Brunoro confirma Brasília na Sul-Americana

Um dia após ser apresentado como diretor executivo do Brasília Futebol Clube, José Carlos Brunoro foi conhecer o Centro de Treinamento (pelo menos até dezembro de 2016) do clube. Brunoro recebeu e deu as boas-vindas à nova etapa do time e declarou que o Brasília vai jogar a Copa Sul-Americana no segundo semestre. “O mais fácil seria não jogar, mas por ser um fato histórico para o futebol da cidade, decidimos continuar na competição”, revelou.

Além do gestor estiveram presentes no antigo CT do CFZ, localizado no Park Way, os jogadores e membros da comissão técnica que permanecerão na equipe para o restante da temporada. “Estamos felizes com a chegada de alguém com o seu gabarito. E tenho a certeza que o trabalho vai ser bem realizado, com os frutos sendo vistos dentro de campo”, relatou o capitão Pedro Ayub, ao ser cumprimentado por Brunoro.

Para finalizar a conversa com os novos companheiros de trabalho, Brunoro convocou a todos para a reapresentação no dia 1º de junho, quando se iniciarão os treinamentos para a primeira competição internacional de um time candango. Aqui cada jogador vai pensar em jogar bola. A obrigação dos dirigentes é dar as melhores condições aos atletas e comissão técnica. E para isso vamos nos empenhar ao máximo”, ponderou.

Atletas confirmados no elenco:

Artur (goleiro), Pedro Ayub (volante), Santos (meia-atacante), Wilian (meia), Índio (zagueiro), André (zagueiro), Kleberson (volante), Michel Platini (atacante), Giba (atacante) e Heverton (atacante). Este último foi artilheiro do Campeonato Brasiliense de 2015, com seis gols, e está emprestado ao Caxias-RS. (Do site oficial do Brasília)

A frase do dia

“Cada vez que um vagabundo insulta em público alguém do governo (como aconteceu meses atrás com o Guido Mantega num hospital e ontem num restaurante com o Alexandre Padilha), fica fácil entender por que São Paulo virou um  cemitério de elefantes de extrema direita. Primeiro foi o Roberto Freire. depois o Bolsonaro Filho. agora é o Roberto Jefferson que ameaça se candidatar a deputado por São Paulo. Muito apropriado. aqui é o ninho onde eles estão chocando o ovo da serpente”.

Fernando Moraes, jornalista e escritor. 

A brasileiros, Pep Guardiola afirma que ganharia a Copa do Mundo com Neymar

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POR FRANCISCO DE LAURENTIIS E VLADIMIR BIANCHINI, DA ESPN

Quando Mano Menezes foi demitido da Seleção Brasileira, em novembro de 2012, ganhou força o nome de Josep Guardiola para assumir o comando do Brasil. O treinador vinha de temporadas espetaculares com o Barcelona, ganhando todos os títulos possíveis, e gozava de folga em um ano sabático após deixar a equipe catalã. O então presidente da CBF, José Maria Marin, porém, mostrou-se contrário a contratar um estrangeiro e escolheu Luiz Felipe Scolari para o cargo.

Todos sabem como a história terminou.

O que poucos têm conhecimento é que Guardiola estava ansioso para receber um convite para treinar o Brasil, e teria aceitado sem pensar duas vezes. Mais: ele garantiu que, com Neymar ao seu lado, teria conquistado a Copa do Mundo de 2014.

Quem revela é o ex-goleiro Júlio Sérgio, que teve passagens marcantes por Santos e Roma. Hoje aposentado, ele está se preparando para ser treinador, e fez um estágio com “Pep” no Bayern de Munique em março deste ano. Nas conversas com o técnico, ouviu o lamento do catalão por não ter sido convidado para trabalhar com a equipe canarinho.

“Ele me falou que tinha o sonho de um dia treinar a seleção brasileira, e que aceitaria na hora um convite. Ele disse que queria comandar o Brasil na Copa de 2014, e garantiu que, se ele fosse treinador da seleção e tivesse o Neymar, teria sido campeão”, contou Júlio Sérgio, em entrevista ao ESPN.com.br.

