À PF, Lula questiona MP e seletividade da Lava Jato

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“Eu estou participando do caso mais complicado da história jurídica do Brasil”, disse o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no depoimento prestado à Polícia Federal, quando foi conduzido coercitivamente no dia 4 de março. A íntegra das informações de Lula foram vazadas à imprensa.
Durante grande parte das explicações, Lula mostrou-se indignado e inconformado com a ação e respondeu a perguntas sobre o apartamento triplex no Guarujá, antes do pedido dos procuradores do MPSP de prisão preventiva do ex-presidente: “se você está atrás da verdade, mande prender um cidadão do Ministério Público que diz que o apartamento é meu, mande prendê-lo”, rebateu Lula ao delegado da PF.
E questionou a seletividade das investigações:
“‘Tenho um apartamento’ que não é meu, eu não paguei, estou querendo receber o dinheiro que eu paguei. Um procurador disse que é meu, a revista Veja diz que é meu, a Folha diz que é meu. A Polícia Federal inventa a história do tríplex que foi uma sacanagem homérica, de uma offshore do Panamá que veio para cá, que tinha vendido o prédio. Toda uma história para tentar me ligar à Lava Jato. (…) Passado alguns dias, descobrem que a empresa offshore não era dona do triplex, que dizem que é meu, mas era dona do triplex da Globo, era dono do helicóptero da Globo. Aí desaparece o noticiário da empresa de offshore”, afirmou.
“A empresária panamenha é solta rapidamente, nem chegou a esquentar o banco da cadeia ,já foi solta, porque não era dona do Solaris que dizem que é do Lula, ela é dona do Solaris que dizem que é do Roberto Marinho, lá em Paraty. E desapareceu do noticiário. E eu fico aqui que nem um babaca respondendo coisas de um procurador, sabe, que não deve estar de boa fé, quando pega a revista Veja a pedido de um Deputado do PSDB do Acre e faz uma denúncia. Então eu não posso me conformar. Como cidadão brasileiro, eu não posso me conformar com esse gesto de leviandade”, desabafou.
Os promotores do MPSP, Cássio Conserino, José Carlos Blat e Fernando Henrique Araujo, sustentam que o triplex 164-A, no Condomínio Solaris, no Guarujá, é do ex-presidente, em denúncia o acusando de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Antes da denúncia ser entregue à Justiça, o delegado da Polícia Federal, a pedido do juiz Sergio Moro, questionou Lula sobre o caso.
“Eu espero que quando terminar isso aqui alguém peça desculpas, alguém fale: ‘Desculpa, pelo amor de Deus, foi um engano'”, disse Lula.
Instituto Lula
O delegado da Polícia Federal também questionou se o ex-presidente havia pedido dinheiro a empresas para os projetos do Instituto Lula. “Não, porque não faz parte da minha vida política. Desde que eu estava no sindicato eu tomei uma decisão: eu não posso pedir nada a ninguém porque eu ficaria vulnerável diante das pessoas”, respondeu o ex-presidente.
Lula afirmou que, por isso, não participava das reuniões da diretoria, porque trabalha “com a ideia de que os diretores têm que ter muita autonomia com relação” a ele, afirmando que “achava” que a responsabilidade de coletar recursos da entidade é do presidente Paulo Okamotto e dos quatro diretores, Clara Ant, Celso Marcondes, Paulo Vannuchi e Luiz Dulci. “Deve ter mais gente que pedia, aí teria que perguntar pra quem conhece”, completou.
O Instituto entrou para a mira da Lava Jato porque os investigadores consideraram que a movimentação financeira da entidade e da empresa de palestras de Lula, a LILS, poderiam estar envolvidas no esquema, uma vez que empreiteiras da Lava Jato fizeram doações e patrocinaram palestras.
De acordo com a equipe de delegados e procuradores, as empreiteiras foram responsáveis pela entrada de R$ 20,7 milhões de um total de R$ 35 contabilizados no Instituto Lula, além de R$ 10 milhões na LILS.
O ex-presidente respondeu que “não fazia ideia” sobre detalhes das movimentações financeiras do Instituto Lula. “Nem no Instituto e nem em casa eu cuido disso, em casa tem uma mulher chamada dona Marisa que cuida e no Instituto tem pessoas que cuidam”, afirmou.
Bumlai
Também na mira dos investigadores a relação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o pecuarista José Carlos Bumlai, os delegados questionaram sobre um empréstimo fraudulento de R$ 12 milhões que Bumlai teria feito em outubro de 2004, junto ao Banco Schahin, e que o destino seria o comitê do PT para campanhas eleitorais, segundo a tese da Operação Lava Jato.
Bumlai está preso desde o dia 24 de novembro do último ano, e a PF suspeita que, em troca do empréstimo, a Schahin foi beneficiada no governo do ex-presidente Lula com um contrato, sem licitação, de US$ 1,6 bilhão para um navio sonda da Petrobras, em 2009.
O delegado fez várias perguntas se o ex-presidente teria conhecimento dos processos desse empréstimo, e Lula respondeu com sinal negativo com a cabeça para todos os questionamentos. Apenas quando perguntado se a contratação da Schahin pela Petrobras teria relação com o empréstimo de Bumlai, Lula afirmou que acreditava “que não”.
Delator
Os investigadores então mencionaram o lobista Fernando Falcão Soares, conhecido como Baiano, que afirmou que o pecuarista preso teria intercedido diretamente junto a José Gabrielli, então presidente da estatal, e junto a Lula para conseguir a aprovação do contrato bilionário.
“O sr. conhece a pessoa de Fernando Baiano?”, questionou. “Nunca vi”, respondeu Lula, completando: “nunca vi e agora que eu não quero ver mesmo”. Ainda assim, cuidou para informar que, como participa de muitas atividades e acredita que é mais fotografado do que qualquer pessoa neste país, pode ser que tenha se encontrado com o delator, mas que não tem “a menor lembrança desse cidadão, a não ser pela imprensa”.
Nesse momento, o investigador detalhou de qual delação se tratava. O ex-presidente respondeu: “primeiro, eu não levo a sério a delação premiada tal como está sendo feita. Segundo, o cidadão pode ter contado uma mentira pensando em ganhar benefício. [Baiano] deve ter ganhado algum benefício para contar uma mentira”, concluiu Lula.(Do Jornal GGN)
Leia a íntegra do depoimento de Lula à PF no caso Lava Jato 

Brasil acorda para as ameaças reais

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POR LADISLAU DOWBOR, na Carta Maior

O que apareceu no início como positivo, o combate à corrupção, se transformou gradualmente num pesadelo que ameaça a democracia e a legalidade institucional. Não é a primeira vez que uma boa bandeira se transforma em cavalo de Tróia, abrigando o que há de mais podre, e gerando mais problemas que soluções. Não foi muito diferente com a tão legítima operação “Mãos Limpas” na Itália que gerou 20 anos de retrocessos e populismo conservador com Berlusconi.

