O passado é uma parada

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Foto especial do 75º aniversário da Paramount reunindo as principais estrelas e astros da companhia cinematográfica, em 1987. Elizabeth Taylor, James Steawart, Harrison Ford, Charles Bronson, Danny DeVito, James Caan, Gregory Peck, Charlton Heston, Jeniffer Beals, Walter Matthau, Tom Cruise e muitos outros.

Compra de vacina por empresas: projeto de lei na Câmara enfraquece Anvisa e SUS

Especialistas afirmam que o projeto de lei que libera a compra de vacinas contra a Covid-19 pelo setor privado para imunizar funcionários é inconstitucional, sem utilidade para o SUS e uma tentativa do lobby de empresários de enfraquecer a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), único órgão no Brasil com autoridade para aprovar o uso de medicamentos.

A Câmara dos Deputados aprovou o texto-base do PL 948/21 na terça-feira (6) e concluiu a análise nesta quarta-feira (7). O projeto, agora, seguirá para o Senado e, depois de aprovado, precisará de sanção presidencial para entrar em vigor.

Para o médico e advogado do Centro de Pesquisa em Direito Sanitário da USP, Daniel Dourado, o projeto é um drible na autoridade da Anvisa para que empresários possam comprar vacinas sem respaldo científico no Brasil.

“É uma tentativa dos empresários de tirar o poder regulador da Anvisa para conseguirem comprar vacinas sem aprovação para uso emergencial ou registro e utilizar nos seus empregados”, diz Dourado.

Thomas Conti, doutor em economia e professor do Insper, também afirma que o projeto tira a autoridade da Anvisa.

“O PL foi anunciado como um projeto para facilitar a participação de empresas na vacinação, mas ele é muito radical, pois permite que vacinas aprovadas em qualquer regime, em qualquer lugar do mundo, sejam trazidas para o Brasil sem o aval da Anvisa”, diz Conti. “É um jeito de desviar da Anvisa”.

Outro ponto debatido pelos especialistas trazidos pelo PL é o fim da obrigatoriedade de aguardar a vacinação de grupos prioritários realizada pelo SUS. Para o médico sanitarista e ex-presidente da Anvisa, Gonzalo Vecina, a ação é “imoral”.

“É uma imoralidade você conseguir antecipar sua vacinação porque tem dinheiro. Quem tem dinheiro toma a vacina antes. É isso que estamos propondo? Quem tem dinheiro pode qualquer coisa e quem não tem fica na fila? Vamos instalar a barbárie no Brasil?”, diz Vecina.

(Com informações de O Globo)

Em defesa da abertura de templos, André Mendonça diz que cristãos estão dispostos a morrer

Quem achava que Kassio Nunes Marques era o ponto mais baixo a que o STF poderia chegar foi apresentado a uma buraco chamado André Mendonça. Mendonça, que é pastor, falou como pastor no julgamento sobre a liberação de templos no STF.

Na semana passada, o advogado-geral da União defendeu a suspensão do decreto de João Doria que proibiu, até 11 de abril, cultos e missas em São Paulo.

Segundo ele, “todo cristão sabe e reconhece os riscos e perigos dessa doença terrível e todo cristão sabe que precisa tomar cuidados e cautelas diante dessa enfermidade”.

Meteu os pés pelas mãos e, para agradar o chefe Bolsonaro e sua camarilha, citou um versículo da Bíblia que o contradiz. “Pois onde se reunirem dois ou três em meu nome, ali eu estou no meio deles”.

O trecho do evangelho de Mateus fala, exatamente, que não é necessário se juntar um bando com um picareta no púlpito para homenagear o Senhor.

Terminou, ainda, com uma ameaça: “Cristãos estão dispostos a morrer para garantir a liberdade de religião e culto”.

Nosso Jim Jones deixa claro que o negócio não é imunidade de rebanho, mas mandar todo o rebanho para o matadouro — inclusive quem será contaminado por um seguidor idiota dessa seita.

Mendonça sabe que essa batalha está perdida no Supremo, mas vai fazer o diabo para conseguir uma indicação ao STF. Se for preciso sacrificar alguns otários no caminho, que seja.

Hipocrisia pura. O advogado-pastor não fala em nenhum momento em desistir de leitos nos hospitais e de abrir mão de vacinas.

Pau que nasce torto morre torto

Por Heraldo Campos, especial para o blog

“São as águas de março / Fechando o verão / É a promessa de vida / No teu coração”, é um trecho da letra da belíssima canção “Águas de Março”, composta por Tom Jobim no ano de 1972, um dos anos de chumbo da ditadura militar instalada em 1964.

Pois é, como se sabe, as águas de março do verão desse ano de 2021 já passaram, a triste data de 31 de março mal começou e que promessa de vida temos pela frente?

Se “pela repetição, até o asno aprende”, como diz um provérbio árabe, coitado do asno se ele tivesse que ouvir a gente ficar repetindo (como outros tantos indignados), em várias crônicas escritas nesse pouco mais de um ano de agonia, os assuntos relacionados à ditadura Bolsonaro e a pandemia do coronavírus.

Mas, o que vamos fazer se “pau que nasce torto morre torto”, como se ouve da sabedoria popular. Se houver alguém em sã consciência que acredita que alguma coisa vai mudar para melhor, com a troca de um ministro por outro quase igual, dentro desse governo genocida, que envie um roteiro com o cardápio da promessa de vida que temos pela frente. Aguardamos.

