Para reflexão

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Por Glauco Lima, no Facebook

Quando começou noticiário da febre amarela em SP, muita gente nem pensou, correu pra matar macaco. Quando mataram a vereadora, muita gente nem pensou, correu para atacar os direitos humanos.

Os macacos não transmitem febre. Os que morreram depois das picadas de mosquito, perderam a vida e com isso acabaram ajudando a salvar humanos, ao indicar as áreas de incidência da doença.

Os direitos humanos não defendem bandido. Os quem morrem por defender direitos humanos perdem a vida para salvar humanos, inclusive os que têm ideia distorcida de direito humano.

Empresária celebra escravidão em aniversário “top” para a filha

Debutante se vestiu de sinhá e jovens negros foram fantasiados de escravos. Cenas causaram revolta nas redes e OAB do Pará pedirá providências

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Por Nathane Dovale (Ponte), no El País

Na mesma semana do assassinato da vereadora Marielle Franco, negra e militantes dos direitos humanos, uma empresária do Pará postou nas redes fotos do ensaio para a festa de aniversário da sua filha de 15 anos, com o tema “Imperial Garden”, que faziam referência à escravidão.

A Seccional do Pará da Ordem dos Advogados do Brasil anunciou que vai enviar uma representação para o Ministério Público do Pará (MPPA) para pedir providências. “Estamos analisando o caso e devemos encaminhar a representação para que o MPPA convoque a agência responsável pela celebração e proponha ao menos um ajuste de conduta, para que ela se comprometam a nunca mais realizar esse tipo de celebração”, afirmou o presidente da Comissão de Defesa da Igualdade Racial, Etnia e dos Quilombolas no Pará da OAB/PA, Jorge Farias, ao Diário do Pará.

Quando as imagens viralizaram, em um dia significativo para a comunidade negra, quando a pauta do racismo foi uma das principais das redes sociais, a repercussão da “festa top” também apareceu.

Pediu desculpas, mas voltou atrás

A empresária mãe da adolescente negou a acusação de racismo, em entrevista ao G1. “O racismo é uma acusação pesada. Em nenhum momento passou pela nossa cabeça menosprezar uma raça, tanto que em nossa família existem negros e índios”, afirmou. Na entrevista, a empresária ameaçou processar as pessoas que compartilharam as imagens na rede fazendo o que ela chamou de interpretações “de forma deturpada”.

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Após a repercussão negativa, a empresa Cerimonial Lorena Machado deixou suas redes sociais restritas aos seguidores. Num primeiro momento, pediu desculpas pela atitude, mas em seguida voltou atrás. No post de arrependimento, a empresa de cerimonial dizia que, no dia 14, haviam preparado “um ensaio fotográfico de um aniversário de 15 anos, cujo tema é Imperial Garden” e que depois viram a reação de pessoas relacionando as imagens com racismo. E pedia perdão em letras maiúsculas:

Logo depois, o post de desculpas foi apagado. Ao BuzzFeed Brasil, a empresa disse que o post de arrependimento havia sido feito por um de seus funcionários sem sua autorização e que a festa será realizada no próximo dia 26.

Racismo romantizado

Ouvido pela Ponte, o professor de alemão da Universidade Federal do Pará (UFPA) Hewerton Barros contou que achou a atitude abominável. “Sobretudo porque remete a tempos difíceis para nós negras e negros, tempos que vêm sendo sempre reeditados. Banalizar isto desta forma só deixa mais clara a condição a qual querem que nós negras e negros estejamos sempre submetidos”, disse.

A estudante paraense Deise Moreira destaca que, no Pará, é comum as pessoas não reconhecerem que há racismo e que as instituições de ensino médio e superior não retratam a história negra como deveriam. “Atualmente, o povo paraense mal sabe o que é Cabanagem e só lembram da Adesão do Pará à Independência por causa do feriado estadual. O racismo começa aí, quando ‘esquecem’ que a maior revolta popular do Brasil foi perpetrada por negros e indígenas.”