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Quando a corrupção é sistêmica, e se trata sem dúvida do nosso caso, é o sistema que tem de ser combatido, e prisões espetaculares e midiáticas apenas deslocam o assunto, e mudam os corruptos de plantão. O sistema permanece, e agradece. Transparência (na linha da Lei da Transparência de 2011), democratização dos processos decisórios, auditorias abertas e não compradas, publicidade dos contratos e outras medidas de gestão precisam ser adotadas para que a presente luta não se resuma, como está sendo atualmente, à substituição de pessoas. A luta contra a corrupção deve ser substantiva, e não apenas ferramenta escancarada de luta pelo poder político.
Muito mais preocupantes ainda são os avanços sobre os recursos públicos que grupos famintos estão já preparando ou conseguindo: privatização e venda da Petrobrás e do Pre-sal, maiores avanços ainda dos grupos financeiros que já praticam juros extorsivos, abertura geral da venda de terras, retrocesso nas políticas sociais, liquidação de uma visão de nação soberana. A podridão só avança com grandes bandeiras de moralidade.

O mínimo que se espera, é que as pessoas se informem. Abaixo colocamos os links para um conjunto de tomadas de posição. Transformar o ódio à corrupção em ódio às visões progressistas do país constitui em si uma construção profundamente corrupta e desonesta. Valemos mais do que isto. Vejam com isenção, usem e divulguem estas tomadas de posição. O Brasil precisa mudar sim, mas mudar para a frente, não para trás. E usar a corrupção para dar o golpe, já vimos isto em 1954 com Getúlio, em 1964 com Jango, e outros momentos de grandes discursos éticos abrindo a porta para a quebra da legalidade e das instituições.

Pesquisa Vox Populi: Maioria desaprova ação contra Lula http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2016/03/em-pesquisa-vox-populi-maioria-desaprova-acao-contra-lula-3019.html

Posição Fórum 21: Carta aberta ao juiz Moro

“À delicada situação política e econômica vivida pelo Brasil acrescenta-se agora uma espiral de  insegurança jurídica, conforme a percepção de um leque ecumênico de respeitáveis vozes do Direito, a exemplo de Marco Aurélio Mello, Fábio Konder Comparato e Celso Bandeira de Mello.”

Manifesto Fórum 21 e Petição Pública em defesa da democracia
“O direito de todos os cidadãos deve ser garantido e não atropelado pelos guardiões da lei. Os cidadãos, as entidades e organizações da sociedade civil abaixo, subscrevem este documento em defesa da ordem constitucional e contra o golpe às instituições democráticas.”
Posição Frente Brasil Popular: Nota em repúdio à condução coercitiva

“Desde já nos colocamos em estado de alerta e mobilização permanente em defesa da democracia contra o golpe, em defesa de nossas conquistas e direitos ameaçados.”

Posição Clacso/Gentili – Ante la situación em Brasil

Comunicado del Secretario Ejecutivo de CLACSO: “Hoy, en Brasil, se ha avanzado un paso más en el proceso de desestabilización institucional que pretende perpetrar un sector del Poder Judicial, la Policía Federal, los monopolios de prensa y las fuerzas políticas que han sido derrotadas en las últimas elecciones nacionales.”

Posição MST: Nota pública

“Por último, essa crise politica, que afeta as instituições da República, os partidos políticos e a política em si, exigem uma profunda reforma política que deverá ser consolidada em uma nova Assembleia Nacional Constituinte, soberana e independente.”

Posição CUT: Nota da CUT

“O Brasil vive um momento decisivo em que a democracia está em risco e os direitos fundamentais estão sendo violados. Setores conservadores utilizam o Judiciário e os grandes conglomerados de comunicação, controlados por seis famílias, para perseguir o ex-presidente Lula e seus familiares com uma campanha sórdida de mentiras e acusações sem provas.”

Posição UNE: Nota da UNE

“O momento é de defesa da democracia, que não pode ser atacada na forma de investigações e operações seletivas. A luta que nos guia nesta hora é da intransigível defesa do Estado Democrático de Direito. Convocamos todas e todos os estudantes do Brasil para essa batalha.”

Posição docentes e pesquisadores FFLCH-USP: Nota do Coletivo em Defesa dos Direitos Conquistados

“Esse desmonte de direitos agride diretamente nossas convicções e valores democráticos. Assim, entendemos dever romper o silêncio para, por meio de um debate público, contribuir para a sustentação e ampliação destes direitos e o aprofundamento de nossa convivência democrática.”

Tarso Genro: Celebração precipitada

“Se fosse, mesmo, uma luta sincera contra a corrupção, Alckmin, Richa, FHC e Serra deveriam ter o mesmo tratamento e mesma exposição na imprensa.”

Leonardo Boff: Os derrotados nas urnas querem ganhar pelo poder e não pelo direito

“A política deles não é feita de projetos políticos, é algo mais perverso: a vontade de destruir Lula, de liquidar o PT e colocá-lo contra o povo.”

Renato Janine Ribeiro: Condução coercitiva partiu por ódio ou vaidade de quem ordenou

“Lula não tem mais cargo no governo, mas um ex-presidente não pode ser tratado como um meliante.”

Wanderley Guilherme dos Santos: Preparar para a hora do ‘Basta’!

“Procuradores estão desviando o olhar da população do que é fundamental: a acumulação econômica ilegítima via predação de patrimônio e recursos públicos. “

Jânio de Freitas: Isto foi

“A megaoperação resultou em mega-advertência à Lava Jato”

Fernando Morais : A elite tem medo da continuidade e Fernando Morais se oferece a Moro para depor

“Nada disso, no entanto, seria possível se os golpistas de hoje não tivessem à sua disposição a maior parte dos grandes órgãos de imprensa do país.”

Celso Bandeira de Mello: “Operação contra Lula é confissão de medo da elite brasileira

“A condução coercitiva do Lula, juridicamente, não passa de um absurdo. Porque quem não se recusa a depor, quem não resiste a colaborar com a autoridade, não pode receber nenhuma condução coercitiva.”

Fábio Konder Comparato: Comparato condena ação da PF: “Estado de Direito está em frangalhos

“A detenção de uma pessoa, sobretudo para depor, só pode ocorrer em casos extremos, quando a pessoa foge ou se recusa a depor. Não é o caso do ex-presidente”

Edson Luíz Baldan: “Professor da PUC aponta as evidências da violação aos direitos de Lula

“Essa situação anômica somente ocorre pela inexistência de suficiente tratamento legal, doutrinário e jurisprudencial da devida investigação legal (com obediência ao princípio do investigante natural) como pressuposto do devido processo legal”.

Gilberto Bercovici: Garantias constitucionais não existem mais no país

“Não pode ocorrer uma desmobilização, um sentimento de ‘ah, é isso mesmo, vamos para casa’. Isso significaria que eles podem fazer o que eles querem”.

Lenio Luiz Streck: Condução coercitiva de ex-presidente Lula é ilegal e inconstitucional

“A condução coercitiva, feita fora da lei, é uma prisão por algumas horas. E prisão por um segundo já é prisão”.

