Moro tenta a última cartada

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DO CONVERSA AFIADA

GloboNews divulga áudio inacreditável de um suposto juiz.

O áudio apenas mostra que Dilma diz a Lula que ia mandar o “termo de posse” para ele se preparar, caso Moro tentasse prendê-lo.

A GloboNews tenta por fogo na fogueira que Moro ateou. Moro não é um juiz.

É um subversivo, que grampeia a Presidenta da República. E divulga para a GloboNews.

Porque Dilma e Lula desmascararam sua trama rasteira! Um escândalo !

É a Justiça que aterroriza o Wagner Moura e todos nós!

Bateu o desespero nos golpistas, agora nem há mais qualquer disfarce. Juiz comete grave afronta constitucional divulgando grampo de conversa da maior autoridade do país. 

Romário detona CBF e coronel na CPI do Senado

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O presidente interino da CBF, o coronel Antonio Carlos Nunes, pouco falou no depoimento que prestou à CPI do Futebol, na tarde desta quarta-feira, na condição de testemunha. O cartola permaneceu em silêncio em praticamente todas as perguntas feitas pelo senador Romário Faria (PSB-RJ), presidente da comissão. E foi até atacado pelo ex-jogador.

“O senhor não tem autonomia nem capacidade para presidir a CBF”, disse Romário, ao final do depoimento. Mesmo assim coronel Nunes não reagiu. O senador foi insistente nas perguntas. Chegou a dizer que o coronel Nunes não tinha “coragem, diferentemente de outros coronéis que eu conheço”. Também citou outros cartolas da CBF, como os ex-presidentes Ricardo Teixeira, José Maria Marin e Marco Polo Del Nero.

“Teixeira, Marin e Del Nero são ladrões e corruputos. O senhor também é ladrão e corrupto?”, indagou Romário, sem obter resposta do presidente da CBF. O coronel Nunes já havia frustrado à CPI do Futebol três vezes deixando de comparecer ao depoimento. Na primeira utilizou-se de uma liminar, que o liberou do depoimento, nas outras duas ocasiões alegou compromissos com a seleção brasileira.

Antes de o coronel Nunes se apresentar à CPI do Futebol nesta tarde, uma força-tarefa formada por advogados, assessores de imprensa e consultores de imagem preparou o cartola para cada pergunta que poderia ser feita durante a sessão com o objetivo de evitar que ele saísse derrotado do embate com Romário.

NEGADA CONVOCAÇÃO DE RICARDO TEIXEIRA

Antes do depoimento do coronel Nunes, foram votados requerimentos na pauta para a CPI do Futebol, entre os quais um que tratava da convocação de Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, para ser ouvido pela comissão. Foi negado, assim como os demais. As negativas revoltaram Romário. “Isso não vai mudar a minha conduta”, disse o senador. (Da ESPN) 

FHC apela e chama Lula de analfabeto

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O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso surtou nesta quarta-feira 16 ao saber que o ex-presidente Lula seria ministro da Casa Civil e fez uma declaração no mínimo deselegante ao participar de um evento.

“Tem que ter cabeça nova, não é só ser político, é preciso conhecimento. Conhecimento é fundamental. Você não pode dirigir esse país sendo analfabeto. Não dá”, afirmou o tucano, que avaliou ainda ser “um erro do ponto de vista da organização do governo” e “escandaloso” o petista como ministro.

Para ele, a nomeação de Lula dá motivos para mais questionamentos por parte do Congresso. “Por aí não vai. A Casa Civil no Brasil, e isso eu disse a ele lá atrás, é o comando da máquina administrativa do governo, não é da política. Alguém tem que comandar a máquina administrativa para as coisas acontecerem. Se nomear um político para o comando da Casa Civil vai se fazer confusão entre política e administração e isso vai servir para o Congresso cobrar”, declarou.

FHC também convocou a sociedade a “reagir energicamente” contra a nomeação. Caso isso não ocorra, afirma, “o presidente Lula é competente no jogo político e ele vai usar sua capacidade para postergar decisões. “Acho escandaloso uma pessoa ser ministro no momento em que pode se tornar réu em um processo. É muito esquisito, aumenta a crise moral”, opinou.