“Em um país que viveu do século XVI ao XIX a infelicidade de ter como base de sua sociedade a escravidão e que vive, hoje, um momento de ampla discussão sobre as questões raciais que o afligem, é inadmissível que um processo tão dolorido seja tratado de forma romanceada”, afirma a historiadora Geisi Matos, aluna de mestrado da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em História Social.

Geisi completa que a atitude é problemática e resgata uma clássica discussão que a História vem combatendo há anos: a ideia de que negros e brancos teriam vivido de forma “paternalista, branda e conciliatória a escravidão”. “Além disso, a atitude liga a história do negro no Brasil apenas à sua participação na escravidão, o que é leviano, já que a história dos negros e negras no Brasil é feita de muito protagonismo e luta, fato que não pode ser invisibilizado dessa forma”, explica a historiadora. (Transcrito do El País) 

Direito de resposta amparado na Lei 13.188/2015

Em atenção à solicitação encaminhada pelos advogados que representam a médica Mayra Pinheiro, presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará e participante do projeto político Renova BR, o blog publica texto correspondente a direito de resposta e esclarecimento por matéria veiculada no blog, no último dia 09 de fevereiro, sobre a formação do grupo ligado ao apresentador Luciano Huck.

Abaixo, a nota encaminhada ao blogueiro pelo escritório Peter, Dantas & Melo Advogados Associados, de Fortaleza-CE:

“Entre os dias 03 e 09 de fevereiro deste ano, a participação e seleção da médica e atual presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará, Mayra Pinheiro, no Renova BR, projeto criado com o propósito de acelerar novas lideranças políticas e renovar o Congresso Nacional, originou equivocada e falaciosa notícia em veículo online, listados abaixo: 

É lamentável que o conteúdo veiculado contrarie o compromisso fundamental do jornalista, que é com a verdade dos fatos, pautando-se pela precisa apuração dos acontecimentos e sua correta divulgação, conforme Art. 7º do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros.

Nesse contexto, faz-se necessário ressaltar que o RenovaBR não é um partido político. Trata-se de um projeto criado pela sociedade, para a sociedade, cujo foco principal é a formação de lideranças éticas, motivadas a servir e construir um País melhor.

A possibilidade de integrar o projeto que envolve alguns dos maiores especialistas do Brasil ensinando temas como conhecimentos de campanha, comunicação, autoconhecimento, economia, ciência política e desafios do País, foi o que motivou a médica Mayra Pinheiro a inscrever-se e não o “auxílio das bolsas”, como ‘sugerido’ em outra reportagem. Sobre o qual, inclusive, a jornalista omitiu a informação que a referida médica assinou termo, abrindo mão do citado apoio financeiro.

Nas notícias também foi omitida a informação de que, entre os critérios eliminatórios para a seleção do Renova BR, estava o pensamento extremista ou qualquer histórico de comportamento antiético. O que de pronto excluiria a inverídica atribuição, à dra. Mayra Pinheiro, de envolvimento em episódio – ocorrido em 2013 – de vaias a médicos cubanos, assunto anterior e oportunamente esclarecido, como uma tentativa de macular a honra e a integridade da citada, em detrimento de sua efetiva trajetória em defesa da qualidade da Medicina brasileira e da Saúde Pública”. 

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Nota do Editor:

1) A exposição encaminhada pelo escritório de advocacia que representa Mayra Pinheiro refere-se a “reportagens”, termo que não se aplica à postagem, que é una e sem textos sequenciados. Em outro trecho fala em “outra reportagem”, não esclarecendo qual exatamente. A matéria do site Pragmatismo Político transcrita pelo blog cita realmente o “auxílio das bolsas”, mas não em sentido pejorativo, caluniador ou incriminatório.

2) Do ponto de vista do rigor jornalístico, é interessante destacar o desmentido formal e enfático sobre a participação de Mayra Pinheiro em grupos que hostilizaram duramente nas redes sociais médicos cubanos trazidos ao Brasil pelo Programa Mais Médicos, em 2013, bem como a negação da essência político-partidária do projeto Renova BR e a informação de que teria aberto mão (em termo assinado) da mencionada bolsa, estipulada entre R$ 5 mil e R$ 12 mil.