Pedro Serrano: Mais política do que jurídica, intimação coercitiva de Lula foi ilegal

“O argumento utilizado, de que a medida se prestaria a garantir a segurança do ex-presidente e de pessoas por conta de possíveis manifestações, é absolutamente sem qualquer fundamento fático ou legal, primeiro pela carência de embasamento na lei.”.

Coletiva do ex-presidente Lula em 04.03.2016 – 16 min.

A entrevista foi concedida na sede nacional do PT. A prisão de Lula para depoimento se deu no bojo de uma articulação midiática nacional. No dia anterior a IstoÉ publicou matéria vazando uma suposta delação premiada do Senador Delcídio Amaral que busca implicar Dilma e Lula em corrupção e após o Jornal da Globo ter tomado aproximadamente meia hora de seu jornal em horário nobre para reproduzir a matéria da IstoÉ. O conjunto é a preparação de um golpe em Lula já está condenado por antecipação.

Ato no Sindicato dos Bancários em 04.03.2016 – 1h 22 min. – milhares de pessoas se juntaram na noite do dia 4 de março no sindicato dos bancários

Ato dos Blogueiros no Sindicato dos Jornalistas em 07.03.2016 – 2h29min.

Posicionamentos de inúmeros jornalistas, blogueiros e comunicadores no Sindicato de Jornalistas de São Paulo. Os jornalistas têm as informações, mas não têm os meios de comunicação, como diz Fernando Brito.

Leão inicia venda de título de capitalização

Acontece nesta quarta-feira, às 19h, no estádio Jornalista Edgar Proença, o coquetel de lançamento do título de capitalização CAP Leão Campeão pela diretoria do Clube do Remo. A convite do presidente André Cavalcante, estarão presentes ao evento o diretor de Capitalização da Caixa Seguradora, Ryvo Matias, e a analista de Marketing Pleno da Caixa Seguradora, Gabriella Alessi de Miranda. A convite da diretoria, os dirigentes da CEF acompanharão a partida entre Remo e Náutico-RR pela Copa Verde.

Em sua recente viagem a São Paulo, o presidente remista André Cavalcante firmou parcerias com as empresas E&Y (de auditoria fiscal), SPR – franquia de lojas dos maiores clubes do país, FutebolCard (sistema de venda de ingressos e promoções via cartões de crédito) e Matrix (conectividade e internet). Os acordos visam modernizar ainda mais a gestão azulina, com ênfase na área de vendas e promoções.

Encruzilhada perigosa

POR GERSON NOGUEIRA

Há quem no Remo defenda a tese, a título de apoiar o técnico Leston Junior, de que o time tem ainda muito a evoluir e que a formação atual se consolidará a tempo de fazer boa campanha no Brasileiro da Série C. Pode ser.

A essa altura, é injusto que se condene todo o trabalho desenvolvido até aqui por Leston, apesar dos muitos pontos falhos, pelo simples fato de que o atípico Campeonato Paraense é normalmente muito difícil para técnicos de primeira viagem.

Dado Cavalcanti, há um ano, sofreu bastante com as peculiaridades do torneio e cometeu erros que hoje seguramente não cometeria. Portanto, é perdoável que Leston esteja sofrendo com isso também.

O grande problema para o Remo é que o Parazão não pode ser encarado como uma competição qualquer. Em nome da tradição e da história, o clube já seria obrigado naturalmente a priorizá-lo. Ocorre que razões de ordem prática conduzem à obrigação de vencer a disputa.

Vejamos: o título estadual daria ao Remo presença assegurada na Copa Verde e na Copa do Brasil de 2017, além de significar a manutenção da hegemonia regional com o tricampeonato. Por outro lado, caso não conquiste o cetro máximo, o clube ficará dependendo de arranjos para disputar a Copa Verde e com participação incerta na Copa BR.

Há mais coisa em jogo. Depende decisivamente da conduta do time em campo a rentabilidade do programa de sócio-torcedor (Nação Azul). Nos últimos meses, o programa teve crescimento expressivo, mas é fato que sua força vem das vitórias e títulos no futebol.

Para que o time finalmente entre nos eixos e consiga convencer a torcida será necessária uma mudança de rumos, a partir da própria sistemática adotada pelo técnico. Não é crime utilizar três volantes, Zagallo fazia isso quase sempre, Parreira idem. O problema é arranjar maneiras de fazer com que os marcadores não se limitem a uma faixa do campo. Devem ter liberdade e categoria para auxiliar na criação e na cobertura aos laterais.

O Remo atual – que se atrapalhou todo para vencer o Parauapebas, superar o Independente, esbarrar no Papão e sofrer frente ao Paragominas – joga com três homens que raramente saem da função de protetores da zaga. E, na prática, protegem pouco. Sempre que o time é atacado acaba tendo grandes dificuldades.

Desde as primeiras rodadas, ficou evidente que enquanto não ajustar o meio, Leston terá uma equipe insegura e instável. Com marcação e criação bem arrumadas, o jogo vai fluir naturalmente e todos serão felizes – defesa mais fechada e ataque bem abastecido. Mas, se não há peças para executar essas tarefas, o problema já é outro.

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Acordo eleva cacife do Papão 

Ainda sem maior detalhamento sobre a natureza do acordo, vale destaque o anúncio feito ontem à noite pela diretoria do Papão quanto à parceria firmada com o canal Esporte Interativo. Os números seriam significativos – informes não oficiais indicam que, a título de luvas, o clube receberia R$ 15 milhões.

O Papão é o primeiro clube nortista e o quinto do país a se associar ao EI para transmissão de jogos no Campeonato Brasileiro da Série A através das operadoras de TV exploradas pelo canal, que pertence ao grupo Turner – o mesmo que é proprietário da CNN e do Cartoon Network.

A associação ao EI permitirá ao Papão se organizar melhor e formar equipe de bom nível para se habilitar a disputar a Série A de 2019 a 2024, período de duração do contrato. O EI dá um voto de confiança quanto à evolução administrativa do clube, capaz de levá-lo à Primeira Divisão até 2019.

Além do bicolor paraense, outras quatro agremiações já firmaram acordo com o EI – Santos, Atlético-PR, Bahia e Ceará. Inter-RS e Vila Nova-GO podem se associar nos próximos dias.

Sem dúvida, mesmo como estímulo, a iniciativa é louvável e só tem a valorizar o trabalho desenvolvido há três anos pelos gestores do clube.

(Coluna publicada no Bola desta terça-feira, 15)

Lula depõe na PF: quem não deve, não teme (5)

Depoimento do ex-presidente Lula aos delegados da PF, no aeroporto de Congonhas.

