Mês: março 2016
Brasil corre risco de “governo de juízes”, alerta ex-premiê espanhol Felipe González
Ex-presidente do Governo da Espanha nas décadas de 80 e 90, Felipe González manifestou seu apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e disse que ficou chocado com a maneira como se deu a condução coercitiva e o depoimento de Lula. Membro do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), González deu uma entrevista coletiva na Universidade de São Paulo (USP) nesta quinta (10), onde alerta para o risco do que chama de “Governo dos juízes” no Brasil, na qual a atuação do Poder Judiciário tenta influenciar a política e substituir o Executivo e o Legislativo.
González foi o primeiro político europeu a declarar apoio ao ex-presidente Lula, se somando a líderes da América do Sul como Evo Morales e Nicolás Maduro.

Do El País
González afirma ter ficado chocado pela forma como Lula foi levado para prestar depoimento na PF
Felipe González, ex-presidente do Governo da Espanha(1982-1996), manifestou nesta quinta-feira seu apoio e reafirmou sua amizade com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que na sexta-feira passada foi obrigado pela Polícia Federal a depor sobre sua suposta participação no esquema de corrupção da Petrobras, enquanto realizavam buscas em sua casa e na sede de seu instituto. “Fiquei chocado pela forma como se deu a condução coercitiva e o depoimento de Lula. Não acredito que ele tenha se negado a depor antes, de modo que me pareceu desnecessário o uso da coerção”, disse González, do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), em uma entrevista coletiva na Universidade de São Paulo (USP), onde assumiu a cátedra José Bonifácio, do centro Ibero-americano.
O socialista alertou sobre o que ele chama de “Governo dos juízes”; ou seja, quando a aplicação da lei pelo Judiciário busca influenciar a política e substituir o Executivo e o Legislativo. González é o primeiro político europeu a falar sobre a operação da PF na semana passada e manifestar sua solidariedade a Lula, somando-se a outros políticos como Evo Moraes e Nicolás Maduro.
O socialista espanhol acredita que existirá “um antes e um depois” da Operação Lava Jato, “um novo cenário que definirá comportamentos diferentes, tanto de responsabilidades políticas como de responsabilidades empresariais”. Afirmou, entretanto, que mesmo que Lula esteja passando por um momento difícil, é e continuará sendo seu amigo. Mas que não fica “chocado” pelo fato do ex-mandatário ser investigado porque “somos todos iguais perante à lei”.
O ex-mandatário, que deu uma aula magna na USP, também frisou a importância de que os três poderes da democracia representativa – o Executivo, Legislativo e Judiciário – estejam em equilíbrio. Para ele, o mais sensível é o Judiciário, que precisa ser independente ao aplicar a lei, mas que pode sofrer distorções durante o desenvolvimento democrático. Especialmente quando, segundo ele, existe um “Governo dos juízes”.
Isso pode estar ocorrendo no Brasil, segundo o socialista. “O que vejo é que a política, como em todas as partes, se degradou. Novos atores precisam inclusive se apresentar como antipolíticos. Então os juízes podem acabar se transformando em heróis que representam a emoção e a aspiração das pessoas, e em um poder muito mais importante do que o que emana da vontade popular”, explicou. E acrescentou: “Gosto dos juízes, mas prefiro os que se dirigem às pessoas por meio de sentenças, resoluções e autos judiciais. São os mais sérios e respeitáveis”.

