Vidas desperdiçadas

Por Iran de Souza

Nesta sexta-feira (9) morreu a Kleise Abreu, lá no Paraná. Dois sobrinhos em comum faziam-nos “contraparentes”. Um de meus irmãos é casado com uma das irmãs dela. Todos choramos pela Kleise, que tinha pouco mais de 60 anos. Professora, ela batalhou muito para criar três filhos sozinha. E foi ao visitar um deles no Mato Grosso do Sul que contraiu o novo Coronavírus. Um país mais justo, com vacina a tempo e a hora para todos, não teria desperdiçado a vida da Kleise. É desolador que isso tenha acontecido a ela e a quase 350 mil brasileiros já vitimados pela Covid-19.

VIDAS EM RISCO

Dois irmãos e um cunhado meu também estão infectados pelo novo Coronavírus. Um, seis anos mais velho, segue em lenta recuperação no Hospital Adventista de Belém. Outra, que tem oito anos a mais que eu, e o marido, testaram positivo nesta quinta-feira (8), em Vila Velha (ES). Por mais que eu me proteja fisicamente, e protejo-me o quanto posso, como não me abalar emocionalmente ao ver a doença avançar sobre a minha família? Todos estamos em risco na pandemia, é fato, mas eles, agora, estão um degrau a mais. O que me resta é acreditar na ciência e no vigor físico e psicológico dos meus irmãos e cunhado para vencer a Covid-19.

ATITUDES NECESSÁRIAS

Vamos usar máscaras seguras. Vamos utilizar álcool em gel para esterilizar as mãos. Vamos higienizar nossas compras e lavar nossas roupas ao chegar em casa. Vamos evitar aglomerações: festas, cultos ou pequenas reuniões, mesmo em casa. Vamos tomar vacina logo que o imunizante estiver disponível para a nossa faixa etária. Não vamos acreditar em soluções milagrosas, terapias exóticas ou profilaxias sem base científica. E, sobretudo, vamos entender que estamos numa pandemia e que a menor atitude fora deste contexto pode abrir uma janela para contaminar alguém que você ama, alguém que você não conhece ou até você mesmo. No mais, vamos desconfiar de quem nos disser o contrário. Negacionismo e charlatanice também são doenças. Doenças que atacam preferencialmente as mentes perturbadas e os espíritos vazios.

LEITE DERRAMADO?

Quase 350 mil brasileiros já foram vitimados pela Covid-19. E o que diz o presidente da República a respeito? Abre aspas: “Não vamos chorar o leite derramado”. Palavras de Jair Messias Bolsonaro, ou melhor, do genocida aloprado que 57 milhões de brasileiros puseram no lugar de presidente da República, em 2018. É inacreditável! PUTA QUE O PARIU!

Ventania derruba placar e força adiamento do clássico PSC x Tuna

Imagem

A Federação Paraense de Futebol e o árbitro Joelson Nazareno Ferreira Cardoso optaram por suspender o jogo entre PSC e Tuna, que deveria acontecer nesta sexta-feira, 9. A tempestade que caiu forte chuva que caiu em Belém acabou quebrando o placar eletrônico do estádio Banpará Curuzu.

Minutos antes da bola rolar, a chuva desabou atrasando o início da partida. O placar eletrônico do estádio quebrou e a arbitragem mandou os jogadores de volta para os vestiários. Passada uma hora, os órgãos de segurança recomendaram a suspensão, por entender que havia risco à segurança de atletas depois que a torre do placar ficou inclinada sobre postes de iluminação do estádio.

Os refletores sofreram uma avaria e precisam de manutenção, que só deve ser concluída após 24 horas. Pela regra da Federação Paraense de Futebol, a partida deveria acontecer no dia seguinte, porém o Corpo de Bombeiros garante que não há tempo hábil para realizar todos os reparos necessários.

Queda placar eletrônico Curuzu

O PSC tem partida marcada pela Copa do Brasil na próxima terça-feira, diante do CRB, às 19h. A nova data será definida pelo departamento de competições da Federação Paraense de Futebol. (Fotos: Brenno Rayol)

Papão perde Evandro, ponta-direita que brilhou nos anos 80

Evandro fez parte de grandes equipes formadas pelo Paysandu — Foto: Reprodução/Site oficial do Paysandu

Através do site oficial do Paysandu, a torcida bicolor soube nesta sexta-feira, 9, a morte do ex-ponta-direita Evandro, que teve muito destaque em equipes na década de 1980. Foi tricampeão paraense entre os anos de 1980 e 82. Ele fez parte de grandes times da história recente do Papão, ao lado de ídolos como Patrulheiro e Chico Spina.

Antes da partida desta sexta-feira, diante da Tuna Luso, na Curuzu, pelo Parazão, haverá um minuto de silêncio em homenagem a Evandro, junto com o protocolo de solidariedade às vítimas da Covid-19.

Galo atrapalha o líder

POR GERSON NOGUEIRA

Remo e Independente-PA empatam pelo Parazão

Um jogo movimentado, com atuações de alta intensidade e boa troca de golpes ofensivos, acabou terminando com um resultado justo. O empate (2 a 2) entre Remo e Independente, ontem à tarde, no estádio Baenão, mostrou que as equipes têm hoje os melhores conjuntos do Parazão. Além da manutenção da invencibilidade de ambos, em termos de tabela de classificação, não houve qualquer alteração.