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Delegado da Polícia Federal:­ Certo. Mas, lembre­se que é a oportunidade da sua defesa, do senhor responder, pior se o senhor não tivesse essa oportunidade, graças também ao estado democrático de direito o senhor tem essa liberdade…

Declarante:­ Mas, tranquilo, meu problema não é com você não, eu estou irritado porque eu acho que…

Defesa:­ O objeto da denúncia…

Delegado da Polícia Federal:­ Então, continuando, desculpe, continuando, o objeto ainda, as doações apuradas e recebidas por LILS Palestras e Eventos e Instituto Lula, que foram recebidas de empresas investigadas na Lava Jato, por se tratarem de doações grandes, de pagamentos grandes feitos por elas, e por estar comprovado que essas mesmas empresas tinham, já foram inclusive condenadas em esquema que envolve a Petrobras, a gente precisa saber se o ex­presidente tem conhecimento disso e, se tem, que diga o que ele sabe. Continuando, então, o senhor já falou que a LILS Palestras e Eventos é uma empresa que o senhor constituiu em seu nome para poder receber os valores de suas palestras. Para fazer o contato com os contratantes das palestras quem seriam as pessoas responsáveis?

Declarante:­ As pessoas que entram em contato.

Delegado da Polícia Federal:­ Entram em contato com quem, o senhor falou que foi com o instituto e daí…

Declarante:­ Entram em contato com o instituto, entram em contato com o diretor do instituto perguntando da minha disposição, se eu estou disposto a fazer palestra.

Delegado da Polícia Federal:­ Elas entram em contato geralmente como, por quais meios?

Declarante:­ Telefone, e­mail, telefone e e­mail, tudo que existe de disponibilidade.

Delegado da Polícia Federal:­ Certo. Qual a quantidade média de palestras proferidas pelo senhor por mês?

Declarante:­ Eu tenho que falar uma coisa, eu preciso explicar uma coisa porque se não explicar é difícil vocês entenderem, quando eu deixei a presidência da república no dia 31 de janeiro, no dia 1º de janeiro de 2002, eu era o Presidente da República considerado o melhor Presidente da República do início do século XXI, pois bem, quando eu deixei a presidência todas as empresas de palestras, que organizam palestras de Bill Clinton, Bill Gates, Kofi Annan, Felipe Gonzales, Gordon Brown, todas as empresas mandaram e­mail, mandaram telegrama, mandaram convite, telefonaram, que queriam me agenciar para fazer palestra, nós então fizemos um critério de não aceitar nenhuma empresa para me agenciar, primeiro por cuidado político, que a gente não sabia quem eram, e segundo porque a gente queria fazer palestras selecionadas, ou seja, que a gente pudesse falar do Brasil, eu posso até mandar para vocês alguns discursos que eu faço, ou seja, a gente fazia discurso primeiro mostrando o que aconteceu no Brasil em 8 anos, que era o que todo mundo queria, e depois a gente dizia qual era o futuro do Brasil, o que o Brasil tinha de perspectiva para a frente, e decidimos, decidimos cobrar um valor, todas as minhas palestras custam exatamente 200 mil dólares, nem mais e nem menos.

Delegado da Polícia Federal:­ Quem “decidimos”?

Declarante:­ Hein?

Delegado da Polícia Federal:­ Quem “decidimos”?

Declarante:­ Nós decidimos, nós…

Delegado da Polícia Federal:­ “Nós”?

Declarante:­ Eu, eu decidi, eu decidi. Nós pegamos um valor do Bill Clinton e falamos o seguinte “Nós fizemos mais do que ele, então nós merecemos pelo menos igual”, e aí passamos a viajar, eu viajei muito em 2011, até porque eu queria sair do Brasil para não ficar atrapalhando a presidente que tinha tomado posse, não sei se você sabem que um ex­presidente deixa o cargo ficando no mesmo espaço, depois de 2011, em outubro eu peguei um câncer, aí fiquei paralisado quase em 2012, em 2013 fiz palestras, em 2014 eu parei em março de fazer palestras por causa das eleições, em 2015 eu quase não fiz palestras porque eu queria que primeiro a presidenta apresentasse os grandes programas de futuro para o Brasil, porque quando você vai fazer palestras você tem que vender o teu país, você tem que mostrar o que vai acontecer nesse país, você tem que atrair investidores, você tem que mostrar que você é melhor do que o México, você tem que mostrar que você é melhor do que o Canadá, você tem que mostrar que você é melhor que a China, então quando eu viajava, até 2013, o Brasil estava construindo as três maiores hidrelétricas do mundo, o Brasil estava construindo 6 mil quilômetros de ferrovia, 10 mil quilômetros de rodovia, 20 mil quilômetros de linha de transmissão, tinha os estádios todos da copa do mundo, tinha as olimpíadas, então o Brasil tinha um portfólio de coisas que eu, se fosse a Dilma, eu viajava todo mês para fora para vender as coisas do Brasil, porque ela não viaja? O Peru viaja, a China viaja, a Rússia viaja, o México viaja, a Nova Zelândia, todo mundo viaja vendendo o seu país, mostrando o que é, e eu fazia isso com muito orgulho, fazia com muito orgulho; eu, se tivesse disposição, em 2011 eu teria feito acho que uma palestra por dia, ou até duas por dia se eu quisesse, eu tive proposta de fazer palestra de 500 mil dólares na Coreia e eu não fui.

Delegado da Polícia Federal:­ Do norte ou do sul?

Declarante:­ Não fui. Então, querido, é por isso que eu fui fazer palestras, porque foi a forma mais decente e a mais digna, recebi proposta para ser conselheiro do Banco de Desenvolvimento da China não aceitei, recebi convite para ser conselheiro de empresas multinacionais que trabalham no Brasil não aceitei, porque eu não quero ser consultor e não sou conferencista, eu sou um contador de caso, de uma história de governança bem resolvida.

Delegado da Polícia Federal:­ Quanto tempo o senhor leva para contar essa história?

Declarante:­ Ah, depende, depende, quando eu estou, como diria, tem hora que me baixa o espírito do Chaves e do Fidel eu falo uma hora e meia, às vezes eu falo uma hora, falo uma hora e quarenta, uma hora e cinquenta.

Delegado da Polícia Federal:­ Mas se fosse o espírito dele seria 6, 12 horas, por aí.

