Águia arranca empate nos minutos finais

Não foi o resultado dos sonhos, mas, nas circunstâncias, o Águia acabou saindo satisfeito com o empate em 1 a 1 diante do América de Natal, neste domingo à tarde, no estádio Zinho Oliveira. O América saiu na frente, marcando com o zagueiro Flávio Boaventura, aos 20 minutos do primeiro tempo. E o empate do Águia só aconteceu nos instantes finais da partida.

Com várias estreias no time e armado no esquema 3-6-1, o Águia mostrava certa desorganização em campo, permitindo que o América fizesse seguidos ataques, puxados principalmente por Tiago Potiguar. No plano ofensivo, o Azulão marabaense se saía melhor, criando boas chances, embora falhando no momento de definição. O América teve o jogador Maguinho expulso por falta violenta sobre o lateral-esquerdo Ednaldo.

O América teria outro expulso no segundo tempo. Adriano Pardal (ex-Remo) levou o segundo cartão amarelo e foi excluído, deixando o time potiguar com apenas 9 em campo. O Águia cresceu então em campo e partiu para buscar o empate, mas se atrapalhava nas ações ofensivas. A igualdade só viria aos 43 minutos, em disparo do meia Flamel.

A próxima partida do Águia será fora de casa, no próximo domingo, 24, contra o Salgueiro-PE.

Águia – Paulo Rafael; Fred (Lineker), Bernardo e Negretti; Ari, Diego (Daniel), Esdras (Danúbio), Mael, Flamel e Ednaldo; Monga. Técnico: João Galvão.

América – Busatto; Maguinho, Flávio Boaventura, Cléber e Álvaro (Régis); Judson, Zé Antônio, Adriano Pardal e Cascata (Mateus); Tiago Potiguar (Rocha) e Max. Técnico: Roberto Fernandes.

(Com informações da Rádio Clube do Pará)

Prova da falta de prova

POR JANIO DE FREITAS, na Folha de SP

As entrevistas dos integrantes da força-tarefa da Lava Jato, para comunicar a denúncia formal contra quatro ex-deputados, confirmam a impressão de que as delações premiadas movimentam muitas acusações e suspeitas, mas não suprem a carência de investigações para produzir provas. E, sem provas, as delações agitam e impressionam, no entanto não superam a sua precariedade para enfrentar as exigências de um julgamento correto.

Não que as acusações aos quatro sejam infundadas. Podem ser em tudo verdadeiras. É mesmo o que sugerem os currículos de Pedro Corrêa e Luiz Argôlo, e ainda as afirmações recentes sobre o ex-petista André Vargas e Aline Corrêa, filha de Pedro. Chega a parecer que foram escolhidos, para inaugurar a galeria dos denunciados, por não provocarem questionamentos às acusações expostas.

O que não diminuiu os pedidos, dos repórteres aos entrevistados, de esclarecimentos e mais pormenores sobre pontos envolvendo as esperadas provas. As respostas não puderam sair da vaguidão. Os procuradores não tergiversavam, foram bastante fracos. Mas as respostas eram “isso [as provas] vai ser apurado durante a ação”, “ainda não temos”, “estamos buscando”, coisas assim.

A pretendida indicação objetiva de prova foi mais insatisfatória. “Deu mais de mil telefonemas” para tal ou qual entidade pode ser um indício, mas, no caso, nada prova. Pior ainda: “Ele tinha entrada na Caixa”. Ainda que somadas, constatações assim podem fazer convicção, mas é improvável que façam condenação.

Para uma operação que há um ano e dois meses já punha suspeitos na cadeia, o coletado contra os quatro denunciados e, ao que parece, dos mais fáceis acusáveis é, pelo que foi exposto, muito pouco. A impressão de disparidade entre as delações premiadas prioritárias e as investigações policiais necessárias permanece. Agora, ela sim, com prova.

PERDAS E GANHOS

Tanto o governo Dilma como os que voltam a discutir o “fator previdenciário” não levam em conta a essência desse mecanismo: a injustiça. Ele pune os obrigados a se tornarem trabalhadores mais cedo na vida: exige-lhes, para receber aposentadoria integral, mais anos de contribuição previdenciária do que aos iniciados mais tarde no trabalho. Muitos anos mais, sobretudo, do que o exigido aos que têm meios para estender os estudos em universidade, ou mais ainda.

São “benefícios” diferenciados para quem fez o mesmo para recebê-los. E como são os despossuídos a iniciarem mais cedo a vida de trabalho e contribuição previdenciária, a diferenciação de tratamento que os prejudica é uma discriminação social e econômica explícita.

Ficou provada a constância com que os aposentados ainda na meia idade, com aposentadoria integral de homens aos 35 anos de contribuição e as mulheres 30, continuavam trabalhando. E, a depender dos patrões, a contribuir para a Previdência por terem carteira assinada. Isso porque, além do mais, a aposentadoria de trabalhador pela CLT é uma indecente porcaria.

Era a justa aposentadoria proporcional e indiscriminatória, em conformidade com o tempo de contribuição. Fora desta regra, antes do “fator previdenciário” e também com ele, só os funcionários públicos. Os civis, com o privilégio da aposentadoria integral idêntica aos vencimentos. E a mamata das mamatas dada ao militar, de receber como aposentado o soldo próprio do posto superior àquele em que se aposentou.

BEM CLARO

Fernando Henrique em Nova York: “Esses malfeitos vêm de outro governo, isso deve ficar bem claro. Vêm do governo Lula. Começou aí”.

Se é para “ficar bem claro”, vêm de outro governo, sim. Como disse Pedro Barusco em sua delação premiada e na Câmara, “começou em 1997” na Petrobras do governo Fernando Henrique. Ou o que é dito em delação premiada vale só contra adversários de Fernando Henrique?

