Adriano toma chope para ajudar na recuperação

O futebol não sorri para todos, mas é generoso com algumas figuras. O atacante Adriano , que se recupera acompanhado por médicos do Flamengo e deverá assinar em breve com o clube da Gávea, apareceu em público pela primeira vez depois da cirurgia no tendão de Aquiles, realizada na última sexta-feira. Ele almoçou nesta terça-feira em uma churrascaria na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. O “Imperador” pediu chope para acompanhar os aperitivos e depois mudou para refrigerante, ao saborear o rodízio de carnes. O atacante chegou ao local de muletas, sem colocar o pé no chão, conforme relatou um cliente do estabelecimento. Segundo a reportagem do jornal O Dia, “na primeira aparição após a cirurgia no tendão de Aquiles, o jogador mostrou que tem seguido as orientações médicas”.

Consultado pelo iG, o médico José Luiz Runco, que supervisiona o tratamento de Adriano, afirmou que o “Imperador” não está tomando nenhuma medicação e que “pode e deve” sair de casa e andar com auxílio de muletas.

Então tá…

Bob Dylan, de gorro, nas ruas de Copa

Por Jotabê Medeiros

Procurar por Bob Dylan na tarde do Rio equivale a procurar pelo Eldorado no meio da Amazônia peruana. Como achar essa espécie de Greta Garbo do rock entre ciclistas e corredores marombados, mulatas sargentellianas, turistas franceses e alemães com rostos tão vermelhos que parecem o braseiro da churrascaria Porcão? Dylan nunca quis ser encontrado, por que iria facilitar agora? Ainda assim, por contingência profissional, não restava outra coisa a fazer a não ser buscar por ele quixotescamente pela estupenda tarde de domingo. A estratégia era a mais óbvia: um giro pelos hotéis mais estrelados do Rio.
No Fasano, às 13h, não restava outra coisa a não ser entrar e fingir naturalidade no restaurante, e pedir pelo que o dinheiro alcançava ali: um carpaccio de vieiras e uma taça de cabernet sauvignon chileno. Uma dica: rejeitar o couvert nunca é um bom salvo-conduto para camuflar o boné, o jeans puído e o tênis novinho. Todos vão estranhar. Mas isso tudo só serviu para enrolar pouco mais de uma hora e meia, e não havia sinais da comitiva dylanesca por ali, apenas um cheiro caro de requinte e exclusividade.

Do Fasano de Ipanema para o Copacabana Palace foi um pulo. Mas a piscina e o buffet lotados de sósias de Jorginho Guinle não pareciam um bom refúgio para o bardo esquivo de Minnesota. Mais uns minutos enrolando ao pé da estátua de Ibrahim Sued, com sua famosa frase: “Ademã, que eu vou eu frente!”, e a inutilidade da empreitada começou a ficar mais penosa.
Ok, Ibrahim, você venceu! O estômago ronca, hora de dar um chapéu nas obrigações e ir até a cantina italiana que é um clássico desde 1976, tentando esquecer a frustração de mais uma pequena caçada inútil aos mitos do rock – bailes famosos de Mick Jagger e Bono estão na conta dessa peregrinação. Ao sairmos, chegou uma mensagem no celular de um amigo aniversariante: “Bom Dylan pra vocês!”

Cara de touca. Pouco antes das 16h, saída pela esquerda, já abastecido de uma refeição que custava metade do couvert do Fasano, tomando o rumo da Avenida Nossa Senhora de Copacabana, para o táxi final antes do show. Ao menos no show ele dará as caras, e a torcida é para que essa noite promova novamente um encontro com a sua música mutante que inaugurou uma nova perspectiva para a arte contemporânea. “Aquele cara de touca e casaco ali parece o Dylan”, ela diz, desencanadamente. Só o que me faltava, um sósia a essa hora, eu pensei. Mas aí o sujeito se virou para a avenida e o sangue gelou nas veias.
“A máquina! A máquina! A máquina! É ele! É ele MESMO!” Os segundos pareciam horas, a avenida parecia mais larga, e Dylan olhava para um lado e para o outro sem se decidir, parado na frente da banca de jornais da Rua Inhangá. “No direction home”, como sempre. Se for para o outro lado, vai pegar mal correr atrás dele, pensei. Mas aí ele veio para o nosso lado, tranquilamente, como se fosse parte da paisagem, sem causar nenhuma curiosidade dos velhinhos e dos cães de estimação de Copacabana. Caminhando resoluto, com as mãos nos bolsos. Fez uma careta quando viu a máquina fotográfica, mas não parou, continuou andando na direção da lente, e passou por nós aceleradamente.
“Hey, Dylan!” Ele já ia sumindo na rua quando se voltou e respondeu com um grunhido: “You are a f… paparazzi!” Não, não, não, eu jurava, querendo acreditar em minhas próprias palavras. “Para quê a foto?”, ele perguntou. “Para o Facebook, para a gente mesmo”, menti. Eu me peguei mentindo para Bob Dylan, minha alma estava ficando atormentada, ele era o primeiro ídolo e será o último. “Por quê?”, ele ainda perguntou. “Porque você é um dos importantes artistas do século 20”, respondi.

