O PSC encara amanhã um compromisso que poderia parecer banal, sem maior relevância, dentro da primeira fase do Campeonato Estadual. Encara o Tapajós, no Ninho do Pica-Pau, em Outeiro, onde jogou na terceira rodada e venceu o Carajás por 2 a 1, com imensas dificuldades.
Acontece que o time de Itamar Schulle vive situação mais ou menos tranquila no grupo A, com 7 pontos em quatro jogos (o clássico com a Tuna foi adiado para o sábado, 24). Sofre a pressão direta de Itupiranga e Bragantino, ambos com 6, mas com um jogo a mais.
Mas não é apenas o Parazão que está em jogo neste confronto com o representante santareno. Há uma pressão sobre o elenco – e o trabalho de Schulle – após seis jogos realizados, envolvendo o certame estadual (4) e a Copa do Brasil, com um empate e duas derrotas.
A eliminação do torneio nacional ainda não foi suficientemente digerida no clube e é o ponto que mais pesa neste momento. A necessidade de reforçar as finanças em plena pandemia, com a crise financeira que aperreia quase todos os clubes, não foi atendida pelo time.
O jogo com o CRB, considerado estratégico, pela possibilidade real de avançar na competição e faturar mais R$ 1,7 milhão, acabou frustrando as expectativas. Sem esquema de jogo definido e falhas infantis na defesa, o PSC acabou superado pelo visitante.
A derrota veio se juntar naturalmente ao vexame no clássico do Parazão frente ao Remo, aumentando o volume de críticas às indefinições do técnico quanto a um esquema de jogo e a demora em definir um time-base.
Contra o Tapajós, amanhã pela manhã, em Outeiro, um novo tropeço pode desencadear a crise que vem se mantendo em fogo brando. Itamar Schulle sabe que o risco ronda a partida, não exatamente pelo futuro dentro da competição, mas pela avaliação que torcida e diretoria farão a respeito.
Diante disso, vencer passa a ser mais que uma obrigação pelo desnível técnico das equipes; nas circunstâncias, virou uma imposição natural. (Foto: John Wesley/Ascom PSC)
CT é assunto prioritário e Remo analisa quatro ofertas
Não há apenas uma oferta de negócio envolvendo o futuro Centro de Treinamento do Leão. O presidente Fábio Bentes trabalha com uma proposta do CT do Carajás, localizado em Outeiro, e tem mais três alternativas. Todas têm chances de aprovação.
Existe especulação sobre mais duas ofertas a serem levadas à diretoria remista. Em papo telefônico com a coluna ontem, à noite, o presidente Fábio Bentes deixou claro que a escolha será criteriosa e sem afobação: “Vou definir com calma. Não tenho pressa”.
Pelo que se sabe, todas as propostas preveem uma quantia como entrada e parcelamento em pelo menos 36 meses.
Durante o dia, uma declaração do técnico Paulo Bonamigo reforçou a prioridade que o clube dá hoje à aquisição imediata de um CT. Segundo ele, entre ganhar gratificação pela conquista da vaga na Copa do Brasil, o elenco preferiu pedir um local adequado para treinamentos.
Rei Artur faz estreia em partida decisiva
A estreia de Artur Oliveira no Tapajós não poderia ter um adversário mais difícil. O PSC, candidato natural ao título, vem para um jogo de reabilitação no campeonato – como citei no texto principal. O time santareno é o lanterna do grupo B, com apenas 3 pontos, e precisa pontuar para continuar com chances de classificação.
Apresentado ao grupo de jogadores na quarta-feira, Artur sabe que o objetivo imediato é passar à segunda fase. Já avisou que não aceitou o convite para fugir ao rebaixamento.
Artur conhece bem o time do PSC, pois enfrentou Itamar Schulle logo na primeira rodada quando ainda dirigia o Castanhal – o jogo terminou empatado em 1 a 1, na Curuzu. Com 9 pontos a disputar, o plano é lutar pelo maior número possível de pontos.
Para o treinador, é a chance de se recolocar no mercado estadual e manter a tradição de bons trabalhos. Desta vez, pela precariedade técnica do elenco, o desafio é bem maior do que os anteriores (Bragantino e Castanhal).
Vasco surpreende com vitória sobre o temível Fla
A despreocupação dos jogadores rubro-negros na metade do primeiro tempo, quando o Vasco já vencia o clássico, confirma que a arrogância costuma acompanhar os derrotados. Gabigol, sempre ele, comentou (e o microfone captou) que ainda faltavam 20 minutos. Como se fosse possível resolver as coisas a qualquer momento. Não era.
Mesmo tecnicamente modesto, o Vasco encarou a parada com o espírito de rivalidade que envolve os dois clubes. Apesar das limitações, o time de Marcelo Cabo foi pra cima e derrotou o rival, hoje mais qualificado tecnicamente.
