Em defesa da Capes

Professores universitários de todo o país assinam manifesto em defesa da autonomia da Capes, ameaçada por intervenções do Ministério da Educação.

“A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), fundada em 1951, tem um papel fundamental na formação de recursos humanos de alto nível no Brasil. A Capes é o órgão responsável por cadastrar, fiscalizar, financiar e avaliar os cursos de pós-graduação de todas as áreas e instituições do Brasil. A Capes também atua na indução e coordenação de acordos internacionais de pós-graduação. Não há dúvidas que o exitoso sistema de avaliação criado pela CAPES é o principal responsável pela melhoria da pesquisa e da inovação tecnológica no Brasil.

A presidência desta instituição deve ser ocupada por pessoas com respaldo no meio acadêmico e com profundo conhecimento dos sistemas de pós-graduação nacional e internacional. É fundamental que o (a) presidente da Capes tenha experiência na gestão de programas de pós-graduação de excelência, que conheça outras áreas de conhecimento além da sua especialidade, que tenha coordenado importantes projetos científicos e que tenha formado recursos humanos de alto nível.

Por isso, causa-nos profunda consternação a recente demissão sumária de Benedito Guimarães Aguiar Neto e a nomeação da advogada Cláudia Mansani Queda de Toledo para substituí-lo na presidência da Capes. Uma análise de seu currículo disponível na Plataforma Lattes mostra que a indicada não possui as qualidades esperadas para o cargo.

A Dra. Toledo obteve seu doutorado em 2012 pela Instituição Toledo de Ensino (hoje Centro Universitário de Bauru), sediada em Bauru (SP). Consta no Curriculum Lattes que ela é atualmente a reitora desta instituição e que foi coordenadora de pós-graduação entre 1994 e 2000, ou seja, foi coordenadora de pós-graduação antes de ser doutora.

Não consta em seu Curriculum Lattes onde obteve sua graduação, também não apresenta nenhuma experiência internacional, sua produção acadêmica é escassa e tem pouquíssima experiência com formação de recursos humanos – de fato sequer concluiu uma orientação de doutorado. Apesar de ser reitora desta instituição, seu endereço profissional é o do escritório de advocacia Queda e Toledo Sociedade de Advogados, da qual é sócia.
O Centro Universitário de Bauru possui apenas um curso de pós-graduação – o de Sistema Constitucional de Garantia de Direitos – o mesmo no qual a indicada obteve seu doutorado.

Na última avaliação da Capes, esse programa obteve nota 2 no âmbito acadêmico que foi mantida após recurso; isso implicaria em seu fechamento. De acordo com sua página na internet, desde seu credenciamento em 2007, este programa formou poucos doutores e sua abrangência não passa da região da cidade de Bauru. O Centro Universitário de Bauru é de propriedade da família da Dra. Toledo e foi onde o atual Ministro da Educação, Dr. Milton Ribeiro, graduou-se em direito em 1990.

Em suma, o currículo da dra. Toledo não é compatível com o perfil desejado de presidentes da Capes. Tememos, portanto, que a importante missão da Capes esteja ameaçada com esta nomeação. Esperamos que o Ministério da Educação reveja a nomeação e indique alguém com histórico profissional e formação mais adequados para presidir a Capes, garantindo assim a continuidade da formação de recursos humanos de alto nível, tão necessária para o desenvolvimento e soberania nacional.

Apostas e observações

POR GERSON NOGUEIRA

Vinícius

O Remo enfrenta o Águia, hoje à tarde, em Marabá, em situação folgada na classificação do Parazão. Lidera o grupo B, com 13 pontos, à frente de todas as demais equipes. Essa condição, garantida pela campanha invicta (quatro vitórias e um empate), permite ao técnico Paulo Bonamigo poupar atletas e testar/observar uma formação mesclada.

Caso fosse em outra etapa da competição, com risco de eliminação ou perda de vantagem, certamente o time entraria completo, repetindo a formação considerada ideal e que garantiu classificação à terceira fase da Copa do Brasil.

Até porque o adversário briga por posição melhor no campeonato. O Águia tem 7 pontos e é o terceiro do Grupo C, considerado o mais equilibrado desta fase classificatória. Com a pontuação atual, o time de João Galvão entraria na próxima etapa por ser o melhor terceiro colocado.

