Os brasileiros que odeiam pobre

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Por Jessé de Souza

Este artigo é o resumo parcial de um fio condutor que percorre meu último livro, lançado em setembro pela editora Leya com o título A elite do atraso: da escravidão à Lava Jato. Na publicação, busco enfrentar o desafio ambicioso de formular uma gênese histórica alternativa à narrativa hoje dominante, seja na direita, seja na esquerda do espectro político, da sociedade brasileira contemporânea.

Como já defendi em outras obras,1 minha tese é a de que o liberalismo conservador é a narrativa oficial do Brasil moderno, inclusive para a esquerda colonizada intelectualmente pela direita. Os pais fundadores dessa leitura são Sérgio Buarque e Raymundo Faoro. A partir da entronização desses autores como referência universitária para a formação de todas as elites e, como consequência dessa consagração, também de tudo que a grande imprensa diz sobre o país, passa a existir um grande consenso inarticulado e pré-reflexivo que contamina praticamente tudo que se formule sobre o país no nível mais explícito dos argumentos.

É necessário quebrar a hegemonia dessas ideias arcaicas e conservadoras para que a teoria e a prática política brasileira possam mudar de modo efetivo. A histeria acerca da corrupção política, por exemplo, identificada pela população e pela imprensa como o maior problema nacional, advém do domínio dessas ideias. A identificação de uma suposta elite todo-poderosa no Estado, e não no mercado, suprema tolice que possibilita a virtual invisibilidade da ação predatória dos oligopólios e da intermediação financeira, também é fruto dessa hegemonia. De resto, toda a cantilena da corrupção como herança cultural portuguesa, do advento de um patrimonialismo pré-moderno cujo racismo implícito já critiquei,2 serve para que supostas “heranças culturais” pensadas como “heranças de sangue” fiquem no lugar de uma análise científica dos conflitos sociais e da gênese da desigualdade social. A tese dominante do patrimonialismo, como leitura hegemônica sobre a sociedade brasileira, foi a responsável por tomar a corrupção política como aspecto central e a desigualdade social como questão secundária. É essa inversão absurda de perspectiva e de prioridade que o livro pretende corrigir.

Essa tese do patrimonialismo ocupa o lugar da centralidade da escravidão entre nós e representa uma estratégia de tornar invisível a própria herança desta. Embora no livro eu reconstrua a escravidão e seus efeitos desde o Brasil Colônia, aqui a limitação de espaço me obriga a inquirir acerca de sua feição mais moderna. Como se constrói, no século XX, uma sociedade que reproduz todas as iniquidades do ódio, humilhação e desprezo contra os mais frágeis que caracterizam a escravidão?

Minha tese é que isso foi realizado como programa político conduzido conscientemente pela elite econômica, em primeiro lugar a elite paulistana, como forma de assegurar para si a condução ideológica da sociedade e limitar a ação política dos setores populares mesmo em um contexto de sufrágio universal. A astúcia da elite foi perceber, já no início do século XX, quando uma classe média começa a despontar de modo incipiente nas grandes cidades brasileiras, que, se os pobres poderiam ser oprimidos pelo cassetete e pelo fuzil dos policiais, a classe média exigia uma estratégia alternativa. Ao contrário da violência material, aplicada indiscriminadamente contra os pobres, contra a classe média a violência teria de ser “simbólica” para produzir cooptação e “convencimento”.

A perda do poder político para Getúlio Vargas vai ser o ponto de inflexão dessa estratégia. Nesse momento, a elite econômica paulistana vai procurar se utilizar de seu “poder material” para construir as bases do seu “poder simbólico”. A ideia-guia foi construir uma hegemonia ideológica como forma tanto de reconquistar o poder político como de limitar o poder dos eventuais inimigos de classe alçados ao controle do Estado.

A classe média não é uma classe necessariamente conservadora. Também não é uma classe homogênea. O Movimento Tenentista, conhecido como o primeiro movimento político comandado pelos “setores médios” no Brasil, revela bem essas características. Ainda que tenha sido protagonizado por oficiais militares de baixa e média patente (daí o nome “tenentismo”) a partir dos anos 1920, o movimento refletia já a nova sociedade mais urbana e moderna que se criava. A parte rebelde da instituição militar era uma expressão desses novos anseios.