Como o chamado da CBF não veio, Guardiola acabou aceitando o convite do Bayern de Munique, que fechou sua contratação em janeiro de 2013. Em junho do mesmo ano, assumiu o cargo de treinador, no lugar de Jupp Heynckes. Em dois anos de trabalho, soma cinco títulos: dois Campeonatos Alemães, um Mundial de Clubes, uma Copa da Alemanha e uma Supercopa da Uefa.

Os estágios de Júlio Sérgio

O ex-goleiro, bicampeão do Brasileiro pelo Santos e bi da Copa da Itália com a Roma, anunciou sua aposentadoria em junho do ano passado, após passagem pelo Comercial de Ribeirão Preto, sua cidade natal. Desde então, vem se dedicando a cursos na Europa para ser treinador.

350_234cb7ec-4ae5-382d-a2e7-bf80ef311834Como fala italiano fluente, graças aos sete anos em que jogou na terra do Calcio, Júlio Sérgio fez estágios na Roma, seu ex-clube, e também na rival Lazio. Também teve experiência com Carlo Ancelotti, no Real Madrid, além da semana que passou observando o trabalho de Pep Guardiola no Bayern de Munique.

“Resolvi me capacitar para fazer bem feito. Estou percorrendo esta estrada e espero trabalhar como técnico o mais rápido possível. A princípio quero ser treinador profissional, mas se for uma equipe com boa estrutura e trabalho integrado, não descarto trabalhar com base. Acho que falta isso no Brasil: um trabalho sério, que forme jogadores e cidadãos”, comentou.

Nos estágios, Júlio acompanhou dois treinadores já com alguns anos de experiência: Dorival Júnior e Vágner Mancini, que atualmente estão desempregados. “No Bayern, ficamos uma semana e conversamos muito com o Guardiola. O Dorival e o Vágner foram para confirmar a linha de trabalho deles no Brasil e se estão muito defesados em relação à Europa. Eu fui mais para ver a postura do Guardiola, como ele trabalha. A gente sabe que ele é um revolucionário das táticas, e conversar com ele te faz entender melhor os movimentos que o time faz em campo. Foi fantástico, muito proveitoso, aprendi muito. Se puder fazer mais vezes, eu quero”, ressaltou.

“O cara vive futebol 24 horas por dia, é muito adorado pelos jogadores lá. Ele é algo muito diferente do que estamos acostumados a ver”, acrescentou. Outra boa experiência do trio foi no Real Madrid. Na capital espanhola, bateram papo com Carlo Ancelotti, que falou sobre treinos, táticas e otras cositas más.

“O Real tem uma estrutura de outro mundo, o CT é algo fenomenal, nunca tinha visto nada parecido! Tivemos oportunidade de falar com o Ancelotti por mais de duas horas, discutindo sobre tudo, e ele nos explicou vários pontos do trabalho. Ele mesmo falou que era legal essa oportunidade, porque era difícil ele ter tempo para falar com outros treinadores, pois geralmente ele só conversa com o presidente e os jogadores. Foi um privilégio percebermos que ele estava se divertindo também”, narrou.

Já na Itália, Júlio Sérgio teve contato com os métodos de trabalho alternativos dos treinadores Rudi García, da Roma, e Stefano Pioli, da Lazio.

“O Rudi pensa que na sexta, ao invés do rachão, o jogador escolhe o que vai fazer: bobinho, finalização ou apenas fisioterapia. Ele acredita que é preciso descansar antes da partida no domingo. E na Lazio o mais interessante foi ver que eles sabem que são inferiores tecnicamente, então o técnico usa o esquema da motivação. É um trabalho muito bem feito, pois eles estão quase de volta à Champions“, finalizou.

Bomba: contratos revelam que CBF não tem autonomia na convocação da Seleção

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DA ESPN

O jornal O Estado de S. Paulo revelou neste sábado, através de contratos obtidos com exclusividade, como a CBF ‘vendeu’ a seleção brasileira em acordos comerciais para organização de amistosos que estabelecem, dentre outros itens, que a substituição na lista de convocados precisa ser feita em “mútuo acordo” e que o atleta a ser chamado precisa ter o mesmo “valor de marketing” do cortado.

A CBF mantém desde 2006 a realização de seus compromissos pelo mundo a cargo da ISE Sports, ligada ao grupo Dallah Al Baraka, um dos maiores conglomerados do Oriente Médio, mas que funciona apenas como uma empresa de fachada nas Ilhas Cayman.

