Definidas as semifinais do Parazão 2012

A sétima rodada do returno do Campeonato Paraense teve os seguintes resultados: São Raimundo 0, Paissandu 1; Remo 3, São Francisco 1; Cametá 2, Tuna 1; e Independente 1, Águia 1. Classificação final: Remo 15, Paissandu 12; Águia 11 e São Francisco 10 pontos. São Raimundo e Independente, campeão de 2011, foram os últimos colocados e deverão disputar a fase de acesso em 2013, caso não haja virada de mesa.

A ordem dos jogos das semifinais ficou assim definida: no sábado (7) à tarde, em Marabá, Águia x Paissandu; domingo (8), às 17h, em Santarém, São Francisco x Remo. No sábado, 14, Paissandu x Águia, no Mangueirão; e no domingo (15), Remo x São Francisco, no Baenão. Remo e Paissandu jogam com a vantagem do empate ou de dois resultados iguais nas semifinais.

Super rodada do Parazão 2012 (comentários on-line)

Sétima rodada do returno – resultados:

São Raimundo 0 x 1 Paissandu 

Gol: Douglas (cabeça), aos 28′ 1º.
 
Remo 3 x 1 São Francisco 
Remo 1 x 0 (Cassiano, 25′ 1º)
Remo 2 x 0 (Joãozinho, 13′ 2º)
Remo 3 x 0(Reis, 36′ 2º)
São Francisco 1 x 3 (Cleidir, 39′ 2º)
 
Cametá 1 x 1 Tuna
Cametá 1 x 0 (M. Maciel, 7′ 1º)
Tuna 1 x 1 (Beá, 23′ 1º)
 
Independente 1 x 1 Águia
Águia 1×0 (Branco, 45″)
Independente 1 x 1 (Totti, de pênalti, aos 3′ 2º)

Esqueçam Policarpo: o chefe é Civita

Por Luis Nassif

Veja se antecipou aos críticos e divulgou um dos grampos da Polícia Federal em que o bicheiro Carlinhos Cachoeira e o araponga Jairo falam sobre Policarpo. Pinça uma frase – “o Policarpo nunca vai ser nosso” – para mostrar a suposta isenção do diretor da Veja em relação ao grupo. É uma obviedade que em nada refresca a situação da Veja. Policarpo realmente não era de Carlinhos Cachoeira. Ele respondia ao comando de Roberto Civita. E, nessa condição, estabeleceu o elo de uma associação criminosa entre Cachoeira e a Veja.
Não haverá como fugir da imputação de associação criminosa. E nem se tente crucificar Policarpo ou o araponga Jairo ou esse tal de Dadá. O pacto se dá entre chefias – no caso, Roberto Civita, pela Abril, Cachoeira, por seu grupo. Como diz Cachoeira, “quando eu falo pra você é porque tem que trabalhar em grupo. Tudo o que for, se ele pedir alguma informação, você tem que passar pra mim as informações, uai”.
O diálogo abaixo mostra apenas arrufos entre subordinados – Jairo e Policarpo. Os seguintes elementos comprovam a associação criminosa:
1- Havia um modus operandi claro. Cachoeira elegeu Demóstenes. Veja o alçou à condição de grande líder politico. E Demóstenes se valeu dessa condição – proporcionada pela revista – para atuar em favor dos dois grupos.
2- Para Cachoeira fazia trabalho de lobby, conforme amplamente demonstrado pelas gravações até agora divulgadas.
3- Para a Veja fazia o trabalho de avalizar as denúncias levantadas por Cachoeira.

Havia um ganho objetivo para todos os lados:
1- Cachoeira conseguia afastar adversários, blindar-se contra denúncias e intimidar o setor público, graças ao poder de que dispunha de escandalizar qualquer fato através da Veja.
2- A revista ganhava tiragem, impunha temor e montava jogadas políticas. O ritmo frenético de denúncias – falsas, semi-falsas ou verdadeiras – conferiu-lhe a liderança do modelo de cartelização da mídia nos últimos anos. Esse poder traz ganhos diretos e indiretos. Intimida todos, anunciantes, intimida órgãos do governo com os quais trabalha.
3- O maior exemplo do uso criminoso desse poder está na Satiagraha, nos ataques e dossiês produzidos pela revista para atacar Ministro do STJ que votou contra Daniel Dantas e jornalistas que ousaram denunciar suas manobras.
Em “O caso de Veja”, no capítulo “O repórter e o araponga” narro detalhadamente – com base em documentos oficiais – como a cumplicidade entre as duas organizações permitiu a Cachoeira expulsar um esquema rival dos Correios e se apossar da estrutura de corrupção, até ser desmantelado pela Polícia Federal. E mostra como a Veja o poupou, quando a PF explodiu com o esquema.
Civita nem poderá alegar desconhecimento desse ganho de Cachoeira porque a série me rende cinco ações judiciais por parte da Abril – sinal de que leu a série detalhamente. Os próprios diálogos divulgados agora pela Veja mostram como se dava o acordo:

Cachoeira: Esse cara aí não vai fazer favor pra você nunca isoladamente, sabe? A gente tem que trabalhar com ele em grupo. Porque os grande furos do Policarpo fomos nós que demos, rapaz. Todos eles fomos nós que demos. Então é o seguinte: se não tiver um líder e a gente trabalhar em conjunto… Ele pediu uma coisa? Você pega uma fita dessa aí e ao invés de entregar pra ele fala: “Tá aqui, ó, ele tá pedindo, como é que a gente faz?”. Entendeu?

