Vote no mico da semana

Atenção para as opções:

1 Factóide do Águia, exigindo arbitragem Fifa para o jogo com o Paissandu, neste sábado, mesmo sabendo que não haveria tempo hábil para a mudança.

2 Assalto à bilheteria da Curuzu, com dois seguranças e dois bilheteiros rendidos por três assaltantes. Bandidos levaram R$ 18.040,00 e 1.000 ingressos. Num primeiro momento, diretoria informou que o valor roubado era R$ 6.000,00.

3 Jogador Betinho, temeroso das vaias da torcida do Remo, pediu para não ser escalado contra  o São Francisco, domingo passado, no Baenão.

Três moleques, uma bola e nenhuma tristeza

A força do futebol sempre esteve na simplicidade. Para praticar, basta uma bola, algum talento e boa vontade. Nos rincões pobres do Brasil, o jogo encontrou sua casa e sobrevive, impávido colosso, sempre que alguns moleques se dispõem a bater bola. Por puro prazer, pela alegria do companheirismo, pela inocência dos gestos. Bob Dylan escreveu certa vez que o rock se resume a três acordes, uma guitarra vermelha e a verdade. O futebol que tanto amamos é mais ou menos isso aí. E é encantador – quase poético – ver meninos e meninas carregando traves improvisadas, fazendo embaixadinhas a caminho do terreno baldio mais próximo. Sim, nas periferias ainda há lugar para bater bola com a pureza que o jogo exige. Simples assim. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

Feliz Páscoa!

Por Frei Betto (*)

Feliz Páscoa aos que desdobram a subjetividade, rompendo a casca do ego para deixar renascer a mulher ou o homem novo, e a quem se nutre de TV sem enxergar as maravilhas encerradas no próprio peito.
Feliz Páscoa aos artífices da paz que, entre conflitos, exalam suavidade, não achibatam com a língua a fama alheia, nem naufragam nas próprias feridas. E aos emotivos que deixam escapar das mãos as rédeas da paciência e nunca abandonam as esporas da ansiedade.
Feliz Páscoa aos que tecem com o olhar o perfil da alma e, no silêncio dos toques, curam a pele de toda aspereza. E aos amantes tragados pelo ritmo incessante de trabalho, carentes de carícias, que postergam para o futuro o presente que nunca se dão.
Feliz Páscoa a quem acredita ser o ovo portador de vida, sem que a fé exija que o quebre, e aos incrédulos e a todos que jamais dobraram os joelhos diante do mistério divino.
Feliz Páscoa aos que identificam as trilhas aventurosas da vida mapeadas na geografia de suas rugas e não se envergonham da topografia disforme de seus corpos. E a todos aqueles que, robotizados pela moda, se revestem de estátuas gregas carcomidas pela anorexia, sem se dar conta de que a mente mente.
Feliz Páscoa aos que ousam ser gentis e doces, sem pudor de abraçar o menino que carregam dentro de si. E aos afoitos, competitivos, turbinados e sarados, enamorados da própria vaidade, incapazes de suportar uma fila de espera.
Feliz Páscoa aos que sabem amarrar o seu burrico à sombra da sabedoria e jamais negociam a felicidade em troca de uma arroba de milho que, vista à distância, parece pepita de ouro. E aos idólatras do dinheiro, fiéis devotos dos oráculos do mercado, reféns de pobres desejos que, saciados de supérfluos, nunca alcançam o essencial.
Feliz Páscoa a quem abre caminhos com os próprios passos e cultiva em seus jardins a rosa dos ventos. E aos que colhem borboletas ao alvorecer e sabem que a beleza é filha do silêncio.
Feliz Páscoa aos que garimpam utopias nos campos da miséria e trazem seus corações prenhes de indignação, sem jamais olvidar o próximo como seu semelhante. E aos que, montados na indiferença, atropelam delicadezas, até que a dor lhes abra a porta do amor.
Feliz Páscoa aos que nunca fecham a janela ao horizonte, regam suas raízes e não temem pisar descalços a terra em que nasceram. E aos que se embriagam de chuvas, ofertam luas à namorada e fazem da poesia a sua lógica.
Feliz Páscoa aos colecionadores de araucárias, que enfeitam de sonhos suas florestas e, na primavera, colhem frutos de plenitude. E aos que brincam de amarelinha ao entardecer e desconfiam dos adultos exilados da alegria.
Feliz Páscoa aos que se repartem nas esquinas, distribuem aos passantes moedas de sol e, nada tendo, nada temem. E aos que, ao desjejum, abrem sua caixa de mágoas e recontam uma a uma, gravando nos cadernos do afeto dívidas e juros.
Feliz Páscoa aos que caminham sobre tatames e, por terem muita pressa de chegar, jamais correm. E aos navegadores solitários, pilotos cegos e peregrinos mancos, que se arrastam pelas trilhas da desesperança.
Feliz Páscoa aos políticos obrigados a inventar, para os outros, o futuro que não se deram no passado, e estendem sorrisos para mendigar votos. E aos que não se deixam iludir pela insipidez da política e nem atiram seus votos na lixeira do desinteresse, alimentando ratos.
Feliz Páscoa aos trovadores de esperanças, aos fazendeiros do ar e aos banqueiros da generosidade, que sabem tirar água do próprio poço. E aos que mantêm em cada esquina oficinas de conserto do mundo, mas desconhecem as ferramentas que arrancam as dobradiças do egoísmo.
Feliz Páscoa a quem seqüestra o melhor de si, escondendo-o nas cavernas de suas mesquinhas ambições, sem coragem de pagar o resgate da humildade. E aos que nunca banem do espírito a presença de Deus e fazem da vida uma or/ação.
Feliz Páscoa às bailarinas fantasiadas de anjos que sobem, na ponta dos pés, a curva policrômica do arco-íris, e aos palhaços ovacionados que, no camarim, se miram tristes no espelho, vazios da euforia que provocam.
Feliz Páscoa aos que descobrem Deus escondido numa compota de figos em calda ou no vaga-lume que risca um ponto de luz na noite desestrelada. E aos que aprendem a morrer, todos os dias, para os apegos de desimportância e, livres e leves, alçam vôo rumo ao oceano da transcendência.