Declarante:­ É porque, sabe o que acontece, tem muita coisa para contar, se a gente não explicar, se a gente não explicar para as pessoas o que aconteceu nesse país, se a gente não explicar o que aconteceu com o sistema financeiro, o que aconteceu com as empreiteiras, o que aconteceu com a indústria automobilística, o que aconteceu com o pequeno agricultor, no teu estado você conhece muito e sabe o que aconteceu, se a gente não contar para as pessoas o que aconteceu nesse país as pessoas não sabem, se as pessoas ficarem vendo a Globo, lendo a Veja, as pessoas só vão ver merda nesse país, então eu tenho orgulho de poder viajar o mundo mostrando o que é esse país, tenho orgulho, orgulho, orgulho! Por isso que em todas as minhas viagens como Presidente da República eu fazia questão de fazer debates de empresários brasileiros com empresários de outros países que eu visitava, Índia, China, Estados Unidos, Canadá, Rússia, Angola, Argentina, Peru, Equador, aonde eu fosse eu fazia questão de levar empresário, por quê? Porque nós, presidentes, assinamos protocolos de intenções, depois da burocracia vai trabalhar, um acordo que eu fizer com a CIA Americana para trabalhar em convênio com a Polícia Federal brasileira eu assino um protocolo, mas se a Polícia Federal não estiver envolvida participando daquele protocolo vai ficar 8 anos lá, que aquilo vai de gaveta em gaveta; com empresário a mesma coisa, por que eu levava empresário? Porque eu assino protocolo, quem tem interesse de ganhar, comprar e vender são os empresários, então eu fazia questão de colocá­los à mesa, terminou a assinatura de protocolo, terminou então, você tem um grande empresário do Rio Grande do Sul, que era o Tigre, que era presidente da Federação da Indústria Metalúrgica, que viajava muito comigo, e viajava pra vender máquinas agrícolas gaúchas para o mundo saber que no estado do Rio Grande do Sul a gente produzia máquinas agrícolas da mais alta modernidade, então…

Delegado da Polícia Federal:­ Ex­-presidente, desculpe interrompê-­lo, mas esse é o papel do senhor e eu acredito, de verdade, que o senhor fazia esse papel muito bem feito.

Declarante:­ Por isso é que eu não deveria estar sendo perguntado disso.

Delegado da Polícia Federal:­ O problema não é esse…

Declarante:­ É exatamente esse.

Delegado da Polícia Federal:­ O problema é o depois.

Declarante:­ Não, o depois é mais fácil ainda.

Delegado da Polícia Federal:­ O depois, a suspeita é que alguém batia na porta desses mesmos empresários, eu estou explicando para o senhor porque a gente está aqui…

Declarante:­ Eu conheço o assunto.

Delegado da Polícia Federal:­ A suspeita é que então…

Declarante:­ Eu conheço o assunto.

Delegado da Polícia Federal:­ A suspeita é que depois…

Declarante:­ Um desavisado que não tinha o que fazer, atendendo uma mentira da revista Época, atendendo uma mentira da revista Época que nós desmentimos, e nós fizemos uma representação contra o cidadão do Ministério Público no Conselho Nacional do Ministério Público, acho que uma ou duas nós fizemos, porque ele mentiu, eu quero aqui dizer que ele mentiu, não agiu com a decência da corporação, não agiu com a decência da corporação, porque se tem um cidadão que trabalhou nesse país para que as corporações fossem fortes, para que o Ministério Público fosse cada vez mais independente e mais forte, por isso eu tomei a atitude de indicar o primeiro da lista, eu fui o primeiro presidente a tomar atitude e indicar o primeiro da lista, todos eles que eu indiquei, todos, desde o Cláudio Fonteles ao Antônio Fernandes, ao Gurgel foi o primeiro da lista, e a Dilma seguiu, a lei pode mandar escolher qualquer um e eu escolhi o primeiro da lista por respeito à categoria. A mesma coisa é na Polícia Federal, e porque eu faço isso, porque eu acho que esse estado só será democrático quando tiver instituições fortes, e instituições fortes pressupõem pessoas sérias, não pode ter moleque, não pode ter moleque, tem que ter gente séria. Antes de eu levar o nome de alguém à dúvida, eu tenho que ter prova, uma instituição séria não pode estar a serviço do, como é que eu vejo hoje, como é que eu vejo hoje, qualquer coisinha vaza, qualquer coisinha, faz 7 anos que esse Brasil vive assim, na quinta­feira alguém da operação Lava Jato vaza uma matéria para a Folha de São Paulo, vaza uma matéria para O Estadão, vaza uma matéria para a Veja, vaza para a Época, aí trabalhar sábado e domingo, eu estou de saco cheio disso.

Delegado da Polícia Federal:­ Doutor, o senhor viu que na semana passada teve uma fase envolvendo o João Santana, o senhor viu quem vazou? Ficou o documento, o interrogatório foi para o Jornal Nacional, não foi?

Declarante:­ Foi.

Delegado da Polícia Federal:­ O senhor viu que estava escrito assim “Cópia ao advogado”? Talvez o senhor não tenha percebido, mas está lá. Declarante:­ Mas, a maioria, deixa eu te contar, eu fiz depoimento, eu conheci delegados extraordinários na Polícia Federal, extraordinários, mas também tem gente que não presta.

Delegado da Polícia Federal:­ Em todos os lugares.

Declarante:­ No Ministério Público tem gente extraordinária, mas tem gente que não vale o que come, e muitas vezes essas pessoas extrapolam. Você sabe o que eu tenho medo, é que as pessoas não se preocupem em enxovalhar o nome das pessoas, depois que você, porque hoje as pessoas são condenadas pelas manchetes dos jornais, primeira você detecta o criminoso, aí você vai procurar o crime que ele cometeu, é assim que está a coisa aqui.

Delegado da Polícia Federal:­ Mas é importante, eu achei bem importante até para o senhor saber onde isso vai parar na visão da polícia, da investigação, o que o doutor Hiroshi está falando, que ele disse justamente como isso é usado, de maneira certa ou errada é o que está aí.

Declarante:­ Eu conheço, eu conheço o começo dessa história, eu conheço, no começo dessa história nós fizemos uma matéria desmentindo a Época, as sete mentiras da Época, passando uma semana um cidadão do Ministério Público, utilizando a Época, fez as mesmas perguntas da Época, então isso já estava, nós já estamos brigando, e vamos continuar brigando.

Defesa:­ Doutor, o senhor poderia só continuar só esse raciocínio que eu queria saber?

Delegado da Polícia Federal:­ Eu posso até continuar. A suspeita é o que, é o pós. Pelo menos na minha visão dos fatos, é o que, que as empresas conseguiam contratos e de alguma maneira havia um acordo, tácito ou não, ou costumeiro do mercado ou não, de se pagar determinada comissão em razão dos fechamentos dos contratos, dentre essas formas…

Defesa:­ Todas ou quais empresas, quais empresas?

Delegado da Polícia Federal:­ Vamos começar com a Petrobras. Defesa:­ Mas, pela linha, pelo que o senhor diz o seguinte, então aqui todas as empresas que eventualmente tenham participado da comitiva…

Delegado da Polícia Federal:­ Não, a gente pode seguir o raciocínio do senhor, se a gente quiser, daí a gente faz perguntas, mas…

Defesa:­ Não, eu pergunto o seguinte, na verdade o meu questionamento é o seguinte, hoje existe em Brasília um procedimento do Ministério Público Federal que investiga as palestras do ex­presidente, pelo que eu vi aqui o objeto também está inserido neste inquérito, existe um inquérito no Ministério Público de São Paulo que diz respeito ao apartamento e ao sítio de Atibaia, pelo que eu vi isso também é objeto desse inquérito, e nós temos uma ação no Supremo Tribunal Federal que discute de quem é a atribuição para realizar essa investigação, não sei se os senhores têm ciência dessa ação, então, a minha dúvida aqui é o seguinte, os senhores estão repetindo a mesma investigação que está em curso em Brasília e no Ministério Público de São Paulo, os senhores têm consciência dessas outras investigações, porque me parece que essa redundância de investigações não pode ser admitida, nós temos princípios que vedam isso, então…

Declarante:­ Porque a receita já fez, a receita já fez uma investigação no instituto.