Presunção de inocência
González argumentou que a Justiça “não deve se voltar ao possível acusado, mas à aplicação da lei”. “A Justiça deve ser justa. E se é justa, é exemplar para todos igualmente. Mas quando se fala de exemplaridade, o pensamento é que com alguns deve-se ser mais exemplar do que com outros. E isso não é aplicação da Justiça”. Ao finalizar, relembrou: “Existe uma presunção de inocência sobre a qual se baseia o Estado democrático de direito”. Em concreto, o Ministério Público Federal acusa o ex-presidente brasileiro de ser “um dos principais beneficiários” do esquema de desvio de dinheiro da Petrobras, investigado há dois anos pela Operação Lava Jato.
O ex-presidente chileno Ricardo Lagos (2000-2006) também expressou sua solidariedade ao ex-presidente Lula: “Como o próprio Lula disse mais de uma vez, ninguém pode estar acima da lei. Essa é solidez de nossas democracias. E, certamente, é o momento de relembrar que, apesar do momento ruim, Lula é o líder que veio das bases sociais para dar à democracia de seu país e de seu continente novos horizontes em prol da justiça social”, disse Lagos ao EL PAÍS, segundo informa Rocío Montes.
Integrantes do Partido dos Trabalhadores (PT) articulam um manifesto de líderes mundiais em apoio a Lula, entre os quais deverão estar o ex-presidente uruguaio José Pepe Mujica e o ex-mandatário francês Nicolas Sarkozy, segundo diversos portais de notícias.
UM ANO DE CÁTEDRA NO CENTRO IBERO-AMERICANO DA USP
Felipe González compareceu nesta semana à USP para assumir a cátedra José Bonifácio, do Centro Ibero-americano, coordenado pelo Instituto de Relações Internacionais da USP. Ocupará o posto por um ano, em substituição à escritora Nélida Piñón. González liderará uma série de estudos sob o tema A crise da governança da democracia representativa, que deverão ser apresentados em um ano. Os outros titulares da cátedra foram o ex-presidente chileno Ricardo Lagos y Enrique Iglesias, ex-presidente do BID.
(Do Jornal GGN)
Big Brother em campo
POR GERSON NOGUEIRA
A adoção do sistema de vídeo para auxiliar a arbitragem em lances polêmicos – dúvidas em lances de gol, impedimento, pênalti ou expulsão – tende a ser a grande novidade no futebol nos próximos dois anos. Desde a semana passada, Fifa (sob nova direção) e International Board decidiram aprovar o sistema eletrônico para situações duvidosas em campo, no congresso realizado em Cardiff. A adoção de tecnologia é um dos últimos tabus derrubados pelos velhinhos britânicos que controlam as normas do esporte em todo o mundo.
No Brasil, reina um impasse para a utilização dos vídeos de esclarecimento. Tem a ver com grana. A CBF estima em R$ 15 milhões ao ano o custo de implantação de um sistema próprio de câmeras de monitoramento. Alguém sugeriu que a velha parceira TV Globo seja chamada para colaborar, cedendo imagens de suas transmissões.
Quando CBF e seus parceiros falam em dinheiro, todo mundo já fica de orelha em pé. Neste caso, parece inevitável que a confederação tenha que abrir o cofre para criar o sistema. Contra a ideia de utilização de imagens da emissora pesa a recomendação da Fifa para que o sistema seja exclusivo da confederação.
Os R$ 15 milhões anuais representam pouco mais de 3% da receita bruta da confederação, que conta com uma grande quantidade de patrocinadores, apesar de algumas desistências importantes depois que o escândalo de corrupção no futebol atingiu a entidade.
Apesar dos pesares, as reservas financeiras da CBF continuam robustas: R$ 227 milhões em caixa, segundo o balanço referente a 2015. O superávit em relação ao exercício anterior foi de R$ 72 milhões (82,5%), o que permite supor que a entidade tem plenas condições de investir na modernização do esporte no país.
De todo modo, para 2016 é pouco provável que o recurso seja adotado oficialmente. A CBF pretende fazer experimentações durante o Brasileiro da Série A, mas ainda sem utilizar a tecnologia da câmera na linha do gol já existente nas arenas da Copa do Mundo (e no Campeonato Inglês).
Um dos entraves é a impossibilidade de dispor da tecnologia em todos os estádios onde são disputados jogos da Série A. Para a CBF, o sistema só deve funcionar quando todos os estádios estiverem devidamente equipados. Na prática, porém, seria válido adotar desde já, mesmo que em apenas metade dos estádios, pois o sistema contribuiria para a redução de falhas da arbitragem. O custo de instalação chega a R$ 600 mil por estádio.
A princípio, torcidas e clubes não sofrerão qualquer ônus pela adoção do sistema tecnológico nos estádios. Por outro lado, serão os principais beneficiários da inovação. As câmeras certamente ajudarão a salvaguardar reputações de árbitros (e de suas genitoras) e contribuirão para acabar com o estresse de dirigentes e jogadores que culpam a arbitragem por tudo.