Desde 2008 – quando escrevi o capítulo – sabia-se dessa trama criminosa entre a revista e o bicheiro. Ao defender Policarpo, a revista, no fundo, está transformando-o em boi de piranha: o avalista do acordo não é ele, é Roberto Civita.
Em Londres, a justiça processou o jornal de Rupert Murdoch por associação indevida com fontes policiais para a obtenção de matérias sensacionalistas. Aqui, Civita se associou ao crime organizado. Se a Justiça e o Ministério Público não tiverem coragem de ir a fundo nessa investigação, sugiro que tranquem o Brasil e entreguem a chave a Civita e a Cachoeira.

Rodrigo Santoro em preto e branco

Da Folha de SP

Hoje figurinhas comuns estampando barracos em jornais, jogadores-problema, como Adriano e Edmundo, tiveram Heleno de Freitas (1920-1959) como precursor de escândalos fora dos campos. Ídolo do Botafogo nos anos 1940, além das quatro linhas era conhecido por ser mulherengo e possuir um temperamento explosivo. Ele é retratado no preto e branco “Heleno”, filme de José Henrique Fonseca (“O Homem do Ano”). O vascaíno Rodrigo Santoro, 36, vive o protagonista do longa, que teve sua fase de decadência ao contrair sífilis, doença que atingiu o cérebro, levando o esportista à loucura e a anos de internação em um hospital psiquiátrico até sua morte, em novembro de 1959.

Para interpretar o craque, ele conta que emagreceu 12 quilos, fez aulas de futebol, claro, e, também, de balé para, nas telas, conseguir transmitir o ar garboso dos anos áureos do personagem. “Trabalhei com um bailarino, pois dizem que o Heleno era muito elegante. E sempre reparei que os bailarinos têm os gestos muito harmônicos, o que transmite elegância”, diz o ator.

Como você se preparou para o “Heleno”?
Rodrigo Santoro –Emagreci 12 quilos para ficar parecido com ele. Me preparei fisicamente com o Claudio Adão, que foi um grande craque. Aprendi o fundamento do futebol e aperfeiçoei o passe de bola. Fiz isso nem só pelas cenas, porque são poucas as que apareço em campo, mas precisava mostrar a paixão do Heleno pelo futebol, já que o filme é sobre o olhar do personagem em relação ao esporte. Também trabalhei com um bailarino [Marcelo Misailidis], pois dizem que o Heleno era muito elegante. E sempre reparei que os bailarinos têm os gestos muito harmônicos, o que transmite elegância. Fora isso, pesquisei sobre a vida dele. Li muita coisa, vi muita fotografia, além de entrevistar pessoas que o viram jogar. Foi um processo longo, que me envolvi desde o princípio.

Você usou o mesmo preparador de “Bicho de Sete Cabeças”. Revisitou, de alguma forma, o Neto, seu personagem no filme da Laís Bodanzky?
Revisitar, não. Na verdade, acho que existe um paralelo entre “Bicho de Sete Cabeças” e “Heleno”, pois ambos tratam de saúde mental. A ideia de chamar o Sergio Penna [preparador de elenco] também foi por isso. Já trabalhei com ele algumas vezes e sugeri seu nome para o José Henrique [Fonseca, diretor], que aceitou. Pensei que seria interessante, especialmente pelo fato do Penna, antes mesmo do “Bicho”, ter trabalhado com pacientes mentais através do teatro. Então, achei que ele seria a pessoa perfeita.

De ator você passou a produtor. Acha que a direção vai ser um caminho natural?
Não, até porque não planejei ser produtor, aconteceu organicamente. Não digo que nunca vou dirigir, mas acho que teria que partir da história. Se de repente eu tivesse um “insight” e olhasse para uma história e me desse um desejo de contá-la da minha forma, aí talvez sim. Mas agora não estou pensando nisso.

Em vários momentos do filme seu personagem fala que gostaria de conhecer o John Wayne. Fazendo um paralelo com isso, com quem você gostaria de trabalhar, mas nunca teve oportunidade?
Eu queria ter tido a oportunidade de trabalhar com o Fellini.

Qual é seu filme preferido dele?
Nossa, essa é uma tarefa difícil, mas vou te falar dois: “A Estrada da Vida” e “A Doce Vida”. É difícil, porque fica aquela coisa de escolher o filho predileto, e não dá para escolher.