Defesa:­ Sim, mas aqui a questão é em que medida esse amplo objeto dentro dessa investigação coincide, ele coincide com as outras investigações?

Delegado da Polícia Federal:­ Só para que a gente não se alongue tanto durante o dia…

Defesa:­ Só fazer um comentário aqui…

Delegado da Polícia Federal:­ O senhor já perguntou e respondeu, o senhor citou as outras investigações que possuem o mesmo objeto desta, que é muito maior, além do que as outras investigações estão tratando, essa aqui trata também de recebimento de valores por parte do Instituto Lula e LILS Palestras e Eventos, que têm origem de empresas investigadas na Lava­Jato. Agora, nós não podemos aqui continuar um debate de competência ou atribuição…

Defesa:­ Não, eu compreendo, mas eu gostaria de perguntar ao Ministério Público que está aqui presente, se…

Delegado da Polícia Federal:­ Não, não, mas aqui não é o momento, aqui é…

Defesa:­ Mas é…

Delegado da Polícia Federal:­ Não, não, aqui é um termo de declaração e eu não posso permitir que defesa e Ministério Público criem um embate agora que diz respeito a uma matéria que tem que ser decidida pelo STF talvez.

Defesa:­ É que na verdade o fiscal da lei deveria se pronunciar sobre isso.

Delegado da Polícia Federal:­ Mas isso aí são argumentos que o senhor tem que colocar em uma petição no foro competente, aqui não é o momento para o senhor questionar o Ministério Público, nem o Ministério Público questionar o senhor.

Defesa:­ Eu sei, não estou questionando, eu só estou colocando porque isso é uma questão, na verdade, que diz respeito à garantia do cidadão, então, se o Ministério Público Federal está presente e é fiscal da lei, tem um papel para exercer, e se o Ministério Público abriu outras investigações com o mesmo objeto, eu gostaria que o Ministério Público se pronunciasse sobre o assunto.

Delegado da Polícia Federal:­ Não, não, mas aqui não é para o ministério se pronunciar, aqui é para a defesa poder exercer o direito de defesa em termo de declarações.

Defesa:­ Especialmente porque há, há…

Ministério Público Federal:­ Eu não vou polemizar, não, só vou fazer um esclarecimento rápido para o senhor só, no que diz respeito ao Ministério Público Federal, a investigação em Brasília é completamente diversa, isso que eu posso falar para o senhor do Ministério Público Federal da Lava Jato, como o doutor Luciano disse, qualquer polêmica a respeito disso tem que ir ao judiciário para resolver, é a única coisa que eu posso discutir aqui com o senhor, e em relação ao Ministério Público estadual eu não posso dar nenhum dado porque eu não conheço.

Defesa:­ Mas tem compartilhamento, os senhores conhecem, tem compartilhamento.

Defesa:­ Sem polemizar, os senhores sabem que existe uma decisão pendente de uma ministra do Supremo Tribunal Federal, que está a qualquer momento para decidir quem seria o competente, se seria o estadual ou o federal, e se esta, se, hipoteticamente, a decisão dela for de que realmente há duplicidade e fixar a competência pelo Ministério Público do estado de São Paulo, isso tudo que nós estamos fazendo estaria, ou cai por terra porque estaria sem competência, então o que causou estranheza é a realização desse ato a tão poucas horas de uma decisão do STF, é isto. (inaudível) para deixar claro só.

Delegado da Polícia Federal:­ Prosseguindo as nossas operações pra gente poder ir embora hoje né, vamos lá, vamos retomar o nosso raciocínio. Em média, no último ano, por exemplo, quantas palestras por mês? 

Declarante:­ Olha, esse ano foram muito poucas, o ano passado foram poucas.

Delegado da Polícia Federal:­ O que seria pouca?

Declarante:­ É pouca, acho que foi duas ou três só.

Delegado da Polícia Federal:­ Duas ou três por mês?

Declarante:­ Não.

Delegado da Polícia Federal:­ O ano todo?

Declarante:­ O ano. Primeiro, porque a situação…

Não identificado:­ O deputado Paulo Teixeira quer acompanhar a

audiência.

Declarante:­ Oi Paulo.

Defesa:­ Ele também é advogado, também é advogado independente

da…

Delegado da Polícia Federal:­ É seu advogado?

Declarante:­ O Paulo é, é deputado federal do PT.

Delegado da Polícia Federal:­ Ah tá.

Defesa:­ Presidente, tudo bom com o senhor?

Declarante:­ Tudo bom, querido.

Defesa:­ Bom dia.

Delegado da Polícia Federal:­ Bom dia, tudo bem? O senhor está aqui

na condição de deputado ou de advogado?

Defesa:­ Os dois.

Defesa:­ Vou pedir para o senhor…

Delegado da Polícia Federal:­ Não, não, agora não, na condição de

advogado, mas eu acho que o presidente já tem os seus advogados…

Defesa:­ Prossegue assim mesmo?

Delegado da Polícia Federal:­ Prossegue assim, mas ele já está representado pelos advogados.

Declarante:­ Vamos seguir.

Delegado da Polícia Federal:­ Eu falo isso porque se nós não criarmos um critério razoável, com certeza vai ter 5 mil advogados querendo estar aqui presente com o senhor, então a gente não vai conseguir cumprir a nossa meta hoje, que é dar o seu direito de defesa às acusações ou às suspeitas que estão sendo levantadas. Vamos lá.

Defesa:­ Ele não constou como advogado, desculpe, está pedindo na OAB, mas não constou como advogado, deixou lá, se esqueceu de constar como advogado, correto?

Delegado da Polícia Federal:­ Não, se ele não está como advogado e não tem OAB ele não pode permanecer.

Defesa:­ Eu posso declinar minha OAB aqui, 156333.

Delegado da Polícia Federal:­ Mas ela está ativa?

Defesa:­ Está ativa.

Declarante:­ Ele não incomoda nada.

Delegado da Polícia Federal:­ Não, mas temos que ter critério, eu não conheço…

Declarante:­ Ele não vai falar, ele vai ouvir.

Delegado da Polícia Federal:­ Eu acho que, com certeza, ele tem todas as intenções, mas ele não faz parte das declarações e ele só pode permanecer aqui se ele tem uma OAB ativa e está na condição de seu advogado.

Defesa:­ Pode constar como advogado, isso aqui não vai ser… Não teremos outros casos, mantém ele junto aqui como advogado, não vai haver (inaudível).

Defesa:­ (inaudível). Eu estou licenciado da OAB de São Paulo.

Delegado da Polícia Federal:­ Exceção então, tá? Uma exceção para o senhor estar aqui presente, está bem?