(*) Frei Betto é escritor, autor de “Treze contos diabólicos e um angélico” (Ed. Planeta), entre outros livros.

De volta ao antigo ataque

Por Gerson Nogueira

O Paissandu vive um inesperado desafio depois da surpreendente atuação contra o Sport-PE: mostrar o mesmo nível técnico contra o Águia, amanhã, em Marabá, na abertura das semifinais do returno do Campeonato Paraense. A rigor, Lecheva só terá que trocar um jogador no time que jogou na quarta-feira, mas tal mexida vai determinar profundas mudanças na maneira de jogar da equipe.
Cada jogo é um jogo, ensinam os sábios do futebol, mas é inevitável que o torcedor alimente expectativas positivas depois de ver o time enfrentar de forma altiva e agressiva o rubro-negro pernambucano.
Com a saída de Rafael Oliveira, inscrito apenas para a Copa do Brasil, o ataque volta à condição anterior, tendo Adriano Magrão como jogador de referência e um parceiro que pode ser tanto Tiago Potiguar quanto Héliton. Lecheva, pelas atitudes recentes, demonstra preferir Potiguar como segundo atacante, abrindo mão da opção velocista que Héliton representa.
No confronto com o Sport, o técnico manteve Potiguar até o fim e quando mexeu no meio-campo optou por Robinho, um meia de ligação. O excelente desempenho de Potiguar, que realizou sua melhor partida desde que voltou da China, justifica sua escalação, mas as possibilidades que Héliton abre para o time não podem ser esquecidas.
Fosse mais audacioso, Lecheva talvez encontrasse um meio de escalar ambos, mas aí já é esperar muito do invicto treinador. Cabe lembrar, porém, que o Águia precisará atacar e certamente abrirá espaços na defesa, criando situação favorável a Héliton. 
Arrisco dizer que Magrão será o principal afetado com a saída de Rafael. Contra o Sport, as atenções da defesa se dividiam entre os dois, facilitando sua movimentação na área e permitindo que fizesse seu primeiro gol pelo clube. Sem outro atacante para prender os zagueiros, Magrão volta à função de pivô, jogando de costas para o gol e sofrendo marcação direta. Dessa maneira, será difícil quebrar o jejum de gols no Parazão. 
 
 
A Assessoria de Comunicação do Paissandu informa que o pentacampeão mundial Roberto Carlos, acompanhou pela internet, diretamente da Rússia, todas as emoções da vitória do Paissandu sobre o Sport, pela segunda fase da Copa do Brasil. Notícia oportuna, pois pouco se falou nos últimos dias da parceria entre o clube e a empresa RC3 Marketing Esportivo, pertencente a Roberto Carlos.
Por contrato, a RC3 “é responsável pela marca do Papão e já desenvolve projetos a fim de fortalecer o clube no cenário do futebol brasileiro, motivo que deixou o jogador e dirigente do Anzhi (da Rússia) ainda mais entusiasmado”, segundo a nota.
“Acompanhei pela internet todos os lances da partida do Paissandu aqui na Rússia. Vibrei pelo computador com a vitória. Estamos começando essa parceria com o pé-direito. O time vai crescer cada vez mais nos próximos meses”, teria afirmado o novo manda-chuva do Anzhi. Como manager, Roberto Carlos terá em 2013 uma montanha de dinheiro (cerca de R$ 730 milhões) para torrar em contratações de peso.
 
 
O canal Fox Sports anuncia para a próxima terça-feira, 10, às 14h, a exibição do histórico jogo do Paissandu na Copa Libertadores de 2003 contra o Boca Juniors em La Bombonera (Buenos Aires), vencido pelo time paraense por 1 a 0, gol de Iarley. A partida valeu pela fase de oitavas-de-final da competição naquele ano.
O interessante é que o VT será mostrado com narração e comentários de uma equipe do atual quadro de profissionais do canal (28 na Sky). Boa oportunidade para a torcida bicolor rever o jogo mais importante da história recente do clube.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 06)