E ele sorriu. Só aí ele relaxou. Pediu para a garota se aproximar, para que eu tirasse uma foto dele com ela. As mãos tremiam, o foco desapareceu, a rua desapareceu. Sorriu quando ela perguntou se estava se divertindo no Rio. “Eu adoro!” Não sabia mais como mantê-lo ali. “Você está com fome?”, perguntei. Dylan acariciou a barriga com as mãos, fazendo o clássico gesto de bucho cheio. “Não mesmo.” Eu apontei: “É que ali na rua de trás tem uma cantina italiana daquelas clássicas, sabe aquelas que parecem frequentadas pela máfia? Muito boa mesmo.” Ele se interessou: “Para lá?” Sim, eu disse. “Ok”, ele disse, sorrindo de novo, e mudou a direção para a rua de trás. Resolvemos deixá-lo em paz (mas aposto que ele viu a gente pulando e se abraçando no meio da rua como doidos).
Trinta e quatro graus na sombra, e Dylan de casaco, gorro de lã e bota de caubói. Achamos que ele se disfarçaria melhor se saísse de sunga branca e fones de iPod nos ouvidos. No táxi, as mãos ainda suavam, o coração destrambelhado, e eu olhava para o Rio e sorria como uma criança. Não acreditava nos próprios sentidos. Publicar isso tudo seria trair a confiança do velho Dylan? Acho que só se fosse por lucro, e não é o caso. Ao deixar a gente no hotel, o taxista, que ficou só ouvindo a euforia, perguntou: “Quem vocês focaram?” Ao ouvir a resposta, ele demonstrou conhecimento do assunto. “Ah, o senhor Zimmerman! O narigudo! Aposto que o reconheceram pelo nariz, não?”.

Paissandu vai pagar R$ 1,8 milhão a Jóbson

Audiência na Justiça do Trabalho, realizada na manhã desta terça-feira, confirmou o valor a ser pago pelo Paissandu ao ex-jogador Jóbson: R$ 1.800.000,00. O montante resulta de salários, encargos e gratificações não quitados. Advogados das partes ainda definem a forma de pagamento. Papão propõe 40 parcelas de R$ 50 mil, o que aumentaria o valor final para R$ 2 milhões. Advogados do meia ainda não se pronunciaram.

Pensata: Imprensas

Por Jânio de Freitas (no DIÁRIO de hoje)

Não há motivo para que a imprensa brasileira seja tão omissa quando se trata da transparência de si mesma

DUAS ESPERANÇAS problemáticas em relação à imprensa brasileira, manifestadas simultaneamente. Uma, de Barack Obama, na Cúpula das Américas, na Colômbia. Mas prefiro começar pela outra, de Suzana Singer, ombudsman (sic) da Folha. Depois de referir-se às relações de parte da imprensa com o círculo de Carlinhos Cachoeira, citadas nos vazamentos da Polícia Federal, Suzana Singer conclama: a imprensa “tem o dever de apurar tudo -mas sem se poupar. É hora de dar um exemplo de transparência”.

Por nossa conta, pode-se encontrar na última frase um segundo sentido, que é o da necessidade de uma transparência ainda ausente das normas. Aqui, é claro. O caso remete, porém, a uma face ainda mais crítica do uso da marginalidade para obter informações. A depender das circunstâncias, o contato com a marginalidade pode ser jornalístico e legítimo. Não há como saber se o é na maioria ou na minoria das vezes. Mas sempre deveria estar, e não está, submetido ao cuidado de ponderar sobre a finalidade de quem dá a informação. Na marginalidade, a tendência do propósito é servir à própria marginalidade. E, quando é assim, o jornalista e sua publicação servem também à marginalidade.

Se houver, devem ser poucas as dúvidas sobre a prática mais crítica que é a compra de informações e de documentos, para noticiário denunciante. Esta pode parecer mera transação, mas, ainda que o fosse, jornalista não é negociante de notícias e documentos. No mínimo, porque tal negócio é uma forma de corrupção. Nos vazamentos da PF não apareceu negócio algum nas conexões de imprensa e Cachoeira. Mas também não há motivo para que a imprensa brasileira seja tão omissa quando se trata da transparência de si mesma. Omissão, aliás, que vem lá do século passado, como uma regra silenciada, mas praticada.