A oposição ao pacto conservador da República Velha, com suas eleições fraudadas e restritas, era o ponto de união entre os tenentistas. Dentro do movimento, no entanto, conviviam desde as demandas liberais por voto secreto e por maior liberdade de imprensa até o desejo de um Estado forte como meio de se contrapor ao mandonismo rural. Parte do grupo se radicalizou politicamente na Coluna Prestes, cujo líder, Carlos Prestes, seria o fundador do partido comunista brasileiro. Parte do grupo se alinhou desde a Revolução de 1930 com Getúlio Vargas, enquanto outra parte exerceu ferrenha oposição a ele todo o tempo. O nosso primeiro movimento político com claro suporte e apoio da classe média já mostra a extraordinária multiplicidade de posições políticas que essa classe pode abrigar.

Quando Sérgio Buarque elegia o “patrimonialismo” das elites que habitam o Estado como o grande problema nacional, ele não estava dando vida, portanto, a nenhum sentimento novo. A “corrupção do Estado” era uma das bandeiras centrais do tenentismo. Poder-se-ia, por exemplo, perceber a corrupção do Estado como efeito da captura deste pela própria elite econômica que o usa para defender e aprofundar seus privilégios. Isso teria levado a uma conscientização coletiva dos desmandos de uma elite apenas interessada na perpetuação de seus privilégios.

Não foi essa a interpretação que prevaleceu. A elite do dinheiro paulista, que havia perdido o poder político, ainda que mantido o econômico, agiu de modo astucioso, calculado e planejado. Percebeu claramente os sinais do novo tempo. A truculência do “voto de cabresto” estava com os dias contados. No lugar da “violência física” deveria entrar a “violência simbólica” como meio de garantir a sobrevivência e a longevidade dos proprietários e seus privilégios.

Com o Estado na mão dos inimigos, a elite do dinheiro paulistana descobre a “esfera pública” como arma. Se não se controla mais a sociedade com a farsa eleitoral acompanhada da truculência e da violência física, a nova forma de controle oligárquico tem de assumir novas vestes para se preservar. O domínio da “opinião pública” parece ser a arma adequada contra inimigos também poderosos. O que estava em jogo aqui era a captura agora intelectual e simbólica da classe média letrada pela elite do dinheiro, formando a “aliança de classe dominante” que marcaria o Brasil daí em diante.

Como se construiu esse projeto no alvorecer do século XX?

USP, a universidade do estado de São Paulo, foi criada por essa mesma elite desbancada do poder político e pensada como a base simbólica, uma espécie de think tank gigantesco do liberalismo brasileiro a partir de então, desse projeto bem urdido de contrapor a força das ideias generalizadas na sociedade contra o poder estatal, desde que este seja ocupado pelo inimigo político, à época representado por Getúlio Vargas.

Sérgio Buarque é menos o criador e mais o sistematizador mais convincente do moralismo “vira-lata” que irá valer, a partir de então, como versão oficial pseudocrítica do país acerca de si mesmo. Como o “Estado corrupto” passa a ser identificado como o mal maior da nação, a elite do dinheiro ganha uma espécie de “carta na manga” que pode ser usada sempre que a “soberania popular” ponha no governo, inadvertidamente, alguém contrário aos interesses do poder econômico.

Com base nesse eixo intelectual eivado de prestígio, essa concepção se torna dominante no país inteiro. Toda a vida intelectual e letrada vai respirar os novos ares. Isso não significa obviamente dizer que a USP não tenha produzido coisa distinta do liberalismo conservador das elites. Florestan Fernandes e sua atenção aos conflitos sociais realmente fundamentais provam o contrário. Existe uma tradição nesse sentido também por lá. Mas essa tendência é menos poderosa que a versão dominante, posto que sem a network com as editoras, as agências de financiamento, a grande imprensa e seus mecanismos de consagração; além de ela própria ter assimilado aspectos importantes da tradição conservadora elitista como a aceitação implícita ou explícita da tese do patrimonialismo.

