Procurador da Lava Jato ameaça o STF e prevê “inferno para os réus”

O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, o popular “Boquinha”, ao sentir que os caprichos da Lava Jato começam a ser contidos, soltou uma declaração que mais pareceu uma ameaça miliciana direta ao Supremo Tribunal Federal, em especial à 2ª Turma. A reação revela a vaidade e a prepotência que marcam a conduta de figuras ligadas à força-tarefa da operação concentrada em Curitiba.

Como o próprio Carlos Fernando é acostumado a fazer declarações e depois apagar, a tela foi devidamente printada.

Declaração-esdrúxula-do-procurador-Carlos-Fernando-dos-Santos-Lima

O comentário do procurador força algumas perguntas óbvias. Primeiro: o que seria essa tal “velha ordem”? Seria a ordem democrática, na qual o Judiciário tem como dever respeitar os princípios constitucionais e o réu deveria ser inocente até prova em contrário? Segundo: como Boquinha vai promover o tal “inferno” na vida dos réus? Cumprindo a ameaça ao STF?

No fundo, Carlos Fernando expressa o que vai pela cabeça de Sérgio Moro e sua turma, que formam hoje um bolsão de resistência ao Direito usando e abusando de atos que contrariam o bom senso, como a recente recusa em cumprir a decisão do STF de transferir processos de Lula que nada têm a ver com a Petrobras.

Quando fala em inferno, o procurador parece estar admitindo que a força-tarefa se considera com poder suficiente para promover um autêntico inferno jurídico no país, colocando-se acima da própria Suprema Corte. Falou como miliciano curitibano, dando voz ao que Moro não verbaliza: a Lava Jato se considera acima da Lei.

Nesse sentido, o procurador inverte as coisas. Quem deveria observar que a Justiça deve ser cega é o próprio grupo encastelado na chamada “república de Curitiba”, cuja parceria íntima e promíscua com veículos da velha mídia – Globo à frente – configura hoje um poder paralelo no Brasil.

A frase do dia

“A situação atual é muito pior do que a vivida nos idos de 1964: agora o golpe “carrega dentro dele a semente da destruição, a obliteração total de qualquer vestígio de soberania brasileira”.

Miguel Nicolélis, neurocientista

O triunfo de uma ideia

DbqZvjSXkAE9FH5

POR GERSON NOGUEIRA

Dado Cavalcanti foi diplomático e evitou festejos antecipados, como convém ao bom vencedor, mas o fato é que nem as pedras do cais duvidam mais da conquista da Copa Verde pelo Papão no próximo dia 16 de maio. E isso se deve à meritória vitória de anteontem, em Cariacica, quando o time paraense mostrou dinamismo e competência para transformar em gols as poucas oportunidades criadas.

A vantagem estabelecida na decisão é ainda maior se levada em conta a diferença técnica entre os times. O Papão se impôs em Cariacica porque soube controlar as ações e, mesmo sem sinal de criatividade no meio-campo, teve forças para buscar os gols que precisava. Nada faz supor que esse panorama mude até o jogo de volta. Por isso, os dois gols não constituem o motivo maior para cravar o favoritismo absoluto do PSC.

O Atlético-ES até se esforçou para jogar bonitinho, tocando a bola de um lado a outro, fazendo o jogo girar, como adoram falar os novos técnicos de futebol. Só que esse giro não pode ser inútil e , sob pena de facilitar a recomposição defensiva do oponente.

E foi justamente o que aconteceu. O Atlético saía com a bola e, ante o bloqueio na intermediária do PSC, via-se forçado a abusar dos passes laterais improdutivos. Quando os bicolores, principalmente os incansáveis Moisés e Mike, avançavam ao campo inimigo para adiantar a marcação, aí tudo ficava mais difícil para os mandantes.

Aliás, foi assim que a porteira se abriu. Em jogada que se repetia desde o primeiro tempo, os zagueiros ficaram trocando aqueles passes sonolentos, aparentemente esperando abrir uma brecha lá na frente. Cassiano deve ter observado essa arrumação e ficou esperando o primeiro descuido para roubar a bolar e tocar na saída do goleiro Bambu.

Longe de se reorganizar e buscar alinhar os setores, o Atlético seguiu na mesma toada, tocando umas 400 vezes na bola sem finalizar a gol. Só chegava com mais força nos escanteios e cobranças de falta.

A proposta tática da equipe teoricamente é até interessante, mas peca pela falta de funcionalidade, pois os homens de frente não têm a qualidade necessária para superar um forte sistema defensivo como o montado pelo PSC.

Lá pelos 30 minutos, com o Papão vencendo e jogando sem maiores sustos, ficou evidente que a parada estava decidida. O próprio Atlético começou a dar sinais de desânimo, queimando ataques seguidos com a precipitação nos lançamentos.

O segundo gol veio quase naturalmente. Bola recuperada na intermediária bicolor por Mike se transformou num inspirado lançamento para Cassiano, que venceu seus marcadores na corrida e disparou um foguete em direção às redes.

Um golaço, tanto na construção como na definição, que foi comemorado efusivamente pelo maior artilheiro bicolor na temporada (15 gols), vivendo a melhor fase de sua carreira, conforme admitiria depois da partida.

A vitória inquestionável abre caminho para a conquista do bicampeonato da CV, garante gorda bonificação em dinheiro e classifica o Papão para as oitavas da Copa do Brasil 2019. Um final de semestre que se desenha alvissareiro, compensando a frustração pelos maus passos no Parazão.