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Leão vence e põe o pé na segunda fase
Com um gol de Marco Goiano logo aos 5 minutos de partida, o Remo conseguiu botar as coisas em ordem e construir uma vitória tranquila sobre o Náutico de Roraima, ontem, em Boa Vista, consumada ainda nos primeiros 45 minutos. Se houvesse mais esforço e criatividade, e as condições do campo permitissem, a vitória seria bem mais ampla que os 3 a 1 do placar final.
Sem perder a característica de marcação no meio, Leston Junior botou o Remo para explorar os pontos falhos da zaga roraimense. Graças a isso, aos 28 minutos, Yuri ampliou. Quase ao final da primeira etapa, o artilheiro Ciro cravou o seu também.
Na etapa final, o Remo não se arriscou e o Náutico pouco podia aspirar. Acabou fazendo o gol de honra aos 42 minutos. Nada que abale a certeza de que os azulinos já passaram à segunda fase da competição.
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Um Ganso intenso e plugado
O jogo foi chatinho, enrolado e rico em sarrafadas, como é comum em confrontos que envolvem argentinos e brasileiros. A surpresa ficou por conta do novo São Paulo de Edgardo Bauza. Mais marcador e intenso, disputando todas as divididas com vontade e exibindo um Ganso plugado, a fim de briga.
O paraense estava tão a fim de jogo que, fugindo às suas características, quase foi expulso após um violento carrinho em D’Alessandro. Talvez seja efeito da filosofia implantada por Bauza, um técnico pragmático e especialista em Libertadores.
Na zaga, Maicon e Lugano se esmeravam nas gentilezas ao ataque do River, dando a letra do que se deve esperar do Tricolor na competição deste ano. O lado negativo foi a desastrosa participação do goleiro Dênis no lance do gol argentino. Apesar disso, um empate interessante, mesmo levando em conta que o River não é mais aquele.
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Chance de reparar a omissão da arbitragem
A súmula de Joelson Nazareno Cardoso foi amena e ignorou a briga generalizada que ocorreu durante a série de penalidades na decisão do primeiro turno, domingo passado. Apesar de o trio de arbitragem estar no meio do sururu, nenhum dos brigões (Ricardo Capanema, Eduardo Ramos, Pablo e Fernando Henrique, principalmente) foi citado.
Ocorre que o TJD pretende analisar as imagens e julgar os envolvidos nas vergonhosas cenas de violência entre atletas dos dois times. Caso leve a cabo essa intenção, o tribunal estará prestando um grande serviço às leis desportivas, que pregam respeito e disciplina nas competições.
O lado vexatório disso tudo fica por conta da incoerência de jogadores que entraram em campo de mãos dadas e trajando camisetas com apelos de paz nos estádios.
(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 11)
São Paulo empata no Monumental
Leão estreia com vitória na Copa Verde

Rock na madrugada – Pearl Jam, Funckin’ Up
Náutico-RR x Remo – comentários on-line
Copa Verde 2016
Náutico-RR x Remo – estádio Raimundo Ribeiro, em Boavista (RR), 21h30

Na Rádio Clube, Jorge Anderson narra. Reportagens – Paulo Caxiado e Paulo Fernando.
Má fé cínica e obtusa no pedido de prisão de Lula

POR PAULO NOGUEIRA, no DCM
O promotor Cássio Conserino, para lembrar uma frase de Eça, está sendo movido ou por má fé cínica ou por obtusidade córnea. Ou, acrescentaria, por uma mistura de ambas.
Considere.
Ele decreta a prisão preventiva de Lula com os seguintes argumentos relativos ao triplex do Guarujá.
- Lula era o “mascote” das vendas dos apartamentos.
Ora, ora, ora. “Eles [os corretores] sinalizavam para os eventuais compradores que poderiam jogar bola com o ex-presidente, passear com ele no condomínio. E que teriam mais segurança por conta da figura ilustre do Lula.”

