O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, o popular “Boquinha”, ao sentir que os caprichos da Lava Jato começam a ser contidos, soltou uma declaração que mais pareceu uma ameaça miliciana direta ao Supremo Tribunal Federal, em especial à 2ª Turma. A reação revela a vaidade e a prepotência que marcam a conduta de figuras ligadas à força-tarefa da operação concentrada em Curitiba.
Como o próprio Carlos Fernando é acostumado a fazer declarações e depois apagar, a tela foi devidamente printada.

O comentário do procurador força algumas perguntas óbvias. Primeiro: o que seria essa tal “velha ordem”? Seria a ordem democrática, na qual o Judiciário tem como dever respeitar os princípios constitucionais e o réu deveria ser inocente até prova em contrário? Segundo: como Boquinha vai promover o tal “inferno” na vida dos réus? Cumprindo a ameaça ao STF?
No fundo, Carlos Fernando expressa o que vai pela cabeça de Sérgio Moro e sua turma, que formam hoje um bolsão de resistência ao Direito usando e abusando de atos que contrariam o bom senso, como a recente recusa em cumprir a decisão do STF de transferir processos de Lula que nada têm a ver com a Petrobras.
Quando fala em inferno, o procurador parece estar admitindo que a força-tarefa se considera com poder suficiente para promover um autêntico inferno jurídico no país, colocando-se acima da própria Suprema Corte. Falou como miliciano curitibano, dando voz ao que Moro não verbaliza: a Lava Jato se considera acima da Lei.
Nesse sentido, o procurador inverte as coisas. Quem deveria observar que a Justiça deve ser cega é o próprio grupo encastelado na chamada “república de Curitiba”, cuja parceria íntima e promíscua com veículos da velha mídia – Globo à frente – configura hoje um poder paralelo no Brasil.
Esse abuso deve ser contido logo.
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