natural e importante por se tratar do maior evento de futebol do mundo. Sendo que suas entidades são a espinha dorsal do futebol brasileiro e eles responsáveis por administrar competições regionais. Fundamental destacar que, conforme ofício expedido pela CBF, trata-se de um convite impessoal, intransferível e sem direito a acompanhante que contempla apenas os três jogos do Brasil na primeira fase da competição. Além dos jogos da Seleção Brasileira, está sendo preparada uma agenda de trabalho para os dirigentes com reuniões institucionais e atividades de acompanhamento da organização do evento. Em um convite enviado aos presidentes, a CBF salienta que é uma oportunidade para a continuidade do desenvolvimento do futebol brasileiro e tomarmos conhecimento dos mais modernos mecanismos de gestão de grandes eventos e competições”.

(Transcrito do Chuteira F.C.) 

Mês de vergonhas, oportunismos e negociatas

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Começou ontem a “janela partidária”, mais um casuísmo destes que os parlamentares costumam inventar, em causa própria, para burlar as regras da fidelidade partidária e serem “donos” (e mercadores) do mandato que foi obtido através dos partidos, uma vez que apenas 7% dos deputados foram eleitos com menos votos que o quociente eleitoral e, portanto, pelas legendas às quais se filiaram.

Não é preciso dizer a ninguém quais serão as bússolas das mudanças de partido que começarão a ocorrer: o medo da rejeição eleitoral, sobretudo no MDB, que carrega o fantasma de Michel Temer; a atração por ser “o deputado do Bolsonaro” – oportunidade aberta a qualquer um para um candidato que vai se filiar a um partido sem parlamentares – e, finalmente, a compra e venda de favores do governo.

Tudo isso será muito agravado pelo cenário de terra arrasada que o Judiciário fez sobre a representação política no Brasil, do contrário teríamos um núcleo polarizado pela candidatura Lula e outro por aquele que se fizesse o papel de candidato tucano, fosse quem fosse. O Governo Temer e Jair Bolsonaro morreriam à míngua, um como “pato manco”, no governo mas sem poder, e outro como “cão feroz”, prisioneiro do cercadinho do ódio.

Agora, não.

Alguns acham que o espaço está aberto para quem seria, de outra forma, apenas coadjuvante.

Contava-se com um minguar de Jair Bolsonaro após a condenação de Lula e, ainda mais, após a “agenda da intervenção” lançada por Michel Temer. Aparentemente, isso não ocorreu e o candidato do ódio permanece sólido na beira dos 20% de intenção de voto. Como observou, em declarações recentes, Ciro Gomes, Bolsonaro “tampona” o crescimento de Geraldo Alckmin, onde o governador paulista seria o candidato natural do eleitor de direita.

A ver se, sem recursos de campanha e tempo de televisão, conseguirá se manter nesta posição, que lhe dá a condição de mais forte concorrente a ir ao segundo turno e a de mais facilmente derrotável candidato na segunda volta eleitoral.

Do outro lado, é inegável o crescimento de Ciro Gomes nas pesquisas quando ausente o nome de Lula, que só não é maior porque – num movimento coerente com seu comportamento polêmico mas de incompreensível estreiteza diante das evidências eleitorais – o ex-ministro de Lula e Dilma faz questão de fornecer farto combustível para queimar suas pontes com o eleitorado mais fiel ao líder petista.

Talvez esteja querendo “pagar barato” pelo que acha que será o apoio inevitável para os 20 ou 30% do eleitorado, no mínimo, que se disponham a seguir a orientação eleitoral do ex-presidente, se este vier a ser, como desejam as elites, impedido de concorrer.

A meu ver, erro grosseiro, porque Ciro não tem forças próprias capazes de lhe dar supremacia sobre um “indicado” de Lula e ver inverter-se a situação de “apoio obrigatório” no segundo turno

Geraldo Alckmin, a quem apontam – o próprio Lula tem este diagnóstico – como favorito a ocupar o campo eleitoral da direita depende em boa parte dos resultados alheios: o esvaziamento eleitoral de Bolsonaro e a impossibilidade de o grupo de Temer ter candidato próprio. Há outros fatores pesando sobre ele, aos quais não tem encontrado caminho para reagir, em especial o desastre provocado pelas ambições de João Doria no eleitorado paulista (ou ao menos paulistano), o que não é ainda possível medir com exatidão.

O resto serão “manchas” eleitorais: Marina, Maia, Álvaro Dias, eventualmente Henrique Meirelles e mais uma miríade de micro candidatos sem expressão. Será sobre este pano de fundo, com o eventual surgimento de mais um ou outro aventureiro, que este mês de negócios parlamentares se passará.