Ela sublicenciou até 2012 a operação para a Kentaro.

A partir de então, a função passou para as mãos da Pitch International, que adotou uma postura mais ‘dura’ no cumprimento do acordo.

Ficou estipulado, por exemplo, que a seleção deveria entrar sempre em campo com seus principais nomes, sem qualquer possibilidade de testar jovens jogadores ou fazer uso dos amistosos para preparar o seu time olímpico. “A CBF garantirá e assegurará que os jogadores do Time A que estão jogando nas competições oficiais participarão em qualquer e toda partida”, diz o artigo 9.1.

Mais do que isso: em caso de substituição de atleta contundido, a CBF terá de enviar certificado médico aos representantes da ISE para comprovar a ausência de condições

para atuar e substituir por um outro “nível similar, com relação a valor de marketing, habilidades técnicas, reputação”.

Em caso de descumprimento da condição, a empresa deixa claro que o cachê seria, então, reduzido a 50% do combinado – US$ 1,05 milhão (R$ 3,14 milhões).

A negociação para mudança de operadora da Kentaro para a ISE envolveu ainda uma briga nos bastidores entre a dupla José Maria Marin e Marco Polo Del Nero e o ex-presidente Ricardo Teixeira.

Na eventual manutenção da Kentaro, ficou combinado, segundo o Estado, que a família Figer, que desempenhou o papel de intermediária nas conversas, faturaria US$ 132 milhões no acordo de dez anos, entre 2012 e 2022.

“Toda vez que vem uma proposta você tem de ouvir. Se for interessante, podemos romper o contrato (em vigência), desde que sejam pagas as multas. Então, nós analisamos (a proposta da Kentaro, através de Figer), mas não chegou àquilo que poderia nos interessar”, afirmou Del Nero ao jornal.

Pobre o país cujos filósofos são Pondé e Olavo

POR PAULO NOGUEIRA, no DCM

Pobre o país cujos filósofos mais conhecidos são Pondé e Olavo de Carvalho. Não peço Sêneca, não peço Montaigne, não peço Zenão.

Mas Carvalho e Pondé?

Um leitor reclamou de Pondé, vi no Twitter da Folha esta manhã. Fui verificar. Ele se queixava de uma frase de Pondé que dizia o seguinte, mais ou menos: “Os Estados Unidos são a melhor democracia do mundo e ninguém vai para as ruas protestar.”

Não vou discutir a idolatria de Pondé pelos Estados Unidos. Mas, como estranhou o leitor, não existem protestos lá?

Como os negros conquistaram direitos? Sentados nos cantos nos quais eram discriminados? Como a sociedade exigiu o fim da Guerra do Vietnã: vendo televisão e comendo pipoca?

E agora: o que foi o movimento Ocupe Wall Street?

image107Fui ler o texto de Pondé. Se entendi bem, havia lá uma tese segundo a qual a Revolução Francesa foi um equívoco da história.

Bem, este é nosso filósofo. Danton, Robespierre simplesmente são ilusões de ótica. No mundo ideal, estaríamos sob o Luís 150 na França.

Não existe maior demonstração de conservadorismo do que repudiar protestos. São eles que movem o mundo e reequilibram situações de enorme disparidade e injustiça.

Nada, rigorosamente nada, cai no colo de quem está por baixo. Ou, já que falamos dos OWS, dos 99%. Nos Estados Unidos mesmo, os debates sobre a iniquidade só ganharam a agenda nacional depois do OWS. Obama se reelegeu, mesmo com a economia em pedaços, porque usou a questão da desigualdade contra Mitt Romney, seu adversário.

Romney foi flagrado dizendo a portas fechadas que não se importava com os “47%” mais pobres entre os americanos. A campanha de Obama martelou essa fala de Romney nos americanos.

Pondé acha que é “moderno” ao repetir lugares comuns do thatcherismo e do reaganismo, mas não existe nada mais obsoleto e mais fracassado historicamente do que a doutrina de Thatcher e de Reagan.

Pondé quer parecer Paulo Francis com isso. Mas tudo que ele consegue é ser um cruzamento bizarro de Olavo de Carvalho e Rodrigo Constantino.

Publicado originalmente em outubro de 2013.