Por Gerson Nogueira
As emoções da rodada decisiva de classificação para as semifinais do returno ficaram muito aquém do esperado. A rigor, certo suspense só ocorreu nos minutos finais dos jogos entre Independente x Águia e São Raimundo x Paissandu, pois o empate em Santarém ou a virada do Galo em Tucuruí mudaria o alinhamento das equipes semifinalistas.
Mas ficou mais no ensaio, guardando rigorosa coerência com o clima geral do campeonato, até agora morno e sem despertar maiores agitações e expectativas no torcedor. Talvez a grande notícia da rodada de ontem foi a ressurreição da possibilidade de um Re-Pa decidindo o returno, caso os dois velhos rivais consigam superar São Francisco e Águia.

Acompanhei pela TV o jogo São Raimundo x Paissandu, o jogo mais aguardado da tarde e devo admitir que a autêntica pelada disputada no primeiro tempo deu sono. A monotonia só foi quebrada pelo gol de Douglas em vacilo do goleiro Labilá e seus zagueiros, que ficaram acompanhando o zagueiro cabecear para o gol vazio. A torcida santarena, que se revoltou depois da partida, desconfiando de uma certeza moleza de sua equipe, tem razão pelo menos quanto ao péssimo futebol mostrado.
O São Raimundo passou o jogo correndo atrás do Paissandu, que não chegou a fazer uma atuação esplendorosa, porém tinha mais senso de colocação e conseguia trocar passes com acerto.
Acima de tudo, contava com Billy marcando bem no meio e Héliton levando ampla vantagem no duelo com os defensores. Os demais jogadores mostravam disposição e vontade de vencer, temendo o vexame de um rebaixamento – mesmo que de mentirinha, pois já há forte articulação para que os oito clubes sejam mantidos na divisão principal em 2013, deixando tudo como está.
Do lado santareno, não se via sequer a tradicional garra. O time comportava-se como bando, errando passes curtos e falhando muito na defesa. No começo do segundo tempo, Héliton e Magrão tiveram chances de ampliar a vantagem, mas erraram nas finalizações. O Paissandu marcava forte, recuperava a posse da bola e tentava partir em velocidade, tarefa facilitada pela desarrumação defensiva do adversário.
Com a entrada de João Pedro, Déo Curuçá e Zé Rodrigues, o São Raimundo ganhou nova cara e equilibrou o meio-de-campo, passando a levar algum perigo na frente. Zé Rodrigues quase marcou de meia-bicicleta e Fernando Caranga chutou duas bolas com muito perigo, assustando a defesa do Papão.

A reação, porém, não chegou a se consolidar porque o time apresentava problemas sérios nas laterais e na criação. No estilo habitual, Zeziel errava todas, Amaral não rendia e no meio apenas Adriano buscava organizar as coisas. Sem dúvida, foi um dos piores jogos do Pantera no campeonato.
Apesar disso, a comemoração emocionada dos jogadores do Paissandu no final da partida comprova que o nosso futebol está mesmo perdendo suas referências. Uma vitória simples, conquistada sem maiores brilhos, adquiriu contornos épicos e motivou até pagamento de promessa pelo meia Leandrinho – cujos joelhos devem andar castigados por tantas prendas neste campeonato. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)
No Baenão, segundo o relato dos companheiros da Rádio Clube, o Remo reeditou problemas recentes na ligação entre meio-campo e ataque, mas se valeu da objetividade de seus atacantes para estabelecer uma vitória sem brilho, mas importante. (Fotos: EVERALDO NASCIMENTO/Bola)
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 02)