Pesquisa Datafolha recente apontou o ex-presidente Lula como o melhor da história do País, muito à frente de FHC. Líderes mundiais também defenderam Lula recentemente, apontando que ele ajudou a projetar uma imagem positiva do Brasil no mundo. FHC é citado pela ex-amante Miriam Dutra como dono de apartamentos em Nova York e Paris em nome de um laranja. (Do Brasil247)

Tou falando que baixou o desespero nas hostes direitistas…

Lula é anunciado como novo ministro da Casa Civil

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O Palácio do Planalto confirmou nesta quarta-feira, 16, por meio de nota à imprensa, que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva irá assumir o cargo de ministro chefe da Casa Civil.

“A Presidenta da República, Dilma Rousseff, informa que o ministro de Estado Chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, deixará a pasta e assumirá a chefia do Gabinete Pessoal da Presidência da República. Assumirá o cargo de Ministro de Estado Chefe da Casa Civil o ex-Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva”, diz trecho da nota.

Segundo a nota da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, assumirá, ainda, o cargo de ministro da Secretaria de Aviação Civil, o deputado federal Mauro Ribeiro Lopes.

Setores da oposição encaminham recursos à Justiça buscando impedir a posse do novo ministro, embora a escolha da equipe seja prerrogativa da presidente da República. Alegam que Lula não tem formação superior. Curiosamente, o povo elegeu duas vezes o ex-metalúrgico para um cargo mais importante: a Presidência da República. (Do Brasil247)

Choro e resmungos da oposição, incluindo o sempre despeitado FHC, indicam que Dilma acertou em cheio na escolha de Lula. 

A Kombi, não a da Tuna, mas a do jornal…

POR ELIAS RIBEIRO PINTO

1 Jornalistas sempre terão histórias para contar de motoristas que conduzem os carros da reportagem. Eles não só incorporam o espírito jornalístico – de ter de chegar à notícia antes dos demais – como se imaginam à direção de uma ambulância, de uma viatura policial. Também tenho meus testemunhos a dar, mas não vou acender agora – quer dizer, não vou contar agora.

2 Vou falar de um assunto que corre (e como corre) paralelo. Quase vinte anos atrás, quando eu escrevia, todo domingo, a reportagem especial de página dupla do DIÁRIO, costumava, de sexta para sábado, no dia de fechamento da matéria, sair de madrugada da Redação.

3 Às vezes o sábado já ia alto. Era só atravessar a Almirante Barroso e pegar o ônibus. (Eu ainda me mantinha invicto, no longo período em que preferi permanecer sem carro próprio.)

4 No mais das vezes, no entanto, a virada acabava lá pelas três, quatro da matina. E aí tinha de esperar o bonde do jornal, a Kombi que faz a entrega da moçada da virada a domicílio. Não sei se a Kombi ainda se mantém na ativa nesta função. Sei que ainda persiste como transporte preferencial da grande massa tunante.

5 Eu estava entre os poucos que vinham para essas bandas de cá, da Praça da República. Quando dava sorte, me deixavam primeiro – o que acontecia quando a Redação era na Gaspar Viana. Depois da mudança para o prédio defronte ao Bosque, como a maioria morava para as bandas do Castanheira em diante, eu preferia embarcar logo no circular a ter de esperá-lo no retorno.

6 E lá ia eu por uma Belém que conhecia, quando muito, de nome de linha de ônibus. Até a Cidade Nova conheço mais ou menos – mas dali o carro do jornal desandava a se enfiar por becos, passagens, outros conjuntos e arremedos de conjuntos, ajuntamentos.

7 Pertenço à linhagem daqueles andarilhos de antigamente, dos poetas europeus do século 19. Rimbaud atravessava campos e cidades na canela. Baudelaire preferia atravessar Paris flanando por suas então nascentes galerias urbanas.

8 Certo que ninguém me ama, ninguém me quer, ninguém me chama de Baudelaire, também gosto de atravessar Belém e outras cidades em que me pego estrangeiro. Sigo por ruas inéditas, tateando, sentindo-lhes a pulsação, adivinhando-lhes o prazer e o perigo.

9 Se bem que nesses últimos e úmidos tempos, por ter cedido à tentação e comprado um carro, já não ando tanto (a pé) quanto gostaria.

10 Mas voltando no tempo, naquelas voltas intermináveis que a Kombi do jornal dava, ficava impressionado em percorrer uma outra cidade para mim completamente desconhecida, descomunal, labiríntica, periférica, que também atende pelo nome de região metropolitana.