Como espetáculo, foi uma partida interessante. O Independente mostrou logo de início que não veio a passeio. Posicionou seu meio-campo para explorar os contragolpes, aproveitando o ímpeto ofensivo do Remo.

Logo no primeiro minuto, o Galo chegou forte, com Fagner recebendo livre na área azulina, mas o lance foi invalidado. O Remo agredia pelas extremas. Marlon chegou bem várias vezes, acionando Wallace e Dioguinho na área.

Em contra-ataque que envolveu Cassiano e Railson, o Independente achou o caminho do gol aos 23 minutos. O cruzamento perfeito encontrou a zaga azulina desarrumada e Danrlei livre para cabecear no canto esquerdo de Vinícius. Quarto gol do artilheiro baionense no campeonato.

Aos 29’, o Remo quase empatou. Jogada iniciada por Marlon chegou ao centroavante Renan Gorne, que disparou no travessão. Aos 32’, depois de muita insistência, o gol leonino finalmente saiu. Lucas Siqueira avançou na esquerda, tabelou com Wallace, e bateu recuado para o meio da área. Dioguinho finalizou rasteiro para o fundo do gol.

Mais cauteloso e atento à marcação, o Independente veio para a etapa final como se estivesse satisfeito com o placar. Não estava, era apenas truque para atrair o Remo para seu campo. Os azulinos insistiam, mas não conseguiam definir bem as jogadas.

Aos 23’, Dioguinho recebeu bom passe de Felipe Gedoz e disparou em direção ao gol. A bola, à meia altura, bateu no braço esquerdo do zagueiro Yuri. Apesar dos protestos do Independente, o árbitro Joélcio Fernandes Freitas confirmou a penalidade.

Com categoria, em chute rasteiro, Gedoz desempatou a partida, sem chances para o goleiro Dida. Parecia o início da caminhada azulina rumo ao triunfo. Ledo engano.

Apesar da maior presença ofensiva do Remo, o time de Tucuruí resolveu investir no jogo aéreo, sabidamente o calcanhar de aquiles da defensiva azulina. Deu certo.

Aos 28’, um cruzamento alto de Vioto passou por Rafael Jansen e Fredson foi alcançar o zagueiro Yuri. Sem marcação, diante de Vinícius, ele escorou de cabeça, de cima para baixo, empatando a partida outra vez.

O Remo ainda seguiu perseguindo a vitória e teve pelo menos um grande momento, aos 44’, quando Dioguinho cruzou no segundo pau, Edson Cariús tocou de cabeça para o meio do fuxico e Renan Oliveira (que substituiu a Gedoz) completou no canto direito, mas Dida fez uma excelente defesa, evitando o terceiro gol remista.

Nenhuma grande surpresa. O Remo não conseguiu passar por um adversário bem estruturado, que errou pouco e teve capacidade de reação quando a partida parecia favorecer o líder do campeonato. (Foto: Samara Miranda/Ascom Remo)

Erros em série prejudicam os passos do Leão

Ao final da partida, o meia Felipe Gedoz lamentou o tropeço em casa e foi claro no diagnóstico da situação. Segundo ele, o time não pode continuar a sofrer gols bobos. Referia-se, obviamente, aos últimos vacilos da zaga, que levou dois gols diante do PSC no clássico e dois frente ao Independente.

Pode-se até relevar a frustração normal de fim de jogo, mas Gedoz botou o dedo em ferida exposta. Há um problema sério nas bolas cruzadas sobre a área remista. Nos dois jogos, foram três gols sofridos nesse tipo de lance.

As preocupações ganham fôlego porque a equipe vai sair para um jogo difícil pela Copa do Brasil, contra o CSA, em Maceió, na próxima terça-feira, 13. É um adversário superior aos que o Remo tem enfrentado no Parazão e certamente vai explorar o ponto nevrálgico do visitante.

É bem possível que o técnico do CSA observe o mesmo que Sinomar Naves e oriente seus jogadores para tentarem utilizar a jogada que tem se revelado mortal para a retaguarda do Leão.

Insisto apenas que erros defensivos não podem ser atribuídos exclusivamente aos zagueiros de área. O entorno é fundamental para garantir segurança. Na Série C 2020, o Remo tinha Charles, um volante forte na marcação, que em lances aéreos se transformava em terceiro zagueiro. Hoje, o time tem Uchoa, que não tem envergadura física para exercer esse papel.  

Papão e Tuna reeditam clássico após oito anos

Contra uma Tuna cheia de problemas na defesa e no meio, o PSC tentará se recompor no campeonato após o vexame no clássico diante do Remo. Para o confronto desta tarde, na Curuzu, é possível que Itamar Schulle resolva mexer na estrutura do meio-campo, setor que foi errático demais diante dos azulinos. Jonathan e João Paulo devem se unir a Ruy e Denilson (ou Eliezer ou Ratinho) no setor.

Caso a estreia de Jhonnatan se confirme, a tendência é de que o jogo fique mais bem desenhado na transição ofensiva. Experiente, o volante/meia paraense talvez seja a peça necessária para ajustar o setor. O ataque deve ter Nicolas e Ari Moura, que se movimentaram bem no Re-Pa, apesar da derrota. Marlon e Igor Goularte são opções para o decorrer da partida.

A Tuna, que obteve no sábado sua primeira vitória na competição (4 a 1 sobre o Paragominas), pode não ter hoje o zagueiro Dedé e pode ter que improvisar no meio-campo, onde Lukinha ainda não tem condições de jogar os dois tempos. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 09)