Desde essa época o “liberalismo conservador”, baseado no falso moralismo da “higiene moral” da nação, vai ser a pedra de toque da arregimentação da classe média. Isso não significa dizer que o moralismo não tenha eco também nas outras classes. Em alguma medida esse discurso nos toca a todos. Mas na classe média ele está em “casa”. É que as classes sociais estão sempre disputando não apenas bens materiais e salários, mas também prestígio e reconhecimento, ou em uma palavra: legitimação do próprio comportamento e da própria vida.

As classes superiores, que monopolizam capital econômico e cultural, têm de justificar, portanto, seus privilégios. O capital econômico se legitima com o “empreendedorismo” de quem “dá emprego” e ergue impérios, e com o suposto bom gosto inato de seu estilo de vida, como se a posse do dinheiro fosse mero detalhe sem importância.

A legitimação dos privilégios da classe média é distinta. Como seu privilégio é invisível pela reprodução da socialização familiar que esconde seu trabalho prévio de “formar vencedores”, ela é a classe por excelência da meritocracia e da superioridade moral. Estas servem para distingui-la e para justificar seus privilégios em relação tanto aos pobres como aos ricos. É que, se os pobres são desprezados, os ricos são invejados. Existe uma ambiguidade nesse sentimento, em relação aos ricos, que vincula admiração e ressentimento.

A suposta superioridade moral da classe média dá à sua clientela tudo aquilo que ela mais deseja: o sentimento de representar o melhor da sociedade. Não só é a classe que “merece” o que tem por esforço próprio, conforto que a falsa ideia da meritocracia propicia, mas também a classe que tem algo que ninguém tem, nem os ricos, que é a certeza de sua “perfeição moral”.

Como na imensa maioria dos casos não possui os meios para se envolver nas grandes negociatas que manipulam milhões, a classe média não tem sequer, na prática, o dilema moral de se deixar ou não corromper. Como justificação e legitimação da própria vida, o esquema moralista é, portanto, perfeito. Em relação aos poderosos, a classe média pode se ver sempre como “virgem imaculada” e moralmente perfeita.

A elite do dinheiro soube muito bem aproveitar as necessidades de justificação e de autojustificação dos setores médios. “Comprou” uma inteligência para formular uma “teoria liberal moralista” feita com precisão de alfaiate para as necessidades do público que queria arregimentar e controlar. Esse tipo de “compra” da elite intelectual pela elite do dinheiro não se dá apenas nem principalmente com dinheiro. São os “mecanismos de consagração” de um autor e de uma ideia seguindo, aparentemente, todas as regras específicas do campo científico.

Mas a quem pertencem os jornais, as editoras e os bancos e empresas que financiam os prêmios científicos? Desse modo, sem parecer “compra”, o expediente é muito mais bem-sucedido. Depois, usou sua posição de proprietária dos meios de produção material para se apropriar dos meios simbólicos de produção e reprodução da sociedade. É aqui que entra a relação que existe até hoje entre imprensa, universidade, editoras e capital econômico.

Todo o discurso elitista e conservador do liberalismo brasileiro está contido em duas noções que foram desenvolvidas na USP – a universidade criada pela elite antiestatal paulistana – e depois ganharam o Brasil: as ideias de “patrimonialismo” e de “populismo”.

Se o patrimonialismo torna invisível a base real do poder social ao estigmatizar o Estado e seus ocupantes sempre que as eleições ponham alguém não palatável pela elite da rapina econômica na disputa eleitoral, o populismo estigmatiza qualquer pretensão popular.

A noção de “populismo”, atrelada a qualquer política de interesse dos mais pobres, serve para mitigar a importância da soberania popular como critério fundamental de qualquer sociedade democrática. Afinal, como os pobres, coitadinhos, não têm mesmo nenhuma consciência política, a soberania popular e sua validade podem ser sempre, em graus variados, postas em questão.