11 Naquelas horas ermas da madrugada, vielas, ruas, passagens e becos compunham um enovelado impenetrável, uma meada sem fio. E mesmo sob a suavidade da madrugada, de sua aragem amena, era possível antecipar a aridez daquela Canudos (não me refiro ao bairro) belenense, menos miserável que a de Antonio Conselheiro, mas plena de taperas, barracos, amontoados de gente. Em alguns casos até lembrava, sim, a Canudos de “Os Sertões”. Não acho que tenha melhorado. Bem capaz de ter piorado.

12 Quando andamos pela Braz, pela Presidente Vargas, ruas centrais, não raro sentimo-nos órfãos de segurança. Imagine-se a vida nesses arruamentos e vielas, nessa malha de passagens (e Belém é um mar de passagens a perder de vista) que compõe as periferias da cidade. Se aqui no centro já se vive às escuras, com ruas respirando um ar de clima noir, que bem comporiam o cenário de um Dostoiévski equatorial, à medida que avançamos, ou retrocedemos na urbanidade, a luz míngua até quase o breu completo.

13 Uma daquelas reportagens especiais que escrevi foi sobre o Tapanã, que então registrava índices que o punham líder entre os bairros mais violentos da cidade.

14 Depois de um dia percorrendo aqueles territórios indóceis, desgovernados, cidadelas de dédalo, quando a noite se fez anunciar, serpenteando, achei melhor dar por finda minha porção Tim Lopes. Ao escrever a reportagem, tentei passar um pouco da “cor” local, dar voz a quem convive com a ameaça incessante do crime, desabrigado de justiça, segurança, urbanidade.

15 Quantos de nós desconhecemos essa Belém depauperada que vive enrodilhada como uma cobra, e da qual dela só nos apercebemos quando nos vem dar o bote?

Sinuca de bico e desmoralização total

POR ANTONIO JOSÉ SOARES (via Facebook)

Caso as denúncias do senador Delcídio Amaral, na delação premiada, se confirmem, estamos totalmente desmoralizados, não só os ladrões apanhados na Lava Jato e outras operações espetaculosas da PF, quanto todas as autoridades, os procuradores, juízes, parlamentares de todos os níveis de governo; a festiva imprensa nacional, o dito jornalismo investigativo que muitos tanto se orgulham de exercê-lo; os tribunais de contas, a Receita Federal, tudo; enfim, quem tem o dever de fiscalizar e cobrar o bom andamento das coisas públicas. Todos somos incompetentes ou coniventes, de algum modo, com o que esta acontecendo. Nem o povo humildade escapa da culpa, da responsabilidade. E pensar que tudo ou foi descoberto por acaso ou porque sempre um dissidente do bando deu coma língua nos dentes. Lembra do caso Colllor?
O Brasil, por causa dessa roubalheira desenfreada, que nunca foi denunciada nem por oposição, nem por situação, nem mesmo por partido nanico de esquerda, deixou passar a oportunidade de se desenvolver economia e socialmente, no rastro dos preços valorizados das exportações. Erramos por excesso de protecionismo. Todos passaram a viver grudados nas tetas do governo. Agora, estamos numa sinuca de bico.

(*) Jornalista

Delcídio atira Aécio e Temer na lama; Lula, quase ministro, fica ainda mais forte

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POR RODRIGO VIANNA

Delcídio atirou pra todos os lados: sobrou para o tucano Aécio Neves (com a suposta participação nos esquemas de Furnas e as contas secretas da família, que teriam sumido de uma CPI) e para Michel Temer (que, segundo Delcídio, sustentava a turma da corrupção na Petrobras). Sobrou também para outros líderes do PMDB.

Essa é a grande novidade da delação homologada hoje pelo ministro Teori, no STF: não há seletividade. Teori expôs tudo à luz. E Aécio, enxotado na Paulista pela direita no dia 13, agora é enxotado pelo Delcídio.

Claro que Delcídio também tentou implicar Lula e Dilma. Mas isso não é novidade. Esses dois já estão sob ataque permanente. A novidade é que o moralismo seletivo começa a ceder! PSDB e PMDB se aproximam da guilhotina da Lava-Jato.

Temer, que pretende ser um novo Café Filho (o vice que traiu Vargas em 54) também se enlameou e terá dificuldades em se apresentar como grande capitão do golpe parlamentar, para “unir o Brasil”.