As pretensões do Águia, porém, vão além disso. Depois de campanhas pouco expressivas nas últimas temporadas, o time busca garantir no Parazão a volta a uma competição nacional.

Para tanto, cometeu até a ousadia de contratar um jogador mais badalado. Trouxe o meia paraguaio Echeverría, que já rodou o país e chegou a jogar pelo Remo. Com ele, a equipe passa a ter um especialista em organizar o meio-campo.

Até o momento, porém, a entrada de Echeverría não garantiu ao Águia nenhum triunfo no Parazão. Empatou duas vezes perdendo a chance de encostar no líder de seu grupo, o Independente, que tem 12 pontos.

Por essa razão, o jogo com o Remo torna-se fundamental para as pretensões do Águia, que a seguir terá pela frente Itupiranga e PSC. Galvão aposta no 4-4-2, mas com a preocupação em reforçar a marcação no meio. 

O Remo terá mudanças significativas. Rafael Jansen, Wellington Silva, Marlon, Lucas Siqueira, Felipe Gedoz serão poupados. Com isso, a linha de defesa terá pela primeira vez os laterais Tiago Ennes e Felipe Borges como titulares. De características diferentes dos titulares, ambos têm a chance de mostrar serviço e entrosamento com Dioguinho e Lucas Tocantins.

No miolo da defesa, Kevem deve ser o parceiro de Fredson. No meio-campo, Uchoa e Jefferson Lima ficam na marcação e Renan Oliveira substitui Gedoz na parte criativa.

Edson Cariús será o centroavante titular. Ele e Renan serão os mais observados pela comissão técnica. O atacante, que demorou a ficar em condições de jogo, tem sido escalado no decorrer das partidas, mas ainda não desencantou.

Manter a regularidade, conservar a mentalidade vencedora e não perder entrosamento são os desafios do Leão contra um adversário motivado e empenhado em buscar a vitória. Ingredientes para um bom jogo.

Assédio a Nicolas tende a crescer até o Brasileiro

Nicolas, goleador e ídolo bicolor, vive sob permanente assédio de clubes das Séries A e B. Começou pelo Sport, passou pelo Goiás e Vasco. Agora, o Goiás volta à carga com proposta refeita – R$ 200 mil pelo empréstimo, mais R$ 800 mil em caso de negociação com outro clube.

Aos 31 anos, Nicolas sabe que as chances de uma transferência rentável estão se esgotando. O problema é que, no meio disso tudo, há um contrato que prevê a permanência dele no clube até 2022, a não ser que outro clube pague a multa contratual de R$ 5 milhões.

É claro que o PSC pode aceitar um meio-termo, desde que o acordo não fira os interesses do clube. Mas, até o momento, nenhuma proposta sensibilizou a diretoria. A do Goiás, que chegou no dia do jogo com o CRB, teve o mesmo destino das demais: a cesta de lixo.

Pela terceira temporada seguida, Nicolas é artilheiro do time. No total, fez 36 gols em 88 partidas. É um cartel e tanto, proporcionalmente quase do mesmo nível de ídolos, como Robgol e Vandick. Justamente por isso é tão cobiçado. E deve ser ainda mais procurado nas próximas semanas, quando se definem contratações para o Brasileiro.

“Quem quiser tirar o Nicolas do PSC tem que pagar. Não vamos ceder”, repete o presidente Maurício Ettinger, com a firmeza de quem sabe que está tomando a decisão mais lúcida, embora com a consciência de que dificilmente Nicolas permanecerá na Curuzu no próximo ano.

Com salários em dia e direitos de imagem bem encaminhados, mesmo lamentando o dinheiro que escapou na Copa do Brasil, o dirigente admitiu abertamente os problemas financeiros usando a arma mais certeira de todas (no futebol e fora dele): a transparência.

Para Helena e Mário

A coluna é dedicada à querida Helena Alves Quadros, que nos deixou na sexta-feira. Pessoa boníssima e profissional exemplar (trabalhou a vida toda no Museu Goeldi), fará muita falta. Ao seu marido, o amigo Mário Quadros, irmão de fé e companheiro de tantas batalhas, o meu abraço de solidariedade, extensivo aos seus filhos.

Bola na Torre

Valmir Rodrigues apresenta o programa, a partir das 22h, na RBATV. Participações (em home office) de Guilherme Guerreiro, Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Em pauta, o Parazão e a Copa do Brasil. A edição é de Lourdes Cézar. 

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 18)