O “voto inconsciente” corromperia a validade do princípio democrático por dentro. A proliferação dessa ideia na “esfera pública” por meio da sua “respeitabilidade científica” e depois pelo aparato legitimador midiático, que o repercute todos os dias de modos variados, é impressionante. Os best-sellers da ciência política conservadora comprovam a eficácia dessa balela.3

As noções de patrimonialismo e de populismo, distribuídas em pílulas pelo veneno midiático diariamente, são as ideias-guia que permitem à elite arregimentar a classe média como sua “tropa de choque” sempre que necessário. Elas, afinal, são as guardiãs da “distância social” em relação aos pobres, que é a pedra de toque da aliança antipopular construída no Brasil para preservar o privilégio, acesso aos capitais econômico e cultural, de 20% contra os 80% de excluídos em alguma medida significativa.

O segundo ponto da justificação da classe média para baixo, em relação às classes populares, é o ponto mais interessante e que a transforma definitivamente na marionete perfeita da elite do dinheiro. A classe média brasileira possui um ódio e um desprezo pelo “povo” cevados secularmente. Essa é talvez nossa maior herança intocada da escravidão, nunca verdadeiramente compreendida e criticada entre nós. Para que se possa odiar o pobre e humilhá-lo, tem-se de construí-lo como culpado de sua própria (falta de) sorte e ainda torná-lo perigoso e ameaçador. Se possível, deve-se humilhá-lo, enganá-lo, desumanizá-lo, maltratá-lo e matá-lo cotidianamente. Era isso que se fazia com o escravo e é exatamente a mesma coisa que se faz com a “ralé de novos escravos” hoje em dia. Transformava-se o trabalho manual e produtivo em vergonha suprema, como “coisa de preto”, e depois se espantava que o negro não enfrentasse o trabalho produtivo com a mesma naturalidade que os imigrantes estrangeiros, para quem o trabalho era símbolo de dignidade. Dificultava-se de todas as formas a formação da família escrava, e nos espantamos com as famílias desestruturadas dos nossos excluídos de hoje, mera continuidade de um ativismo perverso para desumanizar os escravos de ontem e de hoje.

Os escravos foram sistematicamente enganados, compravam a alforria nas minas e eram escravizados novamente e vendidos para outras regiões, eram brutalizados, assassinados covardemente. A matança continua também agora, com os novos escravos de todas as cores. O Brasil tem mais assassinatos – de pobres – que qualquer outro país do mundo. São 60 mil pobres assassinados por ano no Brasil. Existe uma guerra de classes hoje declarada e aberta. Construiu-se toda uma percepção negativa dos escravos e dos seus descendentes como feios, fedorentos, incapazes, perigosos e preguiçosos, isso tudo de forma irônica, povoando o cotidiano com ditos e piadas preconceituosas, e hoje muitos se comprazem em ver a profecia realizada. Não se entende a miséria permanente e secular dos nossos excluídos sociais sem esse ativismo social e político covarde e perverso de nossas classes “superiores”.

O ódio secular às classes populares parece-me a mais brasileira de todas as nossas singularidades sociais. Como os preconceitos são sociais, e não individuais, como somos inclinados a pensar, todas as classes superiores no Brasil partilham desse preconceito. Ainda que, mais uma vez, ele esteja verdadeiramente “em casa” na classe média. Ainda que a classe média seja muito heterogênea, toda ela, sem exceção, inclusive o autor que aqui escreve, é portadora em maior ou menor grau desse tipo de preconceito. De alguma maneira “nascemos” com ele, o introjetamos e o incorporamos, seja de modo inconsciente e pré-reflexivo, seja de modo refletido e consciente, como ódio aberto. Mesmo quem critica os preconceitos os têm dentro de si, como qualquer outra pessoa criada no mesmo ambiente social. O que nos diferencia é a vigilância em relação a eles e a tentativa de criticá-los de modo refletido em alguns, e não em outros. Mas todos nós somos suas vítimas.

  • Jessé Souza é sociólogo e autor, entre outros livros, de “A elite do atraso: da escravidão à Lava Jato” (Leya, 2017), lançado em setembro e do qual este artigo foi extraído. 