Uma praga do continente

POR GERSON NOGUEIRA

A América do Sul criou fama e deitou na cama como cenário de futebol técnico, bem jogado e até artístico, graças a alguns dos maiores craques que o mundo já viu. Maradona, Sócrates, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Riquelme, Zico, Francescoli, Falcão, Júnior, Valderrama, Romário, Messi, James Rodriguez, Neymar, Di Maria. Dá para citar mais de uma dezena de nomes, apenas dos que surgiram dos anos 80 em diante.

Paralelamente à justificada fama de malabaristas da bola, os sul-americanos foram acumulando a pecha de violentos em campo e mais selvagens ainda fora dele. Os acontecimentos de quinta-feira no estádio de La Bombonera, mítico caldeirão do Boca Juniors em Buenos Aires, fizeram reviver a era das trevas, quando visitar adversários significava enfrentar uma verdadeira guerra em campo.

unnamed (57)Quando as imagens exibiram as marcas de queimaduras nos jogadores do River Plate, alvejados com gás de pimenta no túnel de acesso ao gramado, esses tristes tempos reapareceram com toda força e nitidez.

A baderna de torcida foi felizmente combatida e extinta na maioria dos países da Europa, depois de um período dominado pelos hoolligans no Reino Unido e pelas gangues neonazistas no Leste Europeu.

Na América do Sul, principalmente na Argentina e no Brasil, persiste uma feroz resistência. Tudo originado das indomáveis e impunes “organizadas”, que fazem do futebol apenas uma desculpa para extravazar os ímpetos de ódio, fúria e bestialidade.

O que ocorreu na Bombonera não é uma exclusividade argentina. Acontece de vez em quando nos demais estádios da Libertadores. Há dois anos, o mundo acompanhou estarrecido a tragédia de Oruro, quando um garoto boliviano de 14 anos foi mortalmente ferido por um sinalizador lançado pela torcida corintiana Gaviões da Fiel.

A Conmebol, lenta como sempre, prometeu medidas que resguardassem a segurança dos torcedores, mas o episódio da Bombonera mostra que tudo continua como dantes. Onde as facções radicais se envolvem não há aparato de segurança que impeça tumultos e cenas degradantes.

As imagens da televisão mostraram um detalhe ainda mais patético na Bombonera. Os policiais tinham receio de mexer com o grupo “barra brava” que permanecia nas arquibancadas depois que a partida foi suspensa e os demais torcedores tinham ido embora. Só deixaram o estádio quando bem entenderam e, pelo visto, ninguém foi preso.

Mais terrível foi a ação das autoridades do jogo e do governo, que no primeiro momento tentaram negar o ocorrido, brigando com as imagens exibidas ao vivo pelas emissoras de TV. O secretário de Segurança Sergio Berni teve a pachorra de dizer que não havia ocorrido qualquer incidente.

O delegado da Conmebol ficou ligando para um médico paraguaio a fim de avaliar se os atletas Vangioni, Ponzio e Mori, do River Plate, tinham ou não condições de jogar. O árbitro esperou uma hora para decidir pela interrupção da partida. A própria Conmebol estabeleceu um inacreditável prazo até 14 horas de sexta-feira para o Boca “apresentar defesa”.

A Argentina enfrenta há mais de duas décadas o terror dos “barra-brava” sem conseguir levar vantagem. Optou até pela medida drástica de torcida única nos jogos oficiais, ação desmoralizada pelo constrangedor espetáculo de quinta-feira. O pânico que as gangues causam é tão visível que os jogadores do Boca se recusaram a voltar aos vestiários junto com os colegas do River, temendo represálias.

Espera-se que, desta vez, a Conmebol não resolva aplicar o esquisito critério usado em jogo entre Corinthians e River no Pacaembu anos atrás, marcado por brigas entre “organizados” e policiais. Na ocasião, mineiramente, a entidade preferiu declarar o estádio como culpado.

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A saga cruel dos andarilhos profissionais

Quando saem as listas de dispensas nos clubes, como agora no Remo, que liberou seis atletas de uma só tacada, há quem veja nisso algo inteiramente normal e corriqueiro nesse ramo de andarilhos profissionais. Sob certo ponto de vista, até é normal, levando-se em conta o caráter temporário da maioria dos contratos.

Ocorre que o futebol brasileiro tem uma das estatísticas mais cruéis quanto a desemprego. A cada começo de temporada, logo depois dos campeonatos estaduais e das Copas Regionais, aproximadamente 11 mil atletas ficam sem trabalho. Se for aplicado o cálculo básico de mais três dependentes por cada profissional desempregado, serão 44 mil pessoas em dificuldades.

Quando o Bom Senso F. C. iniciou mobilização para interferir no projeto de regulamentação do esporte no Brasil mostrou particular preocupação com a dura realidade dos boleiros sem glamour, aqueles que não frequentam o noticiário dos grandes centros e nem têm seus gols mostrados nos principais canais de esporte.

São deserdados da sorte. Brasileiros como tantos outros de áreas diversas que convivem com o fantasma do desemprego e das incertezas.

Algo precisa ser feito, já.

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Bola na Torre

O programa analisa a segunda rodada da Série B e a estreia do Águia na Série C. Guerreiro comanda, com participações de Tommaso, Rui Guimarães. Começa logo depois do Pânico na Band.

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Perguntinha (im)pertinente

Que fim levou o inquérito do Ministério Público sobre a máfia da falsificação de ingressos nos estádios de Belém?

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Até breve

A coluna concede folga a seus 27 baluartes. Até mais ver.

Sigam-me os bons!

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 17)