Claro que delação não é fato. Delação é o relato desesperado de alguém que, preso, fala o que a autoridade quer ouvir. A delação de Delcídio não é ponto de chegada, mas ponto de partida. Só investigações sérias podem provar se o que ele diz guarda relação com a realidade.

Claro também que, fora das ilações, há uma grande bomba na delação: a gravação em que o pavão Mercadante aparece conversando com um assessor de Delcídio. A mídia tucana apresentou essa gravação como indício de que Mercadante tentou “comprar o silêncio” de Delcídio.

Não é isso o que aparece na conversa. Sim, é grave que um ministro fale com emissário de um investigado. Grave e burro – diga-se. Não gosto de Mercadante, acho que Dilma devia aproveitar o episódio e se livrar dele. Mas difícil encontrar no diálogo uma prova de que Mercadante estaria oferecendo grana pro Delcídio pagar advogados e ficar quieto.

É sintomático que a oposição tenha sido até cautelosa diante da bomba de Delcídio. Não se vê grandes arroubos por enquanto. Estão avaliando os fatos. Aécio sumiu do mapa. Só os peixes miúdos da oposição deram as caras – meio desgovernados.

Sintomático também o que ouvi há pouco na Globo News. A apresentadora (fazendo um papel até jornalístico) perguntou ao “repórter” Camarotti: “sobra algum problema pra oposição com essa delação?”.

Ingênuo, achei que o “repórter” fosse falar de Aécio/Furnas. Que nada, vejam só: “A oposição vem a reboque dos acontecimentos, não tem protagonismo, e tem medo da ida de Lula pro governo”. Camarotti tentou poupar Aécio, mas sem querer entregou tudo. A oposição é hoje “passageira da agonia” nesse transatlântico pilotado por Moro, Janot e pela Globo.

Resumo da ópera: Mercadante levou tiro no peito; Aécio e Temer foram pra lama. E Lula? É cada vez mais necessário no governo. A delação não muda nada em relação a isso. Sem Lula, Dilma não se sustenta. Lula pode ajudar a destravar a economia e a segurar o PMDB.

Ah, mas mesmo delatado no STF pelo Delcídio? Sim.

No meio da tempestade, o capitão mesmo ferido consegue levar o barco a porto seguro. É hora de apostar no capitão.vAté porque do outro lado o jogo está dessarrumado: Aécio enxotado, Alckmin reduzido a São Paulo e olhe lá. Sobram Moro/Bolsonaro. Marina dá uns gritinhos, mas ninguém a leva a sério.

Das sombras, Serra tenta manobrar o seu bote, pra atracar no transatlântico e ocupar a cabine de comando – na calada da noite. A oposição, entregou o Camarotti, está a reboque, com medo de Lula. O risco a essa altura é embarcarmos numa República jurídico-midiática, em que as delações sejam a guilhotina de Robespierre.

O ex-presidente Lula, talvez, espere as manifestações de sexta, e a formação da comissão do impeachment para tomar sua decisão final. O PMDB – apavorado com delações e agora jogado na lama – é parte do jogo. A outra parte é a rua no dia 18.

O jogo está longe do fim. Não acreditem nas manchetes da Veja e do UOL!

Aversão a políticos e partidos fragiliza democracia

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POR TORY OLIVEIRA

Expresso nas últimas manifestações do domingo 13, em especial na avenida Paulista, o antipetismo é apenas a ponta do iceberg das insatisfações dessas parcelas da população com o sistema político e partidário tradicional. Essa é a avaliação da pesquisadora da Unifesp, Esther Solano, que desde junho de 2013 debruça-se sobre as grandes manifestações de rua no Brasil.

No domingo, quando 500 mil manifestantes marcharam em ato pró-impeachment de Dilma Rousseff em São Paulo, Esther caminhou com os manifestantes para realizar uma pesquisa qualitativa com 30 participantes do protesto.

Para a socióloga, as investigações contra Lula ajudaram a catalizar as manifestações pró-impeachment, verdadeiras demonstrações de força contra o governo e contra o Partido dos Trabalhadores (PT), na visão da socióloga espanhola.

A figura do juiz Sérgio Moro, presente em faixas, cartazes e palavras de ordem, ganhou traços messiânicos na voz dos participantes do ato. “É um misticismo muito preocupante. Quando começa esse tipo de discurso, não há controle, você está levando o discurso para uma dimensão que não é política, mas sim emocional”.