Uma pergunta: será que no meio da massa dos 57 milhões de cidadãos que elegeram o terceiro anticristo da história da humanidade tem alguém que defende, de peito aberto, esse processo claro de genocídio que atinge o nosso triste país ou vai ficar aguardando, escondido na moita, até ser descoberto, um dia, por um novo “Tribunal de Nuremberg”?

É de causar profunda estranheza e espanto as aglomerações em festas e atividades semelhantes que as TVs abertas mostram todo santo dia nos noticiários dos jornais. O que tanto essa gente “patriota” comemora? Será que eles comemoram os mais de 314 mil mortos pelo cononavírus? Vai saber, nesse mundo louco e desgovernado que vivemos, tudo é possível. Os institutos de pesquisa de opinião poderiam se apressar, quando essas aglomerações são descobertas, e perguntar para os participantes: “você votou em quem para presidente da república em 2018?”. Fica aqui a sugestão.

Se existe algum comando macabro, via as redes (anti)sociais, para que novas e repetidas aglomerações desse tipo pipoquem pelo país não temos como afirmar e, provavelmente, se existirem mesmo, essa sacanagem não é de agora. Lembro que a última vez que botei o pé num boteco, em março de 2020, escrevi o seguinte, quando voltei para casa:

“Em tempo. Nos poucos botecos que frequento atualmente, mais para jogar uma conversa fora sobre futebol e falar do meu Corinthians, tenho estranhado o comportamento de algumas pessoas. Várias delas que conheço apenas de vista e cumprimento com um simples e educado boa noite passaram agora a, estranhamente, a me estender a mão, num suposto gesto fraterno.      

Mas nos dias de hoje, o que estará passando na cabeça dessas pessoas? Falta de informação? Será que não estão acompanhando as orientações passadas pelos médicos sanitaristas para evitar esse tipo de contato por causa do coronavírus que se alastra no país? Ou será que existe alguma orientação ou, mesmo quem sabe, até alguma ordem satânica por trás, vinda daquele pessoal legal da camisa amarela do Palácio do Planalto?   

É difícil saber, mas que tem algo estranho acontecendo, isso tem.” [1].

Para concluir, se parecia que tinha “algo estranho acontecendo” em março de 2020 agora parece que não existe mais nada de estranho porque, convenhamos, “pau que nasce torto morre torto”. Alguma dúvida?

A luta continua! Abaixo a ditadura!

[1] Crônica publicada no democrático blog do Cacá Medeiros Filho em 16/03/2020:

http://cacamedeirosfilho.blogspot.com/2020/03/bola-ao-cesto-cronicade-heraldo-campos.html

*Heraldo Campos é Graduado em geologia (1976) pelo Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Universidade Estadual Paulista – UNESP, Mestre em Geologia Geral e de Aplicação (1987) e Doutor em Ciências (1993) pelo Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo – USP. Pós-doutor (2000) pelo Departamento de Ingeniería del Terreno y Cartográfica, Universidad Politécnica de Cataluña – UPC e pós-doutorado (2010) pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento, Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo – USP.

Congresso aprova lei para empresários furarem a fila da vacina contra covid-19

Os laboratórios internacionais não comercializam vacinas com o setor privado por questão ética. Para beneficiar o lobby dos empresários, o Ministério da Saúde do Brasil terá que comprar as vacinas para poder repassar ao setor privado. Detalhe: nenhum outro país do mundo aceitou fazer isso. Aqui, o Congresso Nacional criou uma lei para permitir tamanha aberração.

Carlos Wizard Martins

Mesmo que o Congresso Nacional aprove a mudança da lei para permitir que os empresários possam comprar vacinas contra Covid-19 para ser aplicada em seus funcionários, toda a compra terá que ser feita via Ministério da Saúde. O empresário Carlos Wizard disse que as farmacêuticas fizeram um acordo internacional e só podem vender vacinas para os governos. Wizard, no entanto, está confiante que o Ministério dará seu aval e ele estima que no máximo em 30 dias, a partir da aprovação da lei, eles possam comprar e trazer ao Brasil 10 milhões de doses.

As doses da vacina serão pagas pelos empresários. Metade das doses será usada em funcionários de uma centena de empresas que fazem parte do movimento de Wizard e a outra metade poderá ser enviada ao SUS ou destinada a familiares, dependendo do texto da nova lei a ser aprovada. O Ministério da Saúde disse desconhecer o assunto. 

Wizard está liderando junto com o empresário Luciano Hang as negociações para a mudança na lei. Segundo ele, vacinar os funcionários é necessário porque a previsão do governo para imunizar os 78 milhões de prioritários na fila da vacina levará pelo menos 5 meses, tempo que não pode ser esperado pelos empresários.

“Os Estados Unidos já terão vacinas sobrando antes disso”.  O empresário não revela com quais farmacêuticas está negociando, mas garante que tem vacina no mundo para ser comprada e enviada imediatamente. Perguntado por qual motivo o próprio governo não compra, Wizard deixa um certo ar de mistério dizendo que coisas nebulosas e obscuras impediam a compra por parte do governo, mas que este obstáculo não existe para o setor privado. (Da Veja)