Léo Matos, Germán Cano e Morato marcaram para o clube de São Januário, enquanto Vitinho fez o gol rubro-negro. Não adiantou muito em relação às aspirações dentro do Campeonato Carioca, pois a pontuação do Vasco é baixa e não deve garantir presença na fase de mata-mata.
Apesar disso, a maneira arrebatada como o time se lançou em busca da vitória deixa no ar um sentimento de esperança para os passos do Vasco na temporada, principalmente em relação a obter o acesso à Série A.
O Flamengo precisa tomar tenência e levar a sério o próximo compromisso: a estreia na Taça Libertadores, terça (20), contra o Vélez Sarsfield.
(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 16)
Com a classificação garantida na Copa do Brasil, o Remo fechou um ciclo financeiro determinado pela necessidade de reforçar o caixa após a derrota na final da Copa Verde. Caso fosse campeão do torneio inter-regional, teria direito a uma bonificação de R$ 1,7 milhão (correspondente à participação na terceira fase da Copa BR).
Em resumo: ao eliminar o CSA em Maceió, assegurando a bonificação de R$ 1,7 milhão, o time compensou um prejuízo que amargurava a direção azulina, tanto ou mais do que a perda do título da CV. De quebra, acumula uma quantia ainda maior: cerca de R$ 2,9 milhões pelas duas primeiras fases da Copa BR.
Para tanto, foi preciso garantir consistência e competitividade a uma equipe que mudou muito desde o final da Série C. O acesso veio, mas foi necessário reformular por completo o elenco.
Saíram 16 jogadores, alguns fundamentais, como Salatiel, Hélio Borges, Tcharlles, Eduardo Ramos, Charles e Ricardo Luz. O trabalho de reconstrução se iniciou já na disputa da Copa Verde, com apenas um reforço: Wellington Silva. O técnico Paulo Bonamigo teve que recorrer a remanescentes da campanha na Série C e a garotos oriundos da base.
Não deu para levantar o caneco, mas o time fez campanha digna, chegando à final e perdendo nos penais – o que permite a dupla satisfação aos azulinos com o triunfo, também nos tiros livres, diante do CSA.
Quando começaram as competições de 2021 – Parazão e Copa do Brasil – o time já estava mais encorpado, com a chegada de Anderson Uchoa, Renan Gorne e Lucas Tocantins, entre outros. No Estadual, os resultados positivos se acumulam, enquanto o time ganha mais rodagem, entrosamento e segurança.
As destacadas atuações de Dioguinho e o reforço representado pela volta de Felipe Gedoz tornaram o time mais próximo do ponto considerado ideal para a disputa da Série B. Existem problemas no sistema defensivo, mas a apresentação contra o CSA demonstrou que o projeto está sendo bem conduzido.
O resultado obtido é prova de evolução para uma equipe que realizou apenas sete partidas com a atual configuração. A presença de jogadores de reconhecida liderança no grupo, como Vinícius e Lucas Siqueira, garante força emocional e capacidade de reação.
Um bom exemplo da maturidade alcançada pelo conjunto azulino é Uchoa, que saiu do jogo com o CSA na condição de herói. Foi ele o autor do gol de empate em partida que se encaminhava para o final, sendo vencida até os 28 minutos do segundo tempo pelos donos da casa.
Não foi ainda uma atuação portentosa do volante – que, no passado, seria chamado de médio pela maneira como se posiciona bem no centro do campo – com a camisa azulina, mas teve na terça-feira seu melhor desempenho desde que trocou a Curuzu pelo Evandro Almeida.
Como ele, jogadores como Wallace, Gabriel Lima e Renan Oliveira, que ainda não deslancharam nas duas competições, tendem a crescer com a continuidade dos jogos. A conferir.
Sinal dos tempos: Grêmio fora da Libertadores
Depois de muito tempo, o Grêmio fica fora da fase principal da Copa Libertadores de 2021. Foi eliminado em casa ontem, de virada, por 2 a 1, pelo Independiente Del Valle. O time de Renato Gaúcho saiu na frente, com Jean Pierre, sofreu o empate (Cristian Ortiz), teve um jogador expulso (Maicon) e acabou tomando o segundo gol, novamente através de Ortiz.
O detalhe que chama mais atenção é que o tricolor gaúcho foi inteiramente dominado pelo adversário. Nem sombra da que espírito copeiro que caracteriza as campanhas gremistas na Libertadores. Durante anos, o torneio continental parecia uma espécie de sala de visitas do Grêmio, que se sentia à vontade na disputa.
A composição do Grupo A da Libertadores passa a ter o Independiente ao lado do atual campeão, Palmeiras, com Universitário (Peru) e Defensa y Justicia (Argentina). Já os gremistas terão que se contentar em disputar a Copa Sul-Americana.
