Escosteguy é o Kim Kataguiri do jornalismo

POR PAULO NOGUEIRA, NO DCM

Diego Escosteguy, editor chefe da Época, é o Kim Kataguiri do jornalismo. É um militante de direita, um cruzado do antipetismo, muito, mas muito mais que jornalista. Vendo coisas que ele escreveu no Twitter me veio à cabeça outro militante da Globo vestido de jornalista, Erick Bretas, diretor de mídias digitais.

No Facebook, Bretas achou normal, aceitável, bonito até convocar as pessoas para a manifestação contra Dilma de 15 de março. Ele não enxergou ali conflito de interesses. Aparentemente, a Globo está produzindo este tipo de antijornalista.

Escosteguy é da mesma linhagem de Bretas.

Pelo que entendi, ele ficou bravo porque a capa da Época sobre Lula não deu em nada. Amigos: quando nem o Jornal Nacional repercute coisa da casa contra Lula é porque é ruim mesmo.

Quantas vezes o JN deu absurdos sem consistência nenhuma na Veja nas noites de sábado?

Tinha ouvido falar de Escosteguy recentemente. Correu  que ele se apresentou na primeira reunião como editor chefe da revista com ares de Norman Mailer.

Não estava assumindo o segundo cargo de uma revista semimorta e catatônica, mas o comando da News Corp de Murdoch, tal a pretensão com que se comportou na reunião.

Mas o que mais me impressiona em caras como ele é o completo grau de desinformação.

Escosteguy parece não ter ideia, ou finge, de que a Globo foi inteiramente construída com dinheiro público, em troca de conhecidos favores sobretudo aos generais que mataram, torturaram e perseguiram tantos brasileiros.

Escosteguy não sabe que sua empresa ainda hoje se beneficia de uma inacreditável reserva de mercado, coisa de quem quer capitalismo e concorrência só para os outros.

Saberá da sonegação da Copa de 2002? Do detalhe da trapaça fiscal feita pela Globo: alegou que ia fazer um investimento no exterior para não pagar o imposto devido pela compra dos direitos? Da tentativa de dar fim, por uma ex-funcionária da Receita, ao documento que comprovava a fraude dos Marinhos?

A Época mesma em que ele é vice-chefe com ares napoleônicos agora.

Quando eu cheguei à Editora Globo, o pobre contribuinte do Amazonas era instado a melhorar as contas da editora mediante compras milionárias de livros da Globo.

Dinheiro público, sempre dinheiro público.

Em troca, o governador recebia matérias louvatórias da Época.

Meu primeiro choque na Globo, e na Época, se deu exatamente aí. Briguei com o “operador” que fazia a ponte entre a editora e o governo do Amazonas.

O governador do Amazonas foi a São Paulo me intimidar. Tivemos um encontro patético, ao fim do qual ele me ameaçou: “Vou falar com o João Roberto Marinho.”

Escosteguy terá noção de como foi feito o Projac? Com dinheiro do Banerj, sempre público, e pago depois, pausa para gargalhadas, com anúncios.

E vem posar de Catão, este Kim Kataguiri do jornalismo, como se trabalhasse na Santa Casa de Misericórdia? Tem coragem de falar em “sites financiados pelo PT” — sem prova nenhuma, aliás — quando a empresa em que trabalha leva só das estatais federais 500 milhões de reais por ano com audiências despencando?

Sobre o jeito Lula de ser, talvez Escosteguy pudesse acrescentar, no levantamento sobre a Odebrecht, uma história que Jorge Paulo Lemann, da Ambev, me contou, com gratidão.

A Ambev vinha enfrentando problemas na Argentina. O caso foi levado a Lula, então presidente. Imediatamente Lula apanhou o telefone e ligou para a Argentina. Resolveu em minutos a questão.

“Você chegava com alguma coisa desse tipo ao Fernando Henrique e ele dizia: ‘Deixa que eu resolvo’”, me disse Lemann. “Nunca resolvia.”

Mas com Lemann, grande anunciante dos Marinhos, Escosteguy com certeza não vai querer brincar.

Escrevi, outro dia, que o lixo se queixou a Lula por ter sido comparado à Veja e à Época.

Faltou o lixo dizer: “Putz, Lula, eu não publico o Escosteguy!”

Para desafiar os incrédulos

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POR GERSON NOGUEIRA

Quando Dewson Freitas pediu a bola e encerrou o jogo, as 35 mil pessoas presentes ao Mangueirão não se preocupavam tanto com as circunstâncias da decisão – duríssima, sob todos os pontos de vista –, mas em festejar a dupla conquista. Além do bicampeonato estadual, o Remo acabava de sacramentar presença na Série D como representante do Pará.

Quando Rafael Paty acertou dois cabeceios fulminantes e estabeleceu a vantagem no placar ainda no primeiro tempo também ficou claro, para a maioria dos espectadores, que dificilmente o Remo deixaria escapar a vitória. Pelo simples fato de que o time tem sido guerreiro e incansável na busca de seus objetivos, e ontem não seria diferente.

A confiança do torcedor era mais do que justificada. Depois de um começo de ano decepcionante, com direito à eliminação precoce no primeiro turno do Campeonato Estadual, o Remo renasceu das cinzas nas últimas quatro semanas.

Chegou a frequentar a penúltima posição na classificação geral do campeonato, enchendo de apreensão sua massa torcedora. Ao mesmo tempo, o clube vivia uma das mais atribuladas passagens de sua vida administrativa, com dívidas de todo tipo e salários em atraso.

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Quando tudo parecia caminhar para mais um ano perdido, eis que os dirigentes, num rasgo de lucidez, substituíram o técnico Zé Teodoro por Cacaio. Convocado na bacia das almas, o ex-atacante azulino se vestiu de guerreiro e enfrentou as tormentas junto com o elenco de jogadores.