A frase do dia

“Entendo que o Zagalo conseguiu o time ideal em 70. Talvez eu pudesse entrar em um jogo ou outro se ele quisesse mudar a maneira do time jogar, porque o Riva jogava de uma forma, o Gerson de outra, e eu de um modo diferente. Então só assim, digamos, no intervalo de uma partida, se ele quisesse mudar o estilo do time, ele poderia até tirar o Gerson e me colocar”.

De Ademir da Guia, o Divino, 70 anos.

Juventude desperdiçada?

Por Gerson Nogueira

A rodada que define os semifinalistas do returno deve ter emoções e surpresas em doses suficientes para alegrar a domingueira do torcedor, mas as apresentações de Remo e Paissandu no meio da semana não sinalizam para um futuro promissor. No Re-Pa já foi possível observar que algumas das novas apostas não mostraram o desempenho de antes. A chuva comprometeu o lado técnico da partida, mas certas limitações ficaram expostas.
Contra o Independente, o Paissandu teve uma atuação decepcionante, não só parte dos mais experientes. Dos garotos da base, somente Pikachu se sobressaiu. No dia seguinte, o Remo de Betinho e Reis foi dominado por uma Tuna apenas esforçada. Pelo desempenho medíocre em campo, os jovens azulinos foram duramente vaiados pela torcida.
É compreensível que o torcedor se irrite, mas o alvo deveria ser o clube, não o garoto. Avalio que de todos os problemas que empurram para baixo o futebol paraense talvez o mais sério seja a prolongada entressafra de talentos. Houve época em que a periferia e o interior do Estado contribuíam para a renovação, revelando atletas de bom nível.
Desse período, mais ou menos entre 1970 e 2000, pode-se citar um expressivo número de jogadores que fizeram história nos grandes da capital. Cuca, Belterra, Darinta, Ageu, Marajó, Chico Monte Alegre, Alfredinho, Tuíca, Charles, Geovani, Balão, Lupercínio, Tiago, Evandro, Careca e outros são citados até hoje pelos torcedores.   
Uma onda de otimismo varreu as arquibancadas quando, ao longo deste campeonato, subiu ao palco a geração de Pikachu, Lineker, Jhonnatan, Bartola, Betinho, Cametazinho, Neto, Paulo Rafael, Jaime, Yuri, Pablo, Reis, Tiago Costa, Igor João e Alan Peterson. A partir da quantidade, parecia que estávamos diante de uma explosão de talentos. 
Aos poucos, porém, a ficha começa a cair. Talvez a safra não seja tão qualificada assim. Quatro ou cinco (Pikachu, Jhonnatan, Lineker, Reis, talvez Betinho) têm boas possibilidades. Os demais são comuns, sendo que alguns inclusive foram superestimados.
Como há um clamor por jovens valores, vistos como a redenção dos grandes da capital, qualquer garoto mais habilidoso é imediatamente alçado à condição de futuro craque. Por motivos diversos, nem sempre essas promessas vingam. 
Remo e Paissandu, mais que a Tuna, torcem (esta é a melhor palavra) para descobrir novos (e rentáveis) jogadores. Sem a estrutura adequada, nada fazem para fabricar craques e pouco se esforçam para segurá-los quando eles acidentalmente aparecem.
Até mesmo a formação técnica dos garotos é negligenciada, que são promovidos a titulares na marra, sem ter o preparo necessário. Alguns têm visíveis problemas de fundamento: passam mal, posicionam-se erradamente e não sabem cabecear. Tudo isso deve ser ensinado nas escolinhas até os 12 anos. Depois dessa idade, só os verdadeiros fenômenos conseguem explodir para o sucesso. Os demais engrossam os compêndios de promessas não concretizadas. Assim é a vida.      
 
 
Remo classificado, São Francisco quase e mais quatro times batalhando por duas vagas nas semifinais do returno. São Raimundo x Paissandu e Independente x Águia entram em campo às 17h deste domingo para os jogos mais eletrizantes da super rodada. Os mandantes sempre levam alguma vantagem, mas o Parazão tem sido pródigo em resultados surpreendentes.
O jogo de Santarém reúne os ingredientes mais dramáticos, devido ao desespero das equipes, que lutam tanto para continuar na disputa como para fugir ao rebaixamento. Não há meio-termo, é vencer ou vencer.
Desfalcado de Vânderson e Cariri, o Paissandu terá ainda que lutar contra a má fase técnica de algumas peças fundamentais, como Tiago Potiguar e Adriano Magrão. Além disso, Lecheva sabe que a sua permanência como técnico dependerá do êxito na espinhosa missão de hoje.
 
 
No Bola na Torre (RBATV, 23h30), o volante remista Jhonnatan é o convidado especial. Guilherme Guerreiro comanda.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 1º)