CartaCapital: Como a senhora analisa as manifestações do domingo 13?

Esther Solano: Estávamos monitorando para saber o tamanho dela e tínhamos a impressão que seriam talvez um pouco menores, mas não, realmente foram muito grandes. Em termos quantitativos foi um sucesso. Acho que ela acontece em um momento muito complicado, em que houve o pedido de prisão do Lula e que a Dilma está muito fragilizada. Foi, de alguma forma, uma demonstração de força contra o governo e contra o PT. Estamos também avaliando o protesto pró-Dilma e pró-Lula e quase com toda a certeza será menor do que a de domingo. Nessa correlação de força, acredito que o governo e o Partido dos Trabalhadores (PT) sairão enfraquecidos.

CC: O tamanho das manifestações, de fato, era inesperado? Por que mais gente foi às ruas?

ES: Sim, de fato foi inesperado. Acho que o fator catalizador fundamental neste ultimo processo foi a questão do protagonismo da figura do Lula. O fato de ter tido primeiro acondução coercitiva,depois o pedido (de prisão preventiva) do Ministério Público de São Paulo. De certa forma, desgasta-se o centro neural da política do PT, que é o Lula. No sentimento dos manifestantes,  o centro de tudo é Lula, e quando há um pedido de prisão contra ele, isso cataliza muito o sentimento antipetista.

CC: O que significa, na sua opinião, a rejeição também a políticos como Aécio e Alckmin? 

ES: Talvez seja o dado mais interessante do que aconteceu no domingo. Porque a Dilma e o Lula todo mundo já sabia que seriam hostilizados, mas os outros também foram: o Aécio Neves, a Marta, o Alckmin, o Dória, o Matarazzo, a maioria. É uma coisa que já estamos monitorando na pesquisa: fica muito claro que o sentimento mais visível seja o antipetismo, mas que, no fundo, há uma crise no sistema politico e partidário como um todo. Porque São Paulo é um pólo tucano, pura e simplesmente, na manifestação, a grande maioria é eleitor do Aécio e do Alckmin e, mesmo assim, houve uma deslegitimação política deles. Por isso, acho que está em crise esse sistema político tradicional como um todo – nenhum partido representa totalmente a população.

CC: Algum grupo político tradicional é capaz de capitalizar em cima dos protestos?

ES: Talvez mais do que grupos políticos, percebo mais que esse capital possa talvez ir para figuras mais isoladas. No domingo, por exemplo, a figura do Moro recebeu apoio brutal. Imagina o capital político que ele está ganhando, por exemplo, não sei se ele utilizará o capital. Mas o que fica claro é que o descredito na na política tradicional abre a porta para figuras que estão, digamos assim, fora do mainstream. O Moro, por exemplo, está colocado como uma figura messiânica. Muita gente falava: “Ele vai salvar o Brasil”, “Ele vai salvar o Brasil da corrupção”, “A gente confia nele porque ele é o único que luta pelo Brasil”. Outra figura muito mais preocupante é o Bolsonaro, que pode também capitalizar toda essa insatisfação.

CC: Que consequências que pode ter esse descrédito? 

ES: Sobretudo, uma fragilidade institucional muito grande. Porque você tem, por um lado, o descrédito do Congresso como um todo, dos partidos políticos, da imprensa de forma geral, então quando há uma sociedade que não acredita nas instituições, você fragiliza muito a democracia. Como a democracia pode funcionar sem as instituições? Acho que tudo isso fragiliza e provoca problemas no funcionamento da democracia.

CC: O fato do perfil do manifestante de domingo 13 ser mais elitizado está sendo utilizado pela esquerda governista para, de certa forma, desqualificar o protesto. Qual é a sua visão sobre isso?

ES: Acho que é um erro político. Não tem como negar que o protesto foi branco e elitizado, é verdade, os números estão aí. Mas isso não significa que não exista uma boa parte da população de renda mais baixa, que tradicionalmente vota no PT, e que está muito insatisfeita. Eu não gosto desse tipo de análise que desqualifica dizendo “eles não representam ninguém”. Cuidado, porque o descontentamento na periferia e das bases tradicionais do PT também estão muito criticas e isso é uma coisa que não deveríamos deixar de lado.

CC: E nem a esquerda e nem a direita estão conseguindo mobilizar essas pessoas.

