Garoto da Vila bate recorde na Libertadores

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Ângelo Gabriel, 16 anos e 4 meses e 16 dias, marcou o terceiro tento do Santos contra o San Lorenzo, na Argentina, pela Taça Libertadores (jogo ficou 3 a 1), e se tornou o atleta mais jovem ao assinalar gol na história da competição. Ele superou Juan Carlos Cárdenas, do Racing (ARG), que havia marcado com 16 anos, 7 meses e 2 dias. A lista ainda tem mais três santistas – Kaiky em 3º, Rodrygo em 4º e Marcos Leonardo em 8º. Garotos bons de bola.

O caminho é pela esquerda

POR GERSON NOGUEIRA

Paysandu 2×4 Remo (Lucas Tocantins)

O Remo venceu o clássico, de forma segura e incontestável. Foi uma grande atuação coletiva, no mesmo nível da vitória sobre o Esportivo (RS) pela Copa do Brasil. Evidenciou aquilo que o técnico Paulo Bonamigo costuma destacar em suas análises pós-jogo: o bom conjunto faz com que atuações individuais tenham destaque.

Na goleada sobre o maior rival, domingo, na Curuzu, além da organização e da disciplina tática, o Remo exibiu algumas peças em alto nível. Além de Lucas Siqueira, sempre regular e participativo, a equipe teve em outro Lucas, o Tocantins, a flecha pela aba esquerda do ataque que abriu o sistema defensivo do PSC.

Como é próprio do futebol, trocas inesperadas acabam se revelando excepcionalmente certeiras. Gabriel Lima seria o titular, mas um problema de última hora forçou sua substituição por Lucas Tocantins. O atacante, que havia estreado contra o Esportivo fazendo o segundo gol daquele jogo, não se fez de rogado. Entrou em campo e foi decisivo com jogadas sempre em busca da linha de fundo, como faziam os pontas do passado.

Foram três jogadas que resultaram em gol (Dioguinho, o próprio Tocantins e Lucas Siqueira) no primeiro tempo, além de duas tentativas que poderiam ter tido o mesmo sucesso. Nessa jornada vitoriosa em sua estreia em Belém, o jovem extremo – como dizem os técnicos de agora – teve a imensa colaboração do lateral Marlon, incansável no apoio.

Outros que contribuíram para o êxito de Tocantins foram Felipe Gedoz, Lucas Siqueira e Dioguinho, autor da inspirada inversão de jogo que resultou no terceiro gol azulino. Pela desenvoltura exibida, o ponta ganhou definitivamente um lugar no time e poderia ter sido ainda mais agudo caso o campo estivesse nas condições ideais.

Engraçado ver que um paraense que fez carreira lá fora volta e surpreende a todos com um futebol de primeira linha, sem que ninguém o conhecesse por aqui. Coisas do futebol globalizado de hoje e consequência do baixo olhar dos clubes paraenses para as joias reveladas no interior do Estado.

Derrota expõe jogadores e aumenta pressão

É normal que o Re-Pa gere consequências positivas para o vencedor e sérias dores de cabeça para o derrotado, ainda mais quando o placar fica acima das expectativas. Por essa razão, o revés de domingo abriu questionamentos sobre o trabalho do técnico e a qualidade dos jogadores.

Ficou patente, pelos lances capitais da partida, que certos jogadores destoaram e até contribuíram diretamente para a derrota. O lateral-direito Israel foi o mais criticado pela torcida nas redes sociais desde o final do Re-Pa.

O goleiro Victor Souza é o segundo na lista de vilões eleitos pela Fiel bicolor. Outros nomes também não foram poupados. Casos do volante Denilson e do zagueiro Alisson, de desempenhos sofríveis no jogo.

Sobre Israel, alvo da ira dos torcedores, depois de ser completamente envolvido por Lucas Tocantins em avanços sobre sua área de atual, é preciso considerar que poderia ter sido auxiliado no combate ao atacante remista. Faltou cobertura dos volantes Denilson ou Ratinho.

O lateral falhou nas ações individuais, mas o sistema não lhe socorreu quando era gritante a desarrumação no lado direito da defesa. Não houve providência nem mesmo depois do primeiro gol azulino.

Quanto a Victor Souza, que falhou no segundo gol (Tocantins) permitindo a passagem da bola, cabe considerar que o gramado estava enlameado, o que sempre dificulta as intervenções do goleiro em chutes rasteiros. Em seu favor, salvou bolas dificílimas no 2º tempo em chutes de Gedoz, Dioguinho e Edson Cariús, compensando inteiramente o erro cometido.

CBF tem dinheiro para bancar auxílio a jogadores

Diante da teimosa posição de não paralisar o futebol no país, apesar da situação de colapso hospitalar em grande parte do país, a CBF passa a ser pressionada por entidades médicas e de representação de atletas profissionais a conceder auxílio emergencial a jogadores dos clubes emergentes. O último balanço da entidade apontou a existência de R$ 700 milhões em caixa, quantia que permite atender pelo menos 10 mil atletas de todo o país com auxílio enquanto as competições estiverem paradas.

Seria uma forma de responder ao argumento de que “se o futebol for paralisado, clubes e jogadores ficarão em dificuldades”. Um estudo da situação geral de salários no futebol brasileiro mostra que mais de 60% da categoria ganha abaixo de R$ 5 mil.

Segundo informações da própria CBF, existem 11.683 atletas com contratos ativos. Destes, 10.748 jogadores têm salários inferiores abaixo de R$ 8 mil. Se a entidade pagasse auxílio de R$ 1 mil para cada atleta, gastaria R$ 10,7 milhões por mês.

Com uma receita estimada em quase R$ 1 bilhão mensais, a CBF chora de barriga cheia ao recusar qualquer auxílio extra aos jogadores que mantêm o circo do futebol funcionando. A imensa maioria dos boleiros ganha salários muito baixos, são operários da bola e merecem receber um suporte financeiro caso o futebol seja suspenso temporariamente.

Por isso, quando a CBF faz jogo duro com os clubes, insistindo na continuação das competições, está apenas fugindo de suas próprias responsabilidades em relação a esse exército de profissionais que leva o futebol à frente, disputando torneios quase sem visibilidade e sofrendo com a pindaíba permanente de clubes mal administrados. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 06)