Conserino acha que somos todos imbecis? Se é que é verdade que os corretores usavam Lula como argumento, que responsabilidade ele pode ter sobre isso?
Zero.
Qualquer corretor faz este tipo de coisa diante de uma situação parecida. Suponhamos. Um astro de novela fez uma pré-compra de um apartamento num condomínio.
Claro que os corretores alardearão isso nas conversas com potenciais compradores.
O que me traz dúvida em relação ao papel de “mascote” – a expressão de Conserino revela sua alma torpe, preconceituosa, vil – é que a classe média que poderia comprar os apartamentos no Guarujá abomina Lula, manipulada que é por Globo e sequazes.
Seria provavelmente um péssimo argumento de vendas.
- Pelo menos 20 testemunhas foram ouvidas.
Mais uma vez: ora, ora, ora. Primeiro, sabemos o que significa “pelo menos”. É uma cínica aproximação que vale a partir de 10. Mas principalmente: que testemunhas são estas?
Vimos a natureza delas em várias reportagens do Grupo Globo. São transeuntes, funcionários do condomínios não citados e por aí vai.
E o que dizem todos esses anônimos é que viram Lula ou alguém da família em alguma visita ao apartamento.
Lula fez uma pré-compra, afinal não realizada. É natural que em algum momento ele e os familiares descem um pulo ao Guarujá, até para decidir sobre o negócio.
Por contraste, quantas pessoas são testemunhas de que a Paraty House é dos Marinhos? Gente quetrabalhou no projeto conta que tratou com Paula Marinho, neta de Roberto Marinho. O arquiteto do casarão criminoso deu à obra o nome de Projeto PM.
E isso não é nada.
É provável que um dos objetivos de Conserino tenha sido promover a manifestação pró-impeachment. Porque prender mesmo Lula é uma possibilidade remota: o caso será examinado por uma juíza e recursos poderão ser interpostos.
Conserino pensa que engana a quem?
Ele admite não ter provas documentais. O que ele tem são essas alegações primitivas, canalhas e irresponsáveis. Ele tem noção dos tumultos que pode estar provocando ao tomar uma medida tão absurda, tão injusta e tão disparada quanto esta?
Se alguém deve ser preso nesta história, por abuso de autoridade e por em risco a segurança de muitos brasileiros, é ele mesmo, o desprezível Cássio Conserino.
Até líder tucano critica pedido de prisão de Lula
O líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), criticou o pedido de prisão preventiva feito pelo MP-SP contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta quinta-feira (10). Em nota, Cunha Lima disse que não há “fundamentos” para autorizar o pedido de prisão contra Lula.
“Não estão presentes os fundamentos que autorizam o pedido de prisão preventiva, até porque o Ministério Público Federal e a Polícia Federal fizeram buscas e apreensões muito recentemente buscando provas. Vivemos um momento incomum na vida nacional. É preciso ter prudência”, afirmou o senador.
A nota do senador tucano chama atenção por conta do posicionamento de oposição que o PSDB faz em relação ao governo da presidente Dilma Rousseff (PT) e ao PT.
Íntegra da nota do líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima:
“O líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), recebeu com cautela a notícia de que o Ministério Público de São Paulo pediu a prisão preventiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nesta quinta-feira (10). A alegação dos promotores é de que Lula é suspeito de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica relacionados ao triplex do Edifício Solaris, no Guarujá (SP).
´Não estão presentes os fundamentos que autorizam o pedido de prisão preventiva, até porque o Ministério Público Federal e a Polícia Federal fizeram buscas e apreensões muito recentemente buscando provas. Vivemos um momento incomum na vida nacional. É preciso ter prudência.” (Do UOL)
Enquanto isso, na cozinha do golpe…

A frase do dia
“De acordo com o MP-SP, o fato de NÃO haver prova de que Lula é dono do triplex é PROVA de que ele é. Sob esta lógica, sou dono de BH toda”.
Pablo Villaça, no Twitter
Enquanto isso, em Curitiba…