Ao mesmo tempo, ao botar a mão na taça, Dado Cavalcanti ganha ainda mais musculatura para a Série B, pois sua aposta no sistema de três zagueiros mostra-se plenamente vitoriosa. São quatro vitórias consecutivas, sem esquecer que empregou com êxito a mesma arquitetura defensiva na semifinal do Estadual contra o Bragantino.

Acima de tudo, o técnico vê triunfar a ideia que nasceu da mais absoluta necessidade. Sem alas criativos para apoiar o ataque e com a carência de um meia-armador clássico, optou pelo sistema 3-4-3, que oculta imperfeições e – pelo menos por enquanto – vai dando certo.

———————————————————————————————

Baixo rendimento ofensivo faz Givanildo mexer no time

Interessante ver a humildade do veterano Givanildo Oliveira em mudar de planos ao ver que o Remo precisa de ajustes ofensivos urgentes. Agiu em conformidade com a expectativa do torcedor, que vinha demonstrando crescente insatisfação com a produção do time, que joga com três atacantes e é obrigado a se contentar com uma artilharia extremamente econômica.

Para quem observa futebol com atenção, o Remo padece de um mal crônico: a falta de um jogador que organize o meio-campo e cuide da transição entre zaga, meio e ataque. Adenilson ocupou essa função até por exclusão, pois o técnico não tinha alternativa melhor no elenco.

Com a chegada de Everton, Givanildo providencia a imediata alteração, a partir da boa movimentação do estreante no segundo tempo diante do Globo-RN, sábado passado. Por vício de origem, Everton cai mais pelo lado esquerdo e tem como característica conduzir a bola, buscando tabelas e passes curtos em velocidade.

Pode ser uma excelente companhia para os pontas Felipe Marques e Elielton, mas há o risco de que o meio continue despovoado e sem qualidade. Os treinos desta semana têm mostrado que Givanildo quer um time bem mais ágil nos avanços, a fim de explorar as virtudes de seus dois atacantes de lado.

Para o confronto de amanhã contra o Juazeirense, além da efetivação de Everton, o time deverá ter Gustavo na lateral direita e a volta de Bruno Maia à defesa. É improvável que as mudanças tenham efeito imediato, mas pelo menos indicam que Givanildo – como os torcedores – também não está inteiramente satisfeito com a produção do time na Série C.

——————————————————————————————-

Copa perde um astro de primeira grandeza

E Ibrahimovic não vai mesmo à Copa.

Para tristeza de quem aprecia futebol de qualidade, o atacante sueco confirmou na terça-feira sua aposentadoria da seleção, segundo o presidente da Federação Sueca de Futebol. Pode-se dizer então que, além das ausências de Holanda e Itália, o mundial russo estará desfalcado de uma de suas maiores atrações. Ibra é um atacante como poucos no futebol de hoje, capaz de jogadas espetaculares e gols surpreendentes.

Uma pena.

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 27)

Perseguição indecorosa

delacaopalocc

Por Kiko Nogueira, no DCM

A Lava Jato podia dar menos bandeira com relação à sua perseguição judicial a Lula. Tudo é conduzido de uma maneira absurdamente indecorosa. Pornografia pura.

Nesta quinta, dia 26, a delação premiada de Palocci foi fechada. A Globo pediu, Curitiba atendeu.

No home do jornal do grupo está lá a chamada, gloriosa, sobre “As balas na agulha de Palocci: o que o ex-ministro de Lula e Dilma pode revelar”.

Preso desde 2016, ele havia tentado um acordo com o Ministério Público.

A colaboração, assim como os termos dos benefícios, ainda precisam ser homologados pela Justiça, mas pelo padrão da turma, e dado o desespero, ele vai se dar bem.

Até agora, Palocci produziu muita espuma, como aquela frase de efeito idiota do “pacto de sangue” com Emílio Odebrecht.

A Veja embarcou numa fake news maluco beleza dando conta de que Kadafi, líder líbio morto em 2011, havia dado 1 milhão de dólares à campanha de Lula em 2002.

“Ação pode levar à cassação do partido”, prometeu a revista à sua legião de analfabetos fascistas funcionais.

Mas ninguém desqualificou Palocci como Sergio Moro.

Na sentença em que condenou o cidadão a mais de 12 anos de cadeia, Moro escreveu que as declarações dele “soaram mais como uma ameaça para que terceiros o auxiliem indevidamente para a revogação da preventiva, do que propriamente como uma declaração sincera”.

Palocci, de acordo com o magistrado, “é um homem poderoso e com conexões com pessoas igualmente poderosas”, que poderiam influir “indevidamente” no processo.

O ex-ministro teria detalhes de irregularidades cometidas por André Esteves, do BTG Pactual, e pelo ex-dono do Pão de Açúcar Abílio Diniz, entre outros.

Não prosperou.

O que mudou de lá para cá?

Ora. A decisão do STF de enviar os processos nos casos do sítio de Atibaia e do terreno do Instituto Lula para São Paulo.

Moro e a “força tarefa” têm que mostrar serviço. Não vão perder seu troféu de caça sem atropelar os inimigos — aí incluídos o Supremo e, num sentido mais amplo, o estado de direito.

O problema é que estão sumindo os coelhos gordos da cartola e o truque já não engana mais ninguém.

Resta jejuar.