De virada e no sufoco

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POR GERSON NOGUEIRA

O que seria naturalmente difícil se tornou um verdadeiro drama para os bicolores, ontem, na Curuzu. O Manaus usou toda a experiência de seus jogadores para criar situações complicadas para o Papão, que levou um gol em lance de cruzamento na área e precisou lutar muito para arrancar o empate nos acréscimos da primeira etapa. Depois, também no apagar das luzes do 2º tempo, alcançou a virada que lhe deu a vitória.

Nas circunstâncias, é resultado para ser muito comemorado, pois o time baré se posicionava bem, gastava o tempo sem maiores aperreios e levava sempre perigo quando se aventurava no ataque. Abriu o placar e quase marcou aos 29 e 36 minutos do 2º tempo, com Romarinho e Wesley, aproveitando cochilos impressionantes do intranquilo setor de defesa paraense, onde Timbó despontava como o grande vilão da noite entregando bolas fáceis.

Brilhou, porém, a estrela do atacante Walter, cujo condicionamento físico ainda está aquém do que o futebol profissional exige, mas que compensa tudo isso com bom posicionamento e passes corretos. Teve o mérito inicial de tirar o PSC do sufoco marcando o gol de empate no final da etapa inicial, desviando de cabeça cruzamento de Maicon Silva e botando a bola fora do alcance do goleiro amazonense.

Solitário nas ações mais criativas, sem o apoio de nenhum dos meio-campistas, Walter buscou os lados, procurando fugir à marcação direta e tocando a bola de primeira para companheiros desmarcados.

Antes de participar do lance decisivo, lançou três bolas na área do Manaus procurando por Cassiano e Moisés. Era o mais lúcido do Papão, principalmente porque evitava entrar na pilha do time manauara, buscando sempre acelerar as manobras, situando-se um pouco atrás da linha de atacantes. Em contraste com o resto do time, esbanjava tranquilidade na distribuição de jogo, tornando-se a principal figura da partida.

A jogada que levou ao segundo gol foi puxada pelo lado direito, junto à linha lateral, após um passe de Moisés. Com boa visão de posicionamento na área, Walter fez cruzamento longo e por baixo, surpreendendo a defesa que marcava em linha. A bola passou pelos defensores e chegou a Cassiano, que se projetou para desviar com a ponta da chuteira, fazendo 2 a 1 para o PSC.

O triunfo foi importantíssimo, mas é necessário refletir sobre a má jornada de boa parte do time paraense, envolvido em diversos momentos pela boa troca de passes do visitante. Mais organizado e compacto, o Manaus explorava a afobação dos bicolores e durante boa parte do jogo levou a melhor.

O pequeno público que foi à Curuzu passou momentos de atribulação, vendo à sua frente o time ser subjugado por um adversário desenvolto e que em nenhum momento se deixou abalar por jogar fora de casa. Mesmo depois de sofrer a virada, o Manaus ainda teve forças para ameaçar, criando os dois últimos lances de perigo em tentativas com Paulão e He-Man, que ameaçaram a meta de Marcão.

A vitória dá a vantagem do empate ao PSC na partida de volta (dia 11 de abril), mas o desenvolvimento do confronto na Curuzu deixou claro que a missão será duríssima na capital amazonense, principalmente se o bicampeão paraense repetir a atuação atrapalhada de ontem.

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Time sofre com as mudanças na escalação

O baixo rendimento técnico do Papão no jogo pode ser atribuído a ausências importantes, como a de Diego Ivo e Perema no miolo de zaga. A entrada em cena de Fernando Timbó desestabilizou o setor e foi bem explorada pelo time amazonense, que procurou insistir com jogadas sobre o zagueiro.

Em comparação com o jogo de sábado, contra o Bragantino, Dado manteve o sistema 3-4-3, mas trocou peças importantes, em função das lesões. Além de Timbó, a zaga teve Edimar e Carandina improvisado. Maicon Silva, Cáceres, Moisés e Mateus Miller formaram o quadrado no meio, com Mike, Cassiano e Walter no ataque.

