
POR GERSON NOGUEIRA
A obrigação de vencer por três gols de diferença é sempre uma tarefa complicada em qualquer circunstância. O Papão de Dado Cavalcanti terá que realizar essa proeza hoje à noite contra o Bragantino, na Curuzu, para chegar a uma nova final do campeonato.
O revés no jogo de ida cobra seu preço para os bicolores, cuja presença do torcedor é tão decisiva quanto temível, pois um eventual deslize acabará por jogar a torcida contra o time, como já se viu inúmeras vezes.
O Bragantino está na confortável condição de franco-atirador. A equipe de Arthur Oliveira chegou muito além do que pretendia inicialmente e a classificação para disputar o título estadual é hoje um sonho possível de ser alcançado, mas sem a angústia e a pressão que pesam sobre os bicolores.
Com base no último treino, o PSC pode ter uma novidade no meio, com a entrada de Danilo Pires na vaga de Fábio Matos. O ataque segue com o trio Moisés-Cassiano-Mike, na esperança de que as goleadas sobre Interporto, Castanhal e Santos-AP sejam reproduzidas no jogo de hoje.
A volúpia ofensiva dos primeiros jogos após a chegada de Dado Cavalcanti foi aos poucos cedendo lugar a alguns apagões criativos, principalmente a partir da derrota no Re-Pa. Em Bragança, na última quarta-feira, o time mostrou-se atrapalhado e sem inspiração, sendo facilmente superado pela correria do jovem time do Bragantino.
Na Curuzu, o Papão não poderá repetir as falhas de marcação vistas na primeira partida, sob risco de complicar ainda mais uma missão já difícil por natureza. Sem Perema, lesionado, a dupla de zaga será Edimar-Diego Ivo. O problema defensivo do PSC é conter a velocidade do ataque do Braga, onde Pecel e Romarinho são figuras de destaque.
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A letra fria da lei
A diretoria do PSC tem sido cirúrgica na aplicação das normas que regulam o futebol. No caso dos três atletas cedidos ao Bragantino, usou os termos do contrato para afastá-los da semifinal. Agora, na distribuição de ingressos para visitantes, ateve-se ao que reza o Regulamento Geral de Competições: estabelece 10% do total de ingressos postos à venda, desde que o pedido seja oficializado (e pago) 72 horas antes do jogo.
Diante disso, foram disponibilizados à torcida bragantina somente 140 ingressos, ao preço de R$ 50,00, quase todos vendidos a cambistas. Uma nota de repúdio da principal torcida do Braga clama por mais respeito, mas a essa altura Inês já é morta.
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À espera de um teste que valha a pena
Há muito tempo que a Rússia não é mais aquela potência futebolística que metia medo em qualquer outra seleção do planeta. Durante a era Iashyn, jogar contra os soviéticos era sempre problemático, pois tinham extrema perícia na marcação e um muro quase intransponível no gol.
Desde os anos 80, a Rússia perdeu qualidade e prestígio. Seus times não ameaçam ninguém nas competições de clubes e a seleção reflete isso. Contra o Brasil, na sexta-feira, nenhum dos jogadores russos exibiu recursos capazes de preocupar a Seleção de Tite.
O primeiro tempo foi equilibrado porque o Brasil não conseguia executar manobras que envolvessem a zaga russa, bem fechada e atenta. Sem Neymar, a Seleção joga de maneira mais solidária e elege a troca de passes em velocidade como prioridade máxima, fato que oportunizou no segundo tempo uma chegada mais forte, principalmente pelos lados. A insistência acabou premiada e os gols não tardaram a sair.
Miranda, Philippe Coutinho e Paulinho fizeram os gols brasileiros e construíram uma vitória tranquila. Como o amistoso é uma oportunidade de avaliação da equipe, cabe destacar a óbvia importância que Coutinho tem hoje para a Seleção, talvez no mesmo plano de Neymar. A novidade foi seu aproveitamento mais como organizador centralizado, tendo Willian e Douglas Costa bem abertos.
Daniel Alves, em contrapartida, segue errando mais do que é possível permitir a um lateral de Seleção Brasileira. Peca principalmente na marcação, até mesmo contra o anêmico ataque russo, o que deixa um rastro de preocupação para a Copa, pois o reserva imediato (Fagner) é ainda mais errático.
Do time russo ficou a impressão de que suas ambições se limitam a ser um bom anfitrião na grande festa do futebol. Dificilmente brigará por posições destacadas no torneio, a não ser que algum milagre aconteça.
Diante do que se viu no estádio Luzhniki, em Moscou, aumenta a expectativa para o amistoso de terça-feira contra a campeã Alemanha, em Berlim, que deve valer como um teste de verdade para o time brasileiro a três meses da Copa.
Uma curiosidade: caso Tite escale Fernandinho na terça será uma espécie de homenagem reversa aos alemães, pois o volante foi um dos atrapalhados protagonistas da vergonhosa lambada no Mineirão em 2014.
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Beach Soccer já tem federação no Pará
Ocorreu na quinta-feira, 22, no salão Majestic da Assembleia Paraense, o ato de lançamento da Federação Paraense de Beach Soccer. Desportistas e convidados especiais prestigiaram o evento, que coloca o Pará na programação nacional do futebol de praia. Convidado pelos organizadores, não pude comparecer, pois estava em viagem de trabalho.
(Coluna publicada no Bola deste sábado, 24)
A seleção brasileira parece ter chegado a um estágio em que dispensa a obrigação de exibições e segue fazendo sua preparação com a máxima discrição. Ontem, por exemplo, houve um lance junto a lateral esquerda do time russo em que Paulinho, Daniel Alves e Willian trocaram passes rápidos com deslocamentos idem em um ínfimo pedaço do gramado, parecendo brincadeira de esconde esconde com os atônitos russos.
Claro que isso desperta no torcedor o gosto de quero mais, porém, poucas vezes ainda se viu rápidas trocas como aquela, que dessem a pista de onde Tite quer chegar com os treinamentos até a Copa. Não se trata de esconder o jogo, mas conter a euforia de atingir seu melhor nível prematuramente e depois sentir o gosto amargo da estagnação, tal qual aconteceu com Felipão que se achava imbatível após a Copa das Confederações, crente que todas as seleções haviam atingido seu melhor estágio. Deu no que deu.
Mal comparando, pode-se aplicar isso ao atual estágio do Papão. Nos primeiros jogos, o time do Dado marcava o adversário em cima, um meia, um volante e os dois laterais auxiliavam os três atacantes nessa pressão e o time passou a ilusão que ganharia o campeonato regional com o pé nas costas.
Tudo enganação. Hoje, dos quatro semi finalistas o Papão é o de pior desempenho tático, seus atacantes correm e se desgastam como se fossem volantes, por isso estão sempre em desvantagem no embate com a zaga adversária, total distanciamento entre os setores a ponto de em certos momentos dar a impressão que só tem sete em campo.
Pode ser que Dado esteja apenas segurando os ímpetos e preparando o time para atingir seu melhor nível na Série B, até já deu declarações a respeito da iminente mudança da postura tática futuramente. Mas que o time precisa de intensidade nesse momento, bem como ao menos mostrar que está no caminho da evolução, disso temos certeza. Este é o desafio de hoje.
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