No reino da gangorra

Por Gerson Nogueira

Quando se compara o futebol paraense ao de centros mais evoluídos fica evidente a necessidade de aperfeiçoamento técnico, formação atlética adequada e fundamentos táticos. Itens indispensáveis para tornar os times competitivos, capazes de manter bom rendimento ao longo de uma temporada e não apenas por duas ou três semanas. Refiro-me às oscilações que tanto frustram as expectativas do torcedor.

O bom momento de Remo e Paissandu na Copa do Brasil até inspirou entusiasmados elogios, mas foi interrompido pela queda do Remo diante do Bahia. Quem observa com atenção o comportamento dos azulinos no Campeonato Paraense, principalmente na parte final das partidas, não se surpreendeu com a derrota de quinta-feira.

Salta aos olhos a curva de instabilidade provocada pelo desgaste físico. Não adianta, porém, sair crucificando o trabalho de preparadores e fisiologistas. Existem outros fatores que comprometem a produção dos atletas – não só do Remo, mas dos demais times regionais.

É comum a escalação de jogadores visivelmente longe de sua melhor condição física. Como o futebol vive da participação coletiva, quando uma peça não rende o suficiente acaba por sobrecarregar seus companheiros, obrigados a se desdobrar para ajudá-lo ou mobilizados para corrigir falhas decorrentes desse problema. Significa que, quando um jogador não está 100%, todos terão que correr um pouco mais por ele.

Acrescente-se a isso vícios de origem na formação dos times. Há tempos que o futebol paraense monta elencos como colchas de retalhos. Contrata-se um jogador razoável aqui, outro mediano ali, alguém que apareceu bem num clube do interior, uns quatro dinossauros e mais meia dúzia de garotos. Dessa mistura algumas vezes, num excepcional golpe de sorte, nasce um bom time.

Pode-se dizer que o Paissandu teve a ventura de obter bons resultados com esse grupo formado por puro acaso. Na Copa do Brasil, pela primeira vez em sua história, o clube chegou à terceira fase, com autoridade e bom futebol. Superou um adversário que disputa a Série A, valendo-se da velocidade de seu meio-campo e do talento de Pikachu na lateral-direita.

Ainda assim, confirmando a montanha-russa dos nossos times, o mesmo Paissandu celebrado por golear o Sport na Ilha do Retiro, patinou e foi alijado do certame estadual pelo Águia no Mangueirão, apenas três dias depois da façanha recifense.

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É importante reconhecer que os altos e baixos afetam quase todos os times brasileiros, mas são bem mais comuns na base da pirâmide, justamente onde se encontra o futebol paraense. Para escapar a esse círculo vicioso e ganhar vigor para encarar os torneios nacionais, os clubes devem investir na correta formação dos atletas. É preciso ensinar o bê-a-bá do jogo, do domínio de bola, passando pelo chute e o passe até chegar ao drible.

A partir daí, talvez os dirigentes e técnicos entendam que o futebol é cada vez mais um esporte para jovens. Nas laterais, não há mais lugar para quem tem mais de 30 anos. Volantes e meias, cuja marca maior é a mobilidade, não podem ser atletas extenuados e em fim de carreira.

O dado positivo é que aos poucos essas lições eternas, que representam o caminho da salvação, começam a ser defendidas por gente importante nos clubes. Só falta partir para a prática. 

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Para o jogo desta tarde em Marabá, Flávio Lopes parece preocupado em corrigir os problemas mostrados pela defesa em Salvador. Pode perder seu melhor zagueiro, Edinho, e pode apelar até para o garoto Alex Juan na lateral-esquerda. Tudo bem, é sempre importante se defender, mas Lopes devia dar mais atenção à solidão de seus atacantes. Artilheiro do time, Fábio Oliveira só faz gol de pênalti e está em vias de sofrer de depressão por isolamento no ataque.

São curiosas as mudanças de estratégia do técnico remista. Nas primeiras partidas, incluindo aquele 4 a 1 sobre o próprio Águia na abertura do returno, optou por esquema bem ofensivo, com dois meias e dois atacantes. Aos poucos, foi se entregando ao padrão Sinomar, armando retrancas que nem sempre se comportam conforme o planejado. Hoje, pela escalação desenhada, parece disposto a abandonar a cautela. 