Era até natural que a equipe sofresse com tantas alterações, mas os erros de passe e os espaços deixados no meio-campo tornaram o time dispersivo e vulnerável. Os problemas foram se acentuando à medida que o Manaus mostrava uma postura mais determinada. Diante de tantos problemas, a boa atuação individual de Walter evitou um resultado desastroso em casa.

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Coutinho se consolida e Löw faz experiências

Do amistoso entre Alemanha e Brasil ontem, duas constatações. A primeira é uma excelente notícia para nós: Philippe Coutinho se tornou titular absoluto, com um pé nas costas, no time de Tite. A segunda é que os alemães sabem de fato aproveitar jogos de preparação, evitando desgastar titulares e aproveitando para testar caras novas.

Enquanto Neymar descansa no Rio, Coutinho vai se consolidando tanto no Barcelona quanto no escrete. Contra os germânicos nem chegou a brilhar tanto, mas quando toca na bola deixa evidente a qualidade técnica diferenciada. Ao lado de Gabriel Jesus, Coutinho é garantia de que o Brasil não sentirá (tanto) a eventual ausência de seu camisa 10.

Joachim Löw escalou um time mesclado, com Kroos comandando a meiúca e vários remanescentes da Copa das Confederações, mas sem Müller e Khedira. Enquanto muitos no Brasil ainda estavam com a cabeça no 7 a 1 de 2014, os alemães cuidaram de usar o amistoso como laboratório, sem ligar muito para a derrota.

(Coluna publicada no Bola desta quarta-feira, 28)

Direto do Twitter

“A presunção da inocência é uma opção política: melhor deixar solto um possível culpado do que prender um possível inocente. Os juristas fascistas na Itália dos anos 30/40 não concordavam. Sustentavam, com os mesmos argumentos, a tese que hoje alguns juristas brasileiros defendem.”

Rubens R. R. Casara

AJD: “Prisão decretada antes do trânsito em julgado é inconstitucional”

Associação Juízes para a Democracia (AJD) divulgou uma nota técnica sobre a execução provisória e alertando sobre a inconstitucionalidade da prisão antes do trânsito em julgado. Acompanhe a íntegra:

A prisão decretada antes do trânsito em julgado é inconstitucional

A Associação Juízes para a Democracia – AJD, entidade não governamental, sem fins lucrativos ou corporativistas, que congrega juízes de todo o território nacional e que tem por objetivo primordial a luta pelo respeito aos valores próprios do Estado Democrático de Direito, vem apresentar NOTA TÉCNICA a respeito da inconstitucionalidade, diante da inteligência do art. 5º, LVII, da Constituição da República, da prisão decretada após decisão proferida em segundo grau de jurisdição, sem a existência do trânsito em julgado.

  1. O art. 5º, LVII, da Lei Maior, institui a garantia de o indivíduo somente ser privado de sua liberdade com arrimo em decisão condenatória quando esta transitar em julgado, ou seja, na hipótese de não haver mais recurso cabível. Trata-se de dispositivo categórico, imperativo e que, justamente em razão de não suscitar qualquer dúvida, não admite interpretação e sim a aplicação do que está efetivamente escrito.
  2. A tentativa de supressão da garantia mencionada encontra-se dentro de um perigoso contexto de relativização de direitos e garantias fundamentais, tendência que busca se perpetrar com o desígnio ilusório de, no caso, diminuir a impunidade. Olvida-se, no entanto, que as garantias processuais penais, importantes conquistas civilizatórias, não se traduzem em obstáculo para a efetiva aplicação da lei penal, mas sim em formulações destinadas a impedir o arbítrio estatal, dificultar o erro judiciário e conferir um tratamento digno de maneira indistinta a todos os indivíduos.
  3. A Carta Magna expressamente proíbe, a não ser no caso de prisão cautelar, que o indivíduo venha a ter sua liberdade suprimida quando ainda houver recurso contra a decisão condenatória. No mesmo sentido da garantia constitucional, estão disciplinados dispositivos previstos na legislação ordinária (art. 283 do Código de Processo Penal e art. 105 da Lei das Execuções Penais, lei esta que exige o trânsito em julgado inclusive para o cumprimento da pena restritiva de direitos – art. 147 – e pagamento de multa – art. 164). Sendo plena e comprovadamente possível as instâncias superiores modificarem questões afetas à liberdade, seu cerceamento antecipado mostra-se incompatível com nossa realidade constitucional.
  4. A pavimentação do Estado Democrático de Direito somente é possível dentro da estrita observância da Constituição da República. O desvio dos imperativos constitucionais, longe de trazer os efeitos almejados por aqueles que insistem em fazê-lo, somente se traduzirá em prejuízos para o indivíduo e a coletividade.
  5. A Associação Juízes para a Democracia, por considerar a prisão decorrente de decisão condenatória sem o trânsito em julgado incompatível com o cumprimento da Constituição da República, vem manifestar-se contrária à relativização da referida garantia constitucional.