Defesa:­ Aproveitando que também interromperam, nós temos aí também um colega do nosso escritório, faz parte do nosso escritório, que é um criminalista que nós queríamos que ele também participasse, é do nosso escritório.

Delegado da Polícia Federal:­ Então, o senhor como está na verdade como testemunha o senhor pode sentar junto com as demais testemunhas ali? Obrigado. Ali já tem duas testemunhas, o senhor é a terceira então, tá? Mais para trás um pouquinho, senão nós não podemos ter… Doutores, podemos fazer um acordo, acertar aqui que não terá mais…

Defesa:­ Perfeito, ok, não tem problema nenhum, ok.

Delegado da Polícia Federal:­ É só porque o objetivo do ato não será cumprido se a cada momento a gente parar o raciocínio para mais uma pessoa entrar.

Defesa:­ Na verdade, o meu pronunciamento foi só em relação à compreensão do objeto de extensão, considerando que há outros procedimentos em curso.

Declarante:­ Delegado, vamos lá, estou à disposição aqui.

Delegado da Polícia Federal:­ Vamos de novo, tomara que a gente termine hoje. Qual a quantidade média de palestras que o senhor proferiu no ano de dois mil e… O senhor disse que no ano passado, vamos retomar do princípio…

Declarante:­ No ano passado eu só fiz duas ou três palestras.

Delegado da Polícia Federal:­ Duas ou três no ano todo.

Declarante:­ E por uma razão muito simples, como tem uma crise mundial e como o Brasil está em crise, a economia não está bem, você não tem um portfólio que você possa vender ao mundo como você tinha em 2013, ou seja, em 2013 o pré­sal era um baita de uma coisa nesse país, as construções da ferrovia, das hidrelétricas, das linhas de transmissão, era uma coisa muito pujante, a copa do mundo era uma coisa muito pujante, hoje você não tem, hoje como o governo ainda não tem um programa denso, ou seja, eu não quero mais viajar só falando do meu governo porque já faz 6 anos que eu deixei o governo, então chega uma hora que não dá mais para você ficar falando o que aconteceu até 2008, 2009, 2010, e não falar do futuro, então eu espero que agora que a Dilma anunciou um programa de investimento de 83 bilhões de dólares e que o ministro da economia está trabalhando numa proposta de futuro, eu espero, não apenas eu, eu acho que o povo brasileiro inteiro está esperando que haja uma coisa forte para a gente ver o Brasil voltar a crescer, vai voltar a gerar emprego, ou seja, o que nós estamos todos esperando é que a roda gigante do desenvolvimento seja acionada para a gente voltar a crescer, aí sim, eu terei imenso prazer em viajar o mundo para difundir o Brasil outra vez.

Delegado da Polícia Federal:­ Ano passado, 2015, duas ou três palestras, ano anterior quantas?

Declarante:­ Em 2014 eu parei acho que em março ou em abril, eu não sei quantas, mas isso o instituto tem porque o instituto já divulgou, não sei se para o Ministério Público, não sei se para a Polícia Federal, fizemos uma revista, colocamos todas as palestras, fotografias, já foi divulgado.

Delegado da Polícia Federal:­ Em 2014.

Declarante:­ Eu não sei por data, nós paramos de fazer palestra em abril por causa que era eleição.

Delegado da Polícia Federal:­ Ah, sim. Nesses 3, 4 meses de 2014, o senhor conseguiu fazer uma por mês?

Declarante:­ Eu não tenho noção, não, eu não tenho noção, eu fiz algumas palestras, mas eu não tenho noção de quantas eu fiz.

Delegado da Polícia Federal:­ Certo. E em 2013?

Declarante:­ Eu fiz muita palestra em 2013.

Delegado da Polícia Federal:­ Quantas por mês ou por semana?

Declarante:­ Ah, eu não sei, não pergunte para mim que eu não sei, se você quiser você recebe aqui por escrito, detalhado, quantas por mês.

Delegado da Polícia Federal:­ Não, não, eu quero a sua palavra, eu quero a sua memória.

noção. em 2013?

Declarante:­ Não, não tenho, não tenho noção, querido, não tenho Delegado da Polícia Federal:­ O senhor viajou muito para o exterior

Declarante:­ Viajei muito, muito, muito.

Delegado da Polícia Federal:­ Quando o senhor visitava um país para fazer a palestra, o senhor fazia mais de uma palestra naquele país?

Declarante:­ Mais, eu fazia a palestra oficial e fazia reunião com o movimento sindical onde tinha, fazia palestra para discutir o programa Fome Zero com as pessoas que cuidam de políticas sociais.

Delegado da Polícia Federal:­ Mas, remunerado em cada uma dessas?

Declarante:­ Não, remunerado era uma só.

Delegado da Polícia Federal:­ Então, cada vez que o senhor ia num país o senhor era remunerado apenas uma vez?

Declarante:­ Uma vez, uma palestra, e eu aproveitava a viagem da palestra e fazia reuniões com sindicalistas, reuniões com movimentos sociais.

Delegado da Polícia Federal:­ E quanto tempo o senhor ficava nesse país que o senhor ia dar palestra, para poder fazer essas reuniões?

Declarante:­ Esse era o problema da minha vida, que eu nunca, eu nunca consegui ficar dois dias num país, ou seja, uma das críticas que eu recebia é que eu deveria aproveitar a viagem e descansar, então muitas vezes eu ia, chegava, eu gostava de viajar de dia, sempre gostei de viajar de dia para chegar à noite, dormir uma noite e acordar no país que eu ia fazer a palestra, que é muito melhor do que

você viajar no avião, dormir no avião e fazer palestra, então normalmente eu viajava, chegava lá 11 horas da noite, meia­noite, 1 hora da manhã, dormia, fazia a palestra e embarcava de volta, ou seja, era toda, toda, há quem dia que o câncer que eu peguei foi por falta de cuidado, porque mesmo quando eu era presidente era a mesma coisa, ou seja, eu nunca fiquei um dia de descanso num lugar, eu ia, partia e voltava.

Delegado da Polícia Federal:­ Mas o que cansa mais, estar fora do país ou viajar para aquele país?

Declarante:­ Eu acho que o que cansa mais é o avião mesmo, é desgastante.

Delegado da Polícia Federal:­ Quantas viagens por semana o senhor aguentaria fazer por mês de avião para outro país, para não ter tanto desgaste, dentro do suportável, quantas viagens?

Declarante:­ Ah, eu viajei muito, eu viajei, eu fui o presidente que mais viajou na história do Brasil, se você pegar da proclamação da república até a minha chegada à presidência e você somar todas, eles não viajaram o tanto que eu viajei.

Delegado da Polícia Federal:­ Mesmo sendo tão desgastante?

Declarante:­ E viajava porque tinha que ajudar esse país, é por isso que o Brasil passou a ser respeitado, é por isso que o Brasil passou a ser admirado, porque a gente fazia acontecer mesmo.

Delegado da Polícia Federal:­ Em 2011, quando o senhor deixou a presidência, o senhor teve muitas viagens para palestras ou não?

