Ricardo Teixeira é eleito patrono da CBF

Na assembleia da CBF desta segunda-feira com as 27 federações, Ricardo Teixeira foi aclamado patrono da CBF – seu mentor, João Havelange, também detém a honraria. Teixeira está em Miami, com a família, mas continua envolvido com o futebol do país. “Nos falamos sempre por skype, e-mail. Ele está sabendo de tudo”, contou Mauro Cornélio, presidente da Federação Cearense e um dos mais chegados ao ex-chefão. 

Esses caras não têm mesmo um pingo de vergonha. Te dizer.

Sob o signo da indefinição

Por Gerson Nogueira

O Remo se classificou para decidir o returno, eliminou um adversário direto na disputa pela vaga na Série D, mas o empate deixou sua torcida com um misto de alívio e aflição. Os dez minutos finais do jogo no Baenão foram dignos de um filme de suspense, daqueles de Hitchikok.
Quando o São Francisco empatou, marcando um gol desenhado desde a metade do segundo tempo, o estádio lotado espantosamente silenciou. E duas bolas lançadas perigosamente sobre a área de Adriano, aos 47 e 48 minutos, ajudaram a testar a saúde cardíaca dos azulinos. 
A pergunta, óbvia, é: por que o Remo submeteu sua fidelíssima torcida a essa dose de sofrimento, depois de uma boa atuação nos primeiros 45 minutos, quando abriu o placar e perdeu mais três claras oportunidades? Vários fatores ajudam a explicar o apagão que se abateu sobre o time nos instantes finais.
Os jogadores falaram em cansaço físico, afinal o time veio de uma batalha na quarta-feira contra o Bahia. É uma hipótese a considerar, mas não diz tudo. Prefiro acreditar na combinação do recuo excessivo dos remistas e no avanço quase suicida dos santarenos.


É curioso notar que, a partir da expulsão (justíssima) de Jaime e Perema, que em tese prejudicaria mais o visitante, o jogo saiu visivelmente do controle do Remo. Sem os passes e a visão de Magnum, que voltou a jogar em ritmo de competição e foi o melhor da tarde, morreu a criatividade da meia-cancha. A equipe voltou a ser previsível, usando os chutões de Adriano e dos zagueiros para acionar Fábio Oliveira e Reis. 
Flávio Lopes se equivocou ao substituir Magnum por Betinho, deixando Reis em campo. Sem um articulador no meio, o jovem meia-atacante perdeu utilidade e não ajudou a combater a pressão do São Francisco.
O São Francisco, mesmo desarticulado, impôs um ritmo fortíssimo no ataque, com Ricardinho e Rodrigão recebendo passes de Diogo e Emerson Bala, que recuou para ajudar na armação. Foi através de Bala, que deu uma arrancada até a linha de fundo deixando Jhonnatan na saudade, que nasceu o empate. A bola foi cruzada para Rodrigão desviar com um leve toque, fora do alcance de Adriano.
Assim como a classificação azulina, o placar foi justo e refletiu domínios diferentes nos dois tempos. O Remo, que precisa ser finalista do campeonato para garantir presença na Quarta Divisão, não pode depender de 45 minutos de bom futebol. Tem que ser completo e não pela metade. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)
 
 
No sábado à noite, o Paissandu deu mostra evidente de sua principal característica na temporada: a instabilidade. O time até jogou com a mesma vontade e entusiasmo das partidas pela Copa do Brasil, mas aos poucos foi murchando e perdendo-se em lances confusos, sem objetividade.
A ausência de Rafael Oliveira foi sentida no ataque, reduzindo Adriano Magrão ao atacante nulo e fácil de ser marcado. Tiago Potiguar foi bem nos primeiros 30 minutos, depois dedicou-se a reclamar e esqueceu do jogo. Pikachu e Neto eram os diferenciais, defendendo e atacando, mas os demais não seguiam o mesmo ritmo.
O Águia se mantinha em alerta e esboçava algumas saídas ao ataque. O Paissandu perdeu chances de marcar, mas nenhuma delas tão claras a ponto de assustar os visitantes. No segundo tempo, o gol logo de saída deixou o Águia ainda mais sólido na defesa e firme no meio de campo.
Quando o Paissandu achou o rumo do gol foi meio sem querer, em penalidade cometida infantilmente pelo zagueiro Bernardo. O empate veio, mas já era muito tarde. Pode-se dizer que, para quem não elegeu o Parazão como prioridade, o Paissandu até chegou longe no torneio.
 
 
A decisão do turno, com o primeiro jogo em Marabá, mantém o equilíbrio visto nas semifinais. Não há favoritismo, mas a regularidade do Águia pode pesar (e muito) na balança. Um time que joga sempre no mesmo ritmo, sem se apavorar quando em desvantagem, é sempre difícil de ser superado.
O Remo corre contra uma recente tradição de amarelar nas decisões. Vai ter que superar esses temores e partir com determinação sobre o Águia, sob pena de morrer na praia outra vez.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 16)