São Paulo, 27 de março de 2018.

Tribuna do torcedor

Por José Roberto da Costa Ferreira
Olá, Gerson Nogueira, gostaria de compartilhar um post que a torcedora remista Elayne Moraes https://www.facebook.com/elayne.moraes.9 fez no grupo “O Remo é meu” no Facebook sobre a quantidade reduzida de banheiro feminino disponibilizado no Mangueirão, no último domingo, na partida entre Remo e São Raimundo:
“Gente, hoje venho fazer um desabafo em nome de TODAS AS MULHERES que, assim como eu, frequentam o Mangueirão: até quando essa carência de banheiros femininos? É inacreditável o que a gente tem que passar pra encontrar um banheiro feminino. O que eu vi ontem foi a mobilização de alguns homens (pais, esposos, namorados, amigos) em transformar “na marra” algum banheiro masculino em feminino pra que a gente pudesse usar. 
A proporção chega a ser de 10 banheiros masculinos, pra um feminino. A SEEL PRECISA ACEITAR, DE UMA VEZ POR TODAS, QUE O PÚBLICO IMENSO FEMININO NOS JOGOS JÁ É UMA REALIDADE!!
Respeitem a gente. #lugardemulherénoestádio #leoasazulinas”. 
José Roberto da Costa Ferreira (Remista, paraense morando em Natal/RN)

Pablo Villaça: “O problema de ‘O Mecanismo’ não é ser de direita. É ser muito ruim”

O jornalista e editor da Fórum, Renato Rovai, entrevistou, na noite desta segunda-feira (26), o crítico de cinema, professor e editor do site “Cinema em Cena”, Pablo Villaça. O crítico é um dos mais respeitados do país e seu site, fundado em 1997, é o mais antigo sobre o assunto da internet brasileira. Pablo foi um dos primeiros a reagir negativamente à série “O mecanismo”, de José Padilha e, consequentemente, anunciar o cancelamento de sua conta no Netflix.

Sobre a série “O Mecanismo”, Villaça ressaltou que, “apesar de considerar o Paulo Padilha um grande cineasta, a série, a despeito de ser conservadora e de direita – com todo o direito de fazer isso – é muito ruim.

Ele fez questão de lembrar que gostou de vários filmes de direita, como o “Sniper Americano”, de Clint Eastwood e detestou outros de esquerda, como “Lula, O Filho do Brasil”.

Para ele, no entanto, “O Mecanismo” tem um roteiro muito pobre, a narração do Selton Melo tem momentos em que não se consegue entender nada, a mixagem é problemática, enfim, tem vários problemas sérios”, disse.

Ao deixar o Netflix, Pablo aproveitou para indicar vários outros serviços de Streaming, como o MUBI, e fez questão de ressaltar que o Netflix está longe de ser o único e tampouco o melhor serviço do gênero à disposição no Brasil.

“As pessoas perguntam o que vão assistir, pois o Netflix oferece muitas opções. Não é verdade isso. Existem várias outras opções. O MUBI, por exemplo, ao contrário do Netflix, tem uma curadoria e você encontra filmes que não vê em lugar nenhum. Tem o Amazon Prime, que também tem uma seleção muito boa entre outros”.

Pablo falou ainda sobre a situação política atual do Brasil entre outros assuntos. Assista aqui a entrevista completa.