Apesar de ter avançado na competição nos últimos três anos, o Grêmio vem acumulando insucessos. Saiu para o River Plate em 2018, para o Flamengo em 2019 e para o Santos no ano passado.
Renato, sempre falastrão e crítico de técnicos portugueses, teve pela frente ontem outro lusitano: Renato Paiva, treinador do Independiente Del Valle, era treinador das divisões de base do Benfica.
Muvucas que o futebol não consegue aposentar
O Brasil sempre foi rico em figuras folclóricas no futebol, jogadores que costumam dar demonstrações públicas de rebeldia, geralmente direcionadas ao técnico de plantão. No profissionalismo atual, os casos rareiam, mas de vez em quando irrompe alguém que foge às cartilhas de boa convivência.
Marinho, que há alguns anos enriquece os compêndios de besteirol nos gramados, se insurgiu contra o técnico argentino Ariel Holan ao ser substituído no segundo tempo do jogo com o San Lorenzo. Saiu esbravejando e nem cumprimentou o treinador.
Alçado à condição de estrela do Santos desde a última temporada, a partir de grandes atuações no Brasileiro e na Libertadores, o atacante de vez em quando apronta nos gramados ou nas redes sociais.
Como de hábito, no dia seguinte, Marinho reconheceu ter passado do ponto, pediu desculpas à sua maneira e a vida voltou à normalidade. Até que Marinho, ciente do poder das resenhas e muvucas que a internet propaga e amplifica.
(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 15)
Após a eliminação na terceira fase da Libertadores, em jogo realizado nesta quarta-feira contra o Independiente Del Valle (Equador), a diretora do Grêmio se reuniu e tomou uma decisão surpreendente: demitiu o técnico Renato Gaúcho. O inusitado da história é que o treinador não está trabalhando, pois se recupera da covid.
Renato vinha perdendo prestígio desde a temporada passada, quando o Grêmio não chegou à reta final da Libertadores e teve campanha decepcionante no Brasileiro. Além disso, foi derrotado pelo Palmeiras nas duas partidas finais da Copa do Brasil.
Pela primeira vez, Renato se mostrou incomodado com as críticas e exigiu reforços. O clube contratou o lateral-direito Rafinha (ex-Flamengo) e o volante Tiago Santos. Ídolo histórico, o técnico era considerado intocável, mas a torcida o abandonou e as críticas foram crescendo de intensidade.
Em sua terceira passagem como técnico do Grêmio, Renato teve várias conquistas: Copa do Brasil (2016), Libertadores (2017), Recopa Sul-Americana (2018), três estaduais (2018, 2019 e 2020) e uma Recopa Gaúcha (2019).
Pesquisa PoderData, do site Poder360, sobre a corrida presidencial de 2022, divulgada nesta quarta-feira (14), mostra que o ex-presidente Lula disparou nas intenções de voto em um eventual segundo turno contra Jair Bolsonaro e venceria o atual presidente com ampla vantagem. No levantamento feito pelo PoderData em 17 de março, Lula tinha 41% das intenções de voto, contra 36% de Bolsonaro. Na nova pesquisa, o petista soma 52%, enquanto o titular do Planalto apresenta queda, marcando 34% das intenções de voto.
O estudo mostra que Lula é o candidato mais forte para vencer Bolsonaro em um eventual segundo turno. O segundo mais forte seria o apresentador Luciano Huck, que foi de 40% de intenções de voto para 48%, contra 35% do ex-militar.
Já os outros virtuais candidatos testados pela pesquisa ficam em empate técnico com o atual presidente em um segundo turno. Em uma disputa com João Doria (PSDB), Bolsonaro teria, segundo o levantamento, 38%, enquanto o governador de São Paulo somaria 37%. O cenário é idêntico em uma simulação de segundo turno entre Sérgio Moro e Bolsonaro: 38% para o presidente e 37% para o ex-juiz. Já se o pleito fosse entre Ciro Gomes e Bolsonaro, ambos empatariam com 38% cada.
Na simulação de primeiro turno da eleição presidencial Lula também leva a melhor. Neste cenário, não houve muita alteração em comparação com o último estudo do PoderData. O petista lidera a corrida com 34% das intenções de voto, contra 31% de Bolsonaro. Eles são seguidos por Ciro Gomes e Luciano Huck, ambos com 6%. Na sequência aparecem João Amoêdo (Novo), com 5% das intenções de voto, João Doria, com 4%, Sérgio Moro, com 3% e, finalmente, Luiz Henrique Mandetta, com 2%. Os demais virtuais candidatos não pontuaram.
O levantamento contou com 3.500 entrevistas feitas entre os dias 12 e 14 de abril. A margem de erro é de 1,8 ponto percentual, para mais ou para menos.