Como lixo nas marés, o parlamento brasileiro vai se depositar para onde o levarem as águas eleitorais. Esse é o cenário que a “moralidade” construiu para o processo político brasileiro e que teremos de enfrentar com lucidez e paciência.

E de olho, todo o tempo, nas nuvens negras do autoritarismo que, faz tempo, tampam os céus do Brasil. (Transcrito do Tijolaço) 

Sem muito esforço, Papão avança

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POR GERSON NOGUEIRA

Em ritmo de coletivo apronto para o Re-Pa, disfarçando e superando alguns erros de posicionamento e excessiva lentidão, o PSC conquistou uma importante vitória sobre o Santos-AP, ontem à noite, em Macapá. Mesmo sem realizar uma grande atuação e com a cabeça focada no Re-Pa de domingo, o time paraense se impôs pela qualidade técnica de seus jogadores, explorando as fragilidades do mandante.

Mike abriu o placar logo de cara, depois de jogada de Cassiano pela direita, mas a equipe vacilou e cedeu o empate aos 3 minutos. Uma nova arrancada de Cassiano, tocando para a área, resultou no terceiro gol. Fábio Matos apareceu no momento certo, quando Moisés tentava dominar a bola junto à área, e disparou para o gol, aos 18’.

Erros seguidos na saída de bola comprometeram a atuação no restante do primeiro tempo. O placar favorecia, mas o time se acomodou e deixou o tempo passar, deixando de explorar os muitos espaços deixados pelo apenas esforçado time amapaense.

No segundo tempo, com o Santos dominado e vivendo apenas de tentativas esporádicas, o PSC levava o jogo como lhe convinha, sem pressa. O problema é que futebol tem seus caprichos e, aos 20 minutos, o atacante Jefferson Jari – que havia marcado o primeiro gol – aproveitou uma bola despretensiosa cruzada para a área e a desatenção dos zagueiros para empatar outra vez.

Só então, depois que o Santos alcançou a igualdade, o PSC finalmente acordou. Com Walter em campo (no lugar de Mike), a equipe voltou a trocar passes, inverter bolas e a buscar as jogadas de pressão sobre a linha de zagueiros. Com a posse da bola, os bicolores voltaram a controlar inteiramente a partida.

O gol de Walter, aos 28’, nasceu naturalmente, em jogada iniciada pelo próprio atacante e que teve participação de Maicon Silva e Cassiano. Dois outros bons momentos poderiam ter resultado em gol, em chutes de Carandina e Moisés.

Os jogadores saíram reclamando das condições do gramado, mas é fato que os deslizes defensivos poderiam ter complicado as coisas. No geral, ficou evidenciada a cautela da maioria dos jogadores, evitando lances mais duros tendo em vista o clássico de domingo.

Apesar do rendimento abaixo do esperado e das falhas da zaga titular, o resultado foi altamente satisfatório para o Papão e deixa o grupo ainda mais confiante para o Re-Pa. Foi a quinta vitória consecutiva de Dado Cavalcanti, atestando a evolução da equipe.

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Walter surpreende e comanda reação final

Quando as cobranças já começavam a surgir no horizonte, Walter fez sua melhor atuação com a camisa do Papão. É verdade que o Santos não é um adversário que permita avaliações mais calorosas, mas a qualidade técnica do atacante permitiu ao time respirar e se recompor em momento desfavorável na partida.

Apesar da robustez física, Walter apresentou-se sempre para as jogadas, buscou participação e comandou a reação do PSC. Acabou premiado com o gol que tanto batalhou para fazer. A atuação expressiva de Walter nos minutos finais ajudou a atenuar as preocupações de Dado Cavalcanti com a lesão sofrida pelo volante William.

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Incontinência verbal atrapalha Daniel Alves

Sem jogar em alto nível há bom tempo, Daniel Alves voltou a pontificar em decorrência de uma atitude extracampo. Está levando uma saraivada de críticas pela mensagem confusa nas redes sociais a respeito da súbita morte do zagueiro Davide Astori, no domingo passado.

Daniel quis parecer politicamente correto, dizendo que “milhares de crianças morrem e não tem a mesma repercussão” e levando logo uma carraspana de Mario Balotelli, que detonou a afirmação do brasileiro quando todos manifestavam condolências pelo trágico episódio.

Em tom de deboche, Daniel – que teve atuação discreta anteontem na eliminação do PSG diante do Real Madri – até ensaiou uma desculpa, mas saiu da pista de novo ao reclamar que muitas vezes é preciso ser hipócrita para ser aceito pelas pessoas.

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 09)