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Bola na Torre vai ao ar às 23h30 na RBATV, logo depois do “Pânico”. Mesquita, ídolo remista dos anos 70/80, é o convidado. Guilherme Guerreiro apresenta.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 22)

11 comentários em “No reino da gangorra

  1. Levando em consideração que esse time vem sendo formado desde o início do segundo turno (do primeiro turno descarta-se tudo), é normal essas oscilações de rendimento a partir do momento onde só se visualiza peças para o time titular. O Remo hoje quase não tem reservas de bom nível a não ser 2 ou 3 jogadores e quando uma peça falta dentro desse esquema, desgringola todo o time. A despeito disso, é válido ressaltar que o Flávio Lopes errou na escalação do time contra o Bahia, e na minha opinião era pra ter entrado com o Juan Sosa na lateral esquerda e o Allan Petterson no lugar do Adenísio, mesmo lembrando que o desnível entre os dois times era abismal.
    Acredito que o Remo hoje pode ser um caminho, mas precisa conseguir manter uma base de jogadores por mais de 6 meses e montar um elenco que possa buscar voos maiores. Hoje temos a volta de André e podemos ficar mais aliviados, mas nunca é boa estratégia se defender, principalmente com um time que tem um técnico e uma base há tantos anos como o Águia.
    Agora, acima de tudo, é preciso mostrar garra e coração pra ganhar o returno e brigar pelo campeonato, é a nossa única chance de não ficarmos alheios e no limbo mais um ano. A torcida remista não merece isso, e o Clube do Remo por sua história e por sua importância dentro do futebol brasileiro também não.
    Parafraseando o amigo Cláudio, “é a minha opinião”.

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  2. Eis o problema do Remo: Adriano, Aldivan, Edu Chiquita, Fábio Oliveira, Magnum e Marciano. É veterano demais para um time só. O máximo que um time suporta são três veteranos no elenco.

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  3. Esqueçam aquela goleáda de 4X1. Se houver vencedor o placar será minímo ou no maxímo 2 gols de diferença.

    Não acredito numa vitória azulina.
    E a volta do Marciano está mais atrapalhando do que ajudando.
    O Remo deve se preocupar e muito com o Branco, atacante comum, mas que é matador quando lhes aparecem as oportunidades, o papão que o diga!

    Sinceramente estou em cima do muro. O Remo é o maior rival, mas o Aguia tem sido por causa do galvão e do Ramalho um time muito antipatico.
    Portanto que perca o pior, se alguêm vencer, tá bom!

    O importante é que o Mapará tá só de camarote esperando pra ser campeão paraense!

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  4. Acho que a questão da oscilação do time do Remo é normal, já que temos um time somente a partir do returno, é bem explícita pelo fato de que temos apenas um time titular e poucos reservas pontuais para fazer o tal revezamento do futebol moderno. Mais até do que preparação física ou desgaste natural ocasionados pela super agenda da FPF de programar dois jogos semanais num clima equatorial e chuvoso. Sem essas peças de reposição, na falta de um volante no caso do André, o time desgringola de tal forma que fica vulnerável das equipes mais qualificadas às menos. Vejo que esse foi o grande problema contra o Bahia, e a solução do Flávio Lopes não foi a mais acertada. Penso que seria melhor ter ido de Juan Sosa na lateral e Allan Petterson como volante, deixando todo o resto do time como o tal, sem retranca e com postura igualitária contra o time baiano. Hoje, suprida essas carências, acredito ser mais importante ter garra e coração pra buscar essa vitória contra um time que tem um mesmo técnico há anos e uma equipe que joga junto há muito. Esta é sem dúvida a semana mais importante do Remo e pelo menos, não teremos um jogo no meio de semana para atrapalhar. Antes de se pensar em peças de reposição e montar um elenco para termos esse revezamento moderno, é preciso ter em mente o que está em jogo. A torcida do Remo não merece ficar mais um ano sem calendário e sem perspectivas futuras. Agora é focar pra sair de Marabá com um bom resultado e extirpar essa “panema” que nos assola desde 2007.

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  5. Acho que a questão da oscilação do time do Remo é normal, já que temos um time somente a partir do returno, é bem explícita pelo fato de que temos apenas um time titular e poucos reservas pontuais para fazer o tal revezamento do futebol moderno. Mais até do que preparação física ou desgaste natural ocasionados pela super agenda da FPF de programar dois jogos semanais num clima equatorial e chuvoso. Sem essas peças de reposição, na falta de um volante no caso do André, o time desgringola de tal forma que fica vulnerável das equipes mais qualificadas às menos. Vejo que esse foi o grande problema contra o Bahia, e a solução do Flávio Lopes não foi a mais acertada. Penso que seria melhor ter ido de Juan Sosa na lateral e Allan Petterson como volante, deixando todo o resto do time como o tal, sem retranca e com postura igualitária contra o time baiano.

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  6. Cara, depois da peleja, afirmo,fazemos que não via uma arbitragem tão péssima. faz meditar se não querem prejudicar o timedacapital, afinal oponho do coronel não seria uma final do interior?

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  7. Desta vez o gol de Fábio Oliveira não foi de penal, meu caro Gerson.

    Não, continue não acreditando em vitória azulina, meu caro Édson 33.

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