Essa regra já tinha idade na imprensa brasileira dos anos 50, a que Barack Obama se referiu. No relato de Sylvia Colombo, Obama acusou a imprensa latino-americana de ainda “usar a linguagem” daqueles anos “para tratar da relação EUA-América Latina”. Em sua reclamação (ou seria apelo?): “É preciso acabar com a mentalidade de que o culpado por tudo o que vai mal na América Latina são os Estados Unidos”. Não são? Ou não são mais? Ótimo. De qualquer modo, Obama se engana quanto à linguagem do jornalismo por aqui, nos anos 50 e em muitas dezenas de anos mais, sobre os EUA. O extremismo da Guerra Fria não permitia que a imprensa nem sequer tivesse, quanto mais usasse uma linguagem criticante dos EUA.

Na eventualidade de palavras que não fossem de inteiro apoio aos americanos, a imprensa estava apenas transcrevendo algum alto mandatário em momento de exceção. E transcrição literal, ou haveria problema. A censura democrática, sem lei, mas com todos os meios de poder, não tinha limite. Uma ilustração basta. É a do diretor de “Manchete”, Justino Martins, que viaja à União Soviética, anos 60 ou 70, para registrar o mal conhecido cotidiano por lá.

Publicada a primeira de três reportagens, a multinacional Rhodia (têxtil, química, indústria farmacêutica, plásticos, múltiplas atividades), maior anunciante do grupo Manchete, faz a Adolpho Bloch, por telefonema de seu presidente brasileiro, este aviso simples: “Se sair a segunda reportagem da URSS, a Rhodia retira todos os anúncios de tudo aí”. Obama não sabe que a América Latina está aprendendo a falar sobre os EUA. Mas o passado não pode apagar-se todo. Nem os EUA se interessaram por fazê-lo.

Quando crescer quero escrever como Jânio de Freitas. Cabra bom.

Tribuna do torcedor

Por João Lopes Jr. (englopesjr@gmail.com)

Prezado Gerson, tens razão em dizer que o meio-campo azulino apaga com a saída do Magnum do time. Outro dia, conversando com um amigo também azulino. Afirmei, sem nenhuma dúvida, que o Remo havia acertado na contratação desse camisa 10, embora ele discordasse. Maior ponto fraco de todo elenco remista nos últimos anos (não que a defesa e o ataque tenham sido assim tão bons, mas um meio-campo criativo tira muito time do sufoco e pode até fazer de atacante meia-boca artilheiro…) a criação remista vem padecendo por não ser criativa. Uma das coisas mais didáticas que tenho visto ultimamente é o futebol paraense do ano passado e deste ano, pois tem ensinado à torcida a acreditar nos valores locais, especialmente nos desta geração, e a ser criterioso com os “importados”. A torcida paraense está aprendendo a desconfiar dos “talentos” que vem de fora. Remo e Águia é uma decisão justa para este turno, afinal, enfrentam-se os dois melhores times do certame, com ligeira vantagem para o Águia, que ninguém se iluda, que está com impressionante sede de levantar o caneco. Desbancar este Águia será mesmo verdadeira missão de Leão.

A frase do dia

“Não estamos no pódio, mas acho que nos encontramos entre as cinco melhores seleções do mundo. E isso que estamos jogando discretamente. Nenhuma mudança é fácil, e os jovens ainda precisam amadurecer. Não há motivo para desespero. Eles só precisam de tempo para os resultados aparecerem”.

De Ronaldo Fenômeno, em entrevista franca ao site oficial da Fifa.

Magnum, o grande trunfo

Por Gerson Nogueira

No duelo intrincado que se desenha para a final do returno, entre Remo e Águia, alguns detalhes podem estabelecer a diferença e garantir o triunfo. O aspecto do condicionamento físico não pode ser desconsiderado, pois os remistas terão um confronto difícil com o Bahia no meio da semana e ainda sofrerão o desgaste de duas viagens.
É preciso levar em conta os desdobramentos negativos de uma eliminação da Copa do Brasil, desfecho perfeitamente possível diante do equilíbrio entre os times. O mesmo vale, é claro, para a hipótese de classificação azulina, fato que contribuirá para inflar ainda mais a auto-estima da equipe de Flávio Lopes.
A vantagem de dois resultados em favor do Remo e o local da segunda partida (estádio Evandro Almeida) também têm seu peso expressivo na história, mas há um fator que pode facilitar a caminhada remista nas batalhas contra o Águia.
Na prolongada seca de talentos na meia-cancha – não só no futebol do Pará, diga-se –, um jogador pode fazer a diferença na reta final do Parazão. Magnum vinha apresentando comportamento errático. Saía-se bem em alguns jogos. Caía de produção em outros.
Começou a mostrar eficiência e categoria no segundo tempo do jogo com o Bahia pela Copa do Brasil, quando marcou o gol da vitória e mostrou presença ofensiva. Tinha sido peça absolutamente improdutiva no primeiro tempo, mas renasceu na segunda metade.
Na semifinal de domingo, contra o São Francisco, deu mostras de sua importância para o time. Foi, disparadamente, o mais destacado jogador do Remo, enquanto teve fôlego. Fez um golaço, esteve perto de marcar outro (mandou a bola na trave), deu um passe precioso para Fábio Oliveira, que errou o tiro final. Enfim, fez o jogo fluir no meio, distribuindo passes, armando inversões inteligentes.
Caso essa sequência ascendente se confirme, Magnum pode se tornar na hora certa o reforço que o Remo buscava quando o contratou, dias antes da abertura do campeonato. Na ocasião, o meia ganhou status de principal contratação da competição. Todos referendaram a iniciativa por recordar do grande futebol que havia mostrado há alguns anos, inicialmente no Paissandu e depois em outros clubes. 
O problema é que Magnum chegou fora de forma, pesadão e sem os reflexos apurados. Não entrou de cara no time, que padecia com as conseqüências da falta de um organizador. Por ali, o então técnico Sinomar Naves chegou a utilizar o lateral-esquerdo Aldivan.
No auge do desespero, o treinador inventou Cassiano com a camisa 10. Quando entrou no time, nas semifinais, fez um gol no primeiro jogo, mas queimou o filme em Marabá, envolvendo-se no sururu generalizado. O Remo perdeu o turno, Sinomar foi despachado e Magnum acabou suspenso. Perdeu a confiança do torcedor, que passou a olhá-lo como caso quase perdido. Flávio Lopes, que descobriu Jhonnatan e deu formato de time ao Remo, é o responsável pela recuperação do camisa 10.
Dele dependerá, em boa parte, a trajetória do Remo neste semestre. Começa pela decisão em Salvador e prossegue nos dois jogos contra o Águia. Futebol não é jogo de um homem só, mas depende terrivelmente de especialistas. Em forma, Magnum sabe como poucos a arte de tratar a bola e o que fazer com ela, inclusive gols. Por isso, com méritos, virou jóia preciosa no esquema de Flávio Lopes.  
 
 
Uma proposta levada à assembléia-geral da CBF, ontem, por algumas federações, defende o fim da Série D do Campeonato Brasileiro, a quarta divisão nacional, criada irresponsavelmente em 2008. Em contrapartida, a Série C passaria a ser disputada por 64 clubes. A mudança, se aprovada, só será adotada a partir de 2014.
Como se sabe, a Série D foi instituída por Ricardo Teixeira por mero marketing político, apenas para agregar novos clubes às divisões nacionais. Completamente deficitária, nunca contou com o apoio da CBF, obrigando os participantes a arcarem com todas as despesas. 
 
 
Acontece na próxima quinta-feira (19), às 18h, o terceiro e último Bate-Bola alusivo aos 20 anos do Troféu Camisa 13. Desta vez, o debate versará sobre a medicina esportiva. O tema escolhido é dos mais atuais: lesões nos músculos, meniscos e ligamentos. São as contusões mais comuns nos esportes de choque. Os especialistas Erick Nunes, ortopedista e traumatologista, especialista em joelho; e Flávio Freire, radiologista e especialista em PRP (plasma rico em plaquetas), estarão ao lado do narrador Cláudio Guimarães na mesa de debates.
A comunidade da área médica ligada ao esporte está convidada, bem como fãs de esporte, atletas e dirigentes. Como nos dois primeiros eventos, o acesso é gratuito e as inscrições podem ser feitas na chegada ao auditório do DIÁRIO (entrada pela travessa Enéas Pinheiro). Será expedido certificado de participação.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 17)

Águia terá mudança no meio-de-campo

Por Mariuza Giacomin, de Marabá

Marquinhos é a única baixa do Águia para o primeiro jogo contra o Remo pela decisão do segundo turno. Ele recebeu o terceiro cartão amarelo, ele está suspenso e deverá ser substituído por Diego Biro. Outra opção, já admitida pelo técnico João Galvão, é a improvisação do atacante Valdanes no meio-campo e a entrada de Wando no ataque ao lado do artilheiro Branco. Galvão exige concentração máxima em torno do objetivo de conquistar o returno. Desde a segunda-feira, o time já treina em Marabá, preparando-se para o embate do próximo domingo, às 16h, no estádio Zinho Oliveira. (Fotos: JUNIOR OLIVEIRA/Marabá)