POR GERSON NOGUEIRA

Os jogos da quinta rodada do Parazão seriam oportunidades preciosas para que os técnicos Paulo Bonamigo e Itamar Schulle dessem os últimos retoques em seus times para encarar a duríssima 2ª fase da Copa do Brasil naquele que poderia ser descrito como um torneio Pará-Alagoas. O Remo vai enfrentar o CSA, em Maceió; o PSC receberá o CRB, em Belém.
A partida com o Independente serviu como alerta a Bonamigo, principalmente quanto aos problemas defensivos que seu time apresentou. Dois gols tomados em bolas aéreas. O primeiro foi em contra-ataque, que pegou a zaga completamente desarvorada. Erro clássico de falta de cobertura à frente dos zagueiros.
No segundo, a falha foi pontual. A repetição de várias jogadas que resultaram em prejuízo para o Remo. A bola foi erguida para o meio da área, passou pelos dois zagueiros e chegou ao cabeceador adversário, que não teve qualquer trabalho para tocar para as redes.
Isso tinha acontecido nas duas partidas finais da Copa Verde contra o Brasiliense, ocorreu também contra o Bragantino já no Parazão e diante do PSC no clássico de domingo, no segundo gol de Nicolas.
Corrigir isso em poucos dias, para evitar problemas no confronto pela Copa do Brasil, é tarefa das mais ingratas. Na verdade, o Remo não tem apenas problemas com seus zagueiros de área. Tem um buraco à frente da linha de defesa, sem um volante forte para dar o combate inicial.
Charles fez isso com extrema competência – embora sem o devido reconhecimento – na campanha da Série C. Era essencialmente marcador e alto o suficiente para se tornar um terceiro zagueiro quando necessário.
No momento, o Remo tem apenas Lucas Siqueira cuidando da proteção, pois Uchoa não consegue – nem pode – ser o volante-volante que Charles era. Para piorar as coisas, o ex-bicolor ainda não está inteiramente encaixado na equipe.
Como se vê, os problemas de Bonamigo são sérios, embora possa compensar isso com a força ofensiva indiscutível que o time tem, com a qualidade do trio de atancantes: Dioguinho voando, Renan Gorne entrosado e Wallace tentando voltar a ser o Wallace da Série C.
Já o PSC sofre pela falta de entrosamento visível em todos os jogos da equipe sob o comando de Itamar Schulle. A remontagem da equipe tem cobrado um preço muito alto. Em quatro jogos pelo Parazão e um pela Copa do Brasil, o melhor aproveitamento foi contra o Madureira, no Rio.
Pelo Estadual, Schulle parece ter se atrapalhado com a chegada de tantos jogadores ao mesmo tempo, a maioria longe do condicionamento ideal. Isso transpareceu em cores vivas contra Castanhal, Paragominas, Carajás e Remo, principalmente.
Para tornar as coisas ainda mais difíceis, o jogo com a Tuna foi adiado devido à forte chuva e ao acidente com o placar eletrônico da Curuzu. Seria uma oportunidade preciosa para observar o novo ataque idealizado por Schulle, com Ari Moura, Nicolas e Igor Goularte.
Ruy se efetiva como o organizador no meio-campo, mas demonstra sempre precisar de um outro meia (João Paulo?) para dialogar ou mesmo de um volante/barra meia, como Jhonnatan. Há dúvida se conseguirá esse ajuste a tempo do embate com o CRB, antecipado para terça-feira à tarde.
Azulinos e bicolores têm problemas desiguais e urgências óbvias para tentar resolver a tempo. Desafios de alta complexidade.
Bola na Torre
O programa começa às 21h45, com apresentação de Valmir Rodrigues (estúdio) e participações de Guilherme Guerreiro, Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião, em home office. Em pauta, o Campeonato Estadual e as projeções para os jogos da dupla Re-Pa na Copa do Brasil. A edição é de Lourdes Cézar.
Exemplos de empatia que o futebol precisava dar
Veio de duas atletas da Seleção Brasileira feminina o primeiro sinal claro de empatia com a dor alheia em meio à pandemia-genocídio que o Brasil enfrenta hoje. A meia-atacante Andressa Alves e a zagueira Rafaelle se manifestaram firmemente contrárias a uma eventual prioridade a atletas na vacinação contra o vírus antes da Olimpíada de Tóquio, no Japão. A possibilidade é debatida em alguns países e chegou a ser aventada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI).
“No meu ponto de vista, os atletas têm que ser os últimos a serem vacinados. Há pessoas que precisam mais que a gente neste momento. Há outras maneiras de se preparar e chegar em Tóquio com segurança”, disse Andressa.
“Acho que a maioria das atletas gostaria de tomar a vacina, para ter essa segurança, mas é uma coisa que, hoje, tem que ser dada prioridade para quem precisa mais e corre mais risco. Não é por sermos atletas que devemos ter privilégio. Tem que pensar mais na população em geral. Há várias maneiras para chegarmos lá (em Tóquio) bem”, referendou Rafaelle.
Que lição de integridade e respeito pelo próximo. Talvez as mulheres venham nos restituir a glória e a dignidade perdidas, principalmente pelo posicionamento obtuso e negacionista dos chamados astros do masculino.
(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 11)