Declarante:­ Muitas.

Delegado da Polícia Federal:­ Foi o ano que o senhor mais viajou?

Declarante:­ Foi o ano que eu mais viajei porque eu tinha dois interesses, primeiro era me afastar um pouco do Brasil, eu não queria ficar no Brasil para, um dia eu vou lhe contar a história do vaso chinês, um ex­presidente é que nem um vaso chinês, quando você está na presidência você ganha aquele vaso chinês, tem palácio para você colocar, quando você sai da presidência que você vai pra sua casa, o que você faz com aquele vaso? Ele não cabe na tua casa, então um ex­presidente ele termina ficando incomodando, se quem é eleito é de oposição é bom porque já começa a descer o cacete nele no dia seguinte, mas se é uma pessoa que você ajudou a eleger você tem a responsabilidade de ficar quieto e deixar a pessoa governar, é por isso que eu viajei muito.

Delegado da Polícia Federal:­ Certo. E o que é viajar muito, é uma viagem por semana ou é uma viagem por mês?

Declarante:­ Não, às vezes eram duas viagens por, às vezes uma viagem por semana, às vezes era mais, às vezes eu ia para um país e de lá já ia para outro, foi desgastante.

Delegado da Polícia Federal:­ Daí foi diminuindo em 2012, em 2013.

Declarante:­ Não, não, em 2012 eu quase não viajei por causa do câncer, eu detectei um câncer, eu detectei um câncer no dia 27 de outubro, dia do meu aniversário, eu detectei um câncer na garganta, comecei a fazer quimioterapia.

Delegado da Polícia Federal:­ Isso em 2012? Declarante:­ Hein?
Delegado da Polícia Federal:­ Foi em 2012? Declarante:­ Em 2011.

Delegado da Polícia Federal:­ 2011.

Declarante:­ Aí comecei a fazer quimioterapia, comecei a fazer radioterapia, só fui começar a ficar razoavelmente bem, a campanha do Haddad foi em outubro de 2012, eu ainda não conseguia falar porque tossia mais do que falava, eu só fui ficar pronto mesmo em 2013.

Delegado da Polícia Federal:­ Início, meio ou fim?

Declarante:­ Hein?

Delegado da Polícia Federal:­ Início, meio ou fim de 2013?

Declarante:­ Eu acho que no começo de 2013 eu estava muito ruim da garganta, estava muito inchado e a garganta ficava irritada por qualquer coisa.

Delegado da Polícia Federal:­ Foi de tanta palestra em 2011, então. Declarante:­ Hein?
Delegado da Polícia Federal:­ Foi de tanta palestra, né.

Declarante:­ Mas eu sempre fui, eu sempre fiz muita coisa, tinha dia que eu fazia 30 assembleias quando eu estava no sindicato, tinha dia que eu rodava, começava a fazer palestra às 6 horas da manhã, ia terminar às seis horas da manhã do dia seguinte, fazendo por rodízio, por fábrica, por setor.

Delegado da Polícia Federal:­ Certo. Quais são as condições relacionadas ao apoio operacional para a LILS formalizar os contratos, como é que é feita essa parte?

Declarante:­ Eu não sei como é que é feito, eu não sei como é que é feito, eu não, não, eu só vou dizer uma coisa para você, quem quiser me contratar para uma palestra, quem quiser me contratar hoje, amanhã ou depois de amanhã, vai ter que pagar a palestra, vai ter que colocar transporte à minha disposição e vai ter que pagar intérprete, é o mínimo, se quiser quer, se não quiser… Sabe? É o seguinte, se quiser pagar, paga, se não quiser não paga, eu não sou obrigado a ir, eu tenho o

direito de não ir, “Ah, eu não quero ir”, então não vou, pronto, tchau e benção. A pessoa não tem obrigação de me contratar e eu não tenho obrigação de aceitar, é assim que eu faço contrato.

Delegado da Polícia Federal:­ E é só para o senhor ou é para equipe

junto?

Declarante:­ Não, o contrato é para mim, a equipe vai comigo, faz parte da minha equipe.

Delegado da Polícia Federal:­ Quem?

Declarante:­ A minha segurança viaja por conta, que a minha segurança é oficial, mas, por exemplo, eles pagam a diária de assessor de imprensa, pagam a diária de intérprete, eu não aceito intérprete deles, ou seja, eu não aceito porque intérprete é você falando pela boca do outro, então eu quero alguém que me entenda, que entenda a linguagem popular desse país, que conheça um pouco da história sindical, que conheça um pouco da história do meu governo, que conheça um pouco da história do PT, eu quero alguém que me conheça para poder me interpretar, então é por isso que eu não aceito, “Ah, vai ter um intérprete na Alemanha”, então fica com eles, eu quero o meu.

Delegado da Polícia Federal:­ E o avião é de carreira, comercial?

Declarante:­ Não, a maioria não, a maioria é avião alugado, se quiser me contratar tem que pagar avião, senão não contrata.

mundo?

Delegado da Polícia Federal:­ Mesmo sendo lá do outro lado do

Declarante:­ É, senão não faço a viagem.

Delegado da Polícia Federal:­ A sua segurança é a atual, que vai junto nas palestras, mesmo sendo noutro país?

Declarante:­ Hein?

Delegado da Polícia Federal:­ A segurança?

Declarante:­ A segurança vai, a segurança é permanente.

Delegado da Polícia Federal:­ Mas ela não recebe da LILS. Ela é sempre remunerada pelo…

Declarante:­ Não, as coisas dela são as coisas oficiais.

Delegado da Polícia Federal:­ Certo.

Declarante:­ O salário deles é o salário que eles ganhavam das forças, não sei se é das forças armadas, ou seja, a…

Delegado da Polícia Federal:­ A diária também.

Declarante:­ Não, a viagem deles é paga, eles vão de avião de carreira antes, e a viagem deles é paga pelo esquema da presidência, no meu tempo era bem pouquinho, devia ser uns cem reais, ou seja, querido, eu vou lhe contar uma coisa, eu quando vejo denúncia de corrupção, eu vejo e acho que tem muita, eu devo lhe contar uma história, deputado Paulo, a primeira viagem que eu fiz para a ONU, 23 de setembro de 2003, os companheiros que levam a bagagem, alguns companheiros de segurança levaram, eu vou até, porque está filmando aqui, eu vou falar que tive utilidade um dia na vida, levaram frango com farinha, chegaram no hotel, aqui no hotel que todo mundo acha que é chic, o Waldorf Astoria, não tem?

Delegado da Polícia Federal:­ Sim.

Declarante:­ Eles imaginaram que o cofre era o micro­ondas e colocaram o frango lá dentro, e não conseguiram abrir o cofre, acho que o frango deve estar lá até hoje ou o cara do hotel encontrou o frango. O pessoal comia, o pessoal da presidência comia coisa que levava, às vezes cozinhava no quarto, porque a diária não dava para pagar nada.

(Continua…)