O desfecho desse esforço conjunto ao longo da segunda metade do campeonato foi estampado ontem diante de uma plateia entusiasmada, que cantou desde o começo da tarde e saiu do estádio Mangueirão satisfeita com o comprometimento de seus jogadores.

Ao longo dos 90 minutos, o Independente se mostrou um adversário à altura, disposto a vender cara a derrota. Surpreendido logo aos 50 segundos com o gol de Rafael Paty após rebote de Alencar Baú, a equipe de Tucuruí seguiu fiel à cartilha da cautela, evitando se expor demais.

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Chicão controlava o jogo pelo meio e Kariri se adiantava para tabelar com Joãozinho e Léo Rosa pelo lado direito do ataque. À base de toques rápidos, ambos envolveram Alex Ruan e quase chegaram ao gol em duas investidas. A defesa se mantinha recuada, temendo novas tentativas do rápido ataque remista.

Apesar desses cuidados, Bismarck e Levy continuaram forçando em cima do setor esquerdo do Independente. Uma falta sobre Ratinho permitiu que Eduardo Ramos lançasse na área, aos 26 minutos, para outra testada de Paty. A bola, de cima para baixo, não deu chances a Alencar Baú.

O escore de 2 a 0, como todo mundo sabe, alimenta no vencedor a ilusão de que tudo está consolidado e permite ao derrotado acreditar que a reversão é possível. E foram essas duas situações conflitantes que tornaram o confronto intenso e emocionante até o final.

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Ainda no primeiro tempo, o Independente teve boa chance de diminuir, mas Wegno errou o cabeceio dentro da área. Por seu turno, o Remo chegou com Ratinho, que bateu da entrada da área para firme defesa de Alencar.

Na etapa final, o Independente mudou de estratégia. Sem tempo a perder, lançou-se ao ataque a todo vapor desde o primeiro minuto. Ameaçou duas vezes, com Wegno e Joãozinho, mas a zaga remista conseguiu afastar. Em escanteio, Dudu desviou no canto direito, mas Fabiano fez grande defesa.

O Remo tentava sair em contra-ataques, mas Ramos e Paty estavam muito vigiados e Bismarck raramente recebia lançamentos em profundidade. Para piorar, Dadá não reeditava as últimas boas atuações e o lado esquerdo da zaga seguia vulnerável aos ataques do Independente.

Aos 34, Léo Rosa cobrou falta que atravessou toda a extensão da área e passou raspando o poste direito de Fabiano. Foi a última chance real de gol criada pelo Independente. O time continuou a atacar, mas se perdia nas bolas aéreas, facilitando o trabalho dos zagueiros remistas.

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Nos últimos instantes, Sílvio (que substituiu Paty) perdeu excelente oportunidade de ampliar a vantagem. Alencar saltou e impediu o gol que daria uma falsa impressão de facilidade no placar final. O Remo mereceu vencer e levantar o caneco, mas o Independente teve grande atuação e dificultou bastante as coisas.

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Lecheva tentou explorar o cansaço remista

Como reflexo da maratona das últimas semanas, o cansaço do time remista era visível já a partir dos 15 minutos do segundo tempo. Jogadores como Eduardo Ramos, Bismarck e Rafael Paty tinham dificuldades em acompanhar o ritmo veloz que o Independente botou no jogo. Lecheva, obviamente, percebeu que alguns jogadores do Remo já não rendiam e lançou Douglas Piauí para aumentar a velocidade de seu ataque. Quase funcionou.

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Teve ainda a ajuda involuntária de Cacaio, que decidiu botar Alberto e Felipe Macena para conter a pressão do adversário, mas deixou seu ataque reduzido a Sílvio pela esquerda lutando sempre contra dois marcadores e atraiu de vez o Independente para seu campo. Ficou a impressão de que Val Barreto podia ser uma opção mais interessante, até para incomodar o sistema defensivo do Independente.

De maneira geral, o time do Remo se comportou bem até o intervalo. Era evidente a busca por um placar tranquilizador, tarefa bastante auxiliada pelos dois gols obtidos antes dos 30 minutos de jogo. Cacaio e seus jogadores sabiam que não seria possível se impor à correria do Independente no segundo tempo. O plano deu certo, embora tenha sido submetido a alguns sustos. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

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Vasco campeão, Botafogo em recuperação

O Botafogo chegou muito mais longe do que sua apaixonada torcida imaginava. Eliminar a dupla Fla-Flu e chegar à final do Carioca foi uma façanha e tanto. Mais difícil era superar o Vasco motivado e com elenco ligeiramente superior, tendo ainda em seu favor lances de puro acaso ou cochilo da instável zaga alvinegra, como no segundo gol de ontem.

Título merecido para o Vasco e jornada digna de um Botafogo em reconstrução.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 04)

Imagens do carnaval azulino no Mangueirão

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Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola

Clube do Remo, bicampeão paraense 2014-2015

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Foto: MÁRIO QUADROS/Bola

Remo x Independente (comentários online)

Campeonato Paraense 2015 – Final

Remo x Independente – estádio Jornalista Edgard Proença, 16h

Rádio Clube _ IBOPE_ Segunda a Sexta _ Tabloide

Na Rádio Clube, Ronaldo Porto narra, Carlos Castilho comenta. Reportagens – Paulo Caxiado, Giuseppe Tommaso, Hailton Silva, Saulo Zaire. Banco de Informações – Adilson Brasil, Fábio Scerni.

Bola na Torre, 00h10, na RBATV, com Guilherme Guerreiro, Giuseppe Tommaso, Gerson Nogueira e Valmir Rodrigues.