ES: Isso é interessante de pensar. A periferia, no fundo, não é escutada por ninguém, nem pela esquerda e nem pela direita. Na manifestação eu pensava: imagina se o Vem Pra Rua, o Movimento Brasil Livre e os Revoltados Online conseguissem mobilizar esse sentimento antipetista na periferia? Vamos ver, pelo jeito não surgiu nenhum interesse por esse tipo de grupo social. A esquerda, ou mais especificamente o petismo, abandonou muito o projeto político na periferia. Ninguém conta com a periferia, sendo que são quantitativamente maioria, mas politicamente não tem tanta força política quanto a classe média alta.

CC: A senhora destacou que o  protagonismo do juiz Sérgio Moro está em ascensão entre os manifestantes. Por que isso acontece e quais seriam as consequências?

ES: Já estávamos monitorando o protagonismo do Moro desde a primeira manifestação, a ideia de que ele seria um héroi e estaria lutando pelo Brasil, etc. Só que nesta última, a diferença fundamental foi que a Operação Lava Jato voltou-se contra o Lula. De alguma forma, para esses manifestantes, a figura do Moro fica mais legitima ainda. É a luta do bem contra o mal, do Moro x Lula. O que me preocupa mesmo não é o apoio a ele, que é totalmente legítimo, mas sim as frases messiânicas que ouvi: ele é heroi, é o salvador, é o único que pode fazer algo pelo Brasil. É um misticismo muito preocupante, porque ele é simplesmente mais uma figura do Judiciário e, quando você começa com esse tipo de discurso messiânico, não há controle, você está levando o discurso para uma dimensão que não é política, mas sim emocional.

CC: Com o Lula acontece a mesma coisa entre os governistas.

ES: Justo, personifica-se o debate com Lula e Moro. O Lula também mobiliza muito essa dimensão sentimental, simbólica, ele é um mito também. É como se o debate político fosse menos de argumentos, de ideias e proposta e cada vez mais um debate emocional, mais visceral. Isso é muito perigoso.

CC: A que a senhora atribui esse tom mais visceral?

ES: Acho que a decadência da política mais tradicional, os partidos não conseguem de fato representar as diversas ideologias, não tem realmente partidos com uma proposta ou com um programa de governo, uma proposta ideológica forte. Quando há uma fragilidade institucional e política tão grande e depois uma sociedade muito polarizada – aliás, não podemos esquecer que o Brasil é muito polarizado, muito desigual historicamente – é a terra perfeita para discursos muito mais extremos.

CC: Lula ainda tem força para se reerguer?

ES: Sim, ele tem. Estou analisando assim: se realmente o Moro não tiver provas contundentes e incontestáveis contra ele, Lula vem forte para 2018. Brincamos hoje na sala de aula: se o Moro não colocar o Lula na cadeia, ele vai colocá-lo na presidência. Se as provas foram contundentes é isso e pronto, mas, se não, o Lula ainda tem um capital mobilizador enorme. E esse mito do Lula perseguido político mobiliza muito.

CC: Outro aspecto que chamou a atenção foi o menor número de jovens presentes entre os manifestantes no domingo.

ES: Essa é uma pergunta interessante, sobre a qual eu ainda estou pensando. Os organizadores são muito jovens, no MBL eles tem 18 anos, mas quem vai para a rua é um perfil família, por volta dos 40, 50 anos. Eu não sei muito bem se uma boa parte da juventude, por uma questão etária, fica mais com a esquerda e com o progressismo ou se essa parcela mais elitizada da população de jovens estão pouco politizados ainda. Se você compara com manifestações do Movimento Passe Livre com essa última, não tem absolutamente nada a ver. A questão da faixa etária é fundamental: parece que ainda o discurso progressista mobiliza mais a juventude.

CC: Qual é a expectativa das manifestações pró-Dilma e Lula marcadas para sexta 18?

ES: Será uma coisa bem simbólica, porque sinceramente avalio como uma demonstração de força dos dois lados. O Moro já demonstrou uma capacidade de mobilização muito grande, a figura dele ficou muito legitimada no domingo porque, de alguma forma, ele ficou como o vencedor da história. Agora vamos ver qual é a capacidade de mobilização de Lula, do PT e do governo Dilma. Como o partido e o governo estão enfraquecidos, fica esse grande nó. Mas se o PT não conseguir dar uma resposta contundente e levar militantes para a rua, a situação fica mais problemática para o partido